ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto


Entre pétalas e espinhos... um escritor sem pena, que pena, em escrever sobre as mesmices cotidianas, as quais não move sua existência. Por que? Por que, embora, todos os homens pensem, acredita piamente que a escrita recomendável é a arma contra as futilidades, tanto quanto a cultura seletiva movem os atos. Pensando melhor, logo, contrário de minha pena, os homens não existem

As 3 vozes femininas do festival de Woodstock... e o contexto brasileiro

Quando Janis descobriu o blues, Joan Baez já havia descoberto o folk. Elas e Melanie, se encontraram no festival de Woodstock realizado em uma fazenda nos EUA, no ano de 1969, tocando blues, fazendo folk ao som do rock, em confraternização ao maior evento de música que a humanidade teve o privilégio de conhecer. Depois desse monumental enlace, apoteótico encontro, tanto uma quanto as outras, alinharam seus sentimentos numa linguagem única, no pensar em comum do rock e na liberdade feminina sem trancas nas porteiras.


baezjanis.jpgEnquanto Janis era mais espontânea e sorria facilmente, Baez era mais introspectiva, excêntrica de princípios e ao procurar no silêncio do ocaso os ecos das perguntas cotidianas, conseguia descobrir-se como ativista e visionária de dias melhores para humanidade.

Mulheres! Quando fora de catálogos, fora dos holofotes da fama, quando põe o pé fora do quadrado pintado no chão ao brincar de amarelinha, quantos segredos elas aprisionam nos orifícios do silêncio, implorando para que lhes deem voz e eco! Inúmeros. Miríade. Entretanto, é uma ou outra moça arteira que possui a percepção dos ilusionistas, a vivacidade de quem joga xadrez, a inovação como chancela, o dom do escapista e à primeira dormidela do sentinela, foge em debandada, levando consigo o inexplorado, indo se juntar aos libertinos. Parte dessas heroínas foram refugiar-se, descobrir-se na música.

Se por aqui, em terras tupiniquins, o atchim chega muitos anos após o surto de gripe além-mar, em Cleveland, EUA, a expressão rock and roll foi pronunciada pela primeira vez por Alan Freed no início da década de 1950. O criativo disc joquey retirou-a da música "My babys rocks me with a steady Roll". Antes, a música que expressava o sentimento incubado da rebeldia, era tida como libertinagem pejorativa. E se os mandatários do "faça o que eu mando e não faz o que eu faço" pudessem, execravam os libertinos em praça pública. Naqueles tempos, tudo era movido pela velha e castiça moralidade social e familiar. Mandava quem detinha o poder e obedecia quem fosse inteligente e atinado à sabedoria.

Dando continuidade ao separatismo nosso de cada ocasião, em um passado não muito distante, os sábios diziam que futebol era esporte para macho; e mulher que brincasse de prendas do lar, arrumando a casa, trocando a roupa e desse mamadeira para a boneca "Barbie". A florzinha rosa adornando os cachinhos era o contrapeso da fútil formação infantil e sinalizava que meninas, moças, mulheres, prostitutas, feministas, lésbicas e derivações afins eram seres fragilizados perante uma sociedade, além de preconceituosa, discriminadora e terrivelmente dominada pela hipocrisia machista. Vale ressaltar que a discriminação social e racial incluía o preconceito da mulher - geralmente abastada - contra a própria a mulher.

Como nos dias de hoje. No museu chamado tempo, o qual tem o poder de envelhecer e renovar conforme sua conveniência, trocam-se as peças do mostruário e acervo em nome da melhoria e beleza cênica da exposição, porque o papel brilhante permanece cobrindo a poeira das prateleiras. Tudo igual; e em sendo tudo exatamente igual, o menos nocivo é continuar escrevendo sobre as vozes femininas do rock, porque praguejar contra as riquezas proporcionadas pelo sistema de coisas, é ouro puro para os ricos e ouro de tolo, para quem é de tolices. O poder e os mandos e desmandos das leis superam o exercício da dialética ideológica; e é exatamente nesse ponto que reside o fracasso da democracia. Tudo igual, até o fracasso da democracia é exatamente igual.

Em verdade, o poder não corrompe. O que o corrompe são os preconceituosos pensamentos de uma mente egóica. Porém, salvo as raras exceções, desculpam-se dizendo que a culpa não é deles, ou ainda, não são dos pensamentos e das maquinações da mente. Não obstante e além de tudo, sempre é mais fácil achar que a culpa é da outra; pois, uma mente corrompida, fatalmente é preconceituosa, corrupta e omissa de verdades.

Letristas de música de protesto, matemáticos e filósofos escrevem e equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social .

