ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto


Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social

Virtudes do futebol: pra qual delas você torce?

“Lutar, lutar, lutar / com toda nossa raça pra vencer...” – hino do Clube Atlético Mineiro

Abaixo algumas virtudes do futebol que sem elas e outras, não há salvação.


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O primeiro beijo entre homens na América do sul foi dado pelos argentinos Maradona e Caniggia; com o tempo, o ato libertário de amor homossexual se esparramou pelo mundo, virando uma pandemia febril. Por sinal, após 20 anos, até as novelas brasileiras aderiram o beijo que representa o amor incondicional entre duas pessoas de mesmo sexo.

pele.jpgRei, rei, rei, o Pelé é o vosso rei!

A lei Pelé contribuiu para que o futebol brasileiro seja o que é: “peladas” jogadas em valiosos campos com torcedores assíduos que ainda insistem em ir aos estádios nas tardes de domingo com o sol quebrando coco (se fosse para trabalhar em mutirão comunitário no enchimento de uma laje, não apareceria um) e por elas, gladiam, se devoram, se matam. Na recente partida entre a seleção de europeus-brasileiros em Recife, um mês antes do duelo contra os uruguaios, os 50 mil ingressos já haviam sido vendidos. O povo bota emoção naquilo que em nada contribui socialmente, que é o primeiro parâmetro mensurável de inteligência entre os sócios que compõem uma sociedade (im)perfeita.

Além dos consagrados títulos de campeão em Microcefalia, Mortes no Trânsito e por H1N1 e a eterna Corrupção Deslavada, quais as outras modalidades o Brasil foi condecorado como campeão do mundo pela Nova Ordem Mundial; órgão também conhecido como a Globalização dos Piores?
Falou em corrupção e mortes, (o somatório entre as diversas modalidades é maior que o montante de guerra) chamem os brasileiros com pós-doctor em política e futebol, que aparecerão os bons e qualificados corruptos e o CSB: Clube dos Selváticos da Bola. Tanto esperaram pelo momento, que estão erguendo a taça de campeão em mortes em confrontos entre torcidas do “Século XXI”.
O futebol é o meio de manobra e a cocaína lícita da massa brasileira. O que convenhamos, permanece dentro dos padrões modernos estabelecidos, (seria padrão FIFA?) porque, em condições normais de temperatura (com pressão) é poderoso alucinógeno alienante. E como o futebol tornou-se uma máquina de produzir alienados! E quem se beneficia? Fora os clubes, jogadores, dirigentes e pessoas ligadas diretamente ao futebol que abarrotam os seus cofres de ouro e prata, o benefício vai para aqueles que estão na política; pois, esse esporte veda as vistas e as evidências dos fatos e acontecimentos; pois, a emoção dispensada a uma partida de futebol está muitos degraus acima da razão humana.
Em seu mandato, o corintiano ex-presidente Lula cansou de interromper a sua agenda (e agora veio à tona os bons serviços prestados ao povo) para receber jogadores e dirigentes em seu gabinete. E o pior: através de Tevez e Mascherano, rendeu-se aos argentinos, povo que os brasileiros odiavam no futebol. Ninguém nunca soube para qual finalidade foi o encontro, exceto o egrégio ex-presidente e os demais cavaleiros da távola redonda, claro.
Embora tivesse certa ligação com outras modalidades (por exemplo: regatas) o futebol evoluiu quando praticado nas periferias, tanto das cidades pequenas, quanto maiores. Era tido como forma de humanização entre os varzeanos. E a prova é que em São Paulo havia acirrados (disputa somente pela bola) campeonatos de várzea: “Desafio ao galo” era um deles. E espaços como o enorme campus da USP (Universidade de São Paulo) e o parque do Ibirapuera eram abertos para a interação humana; e a prática do futebol encabeçava aquilo que, do que era, sobrou pelo menos o saudosismo dos bons tempos de pelada do esporte bretão, como chamavam o futebol varzeano ou de rua.
À medida que o tempo flui, as mudanças fazem-se necessárias; obviamente, que para pior. E o futebol, que chamam de profissional, entrou nesse rol de mudanças bruscas, as quais ocorrem da noite para o dia; e a derrocada começou quando deixou de ser esporte permeado (embora falsa, porque sempre imperou o dinheiro) pela humanização e passou a ser dominado pela minoria capitalista do país e do mundo. Com isto, por volta dos anos de 1990 para cá, quem detém o capital, caso da empresa de leite Parmalat que naquela década saiu de Parma, Itália, para injetar altas fortunas no Palmeiras e tanto é fato, que enquanto esteve à frente ditando as ordens no clube, o Palmeiras montou “seleções” (chegou a ser chamado de dream team) ganhando a maioria dos torneios que disputou. Como aqui no Brasil tudo tende a corrupção e adulteração, meteram água no leite e o Palmeiras praticamente nunca ganhou mais nada de relevância, chegando inclusive, a amargar a segunda divisão do campeonato brasileiro.
Com a decadência do Palmeiras, quem adotou a política de clube-empresa foi o Corinthians. No entanto, como não contava com os sólidos investimentos do empresário Vicente Mateus, o mais corintiano de todos os corintianos em todos os tempos, quem se prontificou para ser o investidor-mandante foi o turco Kia Joorabchian. Para expandir esse modelo de gestão, indiretamente, empresas pagam valores exorbitantes para terem seus nomes nas camisas dos clubes, dentre elas estão o banco do Brasil e a C.E.F; (Caixa Econômica Federal) instituições que são órgãos públicos e portanto, por suposição, propriedade do povo. Mas como o futebol é do povo e para o povo, tal ideia não é considerada pela obtusa massa. Por ser bem sovada, essa massa já está se transformando em biscoito amargo de se comer.
Uma vez que a prática do futebol é motivo de acontecimentos catastróficos de maior relevância, na copa do mundo de 2014 o Brasil tomou uma saraivada (7x1) de gols da Alemanha, fato jamais ocorrido com outra seleção em copa do mundo; portanto este episódio foi só repassado e não deve ser contabilizado nas estatísticas para obtenção do título de país número um em mortes nessa modalidade de esporte; como será detalhado abaixo.
Torcedores, amigos, inimigos, irmãos e família munidos de grossos caibros de madeira, pedras, tijolos, blocos de concreto, armas de fogo e brancas e até mesmo pias e vasos sanitários, partem para a guerra campal e salve-se quem puder. Sem as vestes características dos velhos gladiadores, o confronto animalesco faz derramar lágrimas nos rostos de algumas mães; sobretudo, insanamente, os combatentes transformam qualquer espaço público em semelhantes arenas gregas-romanas. É o Brasil, através do futebol, revivendo a história passada; e aí, a dor, o sangue e as mortes são inevitáveis.

