ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto


Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social

Vendem-se sucatas de seriedade e restos de honestidade

Vender sucatas tudo bem, mas quão estranho é vender e comprar “virtudes” (imutáveis?) humanas. É... há algo rançoso, podre no reino dos Super-heróis!


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Com as faces pegando fogo, os lábios em brasa e os olhos faiscando pelo furor, certo vendedor comia gulosamente o produto que comercializava. A quantidade que trouxera para a feira abaixava cada vez mais no balaio. A multidão que circulava pelo local reparava indignada a estupidez daquele ser; quando um homem mais atirado entre os tacanhos perguntou: “Por que comes o único produto que vendes? Acabando com ele, de barriga cheia e as ventas flamejantes, morrerás."
- Comerei quantas for necessário até encontrar a espécie doce feito mel; e quando a encontrar, definitivamente não mais induzirei os compradores ao erro! Quando acontecer de alguém queimar a língua e as mucosas do estômago, não culpe o único vendedor de pimentas do mundo. - berrava furioso.
Invariavelmente, todos os viventes do planeta concordam que é estranho, mas em alguma galáxia, em algum planeta existirá um povo, uma sociedade, um país que exportará para o mundo a sinceridade e honestidade. Provavelmente, será o único a vender tais “virtudes” e o mais admirável: farão propagandas com o seguinte slogan: “Oportunidade única e imperdível: vendemos seriedade e honestidade a preço justo e baixo”.
No Brasil, os cartazes são sombras que acompanham os brasileiros e estão nos banheiros, nas farmácias, nos hospitais, nas rodoviárias, metrôs, aeroportos, nas construções, nas ruas, nos estacionamentos; nos comércios; nos pontos de ônibus; nas passeatas; enfim, móveis ou fixos, estão em praticamente todas as coisas. Administramos e somos administrados à base das benévolas e malcriadas palavras escritas nos cartazes, que trocadas em miúdos, pode-se dizer que formam uma constituição paralela à Constituição Federal. Conforme as ocorrências e fatos, cada um impõe e anuncia os seus rigores através de cartazes.
Com múltiplas funções, como o nosso povo reagiria se avistasse um cartaz com o enunciado: “Vendem-se seriedade e honestidade” em lugar bem visível de um estabelecimento ou repartição qualquer? Compraria umas gramas, uns quilos, a máxima porção; ou sendo exímio honesto e possuindo grandes quantidades dos produtos na ocasião, as matérias primas mofariam nos estoques, causando prejuízo ao dono do estabelecimento, fracassando as importações?
Pode parecer ridículo, mas vai chegar um momento que irão mascatear, vender seriedade e honestidade e como de vagabundo, escritor, cientista e louco, todo Profeta-pensador tem um pouco, desta estapafúrdia e ideia, não se deve duvidar. Obviamente que demorará anos, décadas e talvez séculos, mesmo porque os brasileiros são resistentes às mudanças, mas se a ciência atua em todas as áreas do conhecimento, não será a invenção destes “produtos-atividades” que passará incólume; ainda mais sabendo que toda inovação, todo avanço tecnológico é criado pelo homem com a finalidade de beneficiar o próprio e ao outro homem. Inovar para o benefício do homem: quer ato mais humano, amoroso e altruísta que este?
