ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

As duas faces de uma mesma Patagônia

O complexo patagônico cobre uma faixa de terra no lado do Chile, mas é na parte argentina que ele se esparrama da região central à Sul.


Face 1 - Patagônia argentina:

Contextualização: estando o observador num ponto qualquer do percurso, os picos e montes nevados coberto pelo ocaso, parecem não estar muito distantes e após quilômetros e mais quilômetros percorridos, o gelo derrama suas lágrimas desposadas pelos raios de sol sobre as vertentes, outra fenda negra se abre e o infinito reaparece. E numa sucessão interminável de horizontes trêmulos e ondulantes, o mundo "finda-se" na tierra del fuego. No entanto, uma pergunta faz-se oportuna: se lá é o fim, onde começa o mundo? Por que a "linha" imaginária que passa por Quito, no Equador, divide o Planeta Terra em duas idênticas metades; racha o mundo, que de tão imenso, é uma pequena, minúscula bola geometricamente redonda que não rola! Mas gira... ao redor do sol; pelo menos para a ciência. Porém o viés bíblico cita que "O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a voltar a seu lugar; em seguida, se levanta de novo". Ec 1:5 - E tudo no mundo, até a bola que rola, é pura e destemperada controvérsia. No final, é vitamina dos ingredientes das verdades e mentiras misturadas no mesmo liquidificador.

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Viajando pela Ruta 40, orgulho dos argentinos, ao atingir o platô patagônico, o mundo abre-se, arreganha-se às vistas do aventureiro, como uma canastra de tampa perdida no tempo e joias sumidas em seu interior. A carretera de duas faixas apenas, com uma mão que vai e outra que vem, é o inverso da vida. Contrária e ao mesmo tempo parecida a um leito de rio, ela inicia em Mendoza e descamba, desce por gravidade pelo sul argentino. Sem o menor comprometimento, livre de dogmas e preconceitos, ela vai levando, percorrendo lagoas em rumo ao fogo. Aonde a "irresponsabilidade" daquele ponto negro encravado em solo seco e semi-árido vai dar? A princípio, nenhuma placa, nenhum vestígio de uma terra de fogo; também puderas, fogo é desnudar àquelas paragens.

Desconfiadas, bandos de lhamas ficam para trás observando o movimento que passou. Uma ou outra, aproxima-se da cerca para as carícias; mas via-de-regra tem medo até da sombra. E através do "pernas para-que-te-quero", somem no longínquo vazio. O vazio e o vácuo são sombrios, mas metem menos medo que as mãos humanas.

O lugar é seco. O ambiente é inóspito. A desolação é amiga da árdua sobrevivência. A pastagem rala, às vezes sobe um pouco acima do osso da tíbia, mas não mais que à altura do joelho de anão e a touceira que mais parece uma saia verde rodada de moça, é um tanto quanto dispersa, o que obriga os quadrúpedes a andarem léguas e mais léguas. O dia se vai e a quietude da tarde-noite toca-lhes as patas. Cansados, exaustos e se nada melhor lhes restam, curvam o avantajado pescoço e pastam a pobreza que a natureza lhes provém. Sina de lhama patagônica não é nada fácil; no entanto, adversidade nenhuma lhe rouba a coragem e insistência de viver; e dando lição de como valorizar o oxigênio que infla os pulmões dos viventes interplanetários diariamente, definhar sob melancolia profunda fora do planejado é para os indolentes, fracos e covardes.

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Se o menu servido pelo restaurante "Bom pasto" não é nada convidativo, em compensação, água doce para matar a sede é o que não falta. E de quando em quando, lagoas de águas azul-turquesa entrecortam a cor pálida da aridez; que também pode ser considerada a cor clara e transparente da desolação. A imagem proporcionada pelo cenário é, ora maniqueísta, ora surreal; ora animado, ora desolado. Movimento e paradeiro se confundem, pois, quem projetou o belo, o implantou do papel para o solo firme sob os deleites e dissabores das inconveniências.

A fumaça da chaminé de uma casa qualquer dá sinal de vida. Alerta que não tão longe, a sorte abarca vacas, cavalos, cordeiros e homens. Lá também tem uma pequena igreja em sinal de glória. Penitências são necessárias. Nuvens carrancudas passam sobre os telhados, mas o índice pluviométrico é baixo. Em contrapartida, desrespeitosos, os ventos urram nas frestas, portas e janelas. Fortíssimos e velozes, envergam as vegetações; e as que conseguem crescer um pouco acima da média sob tais condições, ficam desajeitadas e pendidas para o lado. Os ventos implacáveis e o peso da responsabilidade as tornam envergadas fora de tempo, corcundas em plena mocidade, todavia, nunca envelhecidas; ao contrário, verdes de esperança. Pode morrer a conquista e a realização, mas a esperança não morre, jamais; e uma hora qualquer ela chega lá!

