ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Jornal Zero Hora

Ainda que os amantes não saibam da devassidão e o perigo de empregar o verbo amar no presente do Modo Indicativo, amar é divagar sobre aliterações distantes. Eu amo; tu amas..; nós amamos. E o que mais nos resta, a não ser... Amar, intenso amar, em imenso mar tenso.


Contextualização: A criação em Offset. Um banco, duas mãos aposentadas e dois olhos que olham por cima dos óculos caídos em cima do nariz bico de tucano deslizam sobre as minhas páginas rotas e amarelecidas. Estórias e mais histórias. Múltiplas experiências. Verdades e mentiras. De mãos dadas a alienação caminha ao lado da manipulação. Uma parábola e muitas metáforas. O encontro do engano com o desânimo; da alegria com a tristeza; do desprezo com a torpeza...; Sangue! Aconteceu virou manchete!

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Por não falar uma palavra, sequer, aquele senhor, - exato, aquele que está sentado no banco à direita da senhora vestida de preto - sempre faltou com a didática. Fazendo mímica feito doido, como gesticula! Inquieto. Veja, está pedindo para ela acender a bituca de cigarro que pegou no chão. Com o toco da droga lícita na boca, gesticula, flexionando o dedo polegar como se fosse isqueiro. Sintoma de esquizofrenia? Está sedento para dar a primeira tragada na guimba. Humm, quê pena, pelo que parece não vai dar tempo, o ônibus da senhora está vindo! Exatamente, não deu tempo.

Fato raro que pode ser contado nos dedos de uma das mãos, mas ainda existe um coração mole que consegue, não só sensibilizar-se, mas arrancar pétalas de rosas inteiras em corações de pedra!

Poxa, que atitude admirável: ela passou para ele o cigarro que estava fumando. Está quase inteiro; foi sugado duas vezes, apenas. Sorte dele. Não entendi, se era o que queria, por que está chorando! Hum, com quanta coisa esquisita tenho que conviver diariamente. Seja pelo motivo que for, vou dormir. Finalizar, encerrar o expediente. Plantão cansativo.

Minhas notícias poderiam ser mais poesia e menos realidade. Só desgraça, corrupção, manias de grandeza, sangue, mortes! Boa noite! Oi, fale comigo! Tem alguém aí do outro lado? Oi, oi... estou aqui... oi! Passou a noite dormindo? Oi... acho que sim. Oi; é hora de despertar! Chato demais, falar e não ser ouvido. Oi; tem alguém aí do outro lado?

Folheando as páginas, deparei-me com este depoimento sobre saúde: "Meus problemas psíquicos estão avolumado progressivamente. A carga de remédios parece não fazer efeito. Meu médico recomendou que tomasse Fluoxetina, mas em nada adianta. Embora tenha tomado uma carga cavalar, não consigo dormir. E quando passo por uma madorna, o mundo parece que vai desabar sobre minha cabeça. Estou aqui falando com você, leitor, corroído pelos meus leões que se tornaram indomáveis. Frequentemente rugem alto causando espanto ao meu cérebro; à minha sabedoria. Sim! Estava tomando Diazepan, mas era como se não tomasse nada, acho que o meu organismo se acostumou. Exato, a resposta dos sintomas aos medicamentos é zero. A rotina, o feijão com arroz no almoço e no jantar tende à acomodação, à dependência química do deixa acontecer. Acostumo fácil com as coisas e o mais desgastante, não tenho forças para reagir o tal "começar de novo". Fui devorado pelo tempo, pelas doenças, pelos remédios, pelo sistema, pela tecnologia. Hipocondríaco eu? Pode ser. Perdoe-me se eu estiver falando muito, te causando transtorno à essa hora da madrugada. Atrapalhando o seu necessário e reparador sono. Haja paciência para ouvir o desabafo de um depressivo! Sinceramente não sei se teria saco para ser você. Agradeço por estar me ouvindo."

Oi, tem alguém aí do outro lado? Será que estou devaneando? Oi..! Deixa pra lá... ninguém ouve ninguém. São mais de 5 horas e acho que agora consigo dormir. Porém, não durmo com a claridade e já tentei de todas as formas e maneiras possíveis e não consigo encontrar o botão liga-desliga do computador. Será que consigo suporte técnico para essa máquina insolente que está exercendo domínio sobre a humanidade à essa hora da manhã. Que horas as portas rangem furiosamente para atenderem o público aqui neste país? Você está me ouvindo, leitor? Por favor, encarecidamente, preciso de ajuda. Oi...

Escute essa daqui: "O teimoso do Temer, em viagem pelo Norte do Brasil, falou ao público que não há porquê o brasileiro continuar temendo as medidas provisórias temerárias propostas por ele, pois todas serão benéficas ao nosso povo medroso e tremedor". Tremedor com as altas temperaturas de Norte à Sul? Essa de temer é a tremenda fanfarronice do fala, fala e não diz nada. Só pode ser sacanagem! Você entendeu alguma coisa leitor? Porque eu, honestamente, não entendi nada. É melhor se fizesse como o outro, o camarada Lula que nunca sabia de nada: "sobre esse escândalo, num sei de nada. Estava pro exterior". Levou oito anos no sossego e isento de tudo, mas viajando bastante. Conheceu o mundo à custa dos idiotas. Bom, também porque se preocupar, conheci um filósofo de boteco que dizia: "pra quê trouxa quer dinheiro?" Chega, ouço alarido na rua, deve ser hora de dormir. Boa noite; agora vou mesmo! Obrigado por aturar-me; amanhã nos encontraremos nesse mesmo horário, confidenciando as mesmas coisas, bisbilhotando as bobagens cotidianas das mesmas celebridades. Tchau!

Antes que eu adormeça, por favor, dê lembranças minhas à sua mãe. Diga que estou com muita saudade. Pessoa boa de coração tá ali. Ela ainda fuma? E os problemas pulmonares? A última vez que nos encontramos, brinquei com ela: "Pitando um cigarrinho, heim Dolores". Ao que ela respondeu: "Sim, jogar novelos de fumaça pro céu é o meu único divertimento, meus filhos só me dão desgosto. A Cleonice ainda está amamentando e como você sabe, dá feito chuchu na cerca, conheceu um mundano caixeiro viajante, abriu as pernas e já é o nono. Se pelo menos usasse camisinha... O Jesiel parou com a pingaiada, em compensação desembestou na desgraça do crack que não tem Deus que dê jeito. Está mofinando no cachimbo, que ele diz que é da paz. Paz..!; além desses desprazeres, vou empurrando os dias com a barriga sem me preocupar com a morte. É o fim de todos nós. Morre o lobisomem, morre o gato, morre a formiga, morre a zebra, morre o elefante, morre o rato, morre a cobra, morre o jornal, morre a formiga, morre o Dom Paulo Evaristo, morre a lesma manca, morre o homem...

Chega Dolores, chega de tanta matança, para morrer basta estar vivo! Se não a reprimo, leitor, mataria até você; mataria o mundo. E Jornal sem leitor é falência múltipla da reflexão. Matança por matança, é preferível assistir o Datena, ouvir o Afanásio Jazadji, radialista e advogado que ganha uns trocadinhos a mais para fazer a feira também na política; e outros programas do gênero. Mas olha moço, sua mãe é uma super-amiga; dotada de singularidades, muito mais amiga do que as que tenho para a passagem de fim de ano. Como disse o Milton Nascimento, AMIGO é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito. Haja chaves para fechar nas canastras da sinceridade a nossa amizade! Sim, sou covarde, ingrato e ao invés de manter por perto as pessoas que me compraz, tomo distância e desapareço para nunca mais vê-las. Ingratidão: isto mesmo! Então, caro portador, leve as minhas lembranças a Dolores. Tanto para você como para ela, boas festas e inigualável ano vindouro. Pessoas com essa estirpe, é o mínimo que merecem. A mãe desse menino, é como uma edificação: pequena, mas bem assentada e por isto, uma mente sólida e inabalável. Até penso que seu nome é Dolores por causa das dores que passou; aliás, dolores em espanhol é dores em português.

Já que não posso dormir agora, esta aqui o leitor tem saber: "A juíza Carmem Lúcia disse que "Todas as vezes que um juiz é agredido, eu e cada um de nós juízes é agredido. E não há a menor necessidade de, numa convivência democrática, livre e harmônica, haver qualquer tipo de questionamento que não seja nos estreitos limites da constitucionalidade e da legalidade", em defesa do também juiz, chamado de juizeco por Renan Calheiros.