Por enquanto não há por que se preocupar com essas especiarias, que fatalmente em épocas vindouras estarão em falta nos armários das moradias e prateleiras dos comércios, pois atualmente sobram honestas e sinceras amizades, daquelas que podemos entregar as chaves da casa; sinceros, honestos e capacitados políticos que requerem de nós apenas o voto e uma vez no poder, devolvem-nos o melhor que podem nos dar em termos de saúde, educação, transporte, cultura e lazer.
Portanto, é uma covardia sem tamanho quando comentam (comentários bastam para macular a reputação do sujeito) que quem está no poder é corrupto e come, bebe, viaja e dorme às expensas do povo; que praticam a mendicância de pedir os votos de porta em porta no período que antecede as eleições e após o pleito, somem; que enriquecem usando métodos fraudulentos e ilícitos; que tanto eles, como os filhos, não frequentam as escolas públicas e o S.U.S (Sistema Único de Saúde); que em menos de 50 anos cassaram o mandato de dois Presidentes da República e um Presidente da Câmara. Quanta calúnia com essa classe necessitada, operária e trabalhadora representante do povo. Políticos são exemplos únicos e obviamente devem e são seguidos pelo povo, como são: “O exemplo vem de cima, então por que não fazer aqui em baixo?”
Já o povo, a sociedade brasileira, essa é digna dos maiores elogios; das maiores honras e deveria ser condecorada sempre. Meticulosa, cumpridora, pacífica, filantrópica e ajustada aos mesmos princípios, jamais se corrompe; aliás, desconhece por completo o que é corrupção e corruptor. Ladrão e receptador. Prostitutas e cáftens. Traficante e comprador. Formam e educam os filhos sob forte influência disciplinadora e excelentes maneiras de convívios sociais e jamais incorrem em desvio de condutas. A hereditariedade é o reflexo da absoluta lei consanguínea. Tal pai, tal filho.
A respeito da promissora safra futurista do país, os filhos da pátria amada são caluniados, achincalhados de invasores de escolas públicas e técnicas; puladores de portões e muros; exorcistas do anarquismo; destruidores do que não lhes pertencem; afanadores de computadores cuja intenção é montar lan-houses e salas de RPG em casa; pedintes de comida inveterados, porque lanche não os nutri; súcia de rebeldes sem causa; reacionários do nefasto; filhos da devassidão; geração que não dispõe de nenhum sendo de poder de decisão; enfim, crucificados pelas falácias dos Herodes e Judas sociais que dizem que os nossos futuros Conde Leon Tolstói mais exigem do que oferecem. Pedem muito e não oferecem absolutamente nada, e ainda por cima, amparados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente que impõem leis, (mais do que óbvias e necessárias) que defendem os direitos dessa pobre e coitada geração. Essa meia dúzia de moralistas e levianos que insinuam tais coisas, esquecem que estamos no país das mil maravilhas e as festas começam no Rio de Janeiro e terminam em dezembro; Natal, Norte do país. Em breve teremos as Olimpíadas.
Mas tem uns sortudos da geração Cristal Intocável, popularmente conhecida como Nem-nem, que estudam no colégio e faculdade Objetivo. Esses afortunados estão no caminho certo. Porque o restante da geração, que é uma batelada de gente, de um objetivo na vida é o que ela mais precisa.

