ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

A Suiça brasileira

Se o gelo dos alpes suiços não vem ao Brasil, o brasileiro vai à Bariloche; a Suiça brasileira.


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Antes que a inflação avassaladora consuma as suas parcas economias, enquanto os Los hermanos saem aos borbotões da região central do país para desfrutar do sol escaldante que beira os 35 graus na sombra, deixar as pegadas dos pés na areia solta, apreciar o soro fisiológico natural contido na água de coco; curvar-se em reverência ao arrebol crepuscular; tamborilar os pneus adiposos que insistem em não parar em pé, e por isto, caem deliberadamente das cinturas sedentárias; espreitar por debaixo dos óculos escuros os corpos quase desnudos esculpidos pelas manias de grandeza nas praias brasileiras, principalmente as catarinenses, os brasileiros esperam pelo frio invernal para sentirem-se europeus em Bariloche, cidade situada no suposto início ou fim da patagônia Argentina.

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Bariloche é charmosa pelas vistosas construções com fachadas pintadas a rigor e telhados estilo enxaimel quase derramados sobre o chão; pelos canteiros ajardinados com árvores frutíferas que separam as poucas ruas largas que atravessam-na de ponta a ponta; pelo desfile cantarolado de pássaros e aves que cruzam os arrebaldes e pela elegância das espessas vestimentas que transitam a passos lentos, cruzam entre si sossegadamente observando as lojas e sentem-se crianças com os fios de sorvete que escorrem pelos cantos das bocas. Lábios doces lábios!

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Lago Nahuel Huapi. Dentre os atrativos, esse é o que mais chama atenção, é o mais apreciado San Carlos de Bariloche, e desde o nascer até o sol tombar desfalecido atrás dos cumes nevados, sempre tem alguém sentado na mureta que o circunda adulando, contemplando o seu silêncio. O imenso espelho azulado reflete a história da cidade que começou a ser escrita exatamente em suas margens. Circundado pelo Parque Nacional de mesmo nome, o lago é tão extenso, que suas águas atingem duas províncias (estado em português). Parecido cameleão, em dias que alternam entre o ensolarado e o de nuvens escuras, suas águas mudam do azul-turquesa para prateada. Ao presenciar esse fenômeno que embaralha as vistas de tão belo, a reação das máquinas fotográficas é imediata.

Final de ano é a estação veraneio, a qual o sol com suas lágrimas alternadas entre a cor laranja pela manhã e douradas à tarde, inunda a cidade das 6 h da manhã até às 20 horas, Bariloche se torna parada obrigatória de todos aqueles trazem na bagagem a completude da viagem, tanto a patagônia argentina, quanto chilena. Sobretudo, porque a cidade que exala perfume europeu, fica apinhada de vozes de diferentes idiomas. Zunzunzum babélico.

Como um pedaço da Europa está representado na América do Sul através do Brasil, o idioma português também marca presença à festa barilochense. Trocando a abertura das portas de casa, argentinos vem e os brasileiros vão. Obviamente que levando em conta a extensão, o momento político e econômico, as condições são mais favoráveis aos brasileiros irem à Suiça brasileira, do que os barilochenses virem às praias brasileiras.

O melhor pretexto para os brasileiros viajarem à Bariloche, é a neve. Uma das coisas, se não a única, que a Natureza não contemplou o Brasil. Às vezes, alguns flocos, alguns cristais de gelo mais vapor de água congelado se juntam com outros no interior das nuvens e devido aos movimentos, peso e a ação da gravidade, desprendem. Todavia, para se chegar ao solo em formato de neve, o ar terá que se manter frio, gélido em todo o trajeto. No Brasil, este fenômeno cada vez mais raro, só ocorre pelos lados das serras catarinenses e por mais que avolumem, não é suficiente para esquiar.

Destarte, está consumado para alguns brasileiros atirados, abastados de paletós, gravatas, sapatos lustrados e salto 15, que se o gelo dos alpes suiços não vem ao Brasil, eles vão à Bariloche; a praia de esqui mais próxima dos brasileiros.


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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