ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

... mas o machado de Assis não era sério!

Depois de uma noite de sexo e quem faz sexo não faz amor, avassalador, despudorado, profanamente safado, o beijo é o salutar: "tenha um bom dia meu amor. Quê a libido da longevidade e o feromônio do desejo esteja sempre por perto e nos leve ao amor sedento e enquanto dure, eternamente concupiscente"!


casamento.jpeg"Camila Dourado, 18 anos, com seu segundo filho, o recém-nascido Flávio". Fonte inspiradora do artigo e imagem pertencentes à folha.uol.com.br/cotidiano

Coberta pelo vestido sensual que sem pinça, caia, descendo direto pouco abaixo da cintura, deixando à mostra a cor bronze dos raios de sol que todos os dias à tarde visitava, dentre as suas intimidades, a tatuagem de uma vigorosa serpente que inrrompia-lhe entranhas adentro, a maldição em pessoa vinha caminhando toda garbosa. Enquanto os olhos dos transeuntes saíam da órbita, os torcicolos ferroavam-lhes os pescoços e os pensamentos faziam-se de serpente, tatuando sua "inocente" indecência. Trazia com ela os peitos aureolados pelos bicos cheios apontando para o ocaso e o umbigo pontudo batendo em portas, dando espetadas em que estivesse fazendo número no caminho, saliente à frente de uma barriga estufada em forma de melancia de nove meses. Acompanhando-a, vinham três criaturas edição-ilimitada; que em qualquer CNTP, o futuro lhes é incerto. E todos se juntariam aos demais para pedir a benção aos pés do pároco; e implorariam o que houver de bondade aos políticos da cidade.

Felicidade seria se a vida fosse como a entrada triunfal de uma modelo na passarela; se o mundo girasse em torno das palavras carregadas de emoção; se o político brasileiro fosse sensível e furtasse menos o alimento de seu fiel puxa-saco e pobre eleitor; se as flores não possuíssem veneno tóxico; se as joias em caixinhas com laços não fossem armadilhas ocultadas; se a poesia fosse irmã e delineasse o dia a dia dos envolvidos numa relação; se as aparências não sobrepusesse a essência; se a mutabilidade estereotipada da igualdade não fosse amante do ego, mas é sabido desde os primeiros passos do homem, que a intolerância, que o uso contínuo da mesma escova desgastam as cerdas, criam tártaros, amarelam os dentes, que as tormentas, inicialmente atormentam e geram as primeiras inconveniências, para posteriormente, desfazer todo e qualquer sonho idealizado. Desfazer todo e qualquer plano elaborado escrito com tinta de caneta falha em folha de papel molhado, é claro!

Ferino, o tempo dita o ritmo relacional dos Homens na Terra. E se em tempos passados macho e fêmea, homem e mulher, os sexos opostos se aturavam, empurravam com a barriga a carranca estampada nas caras, suportavam as insubordinações um do outro e até a traição era permitida, a primeira estrofe da letra "Velha Roupa Colorida do cearense, Belchior, dava a nota exata da época em que a canção foi composta: "Você não sente nem vê / Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo / Que uma nova mudança em breve vai acontecer / E o que há algum tempo era novo jovem / Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer".

Pare a nave que o manche do futuro está repetindo o passado e embora revisado, lubrificado e em bom estado de conservação, travou. O rejuvenescimento aconteceu a tal ponto, que para os convencionalistas, padronizados e conservadores dos métodos evolutivos, foi além, muito além do que devia; voltando a ser roupa carcomida. "E o que há algum tempo era novo jovem / Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer".

