ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto


Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social

Admirável Amor Atávico!

Desde que o homem mergulhou de cabeça, desde que a espécie superior passou a parasitar as profundezas da Terra, todo o seu conhecimento e progresso, reduzem-se ao nada, quando comparados a Uma faísca de Bondade; a Uma manifestação de Gratidão, a Um gesto de Amor. Embora os atos humanos não sejam condizentes com as falas, os mistérios da Vida na Terra é vivê-la amando e ser amado pelos que dela dependem. O resto são aparatos, acessórios, provavelmente ilusórios e descartáveis.


Contextualização: Presenciamos um mundo tecnológico-humano fugidio, passando em cima de tudo, deixando os rastros da destruição para trás, veloz em direção ao futuro, o qual falta sentimento aos mecânicos para repará-lo; ousadia aos mantenedores para pisar fundo no freio e reduzir a velocidade à zero. Não obstante, a indiferença e as novas maneiras de amar dos brasileiros são doenças contagiosas; e a suscetibilidade é constante. Os vermes, as bactérias e parasitas matam sorrindo!

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Anda. Para. Escreve. Anda. Para. Escreve. Nessa sua última parada repentina, ele vê um colibri acendendo o cachimbo no interior de uma flor; um lindo parreiral completamente coberto pela folhagem verde, com uma infinidade de cachos e mais cachos de frutos secos; um elefante sem asas voando; um leão com uma juba espantosa arrastando no chão e lambendo os restos mortais de formigas; escaravelhos dando cabeçadas em pedaços de merda, cuja finalidade é reservar comida para o próximo inferno; uma serpente com seu poder de traição, clamando pela pobre e indefesa perereca que caminha pulos em sua direção cantando uma melodia tristonha. Cachorros e gatos-do-mato sugando as desoladas tetas de uma loba recém parida; uma procissão de vaga-lumes com luzes pisca-pisca apagadas; um casal de humanos despudorados sentados no banco da praça enroscados feito cipó em árvore e pela divagação que passa ao escrevente, a mulher já foi penetrada várias vezes: está muito sorridente e com os olhos revirados a lá peixe fora d`água.

Pela mente de quem assina sobre um mundo loucamente surreal e dominado por fantasias que jamais acontecerao, passam mais, muito mais coisas, mas por fim, um mendigo com a cintura lânguida, anelada pelas longas dobras adiposas e corpanzil escornado sobre o banco de ônibus e a cabeça quase no chão. Tomado pelo ciúme, o que esse cidadão despreocupado vê, que a volúpia curiosa dos olhos preocupados e apressados urbanos não enxergam?

"Um Brasil que tinha tudo para dar certo, mas como um país é o espelho da sociedade, está caminhando a passos largos para uma guerra civil, porque no abismo de ..., já está faz tempo".

Em suas miopias vivenciais, o escritor acha que sua escrita é o reflexo das incoerências. E o melhor: para ele, quem escreve, não arreda pé delas de maneira alguma. Ademais, porque a prosa proseia ao pé do ouvido com as incoerências e são elas que tornam a vida amavelmente coerentes...; se não é isto, deve ser coisa da mente e dos olhos dos míopes!

Onde está a coerência do início do texto com o título? Qual a semelhança entre a indiferença e o Amor? Realmente, talvez não haja ligação de uma coisa à outra, mas se o editor quer e todos os leitores do Obvious querem, ele vai escrever. Descrever que 2016 terminou sob a varredura das trevas e o tal do ano novo amanheceu sob as vorazes labaredas, sob monstruosas línguas de fogo liberadas pelo diabo. Exatamente: 2016 terminou e 2017 iniciou sob o fogo cruzado do inferno. Aliás, eximindo a humanidade, porque o que interessa ao brasileiro é o Brasil, pelo menos deveria ser, por aqui está tudo dominado. Óbvio que tudo está dominado por ele, pelo lúcifer; o mestre voraz, amigo e propagador do Amor afetuoso. Dominado pelo dragão de fogo disseminador do Amor atávico, do amor que vem incorporado ao DNA, o qual a genética e a psicologia explicam tudo, mas nada resolvem.

