ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

O perfil de uma lesma canalha, anacrônica e gosmenta sem perfil, resume-se ao: "Ei, esperem por mim! Não entendo o porquê dessa correria atabalhoada, o porquê de tanta competição, se iremos para o mesmo lugar! Embora não aparentem, sapatos camufladores e tênis mimetistas são egoístas e não suportam retardatários na pista. Faz-se saber, portanto, que se for pelo atletismo cotidiano, não compito e nem sou exemplo de atleta"

As duas faces de uma mesma Patagônia

O complexo patagônico cobre uma faixa de terra no lado do Chile, mas é na parte argentina que ele se esparrama da região central à Sul.


Face 1 - Patagônia argentina:

Contextualização: estando o observador num ponto qualquer do percurso, os picos e montes nevados coberto pelo ocaso, parecem não estar muito distantes e após quilômetros e mais quilômetros percorridos, o gelo derrama suas lágrimas desposadas pelos raios de sol sobre as vertentes, outra fenda negra se abre e o infinito reaparece. E numa sucessão interminável de horizontes trêmulos e ondulantes, o mundo "finda-se" na tierra del fuego. No entanto, uma pergunta faz-se oportuna: se lá é o fim, onde começa o mundo? Por que a "linha" imaginária que passa por Quito, no Equador, divide o Planeta Terra em duas idênticas metades; racha o mundo, que de tão imenso, é uma pequena, minúscula bola geometricamente redonda que não rola! Mas gira... ao redor do sol; pelo menos para a ciência. Porém o viés bíblico cita que "O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a voltar a seu lugar; em seguida, se levanta de novo". Ec 1:5 - E tudo no mundo, até a bola que rola, é pura e destemperada controvérsia. No final, é vitamina dos ingredientes das verdades e mentiras misturadas no mesmo liquidificador.

IMG_5159.JPG

Viajando pela Ruta 40, orgulho dos argentinos, ao atingir o platô patagônico, o mundo abre-se, arreganha-se às vistas do aventureiro, como uma canastra de tampa perdida no tempo e joias sumidas em seu interior. A carretera de duas faixas apenas, com uma mão que vai e outra que vem, é o inverso da vida. Contrária e ao mesmo tempo parecida a um leito de rio, ela inicia em Mendoza e descamba, desce por gravidade pelo sul argentino. Sem o menor comprometimento, livre de dogmas e preconceitos, ela vai levando, percorrendo lagoas em rumo ao fogo. Aonde a "irresponsabilidade" daquele ponto negro encravado em solo seco e semi-árido vai dar? A princípio, nenhuma placa, nenhum vestígio de uma terra de fogo; também puderas, fogo é desnudar àquelas paragens.

Desconfiadas, bandos de lhamas ficam para trás observando o movimento que passou. Uma ou outra, aproxima-se da cerca para as carícias; mas via-de-regra tem medo até da sombra. E através do "pernas para-que-te-quero", somem no longínquo vazio. O vazio e o vácuo são sombrios, mas metem menos medo que as mãos humanas.

O lugar é seco. O ambiente é inóspito. A desolação é amiga da árdua sobrevivência. A pastagem rala, às vezes sobe um pouco acima do osso da tíbia, mas não mais que à altura do joelho de anão e a touceira que mais parece uma saia verde rodada de moça, é um tanto quanto dispersa, o que obriga os quadrúpedes a andarem léguas e mais léguas. O dia se vai e a quietude da tarde-noite toca-lhes as patas. Cansados, exaustos e se nada melhor lhes restam, curvam o avantajado pescoço e pastam a pobreza que a natureza lhes provém. Sina de lhama patagônica não é nada fácil; no entanto, adversidade nenhuma lhe rouba a coragem e insistência de viver; e dando lição de como valorizar o oxigênio que infla os pulmões dos viventes interplanetários diariamente, definhar sob melancolia profunda fora do planejado é para os indolentes, fracos e covardes.

IMG_5168.JPG

Se o menu servido pelo restaurante "Bom pasto" não é nada convidativo, em compensação, água doce para matar a sede é o que não falta. E de quando em quando, lagoas de águas azul-turquesa entrecortam a cor pálida da aridez; que também pode ser considerada a cor clara e transparente da desolação. A imagem proporcionada pelo cenário é, ora maniqueísta, ora surreal; ora animado, ora desolado. Movimento e paradeiro se confundem, pois, quem projetou o belo, o implantou do papel para o solo firme sob os deleites e dissabores das inconveniências.

A fumaça da chaminé de uma casa qualquer dá sinal de vida. Alerta que não tão longe, a sorte abarca vacas, cavalos, cordeiros e homens. Lá também tem uma pequena igreja em sinal de glória. Penitências são necessárias. Nuvens carrancudas passam sobre os telhados, mas o índice pluviométrico é baixo. Em contrapartida, desrespeitosos, os ventos urram nas frestas, portas e janelas. Fortíssimos e velozes, envergam as vegetações; e as que conseguem crescer um pouco acima da média sob tais condições, ficam desajeitadas e pendidas para o lado. Os ventos implacáveis e o peso da responsabilidade as tornam envergadas fora de tempo, corcundas em plena mocidade, todavia, nunca envelhecidas; ao contrário, verdes de esperança. Pode morrer a conquista e a realização, mas a esperança não morre, jamais; e uma hora qualquer ela chega lá!