Como tudo, o novo também enruga, envelhece, apodrece, fica roto; e os relacionamentos amorosos no país nosso de cada avançada de sinal, de cada transada rápida, estão cada vez mais superficiais. O prazer e o gozo passaram do estado sólido para o gasoso, do gasoso para o líquido (como está líquido: barrela aguada!?) e estão cada vez mais descartáveis, estão cada vez mais da porta da sala para fora, devido a batalha que se instalou no reino das efemeridades entre o machismo e o feminismo; entre gêneros e opositores; entre maridos e esposas; entre pais e filhos; entre a liberdade e a libertinagem, entre a faca e o facão; entre a foice e machado, entre a fidelidade e o adultério. Se as tecnologias de comunicação instantânea não contribuíram de maneira favorável para o modernismo, no quesito traição, facilitou consideravelmente a vida dos adúlteros. Apertou uma tecla ao acaso, o cardápio com boas e apetitosas iguarias é servido.

Aliás, o matrimônio oficializado perante a Constituição Federal (exclui-se dele o falso pudor defendido pelos religiosos em nome Deus) que é a maneira lícita de formar uma família, está em total decadência devido à interesses financeiros, liberdade sexual e o tal de faça e use agora enquanto está ereto e o sereno da madrugada umidificou a mata, deixando-a volúvel, escorregadia, movediça, sugadora. E como consequência, segundo as estatísticas, o número de divórcios é maior que o número de casamentos oficiais; o que também gera polêmica e estranheza; pois como divorciar, se não oficializam, se em nome do matrimônio, não legalizam a prostituição que vem de muito antes?

Por sinal, poucas coisas na vida representam tão bem a prostituição e o escravismo moderno, do que o casamento; onde um ou outro, ou os dois cabeças trabalham, produzem insanamente, para uma leva de desocupados saciar a fome e esbanjar contentamento com as quinquilharias tecnológicas adquiridas! Enquanto antigamente a escravidão gerava revolta dos comandados contra os senhores do engenho, os escravos modernos sorriem e dizem: "vou dar tudo que não tive para o meu filhão; exemplo que é, ele merece"! Emotivos, os cegos e ingênuos pais, além de cães e gatos, enxergam bons exemplos até na improducência dos dependentes domésticos que dominam o território familiar.

O matrimônio oficializado e registrado em Cartório é contrário e ao mesmo tempo parecido com os pássaros que roubam o alpiste da gaiola vizinha, comem farelo e migalhas por tempo indeterminado na mesma rodoviária oxidada em pleno sol escaldante, fazem tudo por debaixo dos lençóis e com as gretas das portas e janelas rigorosamente trancadas e seladas; nem a intrusa lua de olho arregalado tem chance de espiar.

No Brasil, os números não param por aí, pois a matemática aliada de Deus não trai e muito menos mente, e afirmam que a cada cinco recém-nascidos, um é filho de adolescente; o filho dos mistérios é quase uma criança sem donos. Citam ainda que em 2016, foram mais de 430 mil crianças que nasceram nessas condições. A estatística vai de mal para melhor, quando os números aumentam em escala progressiva, exatamente como tem ocorrido.

Para alegria dos políticos brasileiros, (porque os filhos de ricos possuem moradia; comida farta na mesa; estudarão nas melhores escolas do país; mestrado e doutorado no exterior; mais tarde usarão gravatas e dividirão o poder com eles) que investem pesado nesse público, afinal é dessa classe que provém as vossas sobrevivências e voto, o Norte e Nordeste lideram os números, com quase 1/3 das gestações inesperadas e mal planejadas; se é que planejam o país, o local, o mês, o dia e a hora para fazer sexo. Pouco provável, pois fazer sexo, "dar umazinha" sem camisinha, não requer país e ambiente definidos; e qualquer largo de praça é local apropriado. Numa operação bombeiros, entrou no cio, apagar o fogo é preciso!

"Eu não posso entender/ Tanta gente aceitando a mentira / De que os sonhos desfazem / Aquilo que o padre falou / Porque quando eu jurei / Meu amor eu traí a mim mesmo / Hoje eu sei que ninguém neste mundo / É feliz tendo amado uma vez... uma única vez" - Raul Seixas

Outra palavra que significa matrimônio é "tecnologia", porque compra-se hoje, falam, cospem, saem pela noite, brigam, comem algumas porcarias, iludem o estômago e vão dar no motel. Como sobremesa, degustam o mel oferecido por luares ofuscados e descartam o lixo ao terceiro dia. O viés é que quando dura um pouco mais, (quando não se tornam irmãos antes dos cinco anos de uso, talvez) é totalmente insosso; sem inovação; parado no tempo; asilo que não se renova. Volume morto, velharia aposentada e nada mais!

