ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!

Nem Deus se salva das más obras

Artigo dedicado a quem reza e ora,
Com os pensamentos nas nuvens,
Todo dia, toda hora,
Chuva de palavras verborrágicas,
De boca pra fora!


imagens-de-jesus-desenho-719x800.jpgProstrado de joelhos no Monte das Oliveiras, com o olhar fixo no horizonte, refletindo sobre a criação humana, Cristo se pergunta por que os seus irmãos causam tanta dor de cabeça ao Pai celestial!
Não é de se duvidar que Deus esteja profundamente arrependido de sua criação e se pudesse retroceder 2000 e qualquer coisa de anos no tempo, entregaria o protótipo de sua imagem e semelhança à construção do homem pelo Homem; que por sua vez, sendo o homem o que é, teria vergonha de sua obra. Reconhecidamente, perda de tempo, trabalho inútil!
Pelo estabelecido nas Escrituras, Deus está para o nobre perfumado, assim como está para o mendigo fedido. Alerta ainda, que a beleza do lugar é o que menos importa e o onipresente Mestre Maior está debaixo de uma tenda puída, como está nos Vaticanos adornados com vitrais e ouro puro. Sob os sermões litúrgicos e milagrosas palavras, o apregoado está perfeito! Todavia... em qualquer ponto da estrada tem um cavaleiro andante.
Motivo do Criador de todas as coisas estar esgotado, saturado, fadigado, com a mente em torvelinhos, sorumbático, cabisbaixo, de saco cheio com o brasileiro e não é para menos; pois, feito ratos famintos em despensa aberta, ladrões atacam os quatro cantos do Norte ao Sul; políticos de toda sorte saqueiam as finanças públicas e matam o povo nos leitos dos hospitais; traficantes invadem escolas e hospitais para vender drogas e resgatar traficantes; profissionais mal intencionados de todas as áreas, cobrando altíssimos valores pelos serviços prestados, extorquem licitamente a sociedade; deputado que fez campanha com o slogan “vote no Tiririca, pior do que está, não fica”, e por isto deveria ser processado por falsidade ideológica, porque o país está soçobrando tal como foi o fim do Titanic; “artista” Safadão (belo e sugestivo nome fantasia!) que cobrou a bagatela de mais 1 milhão de reais por dois shows, e ao ser flagrado pelos olhos semicerrados dos santos festeiros, (como são bisbilhoteiros esses santos modernos) torna público que doará o seu cachê inteiro para os pobres e mendigos da cidade, arrancando aplausos e profundos suspiros da plateia pela sua atitude altruísta e bondosa (iguais a esse, o inferno está abarrotado. Se eu não fosse extremamente otimista, diria que Lúcifer terá que comprar praticamente toda as dependências do céu para acolher todos esses bondosos e generosos seres terrenos); enfim, as “boas ações” assolam a relação entre os brasileiros e Deus, e o “melhor”: construções para adorá-lo, para louvá-lo, estão despencando das alturas, desmontam no chão, como cai uma penca de balões.
No Brasil, os custos para construir uma obra totalmente regularizada, desde o levantamento topográfico e a sondagem do solo para o estudo técnico, até as aprovações dos projetos executivos nos órgãos de classe municipais, estaduais ou federais e obtenção do habite-se, é uma verdadeira carestia. Para tudo que se faça, do trabalho mais simples e elementar, porém necessário, ao mais sofisticado, os custos das taxas a serem pagas são altíssimas; impossibilitando o requerente de fazer a construção nos moldes técnicos regulamentados, inclusive dentro dos moldes do Código de Edificação estabelecido e existente pelos departamentos de obras de todos os municípios do país; mas que por motivos “maiores”, são esquecidos nos projetos civis.
E qual a saída para a questão edificar um teto; porque sem um abrigo para protegê-la, espécie nenhuma sobrevive às intempéries?! A moradia foi, e sempre será a eterna luta e busca maior do homem que pensa racionalmente. Entretanto, no viés dos custos elevados dos materiais e mão de obra, da burocratização dos trabalhos por parte dos “profissionais responsáveis” (técnicos, engenheiros e arquitetos) e dos órgãos e instituições competentes, aparecem os esquemas, os subterfúgios e os jeitinhos tipicamente brasileiros; fatos que, se imaginar que Deus é o princípio de justiça e igualdade, não deve estar nada contente com essa estirpe (para não abaixar o nível e dizer estilo mandrião) de povo.
É redundante dizer que o Brasil é um país socialmente desigual, o disparate é notório; motivo pelo qual, com o êxodo rural e a descida em massa de migrantes nortistas e nordestinos para suprir as necessidades de mão de obra nas grandes obras na década de 1950 em diante, sem meios financeiros próprios para retornar às origens, a ocupação indevida e a favelização dos morros tem sido uma constante. Áreas verdes e terrenos do município ou de particulares são ocupados na calada da noite e quando vistos, as construções desordenadas já tomaram conta do espaço. E como são construídas as moradias?
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É nesse agravante que reside o perigo! Pendurados nos abismos amorrados ou nas encostas e margens de córregos, sem o menor estudo técnico de viabilidades, sob uma fundação rasa e pouco resistente, tijolos são sobrepostos, como numa “dança de tango: dois pra lá, um pra cá” e remontados com lajes, “robustos e portentosos” monumentos vão subindo andar por andar em direção ao céu. Tudo é construído de forma rústica, com material de péssima qualidade e o mais barato possível, pois o interesse do caboclo é unicamente se livrar-se do aluguel; e em razão da lei monetária do homem e contra o homem, em alguns casos, fazem um “puxado” para ganhar um dinheiro extra, explorando os que possuem menos. A exploração é a chancela do homem e o registro humano em todos os tempos.
Vez para outro, os deslizamentos de terra cobram pela falta de responsabilidade e a catástrofe, tacitamente provocada pelos humanos, é desumana. Se ficar só nisto, menos mal; no entanto, não é o que tem acontecido nos últimos tempos e devido o Aquecimento Global e as variações bruscas do clima, o que ocasionam sérias fúrias de humor da Natureza, coisas piores estão ocorrendo e a passagem de um vento ciclone ou um tufão sobre a área favelizada causaria catástrofes irreparáveis; danos sem proporções.
Porém essas saídas baratas e emergenciais de construir sem o menor rigor não resumem apenas ao mencionado; e é comum a classe abastada e instituições sociais recorrerem a essa maneira menos elegante de edificar. Caso de uma Igreja que estava sendo ampliada de forma irregular. Ironicamente, a instituição religiosa conta(va) com departamento jurídico, técnicos, arquitetos e engenheiros debaixo de seu aprisco, entretanto, o corpo diretivo cometeu esse pequeno lapso de construir sem consultar a racionalidade técnica; e o resultado foi o desabamento do teto sobre as pessoas que estavam trabalhando no local. Aliás, trabalhavam em nome e para o Senhor (Qual? Porque em tempos antigos a palavra senhor era pronome de tratamento dos donos de engenho).

