ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

É pau; é pedra; é o início do Hard Rock; é ácido chamado Jeronimo

A banda Jeronimo chegou a competir, desafiar os ícones, "pichar" os monumentos do rock, fato que fez Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple e outras, apurarem as suas musicalidades, gerando ganhos incontáveis para o engradecimento do Rock.


Em química, por definição, ácido-base são reações neutralizadoras; e tanto a base quanto o ácido são consumidos, dando condição que novos produtos se formem. Já na música, o rock ácido lisérgico, ácido gástrico corrosivo das vísceras, é contrário ao ácido-base, portanto não há reações neutralizadoras; em compensação, as moléculas de carbono agregam cultura, englobam valores e desanuviam obscuridades. Perante o rock, tudo é atomicamente transparente.


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Contextualização: quando a proposta publicitária de determinado produto é apresentada ao consumidor sob intenso movimento, sob energia descomunal, lisergia corrosiva, na maior parte dos casos, a trilha sonora é o depreciado Rock N´ Roll, daquele tipo quebra-tudo, "mexa-se, por que se virar nos trinta é preciso, playboy", exatamente o que fez a banda Jerônimo nos anos 70.

Gerônimo (Goyaałé, traduzindo da língua apache, "O Que Boceja"); frequentemente soletrado Goyathlay em inglês), (16 de junho de 1829 – Fort Sill, 17 de fevereiro de 1909) foi um líder indígena da América do Norte, comandando os apaches chiricahua que, durante muitos anos, guerrearam contra a imposição pelos brancos de reservas tribais aos povos indígenas dos Estados Unidos da América. Fonte wikipedia.org/wiki/Geronimo

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As três plagas cabeludas, descamisadas e tórax ao vento que assinavam o nome da banda saíram da Terra incendiada pelo Fuhrer, vieram da Terra do bigode ralo de aço inox, o senhor Dominador do front em tempos idos, e como tudo que é proveniente dos alemães, o trabalho do trio notabilizava-se pela disciplina, seriedade, ordem, agressividade, fúria e volúpia acelerada no debulhar os instrumentos. É uma sequência de ataques psicóticos musicados que dinamitam qualquer pináculo das Oliveiras formado por rochas sólidas. Isto aconteceu com muitas bandas vindas de lá, portanto, não seria o Jeronimo (ou a Jeronimo? Isso é nome para se colocar numa banda de rock?) que iria decepcionar.

Poucos sabem que, indiferente aos instrumentos utilizados, certas bandas compostas por três integrantes eram rotuladas de power-trio. Exemplificando, quem pairou nesse universo rotulado por um tempo, foi o ELP, (Emerson, Lake and Palmer). Porém, foi através do minimalismo do Rock Progressivo que a banda se tornou afamada. Por sua vez, se fez parte do apogeu do power trio ou não, certo é que a banda Jeronimo pegava pesado no som cortante e dilacerado; ainda mais porque, onde a peçonha do ácido lisérgico era lançado, a vítima se rendia à perdição musical.

A banda lançou três álbuns; e não havia necessidade de mais, afinal, excluindo os conceitos infundados das Ciências Sociais, quantidade, bateladas de mentes não representam a qualidade social de um povo. E apurado e peneirado o trabalho do trio, o primeiro disco é a alma, é a excelente obra-prima, porém, o terceiro tem o seu valor, tem o preço justo que deve ser pago pelo que é bom; e pouco deixa a desejar em relação ao primeiro. E se não houvesse o primeiro, o terceiro seria o primeiro; óbvio. O segundo? Fica sob avaliação de quem ouvi-lo.

Um índio velho acabado pelo óxido do tempo posa para a foto com os bolsos e o embornal vazios. Nas mãos, uma bacamarte que, à ocasião, não beliscou nenhum animal. Porém, se a carga de pólvora não ruiu os miolos de nenhum quadrúpede, a visceralidade do álbum inaugural da banda é tiro certeiro e brutal na moleira de quem curti Rock. Pela descrição da capa, dá para notar que o álbum lançado em 1971, cujo título é homônimo ao nome da banda, é o desterro das normalidades vividas pelos integrantes; e dali em diante, eram todos Jeronimo, por Jeronimo mesmo.

