ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Uma mente brilhante em terra arrasada

“A primeira fase do saber é amar os nossos professores.” Erasmo de Rotterdam



Quando o passado não planeja, não nutri as necessárias escolhas corretamente, não embasa os acontecimentos no presente com bons exemplos, não impregna a hereditariedade histórica ao processo "evolucionista", o futuro fracassa.

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Contextualização: os operosos matemáticos e niilistas do pessimismo (Nietzsche é um deles) equacionavam os derradeiros números de suas vidas em troncos de árvores, guardanapos, pedaços de papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade era fortalecerem-se contra a média que não desviava do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social. Tomando-os como referência, sem perspectivas no presente, o futuro repete o passado, sempre; e se muda algumas mínimas coisas, obviamente, é para pior!

Alguns humanistas sóbrios de pensamentos e nada ilusionistas, ao contrário, verdadeiramente futuristas, sopraram palavras ao vento, afirmando que as leis e teorias na prática não se concretizam. Deveras, impossível realizá-las se não houver operosidade incondicional dos envolvidos e torna-se ainda pior, menos realizável, em países fragmentados (quase regime de castas) socialmente, divididos politicamente, como o Brasil. E parte disto se deve, primeiramente, pela descontinuidade dos projetos anteriores, os quais foram plenamente eficazes e provaram com o exercício da prática que deveriam ser tomados como referência no futuro. Segundo, pela falta de planejamento a longo prazo, o que é preponderante em qualquer sistema humano.

Porém, o mais nocivo, aterrador, crítico e contribui incisivamente para a quebra da cadeia operacional, é o ego partidário tão frequente na política brasileira. Pois, se o governo que representa determinado partido implantou um projeto eficiente, eficazmente necessário à sociedade e o governo opositor ganha a eleição subsequente, a primeira coisa que faz é paralisar os projetos e as obras que estavam em andamento. É tão verdade, que esse funesto, lamentável e irresponsável episódio na política brasileira ficou conhecido pelo nome de "elefante de ouro".

Com efeito, o viés da falta de planejamento (ou mau planejamento), descontinuidade dos bons e eficazes projetos e ego partidário, além da perda de divisas e desgaste de tempo e energia, é o consequente imediatismo político do fazer agora e apresentar os números estatísticos em forma de resultados amanhã. Entretanto, algumas mentes pensantes e arbitrárias semearam ideias e ideais, as quais são óculos de grau para deficientes visuais. Dentre as poucas mentes lúcidas produzidas no país, destaca-se a do pedagogo, filósofo e educador funcional, Paulo Freire. Sem outro e estando aonde o analfabetismo imperava, o único pedagogo que estudou a fundo e propôs a solução para os problemas do ensino brasileiro.

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Paulo era Pernambucano, radicado em São Paulo. E foi na maior metrópole da América Latina que o mister educador deu os primeiros passos para ser o que foi; mas antes, marchou em desafio contra os militares, botando a cara para bater. Exilado, perambulou pela América e após lecionar no Chile, aportou-se na América do Norte e lá contribuiu com as escolas de Harvard, EUA. Porém, sua sina mesmo era desenvolver a "Pedagogia do Oprimido" para os pobres. Para isto, passou parte do exílio no continente africano, dando palestras, instruindo famílias, arrebanhando jovens e lecionando em países com alto índice de deficiência educacional. Freire nasceu para ser pedagogo e bravamente, conviver com o sofrimento da deseducação dos deseducados.

No Brasil, Freire rondou a caatinga, disseminando seu paciente projeto piloto, o qual consistia em alfabetizar uma pessoa que jamais pegara numa caneta. Os primeiros ensaios foram iniciados em Pernambuco para posteriormente, ser consolidado no estado do Rio Grande do Norte; onde muitos campesinos deixavam o cabo da enxada ao entardecer e à noite, iam queimar os neurônios sob o fogo do juntar as letras nas sílabas do método proposto pelo educador. E em menos de 2 meses, todos ou a maioria dos alunos veteranos, conseguiam a façanha única de escrever uma carta com suas próprias mãos. Paralelