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Profeta do Arauto


Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social

O violão e o violonista

O violão é originário dos mouros-espanhóis, mas o melhor violonista do mundo é de raízes indígenas-brasileiras; razão pela qual, é motivo de orgulho de quem é autêntico e genuinamente brasileiro.


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O anonimato é uma das virtudes mais interiorizadas no universo humano e torna admirável o anônimo que espera com esmero pelo momento ideal para se apresentar à plateia. Educados, gentis e polidos, esses homens raros se destacam unicamente pela paciência e competência e após conhecidos, jamais são esquecidos.
Robson Miguel: este é o nome do violonista pouco conhecido dos brasileiros que eleva os refinadíssimos acordes do instrumento literalmente às alturas; e como consequência, é reverenciado pelo público que, se um dia era reduzido, fez-se legião assídua com o tempo.

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Sua trajetória musical é marcada pelo ágil dedilhado, o qual lhe confere uma versatilidade imensurável. E ao sentar num banco qualquer para louvar os mestres do violão, fecha os olhos e invadido pelo arroubo do profundo silêncio, inicia as preces em notas musicais. Com o decorrer do concerto, Robson vai adquirindo novas harmonias e com os dedos saltitantes no sobe-e-desce, no vai-e-vem das cordas, dedica a música “Ave Maria” de autoria do francês Charles Gounod aos religiosos, aos que oram sob o ritmo da música. Naquele instante, soliloquiando, o violonista vai explicando para a plateia que as notas musicais trabalhadas deveriam ser executas por 3 violões, e que está tentado fazer o possível para tocá-las com apenas um; e se caso não saísse à contento, que o perdoasse. Imperdoável meu caro, é não ter contato com a sua obra, não ouvir os anjos dizerem “Amém” ao esplêndido solo tocado por você, senhor das cordas!
Sem anunciar, com o público ainda em devaneios, o violonista divaga sua dedicação e apreço pelo violão com o tema musical que consagrou o piloto de Fórmula I Ayrton Sena nas miríades de vezes que subiu ao podium para comemorar a vitória. Prosseguindo ao passeio violado finamente tocado, à clareza dos sons tirados no instrumento com requintada maestria, Robson perscruta os ritmos clássicos de famosos compositores e dentre os muitos, estão Bach, Chopin e Beethoven. Numa reviravolta magistral, ressurge no palco solando obras de artistas contemporâneos como Beatles, Led Zepellin, Yes, Iron Maiden. E por ser brasileiro e valorizar suas raízes como ninguém, não perde a oportunidade de mostrar algumas relíquias de Villa Lobos, Tom Jobim, da M.P.B. Seus espetáculos-concertos são, além de uma viagem no tempo, avassaladores.
Sem espaço no Brasil, deixando a família e a esperança que se tudo desse certo voltaria para resgatá-la, Robson partiu para a terra natal do violão. Desconhecido pelos reis e espanhóis, sentava nos calçadões das praças e avenidas, montava o precário sistema de som e punha-se a dedilhar o instrumento. Estando na Espanha, teria que se enquadrar ao flamenco, gênero musical do país; e devido o dom e o talento inigualável, rapidamente tornou-se exímio em mais esse estilo musical.
Aos poucos, como quem bateia os riachos em busca de ouro, foi lapidando as aberturas do espaço, o qual perfurava insaciavelmente, até que por volta de 1990, já estava desenvolto e aclamado pelos espanhóis. No entanto, a solene consagração se deu no ano seguinte, quando ele e mais 66 violonistas selecionados a dedo por críticos de música clássica, apresentaram-se no concerto em comemoração aos 500 anos do descobrimento da América. O evento ocorreu no Castelo de Córdoba a pedido do reinado espanhol. Definitivamente, o brasileiro Robson Miguel faria parte da elite dos mais consagrados violonistas do mundo.
Sempre se notabilizando pela inovação nos concertos, pelas constantes variações de notas e a forma didática de se apresentar, (toca uma música e canta outra) o violonista já percorreu muitos países.
No Brasil, uma das primeiras aparições em público de Robson, foi no programa “Onze e meia” do Jô Soares, quando começava rigorosamente onze e meia da noite. Sem a menor vergonha de se expor, o músico brincava com o instrumento na recepção do programa, quando o apresentador chegou para gravar e perguntou para a produção quem era àquela pessoa vestida com roupas floridas de cores fortes, parecendo africano e o que fazia ali na porta do estúdio, olhando para um lado, papeando com teto, tocando desvairadamente seu violão. Foi ouvi-lo e encantado com a performance musical de Robson, que além de dedilhar excelentemente bem todos e qualquer estilo, tocava uma música e cantava outra, Jô sugeriu que alterasse a programação e fizesse um quadro especialmente com ele, porque coisa igual, talvez não aparecesse mais em seu programa.
O programa bateu o recorde de audiência e o público foi ao delírio com o visual inusitado do músico e mais ainda, com a forma como ele se apresentou. Por certo tempo, Robson Miguel foi a coqueluche, virou epidemia nos meios de comunicação do Sudeste brasileiro. Na mesma época, ele se apresentou no teatro Municipal de São Paulo. Para quem estava presente, no melhor dizer, uma aberração sonora; porque, indiscutivelmente, foi arrebatador. Hipnotizador!
Como forma de valorizar o clássico-sinfônico, Robson fundou a Orquestra Sinfônica de Santo André; São Paulo. Em constante aprimoramento, se tornou maestro e arranjador da Orquestra Sinfônica Kalein de Madrid – Espanha; e sob seu comando, 208 músicos apresentaram-se nos teatros das várias cidades do continente europeu; contudo o maior destaque é para as apresentações no Teatro Monumental de Madrid.
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Em meio ao pio dos pássaros, ruídos de corredeiras e ar filtrado pelo verde da floresta nativa, o violonista construiu em Ribeirão Pires, São Paulo, um castelo em formato de violão. Na construção que é o resultado de curvas, retas e um arredondado, funciona o museu particular do músico e aberto ao público, que conta do início ao fim a história do instrumento. Os detalhes da arquitetura do castelo, quanto o material catalogado representam a fidelidade e a paixão do músico pelo violão.
Como recompensa pelo esforço, dedicação e profissionalismo, desde 2013, ele ocupa o "1º lugar ranking mundial dos violonistas", status que lhe foi conferido pelo Círculo dos Violonistas Europeu de Madrid – Espanha. Fora isto, o violonista é reconhecido em inúmeros países, tendo recebido deles muitos prêmios. É autor de livros biográficos e didáticos e o mais requisitado internacionalmente é o “The jazz in your hands" editado em inglês e Espanhol pela Real Musical de Madrid. Gravou mais de 20 vídeo-aulas; DVDs e CDs. Portanto, atualmente suas obras estão disponíveis em aparatos tecnológicos de multimídia em geral. Indiscutivelmente, Robson Miguel é o melhor violonista do mundo; e se nada mais acontecer, definitivamente esse senhor e entusiasta do violão já entrou para a história do instrumento.


Profeta do Arauto

Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social .
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