Contando com apenas os metais da bateria e cordas, a estrutura nua e crua do mais puro rock and roll feito pelo grupo, levou os fãs e a crítica especializada da época à crença que, isoladamente, o disco superava trabalhos de Zeppelin e Sabbath; o que convenhamos, não está fora de cogitação e parâmetros, pois durante os quase 46 min de som esdrúxulo e aterrador, não há uma única faixa que passa incólume às batidas fortes da batera e gemidos esganiçados da guitarra e baixo. Por isto, não obstante, também não é de se admirar que a banda tenha contribuído e inspirado os adoradores da música metaleira que veio habitar o rock nos anos de 1980 em diante.

"Ide, fecundai, - transai às escuras - prosperai e enchei a terra" - às claras -. Profundo conhecedor das Escrituras, Jeronimo usou a Gênese de todas as coisas para principiar o álbum; e nos primeiros segundos da canção "Sunday's Child" pássaros piam, grilos cricrilam, cobras sibilam, abelhas zumbem, sapos coaxam, pombos arrulham, cabriolé de fogo transporta as majestades do rock, bacamarte espalha chumbo quente no ar em defesa do bom e novo Hard/rock; e os grunhidos da guitarra de fundo açoitam neurônios. Na sequência, overdoses de Rock são deitadas por terra, riffs de baixo obscuros intoxicam os sistemas digestivos, elevam a pressão arterial às alturas e o coração bate forte, pulsa acelerado, implorando para que não lhe tire nunca, jamais, da agonia sufocante de ter que morrer e deixar o Rock retumbando pesado o clareamento de mentes na Terra.

Após 25 min de quebradeira total, entra em ação a música "Hagudila" para acabar de esculhambar, para estraçalhar, dar um basta no Judas traidor. Instrumental que compensa ser definido no superlativo, pois os metais contrapondo as cordas, deixa o som pesadíssimo. À certa altura, um solo de bateria eleva o volume a muitos decibéis. Quer mais? Então terás; e nos minutos finais, revezando entre estampidos, pedradas e pauladas, as estruturas vem abaixo com a seção rítmica de "You Know I Do e Kind of Feelin". Cruel por natureza, o trio não dava moleza; ao contrário, metralhava imperdoavelmente as mentes.

Pronto! Façamos uma pausa para tomar água, relaxar os neurônios, limpar o cerúmen dos ouvidos. À continuação, a viagem Jeronimoniana seguirá com “Cosmic Blues” de 1972; como o título indica, com pitadas de blues no ar. Aliás, a simbiose musicada pelo trio fez com que muitas línguas-soltas dissessem que o estilo da banda era blues, hard-rock. Disseram até que era Progressivo. Novamente, a definição de estilo fica por conta de quem ouvi-lá de cabo a rabo; de fio a pavio.

Como formação, o grupo contava com os trabalhos honestos de Ringo Funk (bateria e raro, único na história do rock, vocal), Michael Koch (guitarra) e Gunnar Schafer (baixo). O power trio esteve na ativa até 1973, quando lançou o disco "Time Ride" e para desprazer daqueles que primam pelo bom Rock, esse álbum sinalizou o fim da banda prematuramente, que achou por bem encerrar as atividades ainda no mesmo ano. Dos três, Ringo Funk contribuiu com outras diversas bandas de mesmo gênero; enquanto os demais, uma vez que eram músicos assombrosos, estranhamente sumiram do cenário da música. Supõe-se que tenham voltado para selva.

Em 1970, a banda gravou um álbum em parceria com o Creedence, isso mesmo, com o CCR, chamado Spiritus Orgaszmus; e para o bem do rock puro, o som é bastante obscuro, estranho, insípido, inodoro. Nada que agrade quem escreve este texto; mas repetindo o que já foi decorado e pouco absorvido, pode ser que o leitor curta, então, sinta-se à vontade para ouvi-lo. O lado interessante do encontro, é que as portas se abriram para novos encontros, dentre eles, fizeram a abertura de shows do Stepenwolf, bem como participaram de festivais na Alemanha ao lado de Deep Purple e The Nice.

Portanto, o Rock acidificado não neutraliza nada; pelo contrário, agrega-se, impregna-se em tudo. Fala-se em "rock" até no samba. Não se lembra? Samba-rock, óbvio que a palavra deve ser escrita em minúsculo e entre aspas!

Dando por encerrado o artigo, fica a pergunta: a base do Rock N´ Roll é feita ou não, de Pau; Pedra e do ácido chamado Jeronimo? Trio que para a maioria dos que dizem curtir Rock, permanece oculto e escondido em pleno 2017. Colaborando com os leitores na caçada ao trio: Jeronimo, sai da selva de pedra, venha para as caixas e deixe de ser bicho-do-mato anônimo, Jeronimo!


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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