ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Tim, tim! Comemoração de 100 artigos

Que as entidades fantásticas que energizam o universo cheguem silenciosamente aos lares dos editores do Obvious e dos amigos escritores e encha-os de luz e paz. E acima destes, aos lares dos leitores; pois escritor solitário são pensamentos mofos, poemas amarelecidos trancafiados nas gavetas, botões de rosas sem pétalas, filosofias inócuas, falência múltipla de reflexão a dois. Leitor é o bálsamo aromático inalado pelo escritor.


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Candidatei-me para escrever para o Obvious com o texto experimental: “Não dai ao esquilo, o que é de Ésquilo”; onde relato o meu sentimento ao atropelar um inocente, desconfiado e meigo esquilo. No artigo, além de esclarecer e pormenorizar o que acontece quando um habitat natural é desfragmentado pelas mãos do homem, declarar o meu amor incondicional pelos elementos da Natureza e o que é natural, comparo o ocorrido, ao trágico estilo teatral iniciado pelo filósofo Ésquilo na Grécia antiga. Afinal, os adultos perpetuam as maneiras de aprendizado das crianças; ou seja, captadas pelos olhos, as reflexões e revelações da alma são descobertas pelos métodos análogos e associativos às imagens vistas. Em dado momento, o esquilo pode se passar por gato; mas com o tempo, excetuando a deliberação do livre arbítrio, a falta de razão e sensibilidade, esquilo é esquilo; e gato é gato. Tudo é questão de maturação perceptiva, que deveras é a refinada forma de expressar a inteligência intelectualizada; se não for, fica estagnada no “deveria ser”.
Quando nada mais resta, sobra a cultura para os cultos e incautos. Escrever começa assim e quando somente a cultura cotidiana não é suficiente e alimenta de inspiração o espírito, pedalo duas rodas em direção aos mais variados sons da Natureza. Suado e ofegante, as ideias desfraldadas pelo extasiante silêncio, preenchem com palavras o meu desoxigenado cérebro; que inflado por serenas emoções, invadido por novas sensações, explode num amontoado de palavras e frases. Então é conveniente dizer que nesse momento a arte de pensar inebria o pensador com o júbilo divino!
Sim, é esfuziante quando ponho-me a concatenar as palavras nas frases, as frases nos parágrafos e os parágrafos nos textos. Pacientemente, lendo e relendo, apagando e reescrevendo, o texto vai sendo lapidado e tomando formas variadas. Aos poucos, bem lentamente, concluo que escrever é obra inacabada, parecida a uma favela; e o que difere uma da outra, é o acabamento, o brilho, o polimento, o afago, o apreço e a lucidez de ideias dadas às frases, aos parágrafos, ao texto. Ainda sob esta ótica, se for para melhorar e enriquecer o conteúdo, as palavras tornam-se vulneráveis, frágeis, flexíveis sob o pensar, tanto de quem escreve, quanto do leitor. Portanto, um texto é finalizado pelas considerações e reflexões de ambos.
Pouco mais de um ano se passou e bem ou mal, 100 artigos foram enviados para apreciação dos editores do Obvious. Destes, cerca de 70% foram destacados na HP principal, 20% na Lounge e o restante serve-me de material reciclável. Procurando ser o mais claro e autêntico com o que penso, alguns textos foram elogiados e outros, criticados pelo leitor. Corretíssimo, pois, embora os elogios sejam sempre bem-vindos e estimulem, as críticas são necessárias e obrigam o escritor a refletir sobre os erros e acertos, virtudes e defeitos não só com as palavras na folha de papel, mas também na sua relação de vida cotidiana. Por isto, sem o menor receio e constrangimento, declaro ao meu íntimo que se evoluo com os elogios, não menos, com as críticas.
Dentre os temas disponíveis, na categoria Recortes escrevo sobre o que meus olhos observam nas constantes viagens que faço; nos elementos e fenômenos naturais e sínteses biográficas de brasileiros que presta(ra)m relevantes serviços ao país, caso do médico Dráuzio Varella; Inezita Barroso, Rolando Boldrin e entre outros tantos, o aventureiro e velejador Amyr Klink; que a priori, revendo os escritos, após sair da página HP, o artigo obteve mais de 1100 leituras.
Nessa categoria, pegando carona no livro “A velhice” de Simone Beauvoir escrevi “Contenha-se meu jovem, porque velhice, você ainda vai ter uma” com excelente repercussão e quase 800 clicadas. Salvo a modéstia, oriundo do livro "Inteligência Emocional" do Phd em Psicologia, Daniel Goleman, um artigo escrito criteriosamente foi "O pacificador do mundo", o qual recebi o seguinte comentário: "Nossa! Que profundo! Parabéns.
Já na categoria Música, mantendo a linearidade e coerência de pensamento, escrevo basicamente sobre M.P.B e ritmos afins, sobre o puro sertanejo e rock clássico e suas derivações. Aqui noto que o leitor é bastante reduzido, e é menor ainda quando o músico é desconhecido da mídia; motivo d´eu evitar escrever sobre estilos específicos, por exemplo, rock progressivo, gênero com mais de 700 bandas e muito difundido na Europa ainda hoje, porém no Brasil as bandas mais conhecidas são Yes, Pink Floyd e bem menos conhecida que as citadas, a banda Marillion. E o desconhecido, o inusitado não causa impacto no imaginário humano; ao contrário, assusta, cria o medo. Contudo, valendo-se da máxima popular que “de onde não se espera é que vem”, por isto vale a pena insistir, despretensiosamente escrevi o artigo: “Enya: a precursora da Musicoterapia?” e a resposta foram as quase 1500 leituras. Recorde absoluto. Imaginando que o gênero musical New age fosse motivo de fluidez de leitores, escrevi sobre a canadense Loreena Mckennit. O artigo foi uma das escolhas do editor, mas apenas 100 leitores compareceram à página e deixaram as digitais no compartilhamento.
