ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto



Nem início e nem fim: milimetricamente, no meio. A medida exata dos covardes, indiferentes e medrosos. Família, leis e as sociedades não permitem as inconveniências dos pensantes e as rebeldias dos revolucionários. Nesses termos, igualdade sempre

12 capas inigualáveis de discos de Rock

Para entender de Rock, de capa de disco de Rock, o roqueiro tem que transar e se isso não lhe passa pela mente, desculpe-me a franqueza, o nobre ouvinte está derrapando na pista, não está encaminhando os seus olhos à felicidade. Sinto em ter que dizer que está faltando materiais apurados, tanto quanto, em banheiro público; e o primeiro passo para um longo e demorado orgasmo sonoro, é apurar o sútil conhecimento sobre o estilo. O segundo é arregalar os olhos para o trabalho de capa, mas quando digo arregalar os olhos, é procurar observar, fazer uma viagem íntima à lucidez musical do estilo, como se faz ao observar uma pintura; e minuciosamente, enviar ao sistema nervoso central o signo visto e através de uma codificação imaginativa, principiar o que a foto, a gravura, ou a imagem tem em comum com as letras. Boa e bela sacada perceptiva ao leitor!


Contextualização: para que localizemos no tempo e no espaço o que foi o movimento artístico nas capas de disco, (talvez o mais completo e proporcionalmente, o mais incompreendido, até por que os povos não possuíam e continuam sem ter nível cultural para entender o que a trupe de reacionários desobedientes civis queriam transmitir às mesmices mundanas com suas irreverências artísticas) iremos conferir 12 capas que, (o que é nada, se comparado à miríade de bandas de Rock espalhadas pelo Planeta) disparadamente, foram e continuam sendo alento para quem tem o estilo no sangue e faz ecoar o som do Rock como trilha sonora da auditiva hora em hora. Aliás, ditadoramente, por defender o estilo com punhos de aço, não abre mão do estilo, em troca das ninharias sonoras, das mesquinhezes musicais, dos lixos ruidosos que rolam, das tolices que falam do estilo pelos toscos labirintos do desconhecimento. Prepare-se para o ato religioso, para a liturgia artística; e um, dois, três e... já!

A décima segunda mostra o homem incendiário do Pink Floyd:

shine.jpgCapa conhecidíssima, até por quem não curti Rock. Honestamente não a classifico como merecedora de estar entre as 12, contudo, foi citada para que o leitor pense, reflita, questione, racionalize, repense as questões ambientais e sobretudo, o aquecimento global; e ao invés de desmatar e atear fogo deliberadamente, tenha consciência de preservar, manter os recursos naturais, o que automaticamente será um balde de água fria para refrigerar o corpo e apagar o incêndio que está queimando as vestes, sapecando as carnes cruas dos viventes do Planeta Terra. Tente se metamorfosear em um sapo boi, ou em calango, ou em uma serpente exposta à temperatura de 40 graus por uma hora, somente uma hora e depois diga para a bicharada como foi bela a experiência. Faça-me o favor...; e tenha um pouco de empatia, um pouco de compaixão pelos que sofrem calados!

Na décima primeira, o álbum de mesmo nome é o terror musicado do Black Sabbath:

sabbath.jpgPara quem conhece o mínimo de Rock, a capa é a representação fiel das letras terroristas e satânicas do Sabbath; portanto, poupando o escritor de maiores detalhes, perscrute a imagem e o calafrio lhe invadirá as entranhas. E dentre tantas pedradas sonoras, com Ozzy destruindo no vocal, a segunda, a terceira e a quarta faixa arrebentam o coração do rebento. Sem comparação, um dos melhores discos do metal clássico de todos os tempos; e à qualquer ocasião engano o leitor escrevendo o que não sei (para não ser lido, claro) sobre esse discaço de Rock.

A décima, é a mão maiúscula e assombrosa do Gnidrolog:

gnidrolog.jpg Está aí um disco de colecionadores e pouquíssimo conhecido no Brasil. Por sorte o leitor está sendo contemplado com esse diamante lapidado. Num ataque louco de jogar pedras nos desatentos, Stuart Goldring, líder e vocalista da banda, pensou, pensou, repensou, repensou, pensou, pensou e quando os neurônios estavam na iminência de pegar fogo, entrar em erupção, chegou a conclusão que o nome da banda era o seu nome ao contrário. Inclusive, nesse transe insano, desvendou o significado da palavra palíndromo. O Rock, além de cultura, é desafio à criação imaginativa.

