ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

O perfil de uma lesma canalha, anacrônica e gosmenta sem perfil, resume-se ao: "Ei, esperem por mim! Não entendo o porquê dessa correria atabalhoada, o porquê de tanta competição, se iremos para o mesmo lugar! Embora não aparentem, sapatos camufladores e tênis mimetistas são egoístas e não suportam retardatários na pista. Faz-se saber, portanto, que se for pelo atletismo cotidiano, não compito e nem sou exemplo de atleta"

Desculpe-nos pelos transtornos; fechado para auditoria

“A diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste em que numa democracia se pode votar antes de obedecer ás ordens.” Charles Bukowski


Contextualização: Houve um tempo em que o labor foi considerado como “castigo”. Chegavam dizer que era o princípio do escravismo; em direção contrária, também pensavam que algo antagônico ao trabalho seria a felicidade tão almejada. Para ratificar essa proposta, criaram e difundiram a filosofia do ócio. Porém, em outros tempos, uma máxima bastante difundida dizia que o "Trabalho enobrece o homem". Na atualidade, qual é o povo nobre que detém este título por excelência e trabalho?

animal.jpgMariana em chamas. Caveiras de barro. Espetadas em ossos. Estúpido cavalo frágil atolado na lama.

Às vezes parlamento com meu espelho, para que ele dê sentido a uma resposta merecedora de aplausos e digna de ser seguida, se é correto eu reclamar daquilo que a maior parte, quase tudo é proveniente do resquício, do resto produzido por mim? Indago também querendo saber por que ter nojo daquilo que é, por que sinto asco daquilo que foi criado exclusivamente por mim? Miserável e infeliz espelho que não tem serventia; e principalmente na hora que mais preciso, ele se esquiva, se mantém calado e nada diz! O quê esse inútil objeto tem em comum com os sábios humanos, que após 199 anos, 11 meses e um monte de segundos de existência, ainda não descobri? Seria a omissão?

Toda e qualquer profissão é digna e deve ser reverenciada por aqueles que tem olhos para o trabalho e operança coletiva e tais virtudes deveriam ocorrer a partir das sociedades, porém em determinadas circunstâncias e emergências, algumas classes operacionais se tornam mais necessárias; ainda que sejam de menos valor, reconhecimento e expressividade social. Imagine uma cidade grande sem os garis?

Faz algum tempo, a cidade italiana de Milão ficou em petição de miséria, devido os braços cruzados dessa classe de operários. Com o cheiro de bodum causado pelas montanhas de lixo nos quatro cantos do município, como ficaram as praças e os parques, as construções, os banheiros, as feiras livres, as escolas, os hospitais, os estádios de futebol, as frentes das casas, as igrejas e pátios, os teatros e cinemas? A confusão na cidade era tamanha, o falatório intransigente, o zunzunzum causador do problema saiu de dentro dos estabelecimentos e ganhou as ruas; pois o volume de lixo acumulado era tão grande, que ratos, baratas, moscas varejeiras, chorume, cães, bactérias, gatos, vermes, restos de vísceras, urubus e narizes de cegos, foram recompensados com o faro de vida pela resistência. Será que o Prefeito, os Juízes, os Hipócritas, os Escribas, os Mentirosos, os Agiotas, os Corruptos, os Diplomatas, os Psicólogos, os Jornalistas, os Comerciantes, os Diretores dos Clubes de Futebol, os Sociólogos, os Médicos, os Padres, Esportistas, os Advogados, os Engenheiros, os Vendedores de Ilusões, os Cientistas, os Doutos, os Professores e outros senhores do alto escalão que compõem a sociedade italiana mantiveram o sorriso, o bom humor no happy hour do fim de jornada em meio ao mau cheiro de restos de tudo em decomposição?

Pouco provável que isto tenha acontecido; pois, o mau cheiro incomoda, enerva, impacienta qualquer narina. Na realidade, as narinas apreciam mesmo é um bom perfume francês e quanto mais almiscarado, melhor; afinal, naturalmente essa é uma das maneiras de atrair o sexo. Notem que implicitamente a metáfora fala sobre o trabalho. Pobre e morto é o organismo que não manifesta através dos sentidos a beleza dos movimentos que foram dados a ele gratuitamente. Se tal fato ocorre, pode-se dizer que é um vivente morto-vivo fazendo parte, corrompendo e usurpando o leite que derrama, que jorra, que desperdiça dos ubres da família, do Poder Público e da sociedade?