O lado positivo é que essa sábia geração não ouve o que as más línguas falam, que diante do dito popular, escondem-se no aforismo que a "voz do povo é a voz de Deus". Imagina se Deus pertence à essa laia? Muita, falácia aos montes; pois a geração atual é o país de amanhã! Tomem como exemplo os que estão no poder...foram intelectuais; e no passado sabiam tudo do nada.

Não é nada humano, como fazem as más línguas que não param de bater contra os dentes, que é a geração resultante do: o Pai fez, o Pai faz e o Pai fará! Que fique bem claro: segundo dados estatísticos pais com idade acima de 38 anos
No ramo profissional, por aqui não se encontram eletricistas que trocam toda fiação e o conjunto elétrico, em vez de apenas o fio queimado. Advogados que declinam das causas perdidas; pedreiros que quebram a parede para fazer o reparo do registro; engenheiros de obras superfaturadas, prontas e com prazo mínimo de validade; ladrões que roubam o que pertencem a eles; dentistas que tratam o canal em vez da sensibilidade gengival; taxistas que rodam 20 quilômetros quando o percurso poderia ser feito em 10; médicos que trabalham simplesmente pelo prazer de dar vida aos pacientes (exercitam o ofício quase que gratuitamente) e para fazer valer o juramentado; guarda de trânsito e outros que percebem que a tinta da caneta acabou somente na hora de lavrar a multa e fiel às leis e sério de princípios e honesto ao cargo, aceita ir ao comércio mais próximo comprar outro instrumento de trabalho pago pelo infrator; domésticos que varrem os ambientes da casa pelos meios; empresários que registram e pagam os funcionários rigorosamente em conformidade com as leis; Presidente interino da Câmara dos Deputados que assina um termo hoje revogando a medida de Impeachment (que poderia ser impedimento, afastamento, destituição do cargo em português) e revoga o termo que revogava a medida no dia seguinte (caracas, qual é diabo de rabo curto que esclarece essa bagunça?; e evitando a prolixidade, jornalistas, escritores e profissionais exímios léxicos que jamais cometem erros de ortografia e abominam os maneirismos de linguagem nos discursos e textos.
Portanto, aqui tudo é perfeição e se pertencêssemos a um sistema social afundado no ostracismo, mergulhado de cabeça no abismo do caos e que negasse a seriedade e honestidade em todos os segmentos e âmbitos, daria para concordar com os pessimistas e caluniadores que fazem questão de afirmar que o que não faltam são os oportunistas de ocasião para ajudar a esculhambar com o que já está arruinado; porém definitivamente não é o caso do Brasil. Somos todos, além de sucateiros, inocentes, sérios e honestos. Pura, simples, ingênua seriedade e honestidade! Aqui ninguém surrupia um centavo de ninguém; ao contrário, sabem como poucos o valor do suor desprendido pelas células sudoríferas de outrem. Glória a Deus por isto!
Na política brasileira, juntamente com os pais, mães, filhos e a própria família, as sucatas, a democracia, a seriedade e a honestidade são tão claras, são tão evidentes e de transparência tão acentuada pelos atos de todos os envolvidos no contexto de cidadania exercido no cotidiano, que tanto os políticos quanto a sociedade ignoram por completo, Diógenes (é bem provável que nunca ouviram falar) o filósofo cínico grego, que palmilhava as ruas de Athenas com uma lanterna acesa sob o clarão da luz do sol perguntando para os transeuntes onde acharia um homem honesto em meio à multidão.
Oras, é deveras correto ignorar um sujeito desses, (ainda bem que está sumido nos anais da filosofia) pois, aqui, nem o mais estúpido dos estúpidos, nem o ingênuo e autêntico recém-nascido filho de Deus, ousa não pagar impostos e incorre em delitos de sonegação; que pensando bem, não deve ter nada de diferente das “Pedaladas fiscais” praticadas por presidentes que fazem uso de tal medida pelo desconhecimento e ingenuidade, somente. Afinal, o aforismo que provem dos sucateiros sérios e honestos dá conta que é tão ladrão quem rouba um grão de arroz, como aquele que rouba uma barra de ouro de 18 quilates.
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Recorrendo a Diógenes para elucidar a questão, reza a lenda que o homem considerado cidadão pelos atenienses e imoral (não confundir com amoral) para os padrões brasileiros, não tendo nenhuma afinidade com a riqueza morou um tempo num barril velho e ao ser visitado por Alexandre, o Grande, este perguntou o que poderia fazer para melhorar sua vida, ao que o filósofo respondeu: “Caso queira colaborar, saia já da frente do sol; porque está cobrindo minha luz, se é que sua inesgotável inteligência consegue enxergar o que falo?” Uma vez que naquela época não havia descoberto a celulose, em outra ocasião, deixou escapar sua falta de afinidade com a nobreza e os políticos: “Nos luxuosos aposentos, nas taperas e mansões de nobres e desonestos, não há outro espaço disponível no tapete vermelho para cuspir, senão, na cara dos moradores”. Certamente esse cidadão não foi amado pela sociedade, bem como pela classe que tanto trabalha no mundo. Não seria esta a explicação porque só foram 12 sonhadores, desafortunados e conservadores que seguiram Cristo?
Às vezes sobra seriedade aos honestos e faltam-lhes gentileza, etiqueta, senso de democracia, postura social, crença, fé e diplomacia; coisas as quais as sociedades, a política e as religiões se apegam. Daí o motivo que pode levar tempo, mas vai chegar o momento de venderem sinceridade, sucatas de seriedade e restos de honestidade. E no dia “D”, imaginando a cena, quero ser o primeiro a chegar ao posto de venda. Atropelos pacíficos e certa loucura marcarão a data! Ou não, porque a humanidade é áspera, bolas de sebo incrustado; e contrário aos cartazes expostos nas entradas dos salões de beleza, cujo dizer alerta os clientes que “Desonestidade e fiado é como barba, como os pelos das orelhas, das axilas e virilhas, se não cortar, cresce a ponto de virar uma floresta de cabelos”; casca grossa enxertada pelas sucatas da contradição, é difícil de ser cortada e quando acontece, renasce rapidamente.
Fotos pertencentes ao autor do artigo


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Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social .
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