ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

A bicicleta é a máquina que mais transpira suor e inspira liberdade!

O gênio é um por cento inspiração e noventa e nove por cento transpiração. Sem dúvida Thomas Edison, pois o inventor da bicicleta foi pura genialidade transpiradora. E a inspiração? Ora, a inspiração fica por conta de quem é filho da liberdade e neto das lufadas de ventos.


Contextualização: Se o leitor está patinando, patinando, patinando e não consegui superar as montanhas geladas, transpôr os obstáculos, ultrapassar o volume de lama das trilhas do cotidiano, definitivamente, o ilustre amigo precisa pedalar. Exatamente: pedalar a vida fortemente! E ao olhar para a quinquilharia ferruginosa, ao apreciar a "Magrela" aposentada no asilo de máquinas emperradas, não só pensar o que representou para você e o conhecimento da mecânica, não só recordar quantas foram as vezes que choraram e sorriram juntos, mas retomar a utilidade desse objeto desengonçado de duas rodas, que é o meio de locomoção mais antigo que se tem conhecimento na história da humanidade.

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Engenhoca. Quem nunca ouviu alguém pronunciar essa palavra ou teve contato com algum objeto que a representa? Dicionarizadamente, a palavra engenhoca é um sistema mecânico formado por uma base plana, sobre o qual, é fixado um sistema mecânico formado por dois rolos que se movem em sentidos contrários e na lateral, uma manivela transformadora de trabalho. Comumente, a engenhoca é sinônimo de moenda; e é bastante usada pelos vendedores ambulantes de caldo, ou da tradicional garapa; ou ainda, sacarose da cana.

A palavra engenhoca ganhou maiores contornos, e qualquer utensílio feito artesanalmente em quintais, com materiais rústicos, também são chamados de "engenhocas", para posteriormente, receber uma denominação mais exata; como veremos adiante.

Um dos grandes experienciadores de "engenhocas" foi o sábio pesquisador, Leonardo da Vinci, que com incrível capacidade de observação, abstração para o visto e poder de reprodução, criou objetos mirabolantes. Enquanto os físicos e matemáticos estudavam os conceitos, Leonardo consolidou várias teorias ligadas à dinâmica, à hidráulica, à geometria e estudos afins. O artista e pensador foi tão gênio na arte de dar asas à imaginação mecânica, que alguns ensaios propostos pelo mineiro Santos Dumont na construção do 14 bis foram embasados nos estudos de da Vinci.

Foi pensando na ampliação e melhoria da "engenhoca" locomotora, até então existente, que por volta de meados de 1850, um obsequioso ferreiro francês começou a quebrar a cabeça e martelar o ferro à quente na bigorna para criar um sistema mecânico de impulsão para os carrinhos de madeira. Com a implantação do dispositivo projetado por ele, a engenhoca, denominada bicicleta, atingiria maiores velocidades com menor esforço. Estava criado o pedal, que mais tarde fora adaptado à rusticidade do veículo locomotor.

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20 anos após os primeiros experimentos, foi introduzida a corrente às rodas traseiras. E por fim, no final da mesma década, um inventor inglês consolidou o projeto, criando a corrente e adaptou à bicicleta guidão, pneus e freios. Mais tarde, foi criada a primeira industria de bicicleta do mundo. E no final de 1800 os brasileiros conheceram o sabor da máquina que mais transpira suor e inspira liberdade, importando da Europa as primeiras bicicletas.

Pode parecer brincadeira de péssimo gosto, mas abrir o compasso e passar a perna para o outro lado do quadro da "Magrela", dar as primeiras pedaladas, sentir a brisa roçando o rosto e mirar o horizonte ao longe, pincelado pelo tombamento do azul ou do cinza e imaginar que o fim do mundo está ao alcance do pés, não é obra do ocaso. Além das mãos humanas que propiciam isso, são obras do indescritível. O ato de pedalar, que está acima de ser ciclista e começa quando a pessoa pressente que é hora de tomar água na fonte da liberdade. Observar o mundo ao seu redor e dizer: “como sou pequeno e limitado em relação ao grandioso globo; mas nem por isso, devo limitar o meu limitado mundo. Alio a LIA: Liberdade, Independência, Autonomia. Alie-se.