Excelência, não estudei uma vírgula, mas para saber que o homem não vale o toco de cigarro apagado que o homem que estampei como manchete de capa apanhou para lhe saciar o apetite insaciável do vício, não precisa de ser diplomado. Ser douto nisso ou naquilo. Estudam muito para nada resolver. As teorias explicam, mas quem resolve é a vivência. No meu caso, não ficava um dia sequer sem palavras em minhas paginas; sempre tinha o que contar. Agora... Caríssima juíza, e o que dizer do povo que emporcalha os banheiros públicos e inadvertidamente, põem objetos cortantes em meio ao lixo doméstico, para os domésticos limparem e pegarem. Dia desses usaram-me para embrulhar uma batelada de porcarias, sobras, restos. Notaram: quando não põem vidas em risco, sou eu espatifado por mãos sórdidas. Carmem, - desculpe-me não usar o pronome excelência, é porque imaginei que somos iguais, perante os desiguais - dessa nossa espécie, não espere coisa além do que oferecem, que é falta de respeito e humanismo; para não dizer tolices de baixo calão. Às vezes é melhor agente se conter, ser humilhado em vez de humilhar. Às vezes o grito que humilha é a prece, a indiferença o milagre; e o silêncio é o peixe pescado, a multiplicação dos pães. Este é o meu salmo primeiro e rezando-o todos os dias, sempre superei os escribas das más escritas e as afiadas línguas adversas.

Chega, amigos leitores, o dia clareou, é hora de sossegar-me. Fechar os olhos para a vida. Ainda cambaleante e atrasada, a cidade está de prontidão para mais um dia. Antes tarde do que nunca, chegou a hora, vou dormir! Embora tenha sido usado como meio de divulgação, não consigo andar ao lado, adotar os mesmos costumes e hábitos do povo. Boa noite!

Caramba, quando penso que as coisas conspiram a meu favor, sou chamado a cumprir com meu dever. Mais uma. Esta é sobre comportamento: "Para toda prosa bem elaborada, uma frase de efeito faz-se necessário: "critique-me severamente, evoluo nas críticas. Nos elogios podem estar as mais vis ironias demagógicas.". Explicando-me melhor, certa ocasião, num sábado calorento daqueles de fritar a percepção e o discernimento, nos tempos de lavador de banheiros e pratos, depois de uma aula de cálculo diferencial de arrepiar os neurônios e levantar defuntos dos sarcófagos, chegando à padaria para garantir o meu pão sovado com mãos e muito suor em forma de trabalho digno, numa roda de amigos alguém que me conhecia disse: "o futuro engenheiro está chegando". Ao que o patrão, um Português sarcástico, bigode amarelado pelo caldo de canja e grosso como arame farpado, unhas estilho aguilhões do capeta e bastante, mas muito filho do dinheiro e mais ainda, de uma boa putana, retrucou: "esse daí não serve nem para limpar banheiro. Vaso que ele lava, sempre fica com as bordas salpicadas de merda!" Miserável; infeliz destituído de respeito que deixa no banheiro o mesmo que eu! Não me senti humilhado, mas as minhas vísceras lançaram ácido contra as paredes do estômago. Por beber freneticamente, sempre lavei os restos de vômito daquele crápula imundo.

Desculpe-me, não é do meu feitio, sobretudo porque sou uma alma pobre, mas detesto a pobreza, tenho que libertar-me do que está travado, entalado na ira de minhas palavras: como a mãe zelosa que limpa o bunda do filho recém-nascido, não foi uma e nem duas vezes que limpei o rabo daquele imbecil! Aquele Português paneleiro, não passava de um gajo cornudo. Mas pela lei do eterno-retorno e por ironia do acaso, a primeira obra que acompanhei - e quem reside em São Paulo deve saber - foi a Bernardo Goldfarb, que é a ponte elevada em relação ao nível da ponte paralela, Eusébio Matoso. Vida sempre, fragilidade nunca; e muito menos morte. O diabo não pode superar as leis do Criador; jamais"!

Ler algumas coisas me conforta; outras me destrói. Livre de dogmas e melindres, algumas são belos exemplos de vida. Queria eu ter uma fortaleza interior como esse fulano, ser uma ponte inabalável; como deu a entender. Isto fez-me lembrar de minha amiga novamente. São pessoas únicas se superando neste universo insólito; dominado pelos malfeitores, os quais estão em minhas páginas todos os dias.

