ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Plágio do Jethro Tull ou do Raul?

Os dicionários trazem como significado de plágio, a assinatura indevida de parte, ou total de uma obra por outrem. Muitas vezes não registradas pelos autores oficiais, este "delito" literário, ocorre com trabalhos acadêmicos, na arte, nos filmes, vídeos, na escrita e óbvio, na música. E ainda que o desconhecimento e o tempo acobertem, passa hoje, vem amanhã, os casos mais bizarros e absurdos caem na malha fina da... legalidade?


jetro2.jpgCaricaturista de si, Ian é uma das figuras mais emblemáticas da arte musicada. E devido as suas anormalidades no palco, ele foi considerado o bruxo da música. Fazendo o "quatro" com as pernas e a sua flauta mágica servindo-lhe de vara de condão, hipnotizava a plateia. Alucinógenos dominantes. A palavra que melhor o define musicalmente: monstro.

Nota: este texto complementa o texto "Fantasias, plágio e a Lei da Matéria aplicada às Artes" lançado na categoria Artes e Ideias; ou vice-versa. A ordem sequencial é conforme a opção, interesse e leitura de cada um deles, pelo leitor. Profícua e cultural leitura!

A música é atemporal e no momento oportuno acariciará os tímpanos e acalentará a criança perdida na rudeza dos tempos; mas para isto, tem que haver assovios, ouvidos, apupos, palmas, berço e sensibilidade para a música que rompeu, ultrapassou as barreiras, desafiou o som e a própria música. Isso se chama libertação sonora além de seu tempo!

O presente texto não é para declarar plágio, penso que o Jetro Tull nem saiba da banda, quanto mais da "similaridade" musical entre ambas. E se o silêncio é o elo pacificador, peço perdão ao assombroso multi-instrumentista, flautista, líder e vocalista Ian Anderson, por delatar o filho desconhecido, o rebento bastardo da banda inglesa que se perdeu pelo mundo e embora filho sem pai oficializado, apenas alguns diminutos cartórios de notas, o reconhece como filho legítimo do rock.

Tamalone. Esse é o nome de batismo da banda e como costumo definir os estranhos de personalidade, aqueles que ousam uivar em noites de lua cheia, os que fazem careta (Einstein foi exemplo de bufão caretista) para a legião de caretas de bons costumes, os irresponsáveis que habitam os sertões da excelência, são iluminados que fazem uma obra, uma magnífica obra, um trabalho apenas e somem sem destino nos desertos do mundo, para nunca mais aparecem. De certa forma ingratos, esses filhos prematuros, filhos de mãe solteira, bastardos que perambulam perdidos pelos recônditos do mundo sem lenço, sem documentos e sem serem acolhidos pelos alvitres da seriedade, fizeram milagre dos diabos para adubar o solo, cavucar a vala e semear o grão; semear o único grão. Não obstante, mais vale um grão selecionado de mostarda semeado em solo árido, do que uma vasta plantação de promessas florescendo em solo fértil. Não bastasse, um único grão semeado é como filho arrimo de família; e por mais que seja selecionado, separado do joio, é risco iminente de não germinar, portanto, a banda Tamalone fora o disco solitário, não pariu uma mínima e insofrida baga de tamarindo.

Analisando por outra plataforma de observação, deve-se perdoá-los, porque fazer música nas condições que faziam, é mais fácil encontrar pérolas nas abissais profundezas dos oceanos. E lamentavelmente, por falta de incentivo, por falta de público, por falta de recursos para sobreviver, por falta de material apropriado para fazer música e música seleta, qualificada, não enchia, como não enche barriga, os desalmados faziam um discão de rock e sumiam do cenário musical. Quando a obra rara caía nas mãos de meia de descontentes que não aceitam as porcarias que abarrotam as esquinas e os auto-falantes das igrejas, o alarde era generalizado. Mas o zunzunzum demorava pouco, pois a banda sem recursos financeiros para continuar na estrada, para continuar investindo em música e cultura apurada, deixava os fãs do mundo inteiro chupando o dedo; querendo mais. E histórias de bandas iguais a Tamalone, tenho uma infinidade delas catalogadas, com as páginas amareladas pelo tempo. Aliás, faz algum tempo escrevi sobre outra filha abandonada do rock, a magistral banda alemã Carol of Harvest, que tinha no vocal a doce voz de Beate Krause. À ocasião, 20 leitores alimentaram as minhas esperanças de continuar escrevendo sobre as raridades da música. Agradeço imensamente as mentes abertas que leem um texto, não pelo título ou conhecimento do conteúdo; mas pelo enriquecimento cultural. Essas mentes trocam curiosidade, por engradecimento, riqueza cultural; produto de mais valia aqui nesse espaço terreno.