Em cima das colinas saía os primeiros sinais de luz da aurora. E embora as faixas espectrais amarelo-ferruginosas dessem indícios que o astro rei viria festivo, o sol ainda não enviou mensagem definitiva dizendo se ia, ou não aparecer. No entanto, uma coisa é certa: o arrebol matinal é colírio para as vistas, inspira a escrita dos poetas e fascina os Pedaleiros. Em contrapartida, com a presença dele ou não, faça chuva e caia granizo, o "Soberano das duas rodas" salta da cama, contempla sonolento o espelho, dá uma revirada nos pertences, sorri para a preciosa "Magrela" e diz adeus à casa. Quatro ou cinco vezes por semana, o conjunto de carne e ossos impõe força aos pedais, que por sua vez, traciona o conjunto composto por metais, por uns 50 km/por vez. Jornada árdua desse Pedaleiro que alterna as viagens entre lugares exuberantes e feios; alegres e tristes; tapetes lisos e chão batido; esburacados e lamacentos. E, naturalmente, nesses casos, como a vida é uma grande aventura, é obrigado a carregar a Magrela nas costas, o que faz com maior prazer e apreço; pois se ela o transporta para o infinito, porque não livrá-la do barro pegajoso por uns metros?

Indiferente às adversidades, o importante pra quem é do pedal, é sentir o corpo em chamas pelo suor; é ter a força dos equinos nos músculos atirantados das pernas; a resistência das rochas nos pés; é ver o horizonte ao longe e sentir-se pássaro livre para voar abraçado às lufadas de vento. Pois, as nuvens não invejam quem voa de braços abertos e pés pregados sobre os pedais de uma bicicleta. Mas para isso, os estímulos corporais devem solicitar ao sistema nervoso central equilíbrio e constância para superar os topes amorrados.

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Através desse preceito básico, o sentimento de desprendimento apoderava-se do corpo e da mente, como se eles nunca mais fossem voltar a realidade da vida. Nesse instante de transporte “independente”, o Pedaleiro se sucumbe às divagações e consegue entender os deuses e os profetas. As várias facetas dos humanos na Terra. O planeta e o universo. As múltiplas utilidades do fogo e da água. Navegar córregos e mares. Tudo se torna adimensional. E nessa viagem intimista, conclui-se que a liberdade sem fronteiras é a marca registrada de quem é feliz; e a autonomia é o logotipo. Pontua que ambos demonstram o invisível estado de espírito e o coração do felizardo. Sobretudo, não há e jamais haverá borracha no mundo que apague este ideário de vida de sua mente.

Quando se pedala, a mudança de postura do indivíduo é substancial. Mesmo não sendo a beleza a premissa maior, os músculos se assentam no corpo devido o trabalho que o esporte lhes impõem e a sensação de alívio do stress do dia a dia é contagiante. Praticando essa modalidade de esporte, a adrenalina, que é o hormônio da impulsão à conquista ao que se quer, à obsessão de poder aflora no corpo e em resposta a mente torna-se serena, alegre, extrovertida; porém atenta e concentrada naquilo que se almeja para a jornada proposta para o dia. Funciona como meta, que uma vez estabelecida, a resposta é o esforço, o sofrer e o suor para cumpri-lá. Soma-se ao todo, a perda de caloria e gorduras. Posto isto, convém dizer que pedalar exige disciplina de alimentação, amizades afins e radicalização de certos costumes e hábitos. Preponderante é o sono e o repouso; porém, sem se esquecer que, quem é amante da cama e dorme demais, a morte lhe abraça precocemente e Pedaleiro que se preza, pedala exatamente para adquirir vida longa e próspera. Faz da longevidade a sua forma de expressão e estilo de vida. Obviamente, que isto não faz referência a abdicação de tudo, porém, faz-se necessário a moderação e equilíbrio de muita coisa que é normal e regra para a maioria; e adota o lema: “se vai pedalar, ame imoderadamente, não beba e não exagere na comida. Se vai beber e exagerar na comida, não pedale”. O que é correto, pois pedalar exige reflexo redobrado e aguçamento dos sentidos; afinal é uma vida sobre dois pedais