Analisando friamente o contexto da cidade de Milão, naquele momento, quem era mais importante para os munícipes, para a sociedade como um todo: os garis recolhendo as pias de lixos produzidas pelos seus compatriotas ou a poderosa pena dos jornalistas denunciando o acontecimento? Denunciar, escrever, relatar, esclarecer a população sobre os fatos e os porquês da parada dos garis foram o bastante para resolver os problemas? Novamente: durante os dias em que os dignos "urubus urbanos" italianos cruzaram os braços, qual foi o profissional mais requisitado, mais aclamado, mais injuriado e mais necessário ao bom andamento e funcionamento da cidade? Todas as sociedades (composta por humanos, quê fique bem claro!) fazem, praticam, criam as suas porcarias e excrementos; e depois, inescrupulosamente, os empurram para frente, para que alguns excluídos sociais os consumam, os limpem e desapareçam com eles. A acuidade perceptiva dos humanos é tão evoluída que ainda não conseguiu imitar nem os gatos; e claro, todos sabem o por quê? Caso desconheçam a resposta, ainda não tenham desenvolvido o mínimo de lucidez efetiva, sintonizem, observem detidamente o comportamento da espécie. Cada um fazendo a sua parte, sem bazófias, pabulagens e honestamente, respeitando fervorosamente, não agredindo, tanto seu semelhante quanto a Natureza, é o ato mais sublime de quem se considera, e realmente é um altruísta, solidário, democrata-republicano.

Indubitavelmente a humanidade passa por constantes e sérias atribulações; sejam elas de proveniência natural, ou devido as consequências dos atos desmedidos dos homens, ou motivadas pelas duas coisas. Fato é que quando menos espera, algo de catastrófico acontece, causando comoção, dor, lamento, nojo, desespero e até mesmo o jorro de sangue. E embora esse mau presságio sempre tenha sido a tônica na relação do homem com seu meio, a problemática intensificou nos períodos de guerra; onde cada "reinado" defendia com unhas, dentes, armas e muito derramamento de sangue os seus interesses e poder.

japao4.jpegA imagem mostra como ficou a região portuária do Japão após o terremoto. Toda área afetada foi reconstruída em 6 meses. Foto de domínio público.

Por sua vez, a silenciosa e tacanha Natureza, além de não aceitar desaforos, não fica para trás e vez para outro, manda o recado aos povos, dizendo que está viva, em pleno movimento na Terra, e por isto a melhor receita para a paz é a precaução. A falta de harmonia entre o homem e ela tem feito estragos; casos dos constantes terremotos, maremotos, ventos ciclones, chuvas intensas em certas regiões causando tragédias; secas avassaladoras em outras matando víveres e plantações; enfim, o desequilíbrio dá fortes indícios de que não há nada tão ruim, que não possa ficar pior. Tragicamente, este é o lema de como viver melhor à aceitação do caos. Com a tragédia, com a catásfrofe consumada, com o caos estabelecido, como resolver parcialmente, ou pelo menos amenizar os problemas recorrentes advindos deles?

Contudo, são nestas ocasiões que há necessidade premente de todos despirem-se das etiquetas de valores próprios; extirparem-se da condição social privilegiada; desprenderem-se da zona de conforto; abrir as portas dos armários e trabalhar com afinco na re-Construção. E que o novo seja melhor, mais vigoroso, mais resistente do que havia anteriormente. re-Construir não é a melhor oferta e saída, no entanto, se é para re-Fazer, que seja para durar.

Após passar pela amargura de ter parte de seu território alvejado pelo pó de giz derramado por aviões e espalhado pelas bombas, o Japão tem sido o país pioneiro neste tipo de ensino. Do período de guerra até os dias atuais, os japoneses tem declarado aos demais povos do mundo que teorias não postas em prática, não exercitadas, que líder sedentário e em profundo repouso nada adianta e se nada resolve, melhor não tê-lo. Evitando assim, tanto gasto físico-emocional de energia-trabalho, quanto dispêndio econômico.

japao.jpegDireito de imagem: Kiodo/Associated Express

Dias atrás uma cratera abriu-se do nada em uma das avenidas movimentadas de uma cidade com mais de 1 milhão e meio de habitantes. O fosso media aproximadamente 30 x 30 m de superfície (900 m2 área) e 15m de profundidade; e engoliu carros, postes e as redes de infraestrutura. Para repará-lo, foram necessários quase os míseros 6500 m3 de concreto. Soma-se a isto, o refazimento de tudo que foi destruído. Porém, nada seria refeito se os operacionais japoneses não se dispusessem a trabalhar em turnos contínuos; (dias e noites) e em 48 horas, todos se perguntavam: "Ué, o quê aconteceu com a cratera que nasceu aqui dois dias atrás? O filho gigante que veio para atrapalhar a boa fluidez da cidade nem bem nasceu e já morreu?" Os japoneses exportam para o mundo, não só tecnologia, mas também seriedade, trabalho, comprometimento e honestidade com as coisas de uso coletivo. Não há dúvidas que os líderes japoneses são democratas que trabalham em benefício de um povo que exerce e pratica os conceitos de república. Impossível é dizer que o país não possui cidadãos em cumprimento dos conceitos de cidadania, fato que explica porque quando duvidavam das palavras desse povo antigo de olhos fechados, porém abertos para a Ordem e Progresso, os japoneses se defendiam dizendo ser "garantidos"; o que deveras são por princípios, competência e trabalho.

