ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

Parque Estadual Guartelá (o porquê de preservar)


Espalhem árvores. Fartem-se de sorrisos. Colham os frutos. Semeie a paz. Cultive o amor. Exercite a paciência. Lancem as sementes. Abram os sombreiros. Fertilizem os pássaros. Polinizem as abelhas e quaisquer insetos. Salve o deus, Poseidon. Corra formigueiro. Dá-lhe tamanduá. Soprem pétalas de flores ao vento. Repare detidamente o que o escaravelho leva empurrando, dando cabeçadas, para o buraco. Atente-se ao toque de recolher passarinheiro. Mais rápido bicho-preguiça. Psiu, recém-nascidos dormindo no bercário natural; por favor, pare de ler, feche a boca e desligue o som. Não falte com a educação ambiental, ou caso a tenha, guarde-a só para você. Tenha respeito e faça uso racional do que não lhe pertence! Ou se pertence, é apenas uma ínfima, quase que uma desprezível parte do patrimônio de todos. Certamente, ainda que haja o processo de parasitagem natural, a Natureza não necessita de você, assim como não precisa de mim. Resiliente, auto-depuradora, ela sobrevive sozinha; e os humanos? Qual é a segunda pergunta que o crocodilo de dentes afiados, esperando pela presa que desdenha de seu apetite, tem a fazer: perante a questão interacional e restauração biológica, quem usurpa, quem é o parasita de fato nesse "processo natural"?


Plantem, removam as minhocas, a espécie que mais trabalha para o Meio Ambiente, em solos ainda que impróprios. Tenha apreço pelo louva-a-deus. Dê condição as várias Vidas de respirar. Mas para isto, troque as labaredas de fogo geradas pelo desmatamento que secam, sufocam, asfixiam as raízes; faça uso das pernas: deixe as duas ou quatro rodas mofando ao relento; ponha menos carne à mesa; use o seu narcisismo para eliminar a eutrofização das águas; por chegar terra e água no pé da planta, chamado Planeta. A produtível, resiliente e incorruptível fertilidade da Terra agradecem!

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Contextualização: "completando a parte mais expressiva do mapeamento ambiental literário paranaense", uma vez que escrevi sobre o Parque estadual de Vila Velha"; sobre a descida da Serra do Mar de trem; sobre o esconderijo e memória do vivíssimo Raul Seixas; sobre Prudentópolis, município que detém o título de capital das cachoeiras gigantes; agora é a vez de conhecermos um pouco sobre o Parque Estadual Guartelá, outro cartão postal do estado. Sem os artificialismos e as adulterações tão comuns dos adultos, o Parque cobre uma área belíssima e tão natural quanto um sorriso espontâneo e autêntico de um recém nascido!

A Natureza e o Meio Ambiente representam o Amor e se não regados com palavras; fertilizados com atos; tocados com os olhos; apreciados com sensibilidade magnânima; acariciados com suavidade tátil pelas mãos, como o vento acaricia suavemente, levemente as folhagens, sopra poesias nas pétalas, acalenta a lua e estrelas, murcham, extinguem-se, esvaem-se, perecem-se; destarte, ainda que não entendamos o conceito de sustentabilidade, preservar é preciso. Destruir, não é preciso. Sobretudo, meia xícara de atitude aplicada com Amor, basta para temperar com os ingredientes da harmonia, adocicar a acidez cotidiana, acalmar uma imensidão de águas caudalosas e revoltas!

A parque está encravado em Tibagi, município pequeno e embora cercado de verde, se não fosse a área preservada pelo Governo do Estado, provavelmente passaria despercebido pelos amplos mapas de geografia; e por que não dos mapas paranaenses? Porém a variada diversidade natural e biológica faz com que o território da cidadela tenha os seus contornos registrados nos mais longínquos rincões do país e muito provavelmente, em mundos distantes; afinal, mapas e internet foram criados para tal finalidade.

