ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!

A música como revolucionário projeto pedagógico

Fora a tecnologia, o que mais o Japão esparramou de benéfico pelo mundo; e ludicamente, veio parar no Brasil?


inagaki.jpgRyo Kawasaki

O espírito do músico comunica com os espíritos dos deuses da operosidade com olhos os fechados; que por sua vez, não medem a competência e o talento do profissional, seja ele de qual área for, pelo formato dos olhos.

Diante de tanta cultura e insatisfação comprada por altos valores monetários, pagas com os “jabás” de empresários que dominam a mídia, sob a qual um professor de filosofia elabora uma questão de prova com o refrão: “se bater de frente, é só tiro, porrada e bomba” da funqueira Valesca Popozuda, qualificada pelo educador como pensadora contemporânea, qual a contribuição do Japão para a quebra deste paradigma atual na música brasileira?

Como o material sobre o músico Inagaki e companhia é raro, é mínimo, quase nada até mesmo nos ambientes especializados sobre música, o artigo será preenchido com algumas peculiaridades da história do Japão; país que com sua cultura milenarmente tradicional, personificado pela espiritualidade, não dava a entender que algum dia o tradicionalismo pudesse ser quebrado, rompido, para dar lugar às novas culturas, principalmente, a música. E como essa mudança bateu-lhe à porta, pedindo morada?

Guerra. Essa é uma palavra que por si só lançam gases lacrimogênios nos olhos, explodem bombas e dinamites, mandam as estruturas para o ar, deita por terra todo o sentimento que há na palavra humanismo; pois, são inversamente contrárias de significados, no entanto, a que mais causa furor e alterações de comportamento na conduta dos povos são as Guerras. E embora a humanidade tente por panos quentes, esconder-se nos subterfúgios eufêmicos, condenar os belicosos e causadores de guerra pelos genocídios em massa, tente ocultar, a história do renascimento de cada povo em cada região do planeta aclara, torna verossímil essa verdade irrefutável.

A guerra é como o ataque de um enxame de abelhas que obriga o atacado a se mexer, a se defender sozinho, ou juntando-se em bando. As guerras são arbitrárias e não permitem zonas de conforto.

Após a segunda guerra mundial, com a destruição de Nagasaki e Hiroshima, o Japão passou por profundas reformas internas, tanto estruturais socioeconômicas, quando culturais. O convencional deu lugar à modernidade, cidades pequenas engrandeceram e a palavra competição tomou conta dos japoneses; que para se sobressaírem perante o mundo, investiram maciçamente no ensino, na cultura, no "ser humano" e no conhecimento tecnológico.

Porém, essa abertura trouxe algumas consequências graves à sociedade, principalmente para a geração embrionária das décadas posteriores. Tudo se deu porque os governos cobravam das famílias, total e irrestrita reformulação nas formas de educar os filhos. O que era doutrinário e rígido, tornou-se ainda mais castiço e impositivo. Na Educação, tirar onze na prova que va(lia)le dez é a (era) meta. Nove e meio não era aceito pelos pais, governos, e mesmo entre os educandos. Caso acontecesse, a chacota era geral.

E as consequências de tudo isto? Suicídios e mais suicídios. Crianças e adolescentes não suportando a pressão, a carga imposta, o tormento familiar e social, assinavam o recebimento da correspondência de cobrança, suicidando-se. Aliás, os japoneses mantém esse legado até os dias atuais. Indistintamente, crianças, adolescentes, homens e mulheres de variadas faixa-etárias colaboram com os números estatísticos, e o índice de suicídios por motivos vários no país é altíssimo.

Todavia, nem tudo numa guerra resume em suicídios e morte; e o reverso desse dilema, é a alteração nas maneiras de pensar, é a modificação de conduta de alguns que, como a flor de lótus, (segundo os orientais, a flor que floresce no pântano irradia sabedoria, espiritualidade, e é a mais bela dentre todas as flores), extrai do pior o melhor. Esses são os renovadores e usam as ferramentas que possuem para fazer as reformas de conceitos.

takeshi1.jpgTakeshi Inomata

Dando uma guinada de 180º graus, faz algum tempo, dois meses se muito, escrevi sobre um dos pilares da revolução na música japonesa. Seu nome é Takeshi Inomata, baterista, professor e posteriormente, precursor e consultor no desenvolvimento de projetos de percussão para a Yamaha instrumentos musicais. Takeshi foi Ás e liderou os Azes de sua classe contra os reis em busca de novos azimutes para a música japonesa.

