ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

Fantasias, plágio e a lei da matéria aplicadas às Artes

Segundo o proposto pelo químico francês Lavoisier, toda massa é conservada, indiferente as modificações fisicoquímica que a matéria sofra. Transferindo esta tese para a Biologia, se não houver as mãos devastadoras do "Homem sapo", (respeitando a espécie e sua utilidade na cadeia trófica) na Natureza nada se cria, bem como nada se perde, tudo se transforma. E no universo das artes, especificamente na música brasileira, o que é assimilado dessas teorias?


Nota: este texto complementa o texto "Plágio do Jethro Tull ou do Raul?" que está em curso na categoria Música; ou vice-versa. A ordem sequencial é conforme a opção de lançamento na página pelo blog, interesse e leitura de cada um deles, pelo leitor. Profícua e cultural leitura!

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Houve uma época na história da música brasileira que, contrário a lei natural da transformação e conservação de massa, copiavam deslavadamente. Não mediam as gotas de suor da cara para copiar o que vinha de fora. Quando se davam ao trabalho de pensar algo diferente ao trabalho que já existia em outros territórios, o máximo que faziam era alterar uma coisinha ou outra, e o restante era ipsis literis ao que havia no original. Enquanto os neologismos criam expressões novas para velhos e insolucionáveis problemas, e a palavra plágio é o que há de mais moderno no meio da reprodução não autorizada pelo autor, naqueles sórdidos tempos, as leis de proteção aos direitos autorais de criação eram como a lei que proíbe fumar em ambientes fechados: bem visíveis, com um cigarro cortado ao meio por uma faixa preta, os anúncios estão afixados em toda repartição pública, porém lida pelos fumantes e praticada, seguida à risca pelos deficientes visuais não fumantes. Porque quem fuma, pode errar a ala apropriada para eles, mas não erra a abertura da boca nunca. Em tempo, se não respeitam a limpeza da oxigenação circulante na corrente sanguínea e pulmões, obrigando-os a trabalhar mais intensamente para limpar a sujeira química (nicotina) liberada pela queima do tabaco, não serão as narinas alheias que irão respeitar.

Deixando de lado a (ir)respeitabilidade social, a falta de bom senso na relação interpessoal, a qual em tempos remotos, muito antigos, bem antes das guerras, era representado pelo "Respeito é bom e conserva os dentes"; lei defendida com unhas felpudas rabiscando traços bizarros na cara e pontapés nos fundilhos e boca do estômago, pela dinastia da rígida e séria ditadura da boa e saudável relação humana e indo direto ao ponto, nos anos 70 e mais alguns dias, a banda de rock inglesa Paladin lançava o disco "Change". A capa foi produzida pelo lunático e não menos, devaneador do futuro, contribuinte do rock, Roger Dean, o mesmo artista que produziu algumas capas do Yes e outras bandas. Para o delírio de quem comprava o bolachão de petróleo tomando como referência a capa, uma figura cibernética montada sobre o alazão mecânico/radioativo, avança(va) belicosamente em direção à modernidade. Inovadoras e prevendo o futuro, na tentativa de combater o inimigo, lanças de fogo eletrônico são atiradas no ninho. Para falta de sorte do idealizador, os afanadores de imagem alheia não estavam mais apostos à espera do alimento que lhes fosse regurgitado na boca. Para onde teriam ido os forasteiros, invasores da criação de outrem? Afinal, quem foram os copiadores da capa futurista do artista?

Distante, anos luz distante dos arrebaldes, o qual o poderoso Hitler havia conquistado bastante coisa; mas por querer mais e mais e quem tudo quer, tudo perde, na terra do tudo pode, da permissividade chamada Brasil, mais exatamente em Recife, Pernambuco, um projeto inovador revolucionava as cores da cultura regional. Dentre os mentores do projeto, estava o incrível Ariano Suassuna.

Exalando cultura, peças de teatro, sarais, oficinas, livros e literatura flertavam imoderadamente com a música. Em princípio, tudo começou pela música; tanto é que paralelamente ao projeto, fundaram o "Quinteto Violado". Os ritmos do grupo eram oriundos do folclore regional, da M.P.B, do erudito e do universalismo musical herdado de espanhóis e portugueses, nos ritmos ibéricos.

Sim eu sei que chega ser monótono, repetitivo, desgastante, mas culpando à História por localizar determinado fato à época e espaço, nos anos 70 e alguns meses mais, o grupo "Quinteto Violado" lançou o disco homônimo ao nome do grupo. Aplaudindo de pé a iniciativa, pois o álbum é uma obra primorosa e boas obras devem ser preservadas e valorizadas; até aí, nada de mais. Ou melhor, tudo de mais, porque o excelente supera o que é bom; e nivelar os feitos por cima deveria ser a gênese de tudo. Porém, não se rompe com a sujeira que está impregnada nas prateleiras da venda de Secos e Molhados, de anos e mais anos, de uma noite para o dia; e por causa do arraigamento à nociva cultura da esperteza, nem tudo é perfeito e sempre há o escorregão na casca de banana lançada por quem a saboreou.