Incompreendida, a Natureza provedora de mistérios e assombros é para quem possui olhos para admirá-la, paciência para explorá-la e coração terno em agradecimento; não obstante, ela está para todos, porém, apreciada por apenas alguns ruins de memória, mas bons de visão. Esses não precisam de selfies e tampouco máquina fotográfica; pois viajam com o mundo sob o brilho dos cristalinos e iris dos olhos.

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A ruta 40 é paralela aos montes nevados. Tomando-a como referência, do lado direito de quem segue para o sul, adentra-se à patagônia chilena e do outro, retaliada por rodovias, chega-se ao litoral. Aliás, as partes altas e nevadas são os pontos, são os atrativos recrutadores de turistas. E os arrojados e desalmados aventureiros, além de não se decepcionar com a altivez e inospitalidade do lugar, não decepcionam as expectativas a eles dispensadas; pois, no verão as trilhas se transformam em formigueiros humanos.

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Pouca coisa muda na paisagem, e devido a posição geográfica em relação ao poente, os raios de sol são cada vez mais companheiros de quem vai à Ushuaia. Devido a posição angular resultante da latitude e longitude da última cidade do mundo em relação a esfericidade da Terra, o sol descortina cedo detrás das morrarias e some mais tarde; daí a chamada australidade da tierra del fuego. Em pleno verão, o sol dá adeus ao dia por volta das 11 horas da noite e aproximadamente 4 horas da manhã está aposto para o novo dia. Portanto, para quem busca lazer e se considera fios de eletricidade desencapados faiscando aventura, a parte baixa da patagônia argentina é um curto-circuíto altamente aproveitável.

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Na patagônia tudo é inusitado, mas o mais inusitado do inusitado é que, para atravessá-la em toda sua inteireza por terra, tem-se que sair do território argentino, adentrar o Chile por 10-15 min e depois retornar à Argentina. Importante laço navegável entre os países, a travessia é feita através de ferry, um barco que transporta carros, ônibus, animais e obviamente, inteligências. É naquela porção em que os oceanos Pacífico e Atlântico se encontram para saudar uma minúscula faixa do Estreito de Magalhães; que por sua vez, já foi motivo de desavença entre os vizinhos, que hoje são quase... apenas quase irmãos. Por que... enquanto verdades e mentiras se misturam, as desavenças continuam, a Carta Magna que rege os acordos é assinada hoje e rasgada amanhã, com isto as estupidezes perpetuam! Em coisas de seres pensantes, a ditadora Natureza não se mete... até certo ponto!

Porém se os períodos de guerra proporcionou modernidade e todo avanço tecnológico atual, sob o qual os hedonistas modernos se esbaldam de prazer, gozo e glória, foi mais ou menos próximo daquele ponto conflituoso que o navio de Darwin encalhou - canal de Beagle. E por não ter uma igreja perto para celebrar a missa, o padre celebrou minuciosamente o início do estudo sobre a evolução das espécies; provando que instabilidade, insegurança, guerra e ociosidade fazem bem e são necessários aos viventes do planeta. Após as pesquisas do pároco, que boa parte da humanidade o tem com biólogo, aves, pássaros e animais de variadas espécies, incluindo o homem, nunca mais tatearam a insensibilidade das trevas e das dúvidas: "voo, rastejo, fuço, sibilo, coaxo, arrulho, ronco, nado... escrevo, uns defecam outros não, logo, todos nós existimos; todos temos vida própria. Por enquanto...

Acima de tudo, foi na patagônia que a existência no planeta, a vida evolutiva na Terra começou a ser contada, iniciou a ser decifrada e pesquisada amiúde. Valeu... e a pedido da humanidade que o recompensa com a paz na inter-relação entre os seres que a compõe, a sua benção padre Darwin! Realmente, ela (a humanidade) se mostra humilde, evoluída, paciente, respeitadora, harmônica; pacífica com a irmandade, pássaros e animais; preservadora da Natureza, valoriza como ninguém a sua pesquisa e labores que quase o leva à morte antes do tempo. Se o paletó de madeira, com gravata, sapatos rigorosamente lustrados e tudo mais, lhe abraçasse fora-de-hora, quem seria eu nesse mundão cheio de porteiras que impõe restrição aos vacantes, discriminando quem nada tem a ver com o conflito, gerando batalhas pelo poder, Padre Darwin?

Fotos pertencentes ao autor do artigo


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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