ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

O Parque Nacional da Tijuca é o que restou da cidade maravilhosa

"Em geral, é o caráter pessoal do escritor e não a arte do seu talento que lhe marca a importância aos olhos do público." - Johann Goethe.

Traçando um paralelo entre o caráter e trabalho de Dom Pedro II, na época do império, com o estático e incomunicável Cristo Redentor do Rio de Janeiro, o que é visto de importante e digno de ser elogiado pela criticidade dos olhos do leitor?



cristo.jpgO Parque Nacional da Tijuca é o ponto turístico mais visitado do Rio. Estima-se que 2 milhões de turistas caminhem pelas trilhas do parque anualmente. (Foto: Divulgação/Ruy Salaverry)

Praias de águas límpidas, com veleiros dançando a valsa dos namorados na imensidão de um mar azulado, com ondas quebrando contra as saias de imperiosos rochedos; os quais em seu topo, abrigavam berçários naturais de pássaros e aves. Sob as maravilhas naturais, o fluminense era pacato, manso, pacífico, humano, solidário, família, gentilício, sensato e caminhava pela orla de chinelos havaianas, cabelos soprados pela marola do vento vespertino e a felicidade estampando no peito, os efeitos de quem é feliz. E por que o fluminense não é mais o que era?

Por que, o que a nostalgia e a recordação encaminha, a realidade desencaminha. Afinal, a realidade não transita pelas mesmas trilhas, não ilude os mesmos caminhos, por quais, olhos e passos compassados e honestos caminham!

Indubitavelmente, o Rio já foi o cartão postal do Brasil lá fora e era tão badalado, que não se conhecia o país, sem antes conhecer a cidade; feito que ninguém negava. E muito disso se devia as belezas naturais, devido os arrebaldes da pedra da Gávea e colinas cobertas pela vegetação de mata Atlântica o município era lindo e merecidamente, fazia jus ao epíteto de "Cidade Maravilhosa". E nos de hoje, o que ela tem para oferecer aos fluminenses e visitantes que passeiam pelas suas muralhas e calçadões de concreto, correm de balas perdidas, escaldam-se sob sol de 40 graus e entorpecem os tímpanos com o buzinaço dos automóveis?

"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." - Rui Barbosa

Em fevereiro, março, abril, maio... até dezembro, com reprise em janeiro, fevereiro, março... até dezembro, diante de tanta loucura de passos apressados, contínuos atropelamentos e mortes no trânsito, diante de tanta correria assustadiça dos "mamulengos" nos morros, diante de tantos políticos inescrupulosos usando indevidamente o dinheiro público, diante de uma sociedade carioca que está mais preocupada em discutir os problemas do fracasso de seu clube, em vez de discutir a lavagem de dinheiro usada no futebol; diante do terror da pólvora espalhada pelos estampidos perdidos que alojam-se, encontram-se em corações à prova de balas, as águas não rolam como rolavam no Rio.

"Moooro, num país (numa cidade) tropical, abençoado por Deus e bonito por Natureza"!

E para amenizar a hecatombe e suavizar a ruína da realidade dos fluminenses de cada minuto, somente os subterfúgios da palavra ironia e os eufemismos da reverenciável língua portuguesa.

Carregadas pelas correntezas do Rio, muitas raízes, galhos e gravetos de ingazeiros já se atropelaram mutuamente, já passaram pela sua história, inclusive, o título de Capital da Monarquia no Brasil. Sim, perdidas no cinturão verde da Mata Atlântica, a simplicidade de portas e janelas e a fumacinha saída das chaminés, uma aqui e outras acolá, honradamente, ergueram o troféu de simplória cidade; e a justificativa para a perda do título pelos soteropolitanos e "conquista" dos fluminenses, era a questão estratégica de escoamento dos produtos e metais preciosos que passariam a ser extraídos em terras mineiras e Centro-oeste brasileiro, para Portugal.

Uma capital precisa de investimentos e onde o Poder e o dinheiro atracam, as embarcações e os homens de negócios rodeiam. Por outro lado, proporcionalmente ao suposto progresso, a destruição chega quieta, silente e quando menos se percebe, ela está criando as suas desavenças contra o próprio homem à reboque. Sobretudo, a falta de planejamento e o progresso gerido somente pelo capital sobre capital, abocanham a pobre e indefesa Natureza. Foi assim e por assim ser, foi com o município e numa época em que quaisquer investimentos e riquezas dependiam da Natureza, foi ela a sofrer as maiores baixas em seu potencial natural. Começava então a derrocada do epíteto Cidade maravilhosa.

Conta-se que fazendeiros, agricultores e pecuaristas no afã de buscar novos meios e fontes para seus investimentos, precipitaram sobre as terras da floresta da Tijuca. Não obstantes, mãos à obra, ou melhor, mão à destruição e o barulho infernal promovido pelas destocas e cortes de árvores afugentavam os animais nativos em segundos. Bolsões vazios apareciam da noite para o dia. Animais e plantas rasteiras se misturavam na paisagem pelada e desnuda do morro. Em pouco tempo, o cocuruto do maciço de terra já podia ser visto de longe. Definitivamente, os benefícios da floresta estavam comprometidos em detrimento do plantio e cultivo de café, cana-de-açúcar, extração de lenha para fazer carvão e outros. Era o dinheiro chegando, proporcionalmente, a destruição e desestruturação do capital natural.