A nona, é a decapitação do Ney Matogrosso e cia, quando vocalista dos Secos e Molhados:

secos.jpgOutra capa que talvez não seja tão expressiva para receber a menção de estar entre as 12; porém deve ser citada, sim. Primeiramente, porque é uma obra genuinamente brasileira, e por que os integrantes da banda foram audaciosos em mostrar a imagem obtusa, agressiva, moralista, a qual suas cabeças decapitadas são servidas em bandejas e postas à mesa; o que pode ser entendido como a "tirania" do sistema político da época. E segundo, porque as controvérsias dizem que a banda Kiss copiou a pintura de rosto; e se analisado pela época de uma e outra, faz sentido, uma vez que a banda inglesa veio existir no universo do Rock muito tempo depois da brasileira.

A oitava representa a bocarra devorada do "In the Court of the Crimson King.

KingCrimson.jpgEsse disco foi lançado em 1969; e é o primeiro da banda inglesa King Crimson. Para os observadores e lúcidos de visão, por inúmeras vezes essa imagem aparec(ia)e grafitada nos muros em São Paulo. Com a lei proibindo o grafite em espaços públicos, provavelmente, essa bocarra, réplica do capitalismo degustador de súditos, suma dos muros das mansões. Pena ela ter que sair do cenário cultural citadino por falta de conhecimento e sensibilidade de quem a proíbe; pois é um berro contra os canalhas do poder que fazem mal uso do dinheiro público e capitalistas que usurpam o suor alheio para enriquecer os entes até a terceira geração vindoura. O Homem é lobo do Homem, desde que o Homo Sapiens, entendeu como sendo homem!

Na sétima, a banda Thelonious mostra um arsenal de armas em defesa do patrimônio jazzístico:

telonius.jpg "Ei, espere aí, Profeta, o som do Thelonious não é rock, mas Jazz." Em comum acordo meu caro, parabéns, até que enfim alguém com conhecimento o suficiente para trocar figurinhas sobre música. O detalhe que é o Rock está para o jazz, assim como o jazz está para o blues e não menos, o blues está para o rock; formando a trindade musical dos "cucarachas" que transam esgoto e rock. Além do que, uma capa dessa não pode passar ileso ao seu happy hour musical de final de tarde; portanto, sossegue o facho; apague as luzes; arregale as retinas, desobstrua as iris e cristalinos; relaxe os neurônios e viaje numa "nice" my brother; pois os detalhes da capa são fenomenais.

Na sexta, Anekdoten e a "réplica" do Sabbath:

Anekdoten-Umtil Ghosts-capa e contracapa-2.jpgVinda da Suécia, Anekdoten é uma banda de Rock/Prog pesado, bem arranjado, com um miserável órgão de tubo incendiando a sala de espetáculo e a voz estremecida do líder e vocalista Nicklas Berg ditando o ritmo. Sobre a capa, bastante parecida com a capa do Sabbath. Repare bem os detalhes.

A quinta é o "Coração Paulista" de Guilherme Arantes em ação:

guilherme.jpgPaulistano e amante de sua terra natal, Guilherme fez questão de mostrar "o explode coração" da veteraníssima Estação da Luz como capa do segundo disco lançado pela Warner em 1980; que para muitos é uma obra obscura e ao mesmo tempo, excelente do cantor e compositor, ainda que pouco, ou quase nada conhecida, como sempre! E para quem acha que ele não era roqueiro, é melhor rever seus conceitos; pois, além de multi-instrumentista, foi ele o fundador da banda de rock/prog Moto Perpétuo; estilo que lhe serviu de inspiração para alguns trabalhos posteriores no universo alternativo da música. Logicamente, antes de cair na mesmice midiática.

A quarta fica por conta do inferno aquático do Ronnie James Dio:

dio.jpgEssa é para a trupe do metal; afinal, ela sabe mais do quem escreve, que Dio foi vocalista do Sabbath, mas mandou bem mesmo foi em carreira solo. Metaleiro, som pesado, letras viscerais, guitarras estridentes com pedais vorazes e devoradores, essa foi (é) a proposta de Dio e pela imagem de capa, dá para se ter uma ideia das chibatadas do músico ao fazer Rock/metal; e o metaleiro descontente que se livre da vida que leva, a qual é presa pelas grossas correntes da hipocrisia.