Já deve ser quase 6 horas, não? Ouço ruído de ambulâncias. As palavras derradeiras em primeira pessoa: dobre-me, rasgue-me, cuspa-me. Embora que o refrão da musiquinha infâme que rege o fim de ano das pessoas seja: jingle bells; jingle bells; acabou o papel / não faz mal / não faz mal / limpa com Jornal; - poupo o resto da humanidade, mas limpa com sabugo, Português, hipócrita - foi se uma época que era considerado e tinha serventia para alguma coisa. Portanto, amasse-me, rasgue-me, toque fogo em mim sem dó. As boas e necessárias notícias, as informações sistematizadas e profícuas que enriquecem a sua intelectualidade estão no E-mail; Orkut; Facebook; Tweeter; Whatsapp e demais redes sociais. Vá lá e confira; e depois como fazem as ienas e lombrigas ressaqueadas finalize com o kkk; né; rs, rs, rs; e aí mano, beleza veio; valeu; ok; massa; curti...! Quanta pobreza de linguagem! Igual a mim, o dicionário e a lexografia nunca existiram para esse povo desqualificado culturalmente. Diploma é igual a título de nobreza: dá status, confere ao detentor posição social, mas não se usa nem no banheiro. Pelo menos neste quesito, sinto-me vitorioso pelo "limpe com jornal", que foi a minha glória no passado.

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Infelizmente é triste saber que já fui útil e atualmente sou a representação do fracasso, da inutilidade, do descaso, do ostracismo. Porém, tudo tem prazo de validade e o meu, já venceu faz tempo. Quase um século sofrendo todo tipo de impropério calado, até que foi tempo demais. Tento resistir, mas a força e a resignação é o produto da presteza interativa, o contato direto frente à frente; tete-a-tete, alimentos que movem o mundo; portanto, completamente desmotivado com os dias atuais, sinto-me fracassado. Derrotado. Antes que as lágrimas inundem minhas faces, vou dormir na cama que é o lugar quente para quem sofre as dores do desprezo.

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Desculpe-me leitor e embora tenha feito todo esse rodeiro, é isto que tenho para dizer-te. Se quiser fazer como o Português, fique à vontade e gargalhe o quanto quiser. Ser humilhado é meu menu, é o prato trivial, é a comida caseira servida todos os dias em minha churrascaria sem teto. Agente ouve, lê e observa tanta coisa, tantas notícias boas quanto ruins, que numa época remota imaginei ser forte o bastante, exatamente como o fulano que evoluiu com as críticas; mas... os sentimentos e emoções é o que diferenciam a mídia, os meios de comunicação, os ultrapassados jornais. Este detalhe é tão gritante, que cansei de notar isto em minhas páginas. É doloroso! Pense o que quiser, é direito que foi dado a todos, mas este é o nó, o máximo nó que estava engasgado em minha garganta desde muito. Se mais nada acontecer, como não acontecerá, porque o tempo passou, pelo menos esse desafogo para aliviar-me dos impropérios sofridos. Pronto, estou ao seu dispor e convencido que o lixo é o meu lugar. Despedaça-me como o sereno da madrugada e os raios de sol despedaçam as frágeis pétalas de uma rosa, de uma vez por todas, junte os meus olhos, os meus retalhos e os restolhos e, cruelmente, lance-os no monturo, por favor!

Certa ocasião li uma declaração de amor de um colunista, poeta e filósofo que fez-me refletir sobre as verdades e os sentimentos que talvez ainda existam na demonstração de afeto de alguém. Divido com os demais leitores, quem sabe o amor se propague através desta frase: ..."e quando penso que te esqueci, me lembro que nunca deixei de te amar"... - espero que suas palavras seja a pétala de rosa inteira introduzida em um coração de pedra.

Aaai, chame o médico; sinto uma pontada sinistra no coração! Definitivamente, chegou o meu fim, não dá mais, vou dormir. Pressinto que não verei a claridade perecível do dia em 2017, restando-me portanto, o escuro silencioso e eterno da noite. Aliás, silêncio noturno que iniciava sempre a Zero Hora.

Exceto a colorida que pertence ao autor deste, imagens livres pixabay.com


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
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