ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

“A terra das cachoeiras gigantes”


A grandiosidade da Natureza é tão invisível à pequenez dos olhos, que dá para contar nos dedos os homens dotados de sensibilidade que perdem um minuto de suas vidas para contemplar as dádivas e os fenômenos advindos dela.


cachu.jpg O arco-íris é um belo efeito físico da incidência e separação das cores espectrais do sol sobre as gotículas de água suspensas na atmosfera. - Salto Barão do Rio Branco - Foto do autor do artigo

Para o insaciável comilão, a gula é o pecado da alma; o leitor compra o livro segundo a introdução lida no prefácio; para o fotógrafo, a melhor paisagem é a vista pela agudez e sensibilidade dos olhos; o caçador de cachoeiras move e remove montanhas e ao comprovar in-loco a veracidade do enunciado, suspira a singeleza da satisfação. E satisfazer o ego de modo tácito, é descobrir-se na simplicidade da criação.
Indubitavelmente, a curiosidade move o homem e ao ler algo chamativo, a imaginação irá por onde a leitura a levar. Razão pela qual, ao ler um título como o do artigo, por mais reticente que seja, o leitor sente-se instigado, atingido por uma pontada de ânimo, desejoso de saber se realmente existe “A terra das cachoeiras gigantes”. Uma imagem até pode auxiliar no desvende dos fatos; mas, jamais substituirá o que os cristalinos dos olhos registrarem e o que as digitais dos dedos tocarem. Todavia, assim como o experimentalismo e o empírico estão para os peritos; os desafios e as dificuldades estão para aqueles que não se assustam com o tamanho do abismo, o qual preserva a sete chaves os benévolos mistérios naturais. Para adentrá-lo, o homem tem que ser mais que simplesmente homem, daí o motivo dos abismos naturais permanecerem relativamente intactos; o que é excelente, porque em tudo que o homem comum toca, em anéis de fogo para o seus dedos queimar, se transforma.

O mundo está esparramado pelo Brasil adentro e um pedaço da Ucrânia, representado pelo município de Prudentópolis; que separado em duas palavras, a primeira é proveniente de prudente e o radical grego polis, significa cidade. Em sentido amplo e literal, Prudentópolis significa a cidade de homens prudentes, disciplinados, hierárquicos. Colonizada pelos ucranianos, o município paranaense, cujo símbolo é representado pela esguia araucária, árvore que dá o pinhão, um fruto altamente calórico e rico em nutrientes, é pequeno e pacato; mas grandioso em recursos naturais. Por todos os lados, o que se vê e respira é a pureza exalada pela simplicidade dos seres que habitam e compõem a Natureza em toda a sua inteireza.
O traçado geométrico urbano segue um quadriculado bastante regular, com o perímetro dos lotes acima da média para áreas urbanas; ruas largas com invejável arborização fronteiriça. No quesito árvore por metro quadrado, devido à campanha “Plante uma árvore para o bem de seu filho”, estima-se que o município esteja entre os mais arborizados do país; motivo da excelente qualidade do ar.
Ao chegar à cidade, o turista se deparará com um paradeiro quase que absoluto. Total calmaria; e fora o único atrativo urbano para se visitar, que é a igreja São Josafat em estilo bizantino e construída pelos colonizadores, os demais atrativos turísticos não estão muito distantes do centro; mas demanda uma boa espichada de perna e pulmões saudáveis para filtrar a poeira das estradas; principalmente no inverno, estação em que predomina o clima seco.
Para quem acredita que uma determinada carga de dinamite principia o rompimento da dureza de certas rochas, e para o outro que parou no tempo ruminando as consequências do desânimo, limitando-se a elas, abrir o compasso das pernas por mais de 100 km para visitar uma cachoeira, é dispender energia demais para obtenção do pouco êxtase de fazer uma selfie.
No entanto, para esses menos atirados às estradas, existem atrativos mais próximos do centro da cidade, e ao deslocar por cerca de 20 Km (ida e volta) os olhos se fartarão com o volume retumbante de água que desce do Salto Manduri e Salto Barão do Rio Branco; que represado, move uma potente turbina, gerando energia para a fábrica de celulose dona das terras.
salro_manduri.jpg(Foto: Adriana Justi / G1)

O terceiro roteiro é bastante peculiar; mas, indigesto para executá-lo. Estradas de terra batida salpicada por pontiagudos pedregulhos levam ao salto Sete.
cachu1.jpgSalto Sete – Foto do autor do artigo
cachu2.jpg Com seus aproximados 90 m de queda livre, a fotografia mostra o salto São João visto de longe. cachu3.jpgMesma cachoeira vista de baixo.
millot.jpgSalto Milot – Foto do autor do artigo

prudentopolis.jpgQuase 200 m de altura separam um céu azulado do chão, fazendo com que um salpicado de minúsculas estrelas iluminem o recanto que fica incrustado no sopé do rochedo à espera que alguém mergulhe debaixo de uma saia de espumas. Salto São Francisco – Foto de quem de direito

Onde há cachoeiras gigantes, há também a oportunidade para os extremistas testarem suas forças e emoções através dos esportes radicais. A adrenalina vai a mil quando pendurados numa corda, descem o despenhadeiro abismal sob as águas da cachoeira, esporte conhecido por alguns como cachoeirismo e por outros, como rapel. Já para aqueles que querem se ver nas alturas e somente apreciar o cenário sem ter contato com as águas gélidas, a tirolesa e o arvorismo são os esportes recomendados.

Desperdício de tempo é tomar conhecimento de algo magnificamente belo, sem dar a devida ênfase à beleza, saciar os instintos mais aventurosos, contemplando-o. E admitir através do espetáculo promovido gratuitamente pela Natureza, que as obras naturais foram cinzeladas por um Deus-artesão perdido nos recônditos mais inóspitos de mundo; porque, em meio à multidão, impera somente a impaciência, a intolerância, a indiferença, a injustiça e o poder material do quem puder mais, devoram, trituram os ossos dos de menos poder; princípios que não condizem com a simplicidade da Natureza.
Afinal, embora ela não se iluda com as manias e gigantismos de seus acervos, os mosaicos naturais não mentem nunca; ao contrário, torna verossímil a existência, não de uma, mas de muitas “Terras das cachoeiras gigantes” e para conhecê-las, basta um pouco de insanidade e muita humildade aventureira; sobretudo, perante os seus recursos, quanto mais destemido o homem for, mais presa fácil dela será; motivo das águas calmas ou turbilhonares terem aprisionado, abocanhado muitos invasores sob os seus domínios.
A Natureza é justa e não aceita negociatas, por isto, deve-se reverenciá-la, sempre; no entanto, acima da reverência, respeitá-la é regra indissociável.
cachu6.jpg Não há misticismo inclemente maior que o das águas e como manda do dito popular, as águas altas ou baixas, correntes ou paradas, preferem os medrosos e tacanhos, porque os atirados, os atiçados, a ela pertence.
cachu4.jpgFoto do autor do artigo


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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