A terceira é espetáculo circense, dança do malabar, filosofia mecanicista, corsário e caos em águas revoltas:

dream theater.jpgVia de regra, cada banda se identifica(va) com um fenômeno da Natureza, no caso do Dream Theater, a fúria do mar lhe inspira as capas. E embora tenha tempo de estrada fazendo um metal/prog esquisito e indecoroso, é pouco divulgada em terras tupiniquins. Como sempre!

A segunda capa é uma obra primorosíssima da banda Marillion, que também poderia ser classificada como primeira; mas por respeito à obra produzida pelo artista para o Led, ficará em segundo:

FUGAZI.jpgQuando a obra de arte ultrapassa os limites da imaginação, o melhor é contemplá-la. Já escrevi muito, mas antes de finalizar, aprecie com moderação; senão, serás tomado por uma profunda depressão de querer olhar mais e mais; e haja vista e mente para decifrar a orbe celestial humana, quando em estado emocional corrompido.

A primeira é o encarte de meio de capa do disco do velhinho carregando um feixe de lenha do Led Zeppelin:

eremita.jpgEsse disco ficou universalizado, imortalizado, ecumênico com a música "Starway to Heaven". Porém, ao abrir o disco original de capa dupla, o destaque maior é o encarte de meio que retrata um monge (eremita) sereno, compenetrado, magnânimo, com um lampião em cima do píncaro formado por rochas, iluminando um vale minúsculo; o qual, um rebanho de rezes pastam, um riachinho inunda o verde e casinhas com portas e janelas abertas confraternizam a paz soprada pelo silencioso vento minuano que não tem onde repousar. O encarte é definitivamente uma preciosidade de valor artístico inestimável. É mais que a redundância do belo; é belíssimo no superlativo!

led.jpg

A imagem acima, além de mal definida e pessimamente montada, passa léguas e mais léguas de distância longe da original, que é grafitada em preto e branco; perfazendo uma obra de rara beleza e sensibilidade dos dedos, imaginação e olhos do artista que a produziu; porém, através dessa vaga ideia, o leitor poderá abstrair o que foi a obra original. Mas ratifico: está anos luz distante do encarte de meio de capa do disco do Led.

Nota: se o leitor é daqueles que inicia a audição sonora do estilo pela capa do disco, mantenha-se antenado, que em breve escrevo mais sobre uma pancada delas.

P.S.: sobre a capa/encarte do Led, quando poucas pessoas se ligavam em serigrafias estampando camisetas, consegui uma artista que comprou a ideia e pintou manualmente o eremita com a paisagem completa. Sem titubear, comprei uma camiseta branca e resistente da hering e passados 20 dias, estampava a obra única e rara de peito estufado. Riquíssima em detalhes, em finos traços, devido a sensibilidade e amabilidade dos dedos e olhos da artista, a pintura ficou linda; inefável. Sempre enciumado com a joia perolada, com a relíquia jamais vista em outro corpo, a mantinha sob segurança e cuidado máximo. Acompanhou-me por longos e passageiros anos, quando a minha desavisada cadela arranhou-a no varal. Que pesadelo saber que nunca mais a teria, pois assim que a camiseta estivesse molambenta, iria cortar a estampa e costurá-la em outra. Contudo, entre eu, a camiseta, a cadela e a artista, prevalece(u) o nunca mais! Mais cedo ou mais tarde, a vida não passa de um singelo nunca mais. Um belo ou feio; bom ou mau; sorridente ou choroso; artístico ou realístico; ficção ou biográfico, nunca mais. Sobretudo, na mesma cova, aqui jaz uma camiseta com a pintura do monge do Led, uma cadela brincalhona e faminta, uma artista em excelência e um Profeta do Arauto dado à escrita sobre Rock, que a morte os separou, eles, deles mesmos.


Profeta do Arauto

Nem início e nem fim: milimetricamente, no meio. A medida exata dos covardes, indiferentes e medrosos. Família, leis e as sociedades não permitem as inconveniências dos pensantes e as rebeldias dos revolucionários. Nesses termos, igualdade sempre .
Saiba como escrever na obvious.
version 4/s/musica// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Profeta do Arauto
Site Meter