ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

Breve histórico da engenharia civil brasileira

Este artigo deveria preceder o artigo publicado sobre o mesmo tema; mas como escrever depende de inspiração momentânea e fatos cotidianos, a queda de parte da ciclovia na cidade que sediará as Olimpíadas, cujos morros são os esconderijos do tráfico e sabe-se lá os porquês, para alguns é “maravilhosa”, aconteceu antes que o escritor deste fosse tomado pela sensibilidade; denotando que a tragédia proporcionada pelos atos humanos prevalece sobre a inspiração do poeta.



Dito isto, desculpe-me Carlos Drummond de Andrade, mas é no funesto que devemos pensar; sobretudo, talvez acreditando no caos, os humanos exercitem mais a poesia e cometam menos propositados terrores ao seu semelhante.
A engenharia brasileira está em alta, dando o que falar e em todas as manchetes jornalísticas do Brasil e de alguns países, um tópico é dedicado à engenharia, via-de-regra, civil. Como ela é abrangente e presta a muitos segmentos sociais, as noticias versam sobre as obras de infraestrutura, também conhecida como engenharia viária que basicamente representa a engenharia civil com um todo.
barragem.jpgRepresamento das águas: paisagem dual entre a obra natural do criador e as mãos modificadoras do homem. No entanto, humildes, mantém-se plácidas, como se o céu curvasse reverenciando as mãos, que as modificou.
Sem levar em conta a definição dicionarizada, por engenharia entende-se como a maneiras e formas pelos quais o homem transforma algo ainda “in-natura”, em outra solidificada para que ao se obter a obra acabada e operante, esta possa ser utilizada pelos habitantes de uma pequena ou grande localidade; ou ainda por parte da humanidade. Esta definição meio romântica é do autor, e talvez incompleta ou excedida em relação às definições dos léxicos. Porém para quem escreve o artigo é o resultado da transformação, cuja finalidade da benfeitoria, é servir e ser útil à coletividade.
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As primeiras palavras sobre essa ciência aplicada que está dentro do estudo das exatas, remete-nos a tempos remotos, quando aventureiros-navegadores ou não, com suas próprias mãos criavam os seus objetos de locomoção. Dentre os mais atirados a este tipo conhecimento, está Leonardo da Vinci, que embora não tenha sido um desbravador de territórios, disparadamente foi o homem mais sábio na história da humanidade. Esse gênio contribuiu para os estudos da hidráulica e os princípios de saneamento básico; para os estudos da aeronáutica, e além de ser um matemático operacional, com o quadro do Homem Vitruviano transformou geometria em arte. Aliás, presente em praticamente todas as atividades humanas, mais que qualquer outro, ele bem sabia, que os números mandam, desmandam e governam o mundo. Porém, pecou em não saber e jamais imaginar, que os homens modernos os usariam para transformar maus trabalhos em corrupção e posteriormente, em boa vida.
A história da humanidade mostra que o homem antigo foi obstinado, curioso e aventureiro, a ponto de lançar no mar uma precária embarcação, cuja finalidade era chegar em terras distantes; fixar residência e no decorrer do tempo, apropriar-se do território; afinal, apoderar da maior quantia de bens possíveis, fez e faz parte do ego humano e antigamente, o domínio da terra e a ocupação do solo, era a maior desejo de conquista do homem.
Mas para que a conquista se concretizasse, muita água tinha que passar por debaixo do casco da embarcação; e não só isto: seriam necessários uns traços, mesmo que precários, de como chegar ao tesouro. Aventurando-se em mares abertos, os desbravadores tomaram conhecimento das cartas; através da bússola e do conceito de latitude e longitude, inteiraram-se sobre os nortes: verdadeiro e magnético, o que possibilitava-os traçar a posição da embarcação em relação aos meridianos; projetar e manusear o goniômetro; estudar astronomia de campo, etc. Todo esse no-hall de conhecimento experimental, conferiu ao homem antigo, o estudo que mais tarde chamaria de engenharia cartográfica, a qual através dos traços, união de retas, curvas e referências principiou orientar o homem em relação ao planeta.