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Chamados a se justificarem, os responsáveis alegaram que a documentação técnica da ampliação está em curso, faltando apenas protocolar o processo nos respectivos órgãos municipais. Embora tenha acontecido em São Paulo, um grande centro, ocorrências como esta, de passarem as obras na frente do estudo técnico e aprovação dos projetos, acontecem aos montes no país. E por mais que se queira, não há ninguém que coíba ou tome providências; e se deixar apenas por conta da consciência do brasileiro, os esquemas, jeitinhos e oferendas perpetuarão para sempre. Aliás, em recente pesquisa sobre honestidade, idoneidade e respeitabilidade das leis, mais de 70% dos entrevistados declararam com sorriso largo e cara limpa que fazem algumas coisinhas mínimas e máximas para burlá-las e dissimulam as atitudes destinadas e dever deles, através dos jeitinhos e esquemas, porque conseguem escapar dos riscos de cair na malha fina das leis. Óbvio que quando postas em prática, o que é raro; porque em qualquer território, leis é o formalismo que visa suprir a falta de bom senso e respeito mútuo num sistema grupal de um, em relação ao outro.
No caso da negligência dos (ir)responsáveis pela ampliação da igreja, ficam algumas interrogações: “E agora, o castigo de Deus ( isso se ele for de pagar com castigo as más obras que recebe) recairá sobre quem? Quem deverá ser responsabilizado e processado conforme manda as leis dos mundanos? Ou ficará para juízo final; para o dia do arrebatamento divino”?
Perguntas tolas; afinal, por que tentar moralizar o que já nasceu desmoralizado? Pau que nasce torto e deixam frutificar, vai endireitar quando e como; porque através de leis e religião?... Lembrando sempre que “Deus é brasileiro e fiel” e se nem a “santa casa do Pai” escapa das irregularidades de servos e fiéis, o Pai celestial dará um jeitinho. Podem esperar; e a glória do senhor, irmãos de crença, fé e infidelidade!


Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!.
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