São obras que beiram os 50 anos e portanto, muitos dos músicos já partiram para conhecerem o lado escuro da lua; e como não eram merecedores de luz e quando a possuía, não valorizava, muitos sumiram na escuridão das trevas sem deixar vestígios... Fizeram o correto, pois contrário às fotografias, o escuro preserva os segredos, sem revelá-los. Sobretudo, como disse Shakespeare: "existem mais coisas entre o céu e a Terra que sua vã consciência imagina". E em certos casos, o céu e a Terra, tanto pertencem, quanto é o Homem.

Indiferente aos caminhos tomados pelos integrantes, a banda foi formada no final dos anos 70; e em 1979 foram para o estúdio lançar o "New Acres"; disco folk/prog de primeira qualidade. O som limpo e resiliente dos fulanos nos remete aos tempos imemoriais, épocas em que se parava para ouvir o mugido do gado; para observar ninhada de pintos esgaravatando o solo à procura de alimento; sabiás, pássaros-pretos e bem-te-vis apareciam nas janelas das casas trinando o desjejum; o trigal florescido na planície, dobrava ao ser acariciado pelos ventos; prenunciando abundância de pão nas mesas e o homem simples de nascença, alimentava-se do bucolismo do campo. Tudo conspirava simplicidade e encanto, e à tarde uma voz feminina melodiosa cantava o fechamento de mais um dia laborioso. A obra solitária produzida por tais bandas possui esse perfume nupcial; e enquanto não havia mais respostas plausíveis para as perguntas supremas da vida, elas não davam por encerrado as faixas do disco. Faziam música pelo apreço de fazer música; e enquanto faziam, ouviam o solstício do sol que cobre o verão e o inverno de música. E ao equalizar as energias, o equinócio da paz descia sobre todas as estações do ano. A música para esse trupe de beneditinos angelicais, eram horizontes tomados pela harmonia e as estações dos anos recitais de melodias.

Tamalone viera dos países baixos, supõe-se que seja da Holanda, país influente na produção de rock progressivo. E como herança e legados, flertou com a co-irmã, Focus; mas os traços genéticos, os acirrados traços musicais são do Jetro Tull; mais exatamente da fase inicial. A semelhança é tanta, que se os arranjos destoam vagamente em determinadas notas, o vocal não deixa dúvidas. Sem contar as semelhanças sonoras das flautas; e de cabo a rabo, de fio a pavio, a voz de um vocalista, é o gole de água que hidrata as cordas vocais do outro.

jetro.jpgQuantas foram as vezes que o vi barbarizando no palco. Vida longa Ian, porque por aqui, não espero vê-lo mais! Motivo: as culturas, os estilos e as atualidades musicais, são infinitamente diferentes ao que se fazia no Brasil. Você não deve saber, porque o brasileiro dá nó até em pingo de chuva fina, aqui tudo mudou... para pior, é claro! Assim sendo, fecharam-se as portas para a beleza audível e cultural de sua música.