Definida a engenharia que prefaciava a transformação dos números matemáticos em materialismo humano, havia a necessidade de uma engenharia subsidiária, o que não levou muito tempo e galgada na geometria plana e as abrangências da trigonometria, criaram a engenharia de agrimensura; cujo estudo resume somente em mensurar, descrever pequenas partes no globo terrestre. Em contrapartida, a geodesia (ciência que estuda a curvatura da Terra e os métodos e fórmulas matemáticas de compensá-los nas medidas lineares) confere a cartografia o poder de mensurar e mapear grandes porções superficiais do globo. Portanto, estavam criadas as maneiras primárias, as quais os homens usariam para o desenvolvimento de suas atividades materiais cotidianas. Estas foram as primeiras ciências materializadoras, e exceto a medicina e a filosofia, que abria o leque para a generalização do conhecimento humano, tranquilamente, pode-se dizer que são as maiores; sim são ciências maiores e as demais, ciências menores e foram sendo criadas conforme as necessidades, ou para satisfazer o ego e as meras vaidades do homem.
O homem havia saído da toca. Deixara de ser caverneiro. Já não disputava o amor da fêmea, o acasalamento para a perpetuação da espécie à base dos pontapés nos fundilhos, tapas no pé do ouvido e safanões e socos na boca do estômago; sobretudo, o prenúncio dos anos vindouros era o de viver em sistemas gregários, socializando os costumes e conduta, adquirindo portanto, novos hábitos de integração e convivência. Surgem então, os primeiros clãs familiares. No entanto, uma vez abolida as locas das cavernas, onde abrigar a prole?
Mesmo que indiretamente, o “ide, fecundai, prosperai e enchei o mundo”, exercia pressão sobre os anseios humanos e aquele que se propôs a liderar o clã tinha que se movimentar para suprir os dependentes com provisão, vestuário e moradia. Usando os recursos oferecidos pela Natureza, fincavam esteios de madeira nas laterais, fechavam com argila e cobriam com algum tipo de palha (sapé) que oferecesse boa vedação e impermeabilidade contra a infiltração das águas de chuva. Preocupavam-se mais em vedar a alcova contra as águas da chuva, do que a entrada dos raios de sol; que causavam menos transtornos.
Formado as vilas, condados, lugarejos que posteriormente tornaram-se cidadelas, o próximo passo foi arquitetar as técnicas de recolhimento das águas de modo geral, projetar os sistemas de coleta cloacal e abrir clareira nas matas para a locomoção entre os povoados. Fase de suma importância para os povos, pois possibilitava-os de comercializar através do escambo ou não, a safra e produtos produzidos nas diferentes regiões. Esta forma de comércio ainda é bastante usual em muitos países; no Brasil, está presente nas feiras livres.
Provavelmente foi nessa fase do desenvolvimento humano que a engenharia brasileira, (por sinal, bastante atrasada em relação a outros países da América do Sul) inicia sua efetiva participação na interação entre os brasileiros e consequentemente, fomento para novas perspectivas econômicas. E aproveitando o que já havia sido aberto pelos cascos dos animais que cruzavam parte do país através do tropeirismo que fazia o vai-e-vem de mercadorias, trilhas são alargadas a tal ponto de se transformarem em estradas; a princípio vicinais e dependendo da região e dos polos comerciais de interesse, rodovias.
fo.jpgA extasiante Serra do Rio do Rastro – S.C - é um exemplo de dedicação, trabalho e esforço da transformação oriunda das mãos do homem para o lazer, transporte e bem estar do homem.
Uma ligação que muito contribuiu e contribui para o avanço cultural e desenvolvimento expansionista econômico do país é a rota que liga a região metropolitana de Porto Alegre aos arredores da capital de São Paulo; que percorrendo belos e únicos trechos de serra, planícies e planaltos, em tempos idos foi influente rota dos tropeiros.

