ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Uma roubava e a outra salvava as múltiplas inteligências contidas nos livros

Sem outra alternativa, porque as alternativas, opções e o resgaste cármico escolhem apenas alguns membros "iluminados" da família global, Rivania abraçou os problemas matemáticos, as questões filosóficas e as múltiplas inteligências dos livros. E em que pese os seus 8 anos mal vividos, sabia piamente que morrer é pior do que servir no exército da guerra contra a vida. Por isto, foi à luta e deu braçadas, esbravejou contra Deus supremo, desafiou os demônios e mandou à merda Poseidon, o deus das águas. E acima de tudo, enfrentou corajosamente os uivos e pororocas das águas que subiam avassaladoramente.


Contextualização: A literatura conta em curtos parágrafos, as extensas páginas das vitórias. E de vitórias em vitórias, os capítulos relatam as histórias reais. E de histórias em histórias reais, o quebra-cabeça da vida são desvelados, escancaram as verdades que servirão de exemplos para o cotidiano do leitor. Tomemos como exemplo duas realidades de vidas distintas, porém iguais no tocante à superação do improvável.

Antes de mais nada, é de suma importância que os leitores saibam que a primeira parte que irá ler, se passou na Europa no período compreendido como os mandos dos "Punhos de aço". E tudo aconteceu, porque um senhorzinho franzino, rebelado por não prestar nem para bucha de canhão no exército na Hungria, pulou os muros divisórios, indo alojar-se na Alemanha. Nessa época, os homens tinham pouco apreço pelos seus irmãos, por isso depenavam sem dó e sem pena homens, mulheres, crianças e aves penosas. E se os tempos eram de depenação, o escritor deste achou por bem homenagear o autor de um dos livros, o qual humanos de carne, ossos e muita ira no semblante e mais ainda, raiva em vossos corações, brincavam de espalhar as cinzas vermelhas da guerra em águas calmas e plácidas, coloridas pelo pó branco de giz. De antemão, dá para se notar a covardia, que prazer esquisito era colorir as águas, tingir o líquido da vida com o vermelho cor escarlate, a cor da dor. Diziam os antigos de guerra que, o efeito do sangue na água é o mesmo de veneno correndo nas veias. Sei lá... também diziam os antigos que Deus é brasileiro. Esses aforismos populares deveriam intrigar a humanidade; mas não é isso o que acontece e a humanidade não quer saber, está defecando e andando para os aforismos populares e imagem e semelhança de Deus. Quando pensam, Deus é Deus e além de bastar, o Criador de todas as coisas que fique lá em cima, no céu, espiando o inferno da guerra na Terra!

Outra coisa que não dá para entender é o nacionalismo de Deus na língua de certos povos... certo mesmo, é que os livros possuem a leveza da pluma, o sopro harmônico do oboé, a candura do cortejamento do pavão. Livros levam ao ato ou ao desato; ao silêncio ou ao grito; ao alívio ou ao desespero; encaminham à fonte de água cristalina ou às labaredas de fogo ardente; à vida ou a morte. Livros encaminham os passos ao céu ou ao inferno. Diante da dicotomia de ser ou não ser, eis a questão, restava as meninas que salvam e roubam as inteligências dos livros escolher entre as facilidades da descida ou as dificuldades da subida; e tanto Liesel quanto Rivania escolheram subir. E muito provavelmente, atingirão o pináculo da conquista.

Uma menina roubava livros para aprender a ler, adquirir conhecimento e denunciar a guerra. A outra salvava livros. Acreditava que salvando-os, agarrando-os contra peito, aquecendo seu coraçãozinho em formação com as letras, salvaria o seu futuro. O futuro da humanidade, pois, livros para ela, são inteligências humanas livres para pensar o que quiser, mas preferencialmente, pensar e exercitar o bem; porque o amor não deve ficar aprisionado silenciosamente, sufocado pelas quatro letras, apenas.

“Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler”. Marcus Zusak

Dando como certo que o leitor já leu o livro "A menina que roubava livros" do Marcus Zusak; destarte, façamos uma resenha concisa e sem maiores estardalhaços literários. O resenha poderia ser as próprias palavras do autor a respeito da morte; que dentre as várias vezes que é citada no livro, destaca-se: "E mostraria a mim, mais uma vez, que uma oportunidade conduz diretamente a outra, assim como o risco leva a mais risco, a vida, a mais vida, e a morte, a mais morte."