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Em Recife, ao término de um dos clássicos, enquanto os jogadores gozavam de um merecido banho, porque jogar futebol é trabalho penoso e a remuneração, que é uma mixaria, suficiente somente para sobreviver de feijão e arroz no prato, os torcedores gladiavam pelas ruas ao redor do estádio. Faltando armas para atacar, um moço arrancou um vaso de um dos banheiros e foi à luta. Estando ele na parte de cima do viaduto, deixou cair o objeto na parte de baixo por onde um distraído inimigo trafegava: imagina-se que o estrago tenha sido razoável.
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Em 1995, na final da copa São Paulo de futebol júnior, campeonato disputado por menores de 20 anos, torcedores de equipes do estado de São Paulo ainda dentro do estádio, iniciaram um pequeno e nada importante duelo, que com o tempo foi ganhando adeptos. Os nervos foram aflorando e pontapés, sopapos, voadoras e petelecos de mão fechada no pé do ouvido já não bastavam, sendo imediatamente trocados por caibros voadores, pedaços de canos e ripas zunidoras e em dado momento da diversão, um infeliz torcedor caiu em ruínas e parecendo um bando de abelhas raivosas após ter sua colmeia atacada, precipitaram sobre o infeliz que àquelas alturas estava estatelado no gramado. Terminado o confronto, fora os muitos corpos escoriados e olhos roxos, a morte do moço foi apenas mais uma morte!
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Em 2015 houve 15 mortes em confronto entre torcedores. Este é o número oficial de confrontos com morte que divulgaram; porém, embates que destroem o patrimônio público é fato corriqueiro e portas e janelas de metrô, ônibus, carros, comércios são apedrejados constantemente por essa classe de trabalhadores e operários no país de Norte a Sul, que encontram na arte de jogar futebol uma maneira de amenizar o sofrimento e as angústias de residir num país de políticos honestos, sensatos e que jamais cometem atos ilícitos. Realmente deve ser muito triste e monótono viver num regime assim; onde a saúde, o transporte, a moradia, a educação e a paz funcionam perfeitamente bem.
Nos últimos 30 anos, foram registrados em média 10 mortes por ano. Destas, apenas 10 foram dentro dos estádios e o restante em qualquer outro ponto de encontro entre os vândalos, cujo codinome é torcedor de futebol. No último domingo, 03-04 do corrente ano, numa batalha surreal, uma pessoa foi vitima de bala perdida devido a mais um confronto urbano entre os amigos de guerra.
O time do Corinthians jogava sob os mais de 3000m de altitude da cidade de Oruro, Bolívia. A bola corria mais que o vento e tentando imitar a pelota, um torcedor corintiano soltou um foguete-sinalizador e contando com um chute certeiro, acertou um torcedor boliviano, levando-o a óbito imediato.