O Paraná já foi um dos estados da federação onde havia as maiores concentrações de nascentes, o maior número de olhos d´água pululando das profundezas da terra louquinhos para correr livremente pela lei da gravidade e juntando-se às outras, formar um manancial de águas doces; mas devido o desmatamento desordenado, a falta de planejamento ambiental e manejo inadequado, as minas deram lugar às pastagens e áreas agriculturáveis. Nos solos que as pertenciam, plantações de milho e soja passaram a cobrir o horizonte ao longe. E atualmente, o Paraná esconde nas entranhas da terra, guarda nos arquivos mortos das gavetas dos órgãos reguladores de Meio Ambiente os mapas do que era e o lamentável título de estado mais devassado ambientalmente do país. Tal infortúnio ocorreu no período assombroso de destruir para construir; não obstante, pela cegueira da busca desenfreada pela riqueza, destruíram quem não deveria ser destruído.

Guartela2.jpgÀ procura de resposta para as perguntas cotidianas, sobrou saber o que é o Amor, a não ser, preservar o Meio Ambiente. Se o leitor souber de resposta mais cabível à minha procura, por favor deixe no local indicado para comentários. De antemão adianto que bicho com dois pés não é, porque bicho com duas patas é gente; e eu como representante dessa espécie, não sou digno de confiabilidade, sobretudo, porque falta-me honestidade, seriedade, comprometimento. Sem rodeios e falácias, estou sendo honesto; e a crença no que escrevo ou não, fica por conta do leitor.

As leis naturais estão acima, superam em muitos degraus a estupidez, em forma de leis democráticas, criadas pelos humanos e como bem disse Antoine de Saint-Exupéry: "A terra ensina-nos mais acerca de nós próprios do que todos os livros. Porque ela nos resiste." E fazendo valer esse estupendo pensar, restaram algumas nascentes e dessas, houve a restauração, se não total das nascentes, pelo menos o suficiente para o ajuntamento das águas; e o manancial do recurso dador de vida à região passou a ser policiado com mais rigor pelos órgãos ambientais do estado. E os habitats naturais estão se refazendo, estão reparando as perdas que ocorreram em muitos anos, se transformando em renovados ecossistemas fortificados; porém a fase mais sólida, também parecida com o Clímax que é a última fase da Sucessão Ecológica, demanda mais uns anos de contínuo refazimento biológico.

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Na Natureza tudo se "relaciona" e se demora anos, décadas para um ser aprumar as duas pernas para bater no peito e dizer: sou Homem refeito, autônomo e independente, como é praxe dessa espécie, contrário dela, os demais elementos da Natureza se inter-relacionam e criam entre si a interdependência, motivo de ganho e multiplicação do ecossistema; porém em mais, muito mais tempo. A Vida no Planeta é assim, embora ainda haja uma espécie, apenas uma consumidora e como tal, que deteriora, leva a exaustão em dias o que o Meio Ambiente levou décadas, séculos para construir. Assim sendo, como haver resiliência do capital natural a curto prazo? Sobretudo, porque a espécie que se intitula independente e autônoma consume, alimenta, desperdiça, usa e abusa desregradamente do que a impotente Natureza lhe provém, todos os dias, todas as horas.

A filosofia presta ao conhecimento e reflexão; e através do mínimo questionamento elementar filosófico aplicado ao cotidiano, pode-se dizer que há inversão de nomenclatura nas espécies. Pois, de tão devorada que é, a espécie humana deveria ser nominada e pertencente a espécie rapina. Destruidora em potencial, não alivia nada, pelo contrário, saqueia, rapina tudo; inclusive, é tão destituída de limites, sabedoria e discernimento quanto ao consumir, que destrói a si mesma. O Homem é lobo do Homem, desde que o Homo Sapiens foi reconhecido pelo seu espelho como ser pensante, desde que se viu como homem, desde que a ganância de coração e bolso o alertou como sendo a raça superior do Planeta! Dando o postulado como verdade absoluta, conclui-se que raspando a casca do Homem civilizado, aparecerá o ruminante glutão consumista. É corsário afamado e inexoravelmente, rói, traça tudo; desde a escória e sobras, passando pelas despensas alheias, até o fértil ouro de solos, mares e rios.