Sirenes disparavam o apito. Uma voz berrada saía do sótão e disparava pelas ruas: "ouviram o toque de recolher? Corram todos, venham logo, mais rápido, vamos nos esconder no porão congelado e fedorento do Fritz Frozen and Freezer. O meu biombo sofre com as altas temperaturas, por isso, acabou de ser explodido pelo super aquecimento das bombas.

- Buuum!

- Ufa, foi por pouco! Jesus, Maria, José, esqueci Liesel Meninger para trás!.

Correria desenfreada. Trânsito engarrafado. As formigas, ratos e baratas cruzavam os semáforos piscando a cor amarela nos bueiros e esgotos. A torre de controle aéreo é incendiada. Pernilongos, moscas, mosquitos e o jatinho da Legacy colide com o avião da Gol no ar. Mais de 150 pessoas morrem. Bombas explodiam. Livros são queimados. Fumaça cinzenta com o cheiro do conhecimento de suas páginas beijavam as nuvens. Era o sabor da guerra adocicando o "Velho Mundo"; pois no desespero, todos os humanos se unem para orar; se juntam para pedir proteção a um Deus surdo; ocupam o mínimo espaço para morrerem abraçados. Mãos são dadas. Um metro quadrado, por menor que seja, equivale a um continente. Numa guerra, essas são as cenas que vem e vão, nada em vão; pois o homem persegue o dinheiro. E por sua vez, o homem é perseguido pelas mortes da guerra, como a sombra persegue o corpo. Ui, como esse quarteto de cordas bambas possuem notas afinadas em comum!

Liesel Meninger não queria saber de guerra. Preocupava-se mesmo, em entregar as roupas que sua mãe postiça lavava e engomava. Deixava-as na casa do prefeito e aproveitava para bisbilhotar a riqueza que nunca tivera. E o mais sábio: tinha certeza que nunca a teria. Porém, vivaz como poucas, esperta por olhos e tino, sabia que poderia furtar a riqueza da mulher do prefeito, roubando livros. Com ajuda de seu melhor amigo, o desajeitado e direto de palavras que paquerava seu beijo: "eu vou e faço tudo que você quiser, mas exijo um beijo na face. Apenas um selinho, com diz no Brasil; diz que sim Liesel"? E caminhavam estrad´afora, jogavam pedras no lago, roubavam frutas no pomar do vizinho para encher a pança, davam pontapés na bunda de cães e gatos, e na mansão do prefeito, pulavam a janela e surrupiavam os livros na biblioteca da primeira dama para encher a mente de inteligência. Seu amigo, não; mas Liesel, que também deveria levar o epíteto de "Negadora de beijos", estava enriquecendo de conhecimento sua mente. No fundo, no fundo, a loirinha roubadora de livros não era tão idiota, imbecil e tosca como seu espelho a idolatrava, ao contrário, dava nó até em pingo d`água. Quem poderia dizer isso com maior propriedade é o amigo recusado: fazia tudo por um beijo dela, mas o que ganhava era um chute bem dado na canela no jogo de futebol de rua.

- Liesel, não faz isso comigo, mereço coisa melhor... sim mereço: um beijinho, por exemplo. Faço tudo que você quer, corro perigo de ser pego roubando e esta loirinha ingrata não faz nada por mim...!

liesel1.jpg

Liesel se encantava cada dia mais com seu livro de cabeceira. Nele continha letras secretas, que ninguém podia saber. Foi por ele, seu único e adorado livro encontrado no enterro de seu irmão, que seu pai postiço, marido da mulher com andado de "pata choca", a ensinou ler. Do momento em diante que aprendera, interpretava os desenhos esquisitos do prisioneiro tomador de sopa que habitava sem pagar nada no sótão de seu pai. O intelectual contador de histórias, o desenhista de um monte de mortos empoleirados um em cima do outro, parecido sacaria em depósito, foi parar lá por erro dos caçadores de fugitivos. Por um triz não foi pego no laço e amordaçado como presa inútil. Chegou pálido, branco feito cera, e quando se recuperou um pouco, ganhou um pouco de sangue na cara e umas palavras na mente, disse: "Jesus, Maria, José! Escapei por pouco daquele rolo de fumaça movediço. Até quando contarei com a sorte?"