Estendendo o tema, o esporte de modo geral auxilia no processo de oxigenação; através da queima das gorduras, melhora a fluidez e transporte do sangue pelos canalículos e veias; auxilia no combate a má circulação; “altera e a longo prazo regula” os batimentos cardíacos; diminui os índices de açúcar no organismo; enrije a musculatura diminuindo a sobrecarga de massa sobre as articulações; devido à queima e combustão interna, o corpo necessita de reposição de sais minerais, açúcar, sódio, proteína, amido, carboidratos, etc. A queima se dá através do suor, (processo reativo das funções químicas/metabólicas) que é a reação da combustão interna das toxinas, excesso de sal, de açúcar e outros. Quando se exercita o corpo e o faz transpirar, o processo químico metabólico automaticamente, além de fazer a limpeza orgânica do que é indesejado, faz também a regeneração celular.

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Magrelas não acreditam nas charolices dos contadores de história, mas se vai trabalhar; vá de bike?

Vai ao salão realçar a beleza ignorada pelas balanças, espelhos domésticos, retrovisores de carro e funileiros automotivos, vá de bike?

Vai praticar esportes, outra enganação, a qual as Magrelas não acreditam; vá de bike?

Vai fazer o cateterismo e limpeza das artérias, motivadas por uma angina coronária avassaladora, vá de bike?

Vai assistir à peça de teatro: "Paga-se muito dinheiro pela vida que é um grande barato"; vá de bike?

Vai à casa da(o) amante dizer que a tesão por ela(e) terminou; vá de bike?

Vai confessar com o padre a traição à esposa(o); vá de bike?

Vai ao ato cívico da depredação de prédios, quebra-quebra e atear fogo em ônibus em protesto contra os golpes de civis e políticos que assolam o país de Norte à Sul, vá de bike?

Vai colher os frutos originados pela semeadura feita em anos passados; vá de bike?

Vai à escola teimar com o professor de matemática que perante as leis dos fatos comprobatórios da probabilidade, dois e dois são cinco; vá de bike?

Vai à audiência do processo de pensão alimentícia contra o pênis que fecundou o óvulo, a mãe pariu e o pai desprezou a infeliz criança na rua da Amargura; sem número, vá de bike?

Até na resolução dos problemas não causados por ela, a divina bicicleta leva o pedaleiro mais longe, voa ligeira e chega mais rápido ao meio; porque, liberdade e transpiração não tem fim.

Para a "Magrela e sequinha estruturalmente de corpo", pode haver os retardatários na pista devido ao número elevado de mortes no trânsito; em compensação, não há semáforos. Passagem livre: abrem alas!

Por fim meus caros leitores: fazer sexo orgástico, pedalar, sofrer, suar, amar e trair, é só começar. Depois que a mente fica comichando pelas estradas e trilhas sem fim, depois que os olhos mareiam por mais uma viagem ao desconhecido, o abdome afina, as panturrilhas tornam-se cerne bruto, as coxas engrossam como tronco de aroeira tratada, impossível é ficar sem pôr os pés nos pedais e sair sem rumo. Pedalar é um esporte que engloba saúde física, mente livre de impurezas de pensamentos e espírito comprometido com a simplicidade do belo. Pedalar não requer prática e tampouco experiência; apenas um pouco de discernimento, sabedoria, conhecimento de seus limites e óbvio, respeito pelos fortes batimentos e resistentes tecidos estriados do coração.

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Boa viagem transpiradora leitor! Seja você o Whatsapp, o facebook, o twitter e leve lembranças minhas. Boas e convincentes notícias, traga de lá; porque por aqui: Caos total!

P.S.: A maioria das inovações tecnológicas empregadas na motocicleta, via de regra, são experienciadas primeiramente em bicicletas. O freio a disco é um exemplo típico de "engenhoca transpiradora" aplicada à bicicleta; e posteriormente, à motocicleta. Dentre as várias, é mais uma que deu certo.

Fotos pertencentes ao autor do texto


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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