inagaki2.jpg

Feita a primeira, porque artigo foi resenhado em duas partes, conecte com https://www.youtube.com/watch?v=t9zurKcPYB8. E se o leitor é daqueles que se entedia facilmente, que queima a boca comendo cru o alimento, lê a primeira página e já quer saber o final do livro, pragueja o frio, põe a negatividade do não gosto, não quero, não consigo, não posso antes de qualquer vivência, antes de ler, ouvir, antes de qualquer experiência, posicione o cursor em 20 minutos e aguarde alguns segundos para a entrada em cena do sax, da bateria e dos arranjos de modo geral; depois se desprenda da matéria, porque é impossível um ser de ouvidos sensíveis não deleitar com o final do magistral concerto feito por Inagaki no álbum "Soul Média". Mas para apreciar a sonoridade no todo, o ouvinte tem obrigatoriamente que limpar os ouvidos, apagar as luzes do ambiente, fechar os olhos, dizer adeus às normalidades; mesmo que hipocritamente, fingir que não é governado pelo poder do dinheiro e flutuar espiritualmente entre o Nirvana e o estado THETA de consciência.

Sou suspeito em escrever sobre música, principalmente instrumental, (rock progressivo instrumental, então, é orgasmo precoce; ejaculação miúda e aos poucos, porém duradoura. Pena o brasileiro não conhecer nada sobre o gênero) que pra mim é o ápice, é a carta magna dessa modalidade de arte. E apesar de entender, ainda que erroneamente, de modo geral, todo ruído (até do esfregão em cacos de telhas, como faz Hermeto Pascoal) emite uma nota musical, mas quando os instrumentos se unem perfazendo harmonias e sonoridades, a alma gargalha contente por saber que o trabalho foi operoso e o resultado final é o reflexo da operosidade.

Inagaki e banda fazem um jazz-rock especialmente para quem é amante dos absurdos das harmonias e se perdem nas insanidades das melodias. Como ninguém faz nada sozinho e até os grãos de areia rolam procurando amparo, juntam-se, grudam um aos outros para construir os castelos, a banda de Inagaki conta(va) com ele no saxofone; Masaru Imada gastando os dedos no órgão; Ryo Kawasaki devaneando nas cordas da guitarra; Tabata Sadakazu, bateria; Tetsuo Fushimi trompete e Yasuo Asakawa no baixo. E os que esses nobres senhores de olhos fechados tem em comum? Primeiramente, a boa música nas veias e em segundo lugar, o mesmo estilo, ou melhor, o refinadísso jazz-rock.

Mas é Inagaki que atingiu metástases mais fluentes mundo afora, vindo parar no Brasil um de seus linfomas musicais. Surpreendentemente, desde 2015, o colégio Medianeira agracia os alunos com o projeto cultural “Sinal Musical” e numa das sessões, o álbum “Funk Stuff”, segundo de Inagaki, foi o destaque; assim definido por Bruno Ruiz, curador do projeto: “Foi então uma metamorfose, com suas dificuldades e bons resultados”.

Diferentemente da falta de fundamentalismo, criticidade e imaginação criativa do professor de filosofia, faz parte do projeto escolher o músico e o estilo musical a partir de critérios pedagógicos e educacionais. Através dos quais, Bruno resume o sucesso da inovação: “A relação entre música, cultura e educação é imediata. O Colégio passa a ser mais lúdico ao proporcionar um ambiente em que o sinal sonoro já não mais manda, mas convida”. Com relação a "sinal sonoro", ele quer dizer os toques da sineta entre as aulas, porém o prelúdio musical que inspira a aprendizagem ocorre durante o intervalo; ou como dizia antigamente: durante o recreio escolar.

Que esses senhores de olhos fechados nos tragam boas e benéficas coisas, mas por favor, não nos venham com chacotas e apologia à matança; ao crime. E aludido a Vinícius de Moraes, que eles perdoem as tolices que falamos, a ânsia ilimitada pelo poder e a nossa má Educação de todos os dias; porque o saber e a cultura refinada, além de desafogar as agonias da alma, enobrecem um povo.

Como eles apregoam para o mundo, o sábio intelectual, o revolucionário altruísta de amanhã está na crônica, no conto, no artigo, no editorial que lê; no programa que vê e na música que ouve hoje, agora, a todo instante. Resumindo: juntando tais coisas no mesmo pacote, redunda em saber, conhecimento e cultura apurada; e enquanto os pulmões respirarem o sublime éter da vida, esses são os melhores bens que o homem deveria possuir.

P.S.: Dos dois álbuns do Jiro Inagaki, o preferido por mim é o Soul Média. É para explodir o diafragma e os tímpanos de tanto ouvir. Sugiro que ouçam também Takeshi Inomata. Japoneses rebeldes que são ou foram, eles se completam com o jazz-rock. Levitação garantida ou as bazófias dos filósofos meia-pataca que vendem os ensinamentos de Aristóteles, Sócrates, Seneca, Platão, Cristo, Ghandi e cia, e seu corpo de volta ao musical dançante, nivelado às indecências da Valesca Popozuda.


Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!.
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