Sobretudo, deserdadas as palavras de entendimento, arrancado a euforia do desconhecido, enojado do ultrapassado néctar nupcial, não sobra mais nada; ou melhor, sobram os desprazeres, desgostos e as contas para pagar até que a morte os separe. Falam que o companheirismo é a sobra, mas convenhamos, pura conversa para ninar ruminantes. Ainda mais quando as águas que desciam dos montes, não borbulham na fonte. Por falta d´água perde-se o gado, o amor, a tesão, a libido... e no final, é morte precoce por desidratação. Comem tanto, bebem tanto, esbanjam tanta tesão numa única noite, que faltam apetite e alimento para o dia seguinte.

Em tempo, ... este artigo também não é sério e nem pretensão tem, por que o sexo e o resultado dele, por que o matrimônio e o resultado dele, por que a família e o resultado dela, que é a sociedade, não são sérios. Como mencionado na introdução, deve ser eterno enquanto dure e após passadas as efemeridades do hedonismo das horas, amassado, desfeito e jogado no lixo ao fim da leitura, será. Afinal, ratificando e imitando a vida, este artigo não é sério, pois tudo é descartável e resume-se na condicional "se"...! E se o machado não tivesse podado a vida de Assis, o escritor estaria entre nós para escrever as verdades veladas de uma sociedade hipócrita.

O "se" é tão influente socialmente que por exemplo, se minha mãe não tivesse tido um ataque de tesão inesperado, abrido as pernas em ambiente escuro e despertado em meu pai a gula dos diabos fora de hora, eu não teria escrito essa porcaria de artigo que não é exemplo para nada, essa merda intitulada: "... mas o machado de Assis não era sério!" O Senhor Assis era sério, mas o seu Machado...! Por que, se o intuito do escritor fundador da ABL (Academia Brasileira Letras) era esclarecer, cortar o mal pela raiz, suas ideias e letras estavam sem gumes. Nada cortantes, pois o conto mal contado entre Capitu e o faz de conta, o caixa dois chamado Escobar não surtiu nenhum efeito para os brasileiros. Aliás, tenho comigo que o marido oficial de Capitu, Bentinho, assim como os casais brasileiros oficializados, àqueles casais que passam o preto no branco, além de desconhecer o "fantasminha camarada chamado Ricardão" que dorme em suas camas todos os dias, nunca leram o prefácio do livro; portanto, mal instruídos, mal sabem da trama que redundou no adultério jamais esclarecido.

Motivo de enredos iguais ao criado por Assis, acontecerem aos montões de Norte à Sul no país, porém, certos ou errados, descobertos ou não, verdades ou mentiras, fiéis ou infiéis, são paulatinamente transformados em crimes passionais. Por sorte, o livro foi escrito e publicado por volta de 1900, porque se (novamente o insistente "se") fosse nos dias de hoje, Senhor Assis teria que acrescentar à trama, em vez de um rio lágrimas, um oceano de sangue. Oxalá se não for parar em programas altamente seletos, qualificados de estilo, como Datena, Ratinho e outros mais; afinal, a traição, o adultério e o crime, além de compensar, transformam pessoas comuns em celebridades da noite para dia.

No país das rapidinhas sem demora, - quando não nasce prematuro, as transadas fazem efeito aos nove meses - faltam senhores Assises com seus bons exemplos de seriedade, mas machados sem gumes que não podam o mal pela raiz é o que não faltam. Portanto, não veste a roupa do rejuvenescimento quem é arredio, ou é estúpido por natureza e inteligência!


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious //Profeta do Arauto
Site Meter