IMG_1296-miniatura-900x600-124949.jpg

Meninger lia às escondidas de sua mãe e batia longos papos com seu pai na madrugada. Para se verem, escancaravam os dentes alvos no escuro da noite no esconderijo oculto que cheirava o mofo da falta de segurança. Qualquer pio, o simples escapar de um "sss" entre os dentes, arrancavam-lhes as línguas. Por que essa selvageria? Por que os tempos eram de homens rudes, tempos de gente de peito estufado, tempos de guerra e sob rajadas e mais rajadas de bombas levantando poeira da fragilidade do pó de giz, era terminantemente proibido fazer barulho. E só não sabe quem nunca passou, mas em tempos de guerra dois corpos não se amam, proíbe-se amar aos gritos e berros; confabular sentimentos, colecionar inteligências de livros, ler em voz alta, fofocar a vida dos outros, contar estrelas, tomar sol para calcificar os ossos, reclamar de mau cheiro. Devido a tudo isso, muitos morriam cambaleante pelas cantos dos escombros. Ninguém podia falar nada, mas se dissesse algo, deveria ser: "como é lindo esse dia avermelhado pela caçada feita logo de manhãzinha! Só foi possível devido a cor escarlate que deixa o cenário de morte, o que deveras é lindo"! Definitivamente, o toque de recolher definia que ninguém deveria dizer e fazer nada; ao contrário, para manter-se vivo, retrair-se de tudo. E para manter-se respirando, adotar o lema: "Mais vale um pássaro vivo, ainda que voando em espaço limitado, do que um exército deles de asas combalidas, soltas nas ruas. Depenadas, quebradas pelas fortes lufadas de vento derivadas das bombas".

Estava prestes a terminar essa pequena resenha, quando lembrei-me de escrever que em tempos de guerra, o comandante, o todo poderoso e pai do holocausto, o Fuhrer possuidor de um bigode ralo e prendedor de gente em câmara de gás, proibia as inteligências dos livros. Agradeço pela leitura; e termina mais ou menos assim a infeliz história, entre bombas e chutes nas canelas dos amigos dados por Liesel, a menina sapeca que jogava futebol de rua com os meninos e o namorado que nunca a beijou. História de vida real que ficou conhecida no mundo todo como a "Menina que roubava as inteligências dos livros". Se Liesel era roubadora, quem é a outra mocinha de tranças ou não, rica ou pobre, negra ou branca, entregadora de roupas lavadas pela avó para a mulher o Prefeito, limpinha ou sujinha de vestes, amada ou odiada, letrada ou analfabeta que salvava as muitas inteligências contidas nos livros?

livros2.jpgDireito de imagem Valter Rodrigues/Reprodução para o portal Uol

Não há felicidade plena, amor mais sublime no mundo, do que a superação do sofrimento para tê-los. Felicidade, amor e sofrimento são cúmplices da realização íntima e modificam o olhar daqueles que se dizem sensíveis. Passar por tais etapas é o mesmo que destituir, desnudar a subjetividade contida na sensibilidade.

O continente europeu o leitor conhece de cor; e sem consultar uma cartomante, como cada risco da palma da mão, não ponho meu dinheiro em aposta, porque sei plenamente, que o leitor conheci minuciosamente o continente além-mar. No entanto, aposto todo dinheiro do mundo, (quando o tiver, óbvio) que não conheci, nem nunca ouviu falar do distrito de Várzea do Uma, São José da Coroa Grande; interior do Pernambuco. Porém, se perguntasse para o egrégio leitor qual foi o nome da revolução que houve no Estado, o motivo e o significado para o país, certamente o leitor saberá. E por saber mais esse capítulo na história brasileira, saltaremos essa parte e passaremos direto para a revolução aguada que houve um dias desses na região do vilarejo citado acima.

Trovões ribombavam nos mais longínquos recôncavos do sertão pernambucano. Animais corriam desenfreados sem cabrestos, quebrando cercas de arames no peito. Relâmpagos riscavam tranças de labaredas de fogo no céu. Vez para outra, se jogavam intempestiva sobre o solo, abrindo crateras sugadoras de viventes. Cena de guerra. Dias de terror. Aguaceiro.