Yapó. Palavra originada do linguagem tupi e através de 'y, rio + apó, raiz; forma a literalidade: "rio das raízes." As águas das nascentes da bacia hidrográfica da região contribuem para o o rio Iapó, nome adaptado por semelhança com a palavra indígena. Iniciando seu curso em Piraí do Sul, corta o município de Castro e desemboca no rio Tibagi. Silencioso e cheio de remansos à montante, torna-se corrediço e buliçoso em seu curto percurso.

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Já no município de Tibagi, à certa altura entra em cena o canal (nada do inglesismo: canyon) profundo canal, formado por paredões rochosos nas laterais, o qual as águas correm velozes batendo contra as pontiagudas rochas. Formando pequenos redemoinhos aureolados nas curvas acentuadas, o espetáculo é ruidoso e acelerado. E assim, ora dançando o bailado do refazimento, ora expurgando de si um passado sombrio, o Iapo chega à jusante e finda num rodopio inebriado.

Se por um lado a exploração indevida trás consequências ao Meio Ambiente, por outro, a região contribuiu positivamente para a história do Sul e por consequência, para a história do Brasil; e foi por aquelas bandas que os Federalistas, após desistir de adentrar as terras paulistas e cariocas, entraram em combate pela travessia do Iapó. Não obstante, aderindo o pensamento que batalhar pelo indevido é tolice, bateram em retirada voltando para Paranaguá, lugar que não deveriam ter saído.

Fora essa história verídica, outras estórias permeiam a existência e nome do parque e mais inusitada, diz que um cidadão da cidade de Tibagi, ao saber de ataques e saqueamento de indígenas à região, comunicou seu compadre sobre os acontecimentos e pedindo alerta máximo em defesa do patrimônio de ambos, advertiu-o: "Guarda-te lá, que eu aqui bem fico”. Daí, a região onde morava o compadre, recebeu o nome de Guartelá; que por sinal, é o bairro onde está encravado o Parque. Outra estória bem difundida sobre o lugar, diz que devido a existência de “guardas” no porto de São Bento, no Rio Tibagi, eles se comunicavam com a expressão: “a guarda está lá, guarda tá lá, guarte-lá…

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P.S.: Preservar a Natureza, valorizar o Meio Ambiente é como amar, gargalhar abertamente; fazer sexo orgástico; dar cambalhotas ao vento; cantarolar o prazer de presenciar o burburinho sem voz das borboletas; expandir sentimentos tácitos, silenciar-se com o adormecer dos pássaros; atingir o Nirvana e gabar aos gritos para que o mundo ouça: "eu vivo e faço viver; respiro e dou condições que respirem; rio do riso estrondoso do rio; divirto-me com a pororoca; assovio o farfalhar das folhas; preservo e mantenho o que não é meu, por isto sustento, garanto longevidade, tenho em mãos uma partícula do Planeta". Pense nisto e reveja os seus conceitos, atitudes e responsabilidades ambientais; afinal, esgotar quaisquer recurso, é o mesmo que aniquilar o amor, definhar-se aos poucos. E na falta, com a boca seca, com a acidez do organismo corroendo as vísceras, intestino e estômago, uma caneca de água representa um manancial e apaga a ulceração causada por incêndios devoradores.

cachoeira.jpgFoto pertencente ao autor do texto Essa é uma dos fotos que me sobrou para contar o porquê deve-se preservar. Sobrou para contar o porquê o amor brota das profundezas da Terra!

Fotos retiradas do Google. Sordidamente, as do parque e centenas de outras que pertenciam a mim, ficaram pelas estradas; alertando-me que tenho que desprender das coisas materiais, afinal, não sou dono nem de meu corpo, quanto mais de fotos de propriedades que não pertencem a ninguém. Por sorte, restaram-me às da memória. Estas se transformam em cultura viva e são inapagáveis. Faço questão de levá-las no caixão, porém, se alguém quiser e se interessar, divido. Dispenso blá, blá, blá, se queres saber quem sou, pegue carona em minha envergadura. Em verdade não sou nada e nada valho, mas se sou e sirvo para alguma coisa, certamente é ação contínua na causa e efeito; pois deveras, ignoro as superficialidades dos sintomas.


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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