Na música, o preconceito não foi muito diferente do social e os machos tocavam guitarras, batiam forte nos bumbos e baterias, destruíam os teclados, etc. E as mulheres? Ora, as mulheres eram tão competentes quanto os homens; bastavam que as portas fossem abertas. Por isso algumas damas entraram com cara e coragem nas garagens; local onde uma peça de rock era habitualmente executada. E como o estilo sempre primou pela liberdade em todos os sentidos, foram magistralmente acolhidas. Inclusive, como louvor e glória libertária, tinham seus nomes pichados nas paredes e muros do espaço underground.

wood1.jpgMais de 400 mil pessoas se reuniram em uma fazenda para celebrar a liberdade incondicional, aplaudir o musical rock e vociferar em altos brados contra a guerra imposta pelos EUA ao Vietnã, também conhecida como guerra Indochina. A devastação foi sem precedentes e destruiu, varreu a nação vietnamita de seu território; deixando resquícios e feridas abertas que durarão até quando houver vietnamitas espalhados mund`afora.

Com seu estilo despojado e despropositado de tendências, Janis Joplin incomodava muitos reis. E pelo fato dela ter participado do Woodstock de 1969, abriu as portas para que as mulheres entrassem e desvendassem o que a música, especialmente o rock, tem de melhor para o sexo feminino. Até então, a maioria das mulheres viam os acontecimentos musicais, principalmente os alternativos, em cima do muro. Bisbilhotavam a loucura anarquista proporcionada pelos homens pelo olho mágico. Porém, o evento foi a quebra de paradigmas doutrinários e o que faltava para a libertação da mulher em todos os âmbitos. Daquele momento em diante, as mulheres soltaram a voz pela imensidão do Cosmo; não menos passaram a tomar a pílula anticonceptiva no dia seguinte ao ato sexual praticado. Abriram a porta da gaiola e soltaram a ave que estava acabrunhada entre as asas no poleiro; passaram a fazer sexo mais pelo prazer e gozo do orgasmo, e menos, para a procriação e renovação da espécie. Sobretudo, nos anos 70 já havia gente demais super-lotando o Planeta para usurpar os recursos naturais, para usar a Natureza e assassinar o Meio Ambiente.

Mas Janis não estava sozinha, não caminhava perdida nos labirintos da música, não cantava sua "solidão" em meio à multidão de machos sacudos. Não estava isolada, sem uma palavra feminina que lhe servisse de alento e companhia. E quem era essa mulher ousada, irreverente, desafiadora e indesejada por aqueles que faziam guerra, pela guerra; e não guerra pela paz? A feminista pelo feminismo, mulher pela mulher, ela por todas elas, se chama Joan Baez; que ainda está de pé observando o mundo com os olhos do arremedo.

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À época, seu marido tinha sido preso por não aceitar servir o exercito americano na guerra do Vietnã e ela grávida de seis meses, estava engajada no movimento contra o alistamento militar imposto pelo governo americano. Exemplo de mulher ativista, Baez fechou a noite cantando "Joe Hill" em homenagem ao seu marido. Ampliou o repertório, interpretando a canção "I Shall Be Released", de Bob Dylan, que fora seu namorado até anos antes.

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O frase/pensamento de Baez é atualíssima. Vide o que está acontecendo no Brasil, que está entregue a uma súcia de escularápios, a um bando de ratos que saqueiam toda provisão das despensas e somem nos esgotos do luxo e nos monturos da luxúria. Óbvio que esse terrível episódio de corrupção só é possível com a conivência dos brasileiros; que doam seus votos, assinam a carta magna de bom grado, em troca da gratuidade das migalhas recebidas. Café com pão, margarina não, menos vinho; e na panela de pressão, mais água, sem carne seca e menos feijão.

Aqui, na feira ou zona livre chamada "Pátria amada, Brasil", impera a barganha do tudo igual. Compra-se durante o dia, vende-se durante à noite, sem nota fiscal. E a tendência é rolar o alcantilado de vez em direção ao precipício final. Estamos prestes, por um triz, por um minúsculo átimo de uma guerra civil, mais declarada do que já está no país que mais mata no mundo. Afinal, com o sumiço das letras de música de protesto, com a arte de chamar atenção da sociedade para os questionamentos, reflexões e tomadas de atitudes, os brasileiros adotaram o sistema familiar intercambial e tudo se aceita sem um pio. Silêncio total, mas para isso, deve-se pagar mais, para que a mercadoria de origem desonesta e duvidosa seja disponibilizada para entrega em domicílio. Aqui, a desonestidade é imediata e está presente nos lares, sentada às mesas adornadas com ouro, bem como nas tendas esfarrapadas. No Brasil, qualquer estrada que apareça do nada, desconhece os desvios da sinceridade, não se informa sobre as sinuosidades da honestidade; pegando a rota contrária, aqui qualquer caminho empurra o barganhador direto às facilidades da corrupção. E inicia-se com mesa farta, dormindo na mesma cama e ratifica a unicidade com o clichê domiciliar: "faça isso filho, que o melhor papai e a mais fantástica mamãe do mundo, lhe dará aquilo; como sabeis filho nosso, família que barganha unida, jamais passará pelo crivo da justiça e nunca será punida"!