Do céu caíam torrentes de lágrimas, desciam em bicas, inundando campos, casas e plantações, alagando tudo. As terras secas do sertão estavam virando mar. Gritos de socorro se confundiam com os suspiros do desespero. Ratos, baratas, formigas e grilos eram arrastados pelas correntezas, que se espalhavam rapidamente pelos planos. Piscinas e lagoas se formavam e a água atingia níveis nunca vistos. O rio Una pedia passagem e exigia de volta os meandros que sempre o pertenceu; mas que pela insolência de mãos humanas, lhes foram retirados. A altura das águas na maioria dos pontos quase cobria os ruminantes bovinos. Cães e gatos já não sabiam mais o que era caminhar e tocados pela correntezas, levantavam os focinhos e boiavam, deixando-se levar pelas águas sem destino. Desciam aos tropeções, dando cambalhotas, amontoados um sobre o outro. Um tsunami de pequenas proporções. Nesse momento, ninguém sabia o que era inimizade e se por acaso algum galho de ingazeiro lhes cruzasse o caminho para salvar um deles, fariam um trenzinho com vagões enrabichados, na tentativa de salvar todos, ou a maioria. Na guerra do salve-se quem puder, a rivalidade cede lugar ao amparo mútuo. Embora que na vida ou adapta-se ou morre, morrer ninguém quer. Portanto, em situações de desespero, competição é tolice.

livros1.jpgDireito de imagem Valter Rodrigues/Reprodução para o portal Uol

"Rivania, minha filha, corra e pegue o que suas forças suportar. Salve o que puder. Com a enxurrada de água ninguém pode e as enchentes carregam até gente. Está ficando para trás a cafeteira, o liquidificador, o saco amarrado com o cadeado, o andador, o berço, a vela de 1 ano para enfeitar o bolo de aniversário e a lembrancinha que compramos para seu irmãozinho, o único rolo de papel higiênico e os três urinóis. Corra Rivania, antes que a água cubra você dos pés à cabeça. Mexa-se, Rivania, ôô menina preguiçosa que eu tô criando, sô! Num parece com a vó dela nem um pouco."

Mal sabia a vó que a neta já havia salvado o que estava ao seu alcance. E por opção e prazer pela leitura, agarrara no peito a sacola de livros, que segundo a mocinha de 8 anos, o seu futuro está em cada linha de cada um deles. E após a leitura de todas elas, faria a sua revolução particular. Acreditava que a revolta constrói... revoluciona. Modifica pensamentos. Tomba monumentos. Reedifica castelos; enquanto que na passividade, tudo é pacífico; até a tormenta que aderna a embarcação dos corsários inimigos nas águas do oceano Atlântico.

- Rivania, minha neta, socorro! Cadê ocê? A água tá subindo; está acima de meus joelhos. Estou trôpega. Socorro! Alguém pode me ajudar? Nesse momento, os meus gritos não ecoam além das paredes. Socooorro!

Aplaudidas de pé e tendo a sorte e a competência como torcedoras na arena, a vida e a morte disputam uma partida que não dá condição, não contempla todos os participantes do jogo com a vitória. Excluindo o empate que jamais ocorre, ou ganha uma, ou outra. Pois, nas partidas conflituosos impostas pelo acirramento existencial, a emoção não é ouvida pela razão; e a recíproca é verdadeira.

Seja na Terra, na água ou no ar, viver é uma luta constante e exige as múltiplas inteligências contidas nos livros para driblar as muitas ignorâncias contidas nas enciclopédias das guerras. Porém, contra os fenômenos da Natureza, pode haver explicação, mas não há negociação plausível de aceitação por Podeison, o deus dos mares e das chuvas. Por estar ligado à Natureza e a ditadura das águas, esse deus detesta a democracia dos homens!

Uma roubava e a outra salvava as múltiplas inteligências contidas nos livros e embora uma não saiba da existência da outra, no quesito sabedoria e valorização intelectual, tanto Liesel quanto Rivania se completam. Uma é dependente da outra.


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/literatura// @obvious, @obvioushp //Profeta do Arauto