É notório a decadência da sociedade brasileira, iniciando pela célula-mater, findando no convívio social. Tudo, mas tudo mesmo, é efêmero. Sorriem agora, se calam em seguida e por um motivo ou outro, choram posteriormente. A democracia do "faça justiça com as próprias mãos" urbana trouxe pobres e insolucionáveis tempos evasivos. O investimento de hoje, pode ser a assinatura da tragédia de amanhã. O matrimônio, a família, a progenitura do filho, aquele ser que chamam de amigo, o vizinho que mora ao lado e as Leis Constituintes é o fel lançado contra as paredes do estômago. Sem forçar as vistas, percebe-se nas ruas e lares que, dominado pela farsa, pela hipocrisia e o tirar proveito da situação, o doar e receber espontâneo é raro nos corações dos brasileiros. O que impera é o toma lá dá cá de cada operação transacionada. A interação social é semelhante a algo tocado pelo vento que, ao se chocar contra um "avião legacy" voando baixo em sentido contrário, estilhaçará momentaneamente. Uma onda prestes a se desfazer; ou melhor, assassinar o embrião que ainda não se formou. Nascem mortos e os que sobreviverem, certamente morrerão precocemente. É o falso encanto caminhando ao encontro do desencanto. E quanto mais aparentam ser o que não são, mais tendem ao fracasso, ao desacordo, ao ostracismo, à desgraça coletiva.

Fora o trágico acidente da empresa de aviação boliviana Lamia que transportava a equipe da Chapecoense, causando a morte de 70 pessoas e consequentemente, a comoção geral no mundo (o que é válido, pois o futebol é o único segmento de plena valia social e fiel representante do Amor na Terra) 2016 parecia que morreria em paz.

Doce engano. No Metrô de São Paulo, desavença entre brancos e índios. Vendedor ambulante que sai em defesa do Transformista. Atacantes que se voltam contra o vendedor. Pontapés, socos, sopapos. Pontapés, socos no baixo ventre e sopapos. E tome mais uma leva. Da-lhe uma bicuda chapada na cara dele: assim. Corpo que desmonta no chão. Ataque intensificado. Gélidos, os transeuntes olham. Benzem-se com o sinal da cruz: "santo Deus, em que inferno de Brasil estamos". Retiram-se. A massa de gordura rola pelo chão. Enormes hematomas roxos cobrem-lhe corpo. Configurada a morte do desfigurado. Quem não viu o confronto campal indaga: "não é o vendedor ambulante, o nosso amigo Ruas?" Comoção e sensacionalismo em todo território nacional. Fora a caçada aos dois moços boa-pinta que atropelou com socos, sopapos e pontapés o infeliz Ruas que morreu no Metrô, nada mais está em pauta.

Agora vai. Ano que parece morrer sem maiores novidades, mas para quem ama de fato, quanto mais disseminar o Amor, melhor. E em um bairro nobre da cidade do Rio de Janeiro, a esposa foi presa acusada de mandar matar o marido. Homem estudado. Diplomata da Grécia no Brasil. Aparentando 60 anos, um ancião de posses e beleza. Ela uma loira vistosa. Sob o ponto de vista masculino, uma mulher atraente que todo motel 5 estrelas aceita para uma noitada. Sua idade? Um pouco mais que a metade da idade do ex-marido. Morte por interesse nos bens e no seguro de vida do homem da terra dos Filósofos? O tradicional Golpe do Baú? Não, a ingênua e despretensiosa racionalidade humana não permite usar este artifício para a sua conquista financeira; deve ter sido crime passional provocado por Amor em demasia. Quem ama, mata! Como diz o caipira, personificado pelo Jeca-tatu do Monteiro Lobato: "é amor demais, sô!".

Até que enfim. Virada de ano. Que os ponteiros dos relógios trabalhem rápido, porque senão... "Que 2017 seja repleto de Amor" e deveras começou a caráter. Em Campinas, interior de São Paulo, um pai que muito amava seu filho, matou doze pessoas, incluindo a ex-esposa e o próprio filho, no reveillon. Em carta, ele declarou seu Amor aos aniquilados:

"Filho te amo muito e agora vou vingar o mal que ela nos fez! Principalmente a vc! Sei o qto ela te fez chorar em não deixar vc ficar comigo qdo eu ia te visitar. Saiba que sempre te amarei! Toda mulher tem medo de morrer nova, ela irá por minhas mãos!”

“(…) eu ia matar as vadias (eu já tinha a arma e raspei a numeração pra não prejudicar quem me vendeu, ela precisava de dinheiro). Família de policial morto não recebe tantos benefícios com a família de presos. Cadê os ordinários dos direitos humanos? Estão sendo presos por ajudar bandidos né? Paizeco de bosta".

"Sei que me achava um frouxo em não dar uns tapas na cara dela, más eu não podia te dizer as minhas pretensões em acabar com ela! Tinha que ser no momento certo. Quero pegar o máximo de vadias da família juntas".