Na categoria Literatura mantive o ideal de escrever sobre autores brasileiros; inclusive recentemente escrevi um longo artigo sobre o memorável João Guimarães Rosa. Também recorri a autores estrangeiros, tais como: Ken Follet autor dos livros “Um mundo sem fim” e “Os pilares da Terra”; Marcus Zusak escritor do livro “A menina que roubava livros”. Esse, embora retrate a selvageria da guerra, pela habilidade do autor em escrever as poesias existentes no terror e no caos, foi um dos melhores livros que li.
Passando para Artes e Ideias, se escrevi três artigos foi muito.
Categoria Sociedade. Mesmo com todos os problemas educacionais, quem dera pudesse escrever que nós fazemos frente aos chilenos e lemos de 5 a 6 livros por ano. Quisera também escrever que os nossos políticos são exemplos de honestidade e seriedade; que os índices de criminalidade são baixos tendendo a zero; que o motorista brasileiro é respeitoso às leis de trânsito, ao pedestre e ciclista; que os bailes que rolam nas periferias não fazem apologias ao crime, não incitam o uso de álcool, drogas e sexo explícito; que devido a disciplina moral e ética do povo brasileiro, o estupro coletivo ficaria restrito à Índia; e sem prolongar demais o indevido, que o nosso I.D.H (Índice de Desenvolvimento Humano) está anos luz à frente do I.D.H mediano. Mas não é esta a realidade e o leitor que é brasileiro, sabe muito bem a sociedade a qual fazemos parte. E não adianta dizer que age com consciência, em conformidade com as leis, que é diferente por princípios éticos e morais, porque infelizmente um ser isolado submetido ao caos e absurdos oriundos de um povo desorganizado e desestruturado, não representa uma população de 200 milhões de pessoas. Portanto, se não fiz menção a tais coisas nos escritos, é porque fui obrigado a escrever o contrário; afinal, conforme o principio elementar da matéria, duas coroas não ocupam a mesma cabeça de um único rei no universo ao mesmo tempo: ou uma, ou outra. Ou é Deus, ou é lúcifer. No entanto, sem levar em conta a geometria e formato, recordar sempre que a consciência é a moldura mais adequada para enquadrar a imagem do pecado ou do perdão.
Esqueça o que lestes no parágrafo acima, nos artigos sobre o tema e atente-se que um simples “... mas, os artigos que li deste escritor sobre a nossa sociedade não são sérios”. Porque é melhor acreditar na beleza do surreal, do que se amargurar com as verdades do assombroso.
Cinema? Depois que assisti os filmes sobre os livros que li e The Door´s foi um deles, decididamente dei um basta: muita mídia e mais ainda, efeitos; e pouquíssimo do que consta nos livros.
Uma vez que este artigo é uma edição de congratulação, que o P.A, os escritores, os leitores e os colaboradores do Obvious continuem flertando suas intimidades através da escrita e leitura por mais 100 artigos.
pt.jpgTim, tim!
Para alguém longe de ser escritor, mas muito próximo de um rábula da escrita, qualquer canoa mesmo que remada sobre águas estacionárias, flui rabiscos em pedaços de papel! Sobretudo, ler, escrever, fotografar, pedalar e viajar: premissas de um Homem que contrapôs as barreiras e imposições do tempo; porém, como mencionado nos parágrafos seguintes, estipular metas é traçar o futuro. E por questões de foro íntimo, além de cumpri-las, deve-se começá-las cedo para parar cedo; assim sobrará mais tempo para lançar-se em novas conquistas e realizações.
Tim, tim!
O obstinado estradeiro que vai sumindo no horizonte difundia aos quatro cantos do universo que havia tomado como decisão em sua vida, se necessário fosse e foi preciso, trabalhar com afinco 40 anos ininterruptos com o propósito de que, se não conseguisse nada financeiramente durante esse período, tornaria-se mendigo. E no caso de conseguir algumas ninharias de dinheiro, algumas coisas mínimas para sobreviver, tornaria-se vagabundo, passando a administrar as parcas economias que com muito custo, pesquisa e labor haveria de possuir.
pt2.jpgEnquanto fotografo o horizonte enfumaçado que jamais alcançarei, o alaranjado dos raios solares zomba da perfeição de minha sombra!
É presumível que hoje ele esteja completando o seu 40º aniversário, pois nunca, jamais, foi visto naquele estilo espirituoso: com a mochila nas costas, olhar no horizonte e pés na estrada. A pesquisa contínua, o trabalho intenso, a sede de realização e a conquista proposta jamais lhe proporcionavam esse momento, que deve ser áureo em sua vida. Dizia que quando isso acontecesse, seria o resultado das metas estabelecidas, da obstinação e o querer, aliado ao fazer. Feliz viagem e breve retorno estradeiro! Traga boas notícias do mundo além-mares e oceanos, porque por aqui...Caos total!
Tentei ser moderno, fazendo selfie, pintando o cabelo acaju, usando uma argola no nariz, pondo arames retorcidos nos dentes e tudo mais, mas não deu. Essa minha estreita relação amigável com o pouco dinheiro e menos ainda, trabalho, é questão de ócio, nada de morte e pleno estilo de vida. Aliás, quem cultua os sorrisos da beleza efêmera, acaba sendo ridicularizado pelas duradouras lágrimas do feio!
Tim, tim!
Enquanto seleciono as fotos da comemoração da “Edição 100 Artigos” para postagem, reveja as fotos, as quais pertencem ao autor deste.

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
Saiba como escrever na obvious.
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