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O sistema construtivo era tão rudimentar, tão empírico, que Camargo Corrêa, fundador da empresa de mesmo nome, usava manadas de carneiros nos trabalhos de compactação de estrada. Movimento-a ininterruptamente do inicio ao fim do tramo, com o pisoteado de um sem número de animais, o solo ia aglutinando-se em camadas superpostas, de modo que com certo tempo atingia o suporte (grau de compactação) ideal que garantia a resistência ao tráfego, teoricamente “projetado”. Obviamente que esta técnica criada por ele e para a época, avançada, era usada nas estradas que recebiam na camada final o concreto asfáltico; que é a camada mais nobre das rodovias. Contudo, o mais notável é que atualmente dentre os muitos objetos, ferramentas e maquinários pesados usados nos trabalhos de terraplenagem e pavimentação, inclui-se o rolo pé-de-carneiro, oriundo das experiências e homenagem ao idealizador, Camargo Corrêa.
O Jóquei Clube de São Paulo foi construído na margem do rio Pinheiros. A construção data de mais de 50 anos e para se atingir o nível, fez-se necessário tanto cortar parte do terreno, como remover a camada alagada (solo de má qualidade; ou de baixo suporte) para a implantação do projeto. No entanto, a inovação técnica adotada à época foi o desmonte do maciço de terra com jatos de água e através do carreamento, depositado e espalhado em camadas nas partes baixas até atingir a estabilidade e dureza requeridas. A técnica atual que leva conta a umidade (quantidade de água), resultando no grau de compactação ensaiado em laboratório foi retirada de estudos mais aprimorados sobre essas técnicas experimentais e rudimentares, porém não desprezíveis da construção civil.
A engenharia brasileira até os anos 2000 foi marcada pela proficiência e seriedade nos serviços prestados e tanto no Brasil como em países tais como Irã, Iraque, Bolívia, Peru, Equador e outros, existem projetos e obras que não deixam dúvidas quanto à idoneidade das técnicas aplicadas. E empresas como Mendes Júnior, Camargo Corrêa, Hochtief; Andrade Gutierrez; Queiroz Galvão e mais algumas até então idôneas de representatividade técnica, construíram pontes, viadutos, barragens, estradas e obras menores do segmento de infraestrutura viária, consideradas também obras de grande porte com total estabilidade e segurança aos usuários, pois tanto o projeto quanto o controle dos materiais eram seguidos à risca e em conformidade com a técnica.
Algumas das obras ainda estão resistindo à ação do tempo e já passam de 30 anos; sem, no entanto sofrer danos que necessitem de manutenção. Logicamente que, além de serem obras bem planejadas, foram responsavelmente implantadas e não sofreram maiores danos em decorrência do uso. Estas são minoria, se comparadas com as rodovias; que estão à mercê das intempéries; do tipo de tráfego diário entre os polos comerciais beneficiados, e o mais relevante: do peso da carga transportada, o que raramente é menor do que o requerido pelos órgãos rodoviários, pois quanto maior o peso da carga transportada, inversamente proporcional é a vida útil da rodovia.
Já os cursos eram ministrados por professores que exerciam, tanto a técnica no dia-a-dia, como atualizavam os seus conhecimentos através da elaboração das aulas. Educadores que cientes do papel social da engenharia e prezando pela construção de uma sociedade justa e digna, orientavam os educandos para serem profissionais competentes, comprometidos socialmente e que tais atributos e virtudes profissionais só poderiam ser alcançados com a obtenção de títulos, capacitação técnica e competência. Frisava ainda que ao exercer as atividades de maneira responsável e correta, engenheiro nenhum estaria fazendo favor a ninguém, mas apenas respondendo na prática ao compromisso assumido no juramento de formatura oficial; evento que salvo engano, foi excluído no colação de grau. No entanto, o que nada acrescenta ao formando, e é mero formalismo social, que é a festa de gala, deve ter sido mantida.
E havia outros mais ferinos que dizia abertamente à classe que ali havia olhares duvidosos que poriam a técnica a perder e suas obras seriam os seus fieis enganos; inclusive enganariam as palavras proferidas no juramento, aos familiares e a sociedade; mas a eles jamais. E tentando justificar o injustificável, atribuiriam à experiência profissional o motivo de seus enganos.
Esses, tanto dentro quanto fora, eram lideres, professores e sobretudo, educadores a serviço da engenharia, formação social, e estão em extinção.
Ao ouvir este alerta afrontador, porém necessário, os alunos quem tinham escrúpulos, coravam as faces, desligavam a mente dos números e refletia sobre o ouvido. Sobretudo, a verdade é o ácido que, quando se tem, queima e corrói o brio das faces do vergonhoso, levando-o a refletir quão é hipócrita e falta com o sentimento de respeito com o outro, que diz considerar irmão.
Portanto caros leitores, diante desta pequena explanação do que foi a engenharia civil brasileira, pode-se admitir amorosamente o que está acontecendo nos últimos anos com está ciência materializadora, cuja finalidade é minimamente servir o homem em suas necessidades primárias, que é moradia e transporte?
Impossível alguém em sã consciência e mesmo que dotado de insignificante razão, ser conivente com as tragédias causadas, não pela engenharia, pois a técnica não permite tais acontecimentos, mas por irresponsáveis e insensatos que a representa; ademais, porque a mudança de conceito ocorre, só e somente quando a brasa aparentemente apagada reverencia a perfumada derme com uma leve queimadura de terceiro grau.
Acima de tudo, às vezes, é mais interessante, menos desgastante e dá mais resultado negociar com um asno, do que com um bípede dotado de razão.
No próximo artigo retratarei a absurdo, falta de vergonha e respeito dos alunos com as escolas técnicas de São Paulo; patrimônio de todos.
Exceto a foto com a inscrição do proprietário, as demais pertencem ao autor do artigo


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As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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