Década de 1860. Nessa época o Brasil estava sob os mandos da Coroa Portuguesa e quem a representava aqui era Dom Pedro II. O homem tacanho devido a rigidez familiar e severidade dos livros, sabedoria, retidão, aventureiro e naturalista, nas horas vagas, tanto ele como a princesa Isabel, subiam as serras ao redor da capital para espiar as belezas dos grotões e baixos. Era comum vê-los cavalgando as montarias pelos picos amorrados de Itatiaia, serra da Bocaina e serra do Órgãos; complexo de montanhoso de rara beleza. O hobby de viajar sob clima frio e uma vegetação espetacularmente verde, os faziam sentir como se o Brasil fosse um pedaço de Portugal; pois, sobretudo, o continente europeu não lhes saíam das mentes.

O desmatamento seguia firme em direção ao precipício ambiental, fazendo com que a floresta da Tijuca não fosse mais o que era. Os sinais da destruição atingiam as nascentes e olhos d`água, ao ponto de escassear o fornecimento de água na cidade; que contava com mais de 390 mil habitantes, e o pouco que restava, normalmente, era contaminada pelos dejetos de animais. E agora José? A boiada está pastando, as vacas mojando, os bezerros mamando. E agora Belarmindo? A agricultura crescendo, os grãos de solo virando ouro, as nascentes secaram, as árvores minguaram, pássaros e aves bateram em retirada e o sol deu as caras nervoso. E agora Dom Pedro, qual será o líquido que os seus súditos irá pôr na jarra para matar sua sede?

Contudo, o virtuoso, inteligente e inovador monarca nutria apreço pela Natureza e respeito pela necessidade coletiva, acima de interesses escusos e numa ação revolucionária até para os dias de hoje, iniciou o processo de desapropriação das terras ocupadas e paralelamente, impôs aos botânicos, paisagistas e agrônomos práticos que criassem um projeto bem detalhado de reflorestamento da área. Pela exigência do monarca, o projeto devia prever a manutenção do que sobrou, recuperação ambiental de áreas remanescentes e o plantio de mudas de árvores nativas onde fosse necessário. Segundo o monarca, no futuro o parque fosse o que era; caso não, pelo menos o mais próximo à antiga floresta da Tijuca. Esse imperioso projeto foi primeiro na América Latina e exemplo, inclusive, para a Europa, continente pioneiro em preservação ambiental.

borboleta.jpg Se em algum momento de displicência, sensibilidade e desprendimento interior, alguém parar um segundo, somente um segundo, para ouvir o correr das águas, o trinado dos pássaros, o farfalhar das folhas, a leveza da borboleta acariciando a flor, e sentir a brisa fresca refrigerando o seu rosto e esvoaçando os seus cabelos; pois saibam todos, que sou eu expressando as épicas poesias não escritas pelos poetas da Natureza!

Segundo os anais sobre a história do parque, a implantação iniciou com 6 bravios escravos, chegando ao total de 22, que espalharam nos mais de 3 mil hectares as mais de 110 mil mudas de árvores de espécies variadas retiradas de áreas circunvizinhas, que ainda estavam intactas. O trabalho foi árduo, difícil, laborioso, mas hoje o visitante caminha por trilhas que apresentam matas fechadas; banha o rosto nos pequenos regatos e poços; ouve o chuá dos fios de água despencando em cascatas nas cachoeiras; desfruta de cabanas para um piquenique; aprecia as várias espécies de aves e pássaros que fazem verão por lá. Como não bastasse, através das selfies, levam a memória viva do parque para casa; e ao recordar o passeio, dizer para os amigos e família que visitou o cartão postal do Rio de Janeiro.

Por sorte, a Bahia teve parte de sua história escrita pelo brasileiro e baiano chamado Rui Barbosa. A floresta da Tijuca teve a sua reserva natural devolvida pelo reflorestamento feito por mãos bravias dos escravos. Pela monarquia brasileira houve um mandatário e escritor português que se chamava Dom Pedro II. E no Rio Janeiro, quem escreve(u) sua história?

Exceto a região de Campos, que é farta em petróleo e por isto, próspera e progressista, o resto do Estado não produz o equivalente a um quilo de arroz de terceira, a não ser turismo, futebol, as manias prostituidoras, arrastões nas praias, tráfico e tiroteios nos morros. E não está pior, numa gerra civil ainda mais acirrada, porque os mega-eventos criados pelo Governo Federal, (leia-se pelo popular e charlatão Lula) unicamente para lesar o resto do país, em apoio financeiro ao Estado. Porém, o dinheiro acabou, os larápios escafederam-se e como fica a situação da cidade que já foi maravilhosa?

olimpiadas.jpgComplexo residencial construído especialmente para abrigar os heróis do esporte olímpico. As olimpíadas terminaram há meses e agora o povo está recebendo com juros e correção monetária a fatura da mania de grandeza de ser brasileiro ostentador. Na realidade está pagando sem saber o valor da obra financiada pelos patriotas e nacionalistas, para os malabares usarem, deitarem, rolarem e dar cambalhotas. Socialmente, qualquer modalidade de esporte não rende nada para o país, ou melhor, funcionam como ópio alienador do povo; mas tem os piores dependentes químicos, o futebol é um deles. Em seguida vem o volei..., basquete...

Depois de cursar Administração Política na UFRJ, pós doutorado em Harvard, especializar-se me Ciências Sociais no morro do Cantagalo, do Alemão e outros, muito pensar e repensar o problema, chega-se a conclusão que o Rio de Janeiro precisa de um "Cristo Redentor" com brio na cara, que derrame litros e mais litros de caráter em sua ações, porque artistas de faces envernizadas e obras magistrais, não faltam; ao contrário, tem tantos, que esgotou o estoque de verniz nos comércios da moralidade e ética republicana fluminense.

Enquanto os chifres da vaca não somem no tiroteio movediço fluminense, as maravilhas citadas do Rio de janeiro, fevereiro, março... dezembro, janeiro... bastam. As demais, se o leitor achar conveniente, por favor liste as nos comentários. O escritor deste muito agradece!


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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