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Relacionando o acontecimento da Bolívia com o ocorrido no último domingo, um dos detidos era a pessoa que lançou o sinalizador. Hoje com 20 anos, o rapaz juntamente com os amigos de trupe, continua participando dos jogos do Corinthians, onde o Corinthians jogar; pois o que vale no futebol é a indissolúvel parceria torcedor-clube. São mais fieis que os padres e santos às esmolas recebidas nas missas.
Com o avanço da tecnologia, as coisas ficaram ainda mais fáceis de serem acordadas entre os participantes e um simples apertar de teclas, uma simples mensagem pelo whatsapp é suficiente para as torcidas confirmarem o local, o número de participantes e os tipos de armas que serão usados no embate. A justiça já fez várias tentativas para sanar o problema e uma delas foi a publicação de uma planilha com os nomes dos afiliados e membros de torcidas organizadas e entregues aos clubes, proibindo-os de entrar em estádio em dias de jogos. No entanto, os citados continuam entrando, saindo e comandando a galera nos estádios de futebol. Fazendo arruaça e comandando a alegria da massa.
É bom que saibamos que o artigo é apenas um aperitivo minúsculo de como procede a juventude, a qual o país está entregue e não há outra; a justiça e o poder público brasileiro; e sobretudo, não se deve dar importância ao mesmo, porque, o que se escreve não é para ser tomado como referência. E quando não se usa o futebol como subterfúgio para encobrir o caos político; usa-se a política para encobrir os problemas proporcionados pelo futebol e outras atividades sociais. Por tudo isto e mais o caos que se instalou no país, convenhamos que esse artigo não é sério. Palavras inócuas e inúteis pareceres de um bestial escritor que quando não tem o que fazer, põe-se a escrever sobre as riquezas de valores de um povo; e obviamente, o futebol está no topo da lista.

No futebol, esporte o qual demanda ricas fortunas e joias de alto quilate, sempre houve algo cheirando podre no reino. E de acordo como o momento, os comandantes da seleção abusavam de encher os seus cofres da seguinte maneira: um jogador que outrora atuou pela seleção, estando em decadência no exterior, aproveitava a ocasião de convocação dos selecionáveis para um amistoso qualquer e entrava em contato com os comandantes que faziam a relação dos nomes, e implorava para que o seu nome aparecesse na lista dos convocados para a partida. Entretanto, como convocar um jogador que estava encostado, terceiro reserva no clube e às vezes, inapto para o futebol devido o histórico de lesões?

Uma vez que o mundo é movido por dinheiro e por ele, tudo acontece, os comandantes propunham o depósito de uma mixaria que não era qualquer ninharia de dinheiro, e após o craque enviar o comprovante de depósito, estava automaticamente convocado. Posto para jogar, o fiasco era inerente as suas limitações, mas nem por isto, deixava de ser aplaudido pela massa; afinal, a partida não valia nada e mesmo que valesse, ganhando ou perdendo, assim que terminado o espetáculo, ia direto para aeroporto e de lá, para Europa. Da janela do avião, fazia positivo com os polegares para o Cristo Redentor e dizia: “bye, bye Brasil, um dia voltarei inteiro”! Para alguns esse dia nunca chegou; porém, para outros, eram recebidos com honra ao mérito e transportado de helicóptero ao estádio do clube, o qual pisou na camisa ao sair. Vários jogadores procederam desta forma e por pura competência, conseguiram ser aclamados pela torcida, ovacionados pelos dirigentes e heróis pelos empresários.

Valendo-me do senso comum dos antigos, que fundamentava a tese dizendo que quando se perde a vergonha, pode-se caminhar de Ushuaia até o Japão que fatalmente não a encontrará; que o leitor encontre a paz onde ela tenha caído do traslado, porque nos estádios onde se praticam esportes e cantam o hino nacional, decerto, ela não está.
Por tudo isto meus irmãos, sem futebol e um artigo indutor da paz não há salvação e indubitavelmente, compromete a entrada da massa gladiadora nos reinos dos estádios. Daqui alguns dias, com o advento das Olimpíadas, fora o futebol que possui cadeira cativa, teremos novas modalidades de combate. Até lá, e espero ter muito mais o que escrever sobre as virtudes do futebol. Valeu e salve-se enquanto há tempo!


Profeta do Arauto

Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social .
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