A letra da música Gracias a la vida é de autoria de Violeta Parra e foi interpretada pela argentina Mercedes Sosa, Milton Nascimento e Joan Baez entre outros, provando que a música alternativa não se prendia aos preconceitos fronteiriços, bem como aos direitos autorais. A música é como a Natureza e não pertence a ninguém e se por acaso pertencer, é para quem possui olhos e ouvidos para a ocasião. Sem que sejamos oportunistas e saibamos usufruir sem destruir emoções e sentimentos, tudo na vida não passa de momentos, ocasiões e nada mais!

Indispensável escrever que a apresentação de Joan foi marcada por letras de cunho estritamente político. Se longe dali o brado era para manter o apoderamento do mais forte sobre o exército combalido e fraco Vietnamita, na fazenda onde os animais tinham vez e uivavam, latiam, baliam, miavam e mugiam ferozmente, a musicalidade do folk/blues/rock ensinava as nações e povos em territórios distantes que é possível erradicar a fome, a ganância, a injustiça, destruir os impérios capitalistas, destituir a centralização de poder; pondo em seu lugar a flor, a paz e sem limites, o amor. E onde se ia, por qual caminho seguisse, uma enorme faixa com as cores do arco-íris foi posta em pontos estratégicos, insinuando que em oposição aos absurdos que ocorre de tempo em tempo, a Paz e o Amor devem ser cultivados entre os povos, sempre. Contrário a tal preceito, o ódio e o derramamento de sangue da guerra, nunca mais.

E muito disto se deve as 3 vozes femininas que estiveram presente no festival de Woodstock... vociferando, exorcizando os grilos da mente, fumando o baseado do capeta, fazendo sexo ao ar livre, liberando as doses maciças de liberdade que ecoam mund´afora e permanecem vívidas até o presente momento. Após o festival, restou às três dizerem alto e em uníssono: "Bem vindo às boas novas; à liberação e uso da pílula contraceptiva; ao sexo sem pudor e orgástico embalado pelos ruídos de cachoeira; ao abraço caloroso; ao amor incondicional e sem fronteiras mulherada. E abaixo o sexo mecânico e obrigatório; à repressão contra o sexo oposto, machistas perpetuadores da hipocrisia, traidores de princípios, fornicadores platônicos, corruptos do suor e sentimentos alheios".

As três mulheres que participaram do festival de Woodstock disseram ao mundo, que mulher deve ser tratada como mulher e merece respeito, admiração e carinho dos homens, nada mais. Afinal se elas cantaram a liberdade de ser o que queriam ser, todas as demais mulheres do planeta podem cantar a liberdade da superação. E que as mulheres do Brasil se unam, façam barulho, exijam respeito, anulem o voto, rasguem e toquem fogo no título de eleitor, espelhem-se nas três mulheres que participaram do festival. Quem sabe talvez, os perdulários do poder sintam-se atingidos e deem um basta nessa farra babélica com o que não lhes pertence, nessa balbúrdia política, a qual estamos afundados até as orelhas.

Avante, mulherada, avante! E com o mastro da bandeira branca da paz nas mãos, tremulando suas conquistas e realizações, sempre avante!

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P.S.: além das duas vozes femininas citadas no texto, a terceira mulher que participou do festival de música foi Melanie Safka, cantora hippie/pop que fez relativo sucesso na Europa e EUA. No Brasil é conhecida apenas por alguns dinossauros pesquisadores de música alternativa.

No Brasil, a proporção é de 7 mulheres para cada homem, ratificando a ideia que as mulheres são a maioria e portanto, detém o poder até em número. Então, ânimo mulherada, porque tanto aqui como ao redor do mundo, está decretado pela lei suprema que num futuro não muito distante o poder pertencerá ao sexo feminino. E por favor, saiba usá-lo... não contrarie as três mulheres do festival de rock que queimaram-se em chamas para dar-lhes a liberdade de expressão; não seja mais uma traidora do movimento, não usurpe o poder, como sempre fizeram e permanecem fazendo os homens e certas mulheres de má vontade com seus semelhantes.


Profeta do Arauto

Entre pétalas e espinhos... um escritor sem pena, que pena, em escrever sobre as mesmices cotidianas, as quais não move sua existência. Por que? Por que, embora, todos os homens pensem, acredita piamente que a escrita recomendável é a arma contra as futilidades, tanto quanto a cultura seletiva movem os atos. Pensando melhor, logo, contrário de minha pena, os homens não existem.
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