re-Construir é preciso, mas a edificação só será perfeita se houver, primeiramente ordem e disciplina; e posteriormente, união e trabalho, quesito que os japoneses são pioneiros e únicos no mundo. São povos que abaixam a cabeça e trabalham pelo princípio comum. E nós brasileiros, o que temos a dizer sobre o tema? Porque o limite entre o escrito e o exercício não concretizado é a operança, tanto do esquecimento, quanto das teorias jamais postas em prática.

saofrancisco.jpg

Iniciada em 2007 ao valor de R$ 4,5 bilhões, a conclusão da transposição do "Velho Chico" estava prevista para 2012. No entanto, com o fechamento das portas do país para auditoria, a foto de 2015 revela em quê pé os trabalhos se encontram em muitos trechos do projeto. Em 2016 o custo ultrapassa os mínimos 12 bilhões, no entanto, a aduana está fechada, o dinheiro acabou e a esperança, o suor e a urina de animais e homens são os líquidos que escorrem pelo canal. Em contrapartida, como está pronto, só falta ao povo esperançoso da caatinga e do agreste nordestino orar, Deus ouvir os seus clamores e mandar chuva em abundância para enchê-lo, bem como os açudes, cisternas, poços, baixios e cacimbas. Caso isto aconteça, dificilmente a obra projetada pelos "competentes" engenheiros, (como engenheiro e amante da técnica aplicada, as quais os geomêtras e matemáticos gregos construíram o mundo, inclusive diziam que "quem não fosse geomêtra que ficasse de fora", sinto-me envergonhado de pertencer à classe) brasileiros e implantada pela engenharia Divina não será concluída.

saofrancisco1.jpgFoto pertencente a andradetalis - WordPress.com

re-Construir é preciso; o que só pode realizar-se com dedicação ao trabalho, ao labor, os quais representam o sal da cara. re-Construir pode também ser entendido como re-Democratizar; mas como re-Democratizar o que ainda não foi democratizado? A democracia plena, àquela as quais os resultados se vê no dia-a-dia, se faz com deveres; mas enquanto ela não nos vêm, sigamos com as portas abaixadas, fazendo a auditoria daquilo que nunca tivemos: coragem para ir à luta em prol do progresso em comum. Porém, sigamos sempre e incontidamente esbravejando os nossos direitos. Sobretudo, querer o que é meu por Direito, (estuda-se Direito e não deveres) é infinitamente superior aos meus "compromissados" deveres.

Ainda que ele tenha sido espírita e pregasse a reencarnação, na história da humanidade, fora Cristo, não aparecerá outro ser tão honesto de palavras, quanto foi Karl Jung ao dizer que "na vida ou adapta-se, ou morre". Convenhamos que conviver em sociedade (a sociedade padroniza e personaliza a oculta e enrustida ditadura) não é para qualquer estômago; e quanto mais degradada moralmente for, como é a sociedade brasileira, pior é. Ô povo desqualificado e a geração, a qual o país está entregue, através do que chamam de Direito adquirido democraticamente em Constituição, consegue ser pior do que seu antepassado.

P.S.: Ironia Descarteana: se o brasileiro escreve, não pensa; se pensa, não trabalha. Se trabalha, o resultado é o visto na obra de transposição. Restos de carcaça de obra que antigamente na Engenharia chamavam de "elefante branco" e iguais a este da transposição do Velho Chico, tem uma profusão, o país a fora está abarrotado e pode ser visto e tocado até pelos cegos; basta abrir os olhos.

Trocando em miúdos, neste país de portas constantemente fechadas para auditorias; nacionalidade, origens, identidade, seriedade, comprometimento, honestidade, solidariedade no trato das coisas coletivas não existem. Mais de 500 anos, habitado por 200 milhões e mais um punhado de iluminados e não apareceu um sábio para arrematar um, apenas um prêmio Nobel. E o que explica é que a quantidade não representa a qualidade da mercadoria selecionada e exposta nas bacias no fim de feira do Black Friday brasileiro. Não preciso esclarecê-lo deste ponto de vista, ou o leitor vai me dar o desprazer de ter que relatar o que está mais do quê de portas abertas ao escancaramento?

Nota: Em breve tomaremos conhecimento do que está acontecendo em Altamira, cidade com quase 100 mil habitantes do interior Paraense, devido à construção da hidroelétrica de Belo Monte. Se o país não se sucumbir ao caos social antes, nos encontraremos lá...; que tenhamos sorte, porque competência...; E o incipiente precipício abismal é a pena do escritor que assina com o pseudônimo de P.A!


Profeta do Arauto

O perfil de uma lesma canalha, anacrônica e gosmenta sem perfil, resume-se ao: "Ei, esperem por mim! Não entendo o porquê dessa correria atabalhoada, o porquê de tanta competição, se iremos para o mesmo lugar! Embora não aparentem, sapatos camufladores e tênis mimetistas são egoístas e não suportam retardatários na pista. Faz-se saber, portanto, que se for pelo atletismo cotidiano, não compito e nem sou exemplo de atleta".
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