Incompreendida, a Natureza provedora de mistérios e assombros é para quem possui olhos para admirá-la, paciência para explorá-la e coração terno em agradecimento; não obstante, ela está para todos, porém, apreciada por apenas alguns ruins de memória, mas bons de visão. Esses não precisam de selfies e tampouco máquina fotográfica; pois viajam com o mundo sob o brilho dos cristalinos e iris dos olhos.

IMG_5085.JPG

A ruta 40 é paralela aos montes nevados. Tomando-a como referência, do lado direito de quem segue para o sul, adentra-se à patagônia chilena e do outro, retaliada por rodovias, chega-se ao litoral. Aliás, as partes altas e nevadas são os pontos, são os atrativos recrutadores de turistas. E os arrojados e desalmados aventureiros, além de não se decepcionar com a altivez e inospitalidade do lugar, não decepcionam as expectativas a eles dispensadas; pois, no verão as trilhas se transformam em formigueiros humanos.

IMG_5073.JPG

Pouca coisa muda na paisagem, e devido a posição geográfica em relação ao poente, os raios de sol são cada vez mais companheiros de quem vai à Ushuaia. Devido a posição angular resultante da latitude e longitude da última cidade do mundo em relação a esfericidade da Terra, o sol descortina cedo detrás das morrarias e some mais tarde; daí a chamada australidade da tierra del fuego. Em pleno verão, o sol dá adeus ao dia por volta das 11 horas da noite e aproximadamente 4 horas da manhã está aposto para o novo dia. Portanto, para quem busca lazer e se considera fios de eletricidade desencapados faiscando aventura, a parte baixa da patagônia argentina é um curto-circuíto altamente aproveitável.

IMG_5074.JPG

Na patagônia tudo é inusitado, mas o mais inusitado do inusitado é que, para atravessá-la em toda sua inteireza por terra, tem-se que sair do território argentino, adentrar o Chile por 10-15 min e depois retornar à Argentina. Importante laço navegável entre os países, a travessia é feita através de ferry, um barco que transporta carros, ônibus, animais e obviamente, inteligências. É naquela porção em que os oceanos Pacífico e Atlântico se encontram para saudar uma minúscula faixa do Estreito de Magalhães; que por sua vez, já foi motivo de desavença entre os vizinhos, que hoje são quase... apenas quase irmãos. Por que... enquanto verdades e mentiras se misturam, as desavenças continuam, a Carta Magna que rege os acordos é assinada hoje e rasgada amanhã, com isto as estupidezes perpetuam! Em coisas de seres pensantes, a ditadora Natureza não se mete... até certo ponto!

Porém se os períodos de guerra proporcionou modernidade e todo avanço tecnológico atual, sob o qual os hedonistas modernos se esbaldam de prazer, gozo e glória, foi mais ou menos próximo daquele ponto conflituoso que o navio de Darwin encalhou - canal de Beagle. E por não ter uma igreja perto para celebrar a missa, o padre celebrou minuciosamente o início do estudo sobre a evolução das espécies; provando que instabilidade, insegurança, guerra e ociosidade fazem bem e são necessários aos viventes do planeta. Após as pesquisas do pároco, que boa parte da humanidade o tem com biólogo, aves, pássaros e animais de variadas espécies, incluindo o homem, nunca mais tatearam a insensibilidade das trevas e das dúvidas: "voo, rastejo, fuço, sibilo, coaxo, arrulho, ronco, nado... escrevo, uns defecam outros não, logo, todos nós existimos; todos temos vida própria. Por enquanto...

Acima de tudo, foi na patagônia que a existência no planeta, a vida evolutiva na Terra começou a ser contada, iniciou a ser decifrada e pesquisada amiúde. Valeu... e a pedido da humanidade que o recompensa com a paz na inter-relação entre os seres que a compõe, a sua benção padre Darwin! Realmente, ela (a humanidade) se mostra humilde, evoluída, paciente, respeitadora, harmônica; pacífica com a irmandade, pássaros e animais; preservadora da Natureza, valoriza como ninguém a sua pesquisa e labores que quase o leva à morte antes do tempo. Se o paletó de madeira, com gravata, sapatos rigorosamente lustrados e tudo mais, lhe abraçasse fora-de-hora, quem seria eu nesse mundão cheio de porteiras que impõe restrição aos vacantes, discriminando quem nada tem a ver com o conflito, gerando batalhas pelo poder, Padre Darwin?

Fotos pertencentes ao autor do artigo


Profeta do Arauto

O perfil de uma lesma canalha, anacrônica e gosmenta sem perfil, resume-se ao: "Ei, esperem por mim! Não entendo o porquê dessa correria atabalhoada, o porquê de tanta competição, se iremos para o mesmo lugar! Embora não aparentem, sapatos camufladores e tênis mimetistas são egoístas e não suportam retardatários na pista. Faz-se saber, portanto, que se for pelo atletismo cotidiano, não compito e nem sou exemplo de atleta".
Saiba como escrever na obvious.
version 3/s/recortes// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Profeta do Arauto
Site Meter