ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Sopro polinizador

Impossível o sopro polinizador, polinizar; e as coisas da alma, os poetas, filósofos e doutos escreverem, sem antes desvendar os mistérios de Deus, a alma da Natureza.


Bem cedinho na capela / Sobe o zumbizado gregoriano / Já vem ela! / Vem voando / Chega de mansinho / Terna emoção entra pelas gretas das janelas.

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O quarteto perfeito para cada amanhecer polinizador é: silêncio quase absoluto, escrita, música e o néctar de vigorosas floradas. Em busca desse quarteto escondido na aurora, nem sempre a escrita surge na perfeição desejada. Gotas de orvalho; sereno das madrugadas. No silêncio da semi-escuridão, acompanhada de um e outro gole de néctar, ao som de uma voz melodiosa que transporta, catando palavras que vagam ao léu e pensamentos ainda não tomados pelos alvoroços do dia, sempre torna possível o deslizamento da pena na folha de papel. Sem dizeres mortos; menos ainda, desditas. Assim o instante convida à reflexão e o silêncio deixa a mente liberta para o voo, para o encontro do tudo com o nada; do sim com o não; repetindo o que há de mais belo em refrão; motivo das ideias chegarem com mais força, ungindo pujança no bico da pena; e as sentenças vão fluindo mais desapressadas e inteligíveis. Por sua vez, o imaginário ganha altura, flutua em dirigíveis. Somem no ocaso.

Como as espécies de hábitos noturno, que dormem de olhos abertos, desperto cedo, por volta das 4h e 30min da manhã. Sob o silêncio da madrugada, dou uma volta na praça apreciando as flores. Sonoro farfalhar de folhas espraiadas. Flores coloridas. Bétulas; damas-da-noite; açafrão, begônias; camélias; hortências; bromélias; alteias, amarantos, crisântemos; rosas; sabugueiro; jasmins; azaleias; bicos-de-princesa; lírios. Perfumadas flores. Espreito uma. Minuciosamente, vasculho outra. Dou meia volta, retorno à primeira. Espontâneo. Trabalho festivo. Toco campainha. Nada ouço. Silêncio absoluto. Zumbizo o quase caio. Freneticamente bato asas. Intrometida, vazio adentro. Sou entomológica cosmopolita. Independente, autônoma, anarquista, livre e libertária, entro e saio.

Permeada pela pretensão, levo na ponta da pena a renovação. Água na bica. O sopro no bico, dou bicada; e de bicada em bicada, feito pipa no ar, em debicadas vou descrevendo as espirais que florescerão. Sol clorofilante. Lanço uma nota aqui, outra semente ali, uma observação acolá, palavras soltas e as covas cavadas, vão sendo preenchidas. Em rascunhos verdejantes, as Margaridas. Não as tenho. Tudo almejo. Prefácio em grãos. Sob chuva serena, semeio as palavras na Terra não para mim, mas pelos que virão. No fim, no meio, nas bordas. Germinação. Sobrevoo das asas de anjos em hordas. Sementes e palavras lançadas ao vento e cheias de esperanças, realçadas pela motivação e estímulo, em benévolos frutos se transformarão. Vai-e-vem. Roubando o néctar das flores do velho Inácio. Transformar o velho em novo; e o novo em velho. Intenso bate palmas da raptora de almas. Nunca, jamais em vão. Seios. Em pares, amamentos do solo. Para os recém-nascidos, o leite, o alimento; e para os adolescentes, incontidos anseios.

O melhor estação, a lua ideal, o solo fértil para plantar poesia é nos dias floridos da primavera. Quanto mais houver o perfume das flores, mais suave serão os versos. Pétalas sedosas carregadas pelos ventos aliviam as dores do fardo cotidiano e podem até, tocar em lábios sensíveis e esquecidos, impregnando o selo do amor. Quê ventos distantes são esses que sopram emoções, pétalas, lábios, amores, sensações, divagações, perfumes, cios, feromônios, gozos, prazeres, êxtases, frissons, sexo e orgasmos pluralizados tão próximos? Arranca suspiros dos novos; imaginações dos anciões.

O voo é longo. Os oceanos são impiedosos e indispostos a banhar os meus olhos, motivo d`eu passar as noites em claro. Emoção comunga com a razão. Motivo de quem, ao próximo, querer bem. A operação é lenta. Às vezes me perco no breu das fantasias; mas a visão espacial literária traz-me de volta aos meus sonhos, sonhados. Sobretudo, sonhos polinizados e não realizados, é noite de polinização perdida e sonhos inutilizados. Pés no chão. Sementes na terra. Pena na folha de papel em branco. Sopros polinizadores. Amar. Sonhar nunca é demais. Malamar. Desiludidos, são os chacais. Soprar pétalas mund´afora. Ventos astrais. Desideratos atemporais.

Entre sonhos e coisas desejosas, a minha escrita levará a palavra amiga ao tristonho. Encherá cacimbas de felicidade. Habitará a inospitalidade de casas esquecidas. Vasos quebrados. Irrigará jardins que imploram água. Emendará xícaras sem asas. Colará amores aos pedaços. Acalentará crianças. Enriquecerá de conhecimento o pobre. Fará refletir o rico. Rompendo o portal carcomido, lugar distante, atingirá. Naturalmente, semeio porque semeio. Polinizo, porque polinizo. Continuidade da vida. Escrevo, porque escrevo. Transbordo desprendido de meu Eu. E quem roubou o néctar das flores do velho Inácio, tem por dever escrever as boas-novas na tabuleta nos portais do mundo; jardim da casa do senhor Anísio.

Besouros, abelhas, beija-flores e borboletas batem asas, viajando longas distâncias em busca de matéria-prima. Bióticos polinizadores que escrevem em florescências vívidas, versos nobres, pulverizando o solo com o pólen. Pólen da renovação. Escritas feitas com pó branco, em colorido pó. Amarra sem nó. Sopro. Sementes livres, as quais, metade delas são flores e a outra metade palavras edificadoras. Regados em solos férteis. Que metade das palavras que sopro ao vento sejam flores e a outra metade amores. E ao germinar mund`afora, que a metade da safra seja coração e a outra metade, também.

"Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada". (Mateus 15:13)

Louvado seja a semeadura polinizadora da Natureza. E proveniente do plantio Celestial, polinizaram o gineceu e androceu. Redundantemente, legado naturalmente herdado da graça divina. Amém!


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
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