A obra musical feita pelos Nordestinos é qualificada e prestes a atravessar a linha demarcatória dos 50 anos, memorável. E se aparentemente o trabalho não deixa rastros para questionamentos, onde estaria a casca de banana causadora da indecência de lançar ao solo o malfeitor e plagiador do cavalo cibernético? Boa e sagaz pergunta, Roger Dean?

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Uma figura aclamada no sertão e respeitada nas grandes cidades nordestinas é o vaqueiro. Vestidos a caráter, os exímios campeadores e tocadores de animais sob sol escaldante, são homens rudes, bravos de personalidade, que quebram matagais no peito, desafiam os espinhos e domam as montarias na espora. Devido as virtudes brutas e arrojadas desses sertanejos da caatinga, os compatriotas nordestinos os tem como guerreiros, heróis regionais. Aliás, exaltando o homem do sertão, Euclides da Cunha disse que "O sertanejo é, antes de tudo, um forte".

Realmente, sobrevivendo em condições tão adversas, o sertanejo é um forte; porém, a fraqueza também é inerente aos donos do poder, bem como pertence aos que detém as chaves que abrem os portões do palácio para o cavaleiro cibernético nordestino entrar. E inadvertidamente, sem levar em conta se foi manobra da gravadora ou do produtor gráfico, a capa do primeiro disco do "Quinteto violado" é exatamente igual à capa do segundo álbum da banda inglesa, Paladin. Excluindo as hipérboles e exageros, a imagem não chega ser 100% fiel à original; e para matar a charada no jogo do "um erro", o observador tem que estar atento ao chapéu; pois, exatamente ali está a diferença entre um imagem e outra. Não notou? Volte reparar detalhadamente e note que o cavaleiro cibernético nordestino é uma homenagem ao bravio homem sertanejo, que usa gibão, esporas, botas até o joelho e chapéu de couro. Chapéu de couro? Não bastasse as cores vívidas da imagem, chapéu de couro com uma solitária estrela sinalizadora na frente. Eureca!

Ressaltando, o disco do Quinteto é fenomenal e como tudo que é excelente, o grupo foi parar no Japão e nas terras dos "Garantidos" de olhos fechados, fizeram muitos shows, participaram de palestras e oficinas apresentado a cultura nordestina. Porém, mantendo a tradição que lhes é peculiar de milênios, os japoneses suscitaram a ideia que havia alguma coisa errada no ar. Imaginado, dito e feito: a gravura usada pelo "Quinteto" era cópia quase que fiel da imagem produzida por Roger Dean; que por sua vez, nem imaginava a existência do grupo. Desvendado o mistério: "aceitamos fantasias, mas cópia descarada como esta, adulterando a "rei da matéria do químico francês Ravoisier", aqui não meu amigos brasireros! Japon, garantido, fica de oio e num gosta de coisas sujas, né? Vai fazer prágio descarado, assim, no Brasil!"

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Enquanto que no Brasil, ao ficar sabendo do caótico acontecimento, a gravadora Philips recolheu imediatamente todos os exemplares que havia lançado no mercado e passado certo tempo, os lustrados bolachões estavam nas prateleiras das lojas de disco exibindo as novas vestes. E em vez de um avermelhado cavaleiro cibernético tipicamente nordestino, a capa estampa(va) pássaros brancos (talvez pedindo desculpa pela cópia absurda e vexatória) de asas abertas, levados pelas lufadas de ventos. Embora a nova imagem não represente os padrões de vida dos nordestinos, foi mais sensata para a ocasião.

A autenticidade do Homem forte do sertão, rompedor e desbravador do agreste nordestino, agradeceu! Aliás, a sensata autenticidade nordestina passa pelo hino regionalista nominado "Asa Branca", do mestre da sanfona e defensor ferrenho de suas raízes, Luiz Gonzaga.

Histórias de cópias e plágios na arte, é fato mais que normal, corriqueiro, mas igual ao descrito, contam-se nos dedos. Deslavadamente, foi uma das ideias artísticas mais sujas, dignas dos corsários que corrompem, deturpam, pirateiam os bons trabalhos musicais. Pondo toda criação a perder, em muitos deles, incluíam-se as relevantes artes das capas e contracapas dos discos. Vide, por exemplo, a contracapa do disco do Velhinho carregando um feixe de lenha do Led Zeppelin; exato, o que tem a canção metafórica, estratosférica, conhecidíssima mundialmente "Stairway To Heaven". Ideia artística que transpassa os limites da imaginação. Quem conheceu o original grafitado, conheceu; quem não conheceu, terá que se contentar com o que aparece adulterado pela maquiagem da tecnologia.

Verdade é que a arte se perpetua no tempo, porém os trabalhos são adulterados conforme os interesses. E por consequência, às vezes, o imediatismo, o dinheiro investido, as cifras acima da inspiração e as más Ideias compram insatisfações e pirateiam sem lubrificante, estupram de modo animalesco a Arte operosa. Estas são Artes e Ideias nocivas, estapafúrdias e como resultado do navio artístico adernado pelo corsário de piratas, na Arte nada se cria, nada se perde, tudo se transforma... em roubo e cópia de joias raras de valor inestimável?


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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