[...] "Eu morro por justiça, dignidade, honra e pelo meu direito de ser pai”.

Ninguém, sábio nenhum definiu quando é ano velho, mas ano novo, todos sabem. Destarte, vamos a ele. Na cidade do Rio de Janeiro, (mais uma) adolescentes infratores são postos em liberdade por falta de verba para alimentação. Justíssimo, pois como vieram do jardim de suas casas, para a liberdade das ruas voltaram. O total passa de 2000 adolescentes com faixa-etária variada, corretamente livres, libres, free de qualquer represália.

Sistema prisional lotado. Homens amontoados, apinhados feito caixas superpostas são tratados como quinquilharias abandonadas. Disputa pelo tráfico. "Tá tudo dominado". "Dominado só se for pela nossa facção, mano"! Os insultos soaram como palavras preparatórias para o voo nupcial. Tara incontida. Novamente o Amor falou mais alto, com os amantes chegando as vias de fato; e o massacre humano pôs fim a mais de 50 caveiras de carne e ossos. Amor para alguns, morte para outros e para quem sobrou, medo e assombro que perpetua.

Em entrevista, o secretário de Segurança do AM, Sérgio Fontes disse: "Não entramos no presídio para evitar um Carandiru 2". Perfeito, quem ama não interfere nas diferentes formas e relações amorosas.

Na cidade do Rio de Janeiro... "o quê, você Profeta, só pode estar de sacanagem com nós, fluminenses"! Sim, na cidade do Rio de Janeiro neste início de ano, em dois dias, quatro PMs foram assassinados. "Pior que é verdade, desculpe minha bestialidade e desinformação". Por nada. Quem perdoa é Cristo, eu sou apenas o núncio da desgraça. Ou, de um Brasil, o qual os brasileiros fingem que não pertencem a ele. O nacionalismo do brasileiro reside no Japão.

E quem sonhar com o amor ágape, aquele que une, enlaça e embeleza a vida, proporcionalmente, despertará com o pesadelo do (des)Amor, aquele que carrega o pesado e tenso sabor da morte. De uns tempos para cá, a sociedade brasileira se transformou em uma dicotômia insolucionável. Uma sociedade dividida entre o preto e o branco; entre gêneros, fêmeas e machos; entre polìticos e eleitores, entre democracia e ditadura, pererecas e sapos; entre a coroa de flores e a bala perdida; entre o céu e o inferno; entre o Deus das igrejas e os capetas vistos em noites noites claras de luzes artificiais. Uma sociedade onde o sangue do cordeiro não tem mais poder; em compensação, o poder é de quem atirar primeiro: "Tá dominado Cowboy; mãos para o alto se não quiser levar chumbo quente nos cornos"!

Os meios de comunicação fazem Mídia;

A sociedade faz Média

E o país caminhando a passos largos para um abismo de ....... pétalas de rosas?

O Brasil e a sociedade que o representa, caminham a passos largos, se é para um abismo de.... ou de pétalas de rosas, não se sabe ao certo; porém certo é que o literato que escreve, não ama ninguém: apenas usa a terminação das palavras para aliterar. Todavia, se não ama ninguém, o viés é que suas palavras não matam ninguém. Incisivas, elas são pelas vítimas que sofrem com o desamor e não pelos que amam.

Vive-se hoje o neologismo do passado, nada se faz agora que ainda não traga resquícios de ontem, do passado. Por essas e outras, admirável Amor Atávico! Admirável indiferença Atávica! Admiráveis doenças velhas! Admiráveis contágios novos! Qualquer dia, o dia de céu claro, humano e menos selvagem raiará no Brasil! Aguarde deitado na rede, mirando a vela que valsa sua passividade sobre as ondas do mar ao fundo, tomando água de coco e soprando bons e profícuos sonhos vindouros de olhos arregalados para o dono da barraca!

Ama, quem ama; mata, quem é de matar; e morre quem morre. Com ou sem chacina, o mundo segue redondo, tal qual a bola que rola diametralmente definida pelo raio nos campos de futebol; e o Brasil é apenas um gomo, um gomo sem emenda e sem costura, da bola que rola. Porém, ainda que seu nome tenha sido Vida, vida também morre! Mas para quem vive a vida, a Vida continua.

Nada se assemelha; nada se compara a uma faísca de Bondade; a uma manifestação de Gratidão, a um gesto de Amor. Entretanto, cuidado com as subjetividades, com os perigos, com a praticidade, não da palavra, mas das formas e maneiras de exercer o AMOR!


Profeta do Arauto

Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social .
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