O leitor não imagina como é difícil escrever sobre um filho bastardo sem documentos da música, um filho cosmopolita do rock que perambula pelo mundo sem passaporte. Benevolente, mas arredio e insociável a ponto de não se deixar domar pelos costumes e hábitos. A pena falha, a folha de papel se esquiva, as teclas do computador mudam de posição, as palavras e significados traem o dicionário, a pernas da mesa bambeiam, a tela escurece, a vista padece e as ideias batem biela; azulam os neurônios, corroem a mente. Mas, pense o leitor o que pensar, se Ian Anderson ou Tamalone, ou ambos recorrerem as leis e através delas, quiser processar um canalha feliz, escritor de meia pataca pela falsa denúncia, fiquem à vontade; porém, ratifico: às duras penas, consegui escrever essa enganação de texto sobre música.

Sim, reconheço que o texto está precário, carente de informações precisas, deficiente de dados técnicos esclarecedores, mas esse tipo de filho bastardo é raríssimo e muito provavelmente, quem tinha um exemplar do disco, nem tenha mais. Ouso dizer que nem a banda tem; pois as tiragens eram limitadíssimas. Só quem foi colecionador sabe das dificuldades e o trabalho que dá, (infinitamente mais prazeroso que criar animais domésticos trancafiados, encolerizados nas jaulas dos apartamentos. Se a música exige liberdade para transitar em ondas pelo mundo, imagine quem troca os sentimentos de sua vida mesquinha por afagos, bagos de ração e copos de água!) para se ter e manter uma preciosidade dessas nas prateleiras manchadas pelos fios de picumã do tempo. E se não fosse a santa internet, você leitor, continuaria pagão, sem saber nada sobre a banda; e convenhamos, morrer sem conhecer os honestos e auspiciosos rocks antigos que tanto fizeram a cabeça de gerações por décadas e mais décadas, é dever para Deus, porque o diabo não possui todo o know-how que requer o nostálgico estilo. Então, missão cumprida e entrego-vos de bandeja o que aparenta ser mas não é; encaminho-vos ao rock que pertence a Deus. Louvemos, pois, primeiramente a santa internet, e posteriormente ao criador do salutar e necessário rock. Amém; e feliz flutuação alquímica!

Alô, câmbio! E antes que um dos filhos bastardos do rock descubra o denunciador, terráqueo desligando! Já estou a caminho para ouvir o nosso roquizinho antigo, que não tem perigo de assustar ninguém. Espere por mim; câmbio, desligo!

Alô, câmbio, chegando! Trouxe na bagagem um "plagiozim da música Let me sing do Raulzim, pra mode nois ouvi e dano bicota um no otro, pita um cigarrim e comê quarquê coisa benzim, bem juntim; visse?!

P.S: Por favor, não cometem, não envie e-mail, mensagens por whatsapp, ou algo que o valha para o Raul, dizendo que a frase "roquizinho antigo, que não tem perigo de assustar ninguém" está sendo plagiada e divulgada na Obvious em nome de certo terráqueo. Sabe como é, né... Brasil, carne fraca, jeitinhos, chacinas na madrugada, esquemas, influências, politicagem; em vez de merda, cueca cheia de dinheiro; incompetência... e assim vamos empurrando com a barriga, vamos passando pra frente as cópias deslavadamente plagiadas! 500 e mais uns de rolos de fumaça de anos e nada de sermos presenteados com um, apenas um, Prêmio Nobel. É preciso plagiar e assinar como criação de brasileiro, mais alguma coisa?

Dedico o sublime, raríssimo e inédito disco disponibilizado da banda Tamalone ao nosso amigo de escrita, Alexandre Tomé, admirador dos meus escritos sobre o tema, especialmente Rock Progressivo. Infelizmente, desde o final do ano passado está doente, motivo de não poder nos abrilhantar com seus finos e requintados textos. Nesses últimos meses, tem dado um alô, tem feito uma aparição rápida em minha pagina e some; presumo, pois, que o caso seja grave. Alexandre, desejo de minha essência a sua plena recuperação. A Obvious, os leitores, amigos materializados, desconhecidos ou presente espiritualmente, precisam de seus célebres, esclarecedores e reflexivos escritos. Breve regresso, rapaz! Desculpe-me, se faço mal em declarar ao público leitor de nosso nobre e valioso espaço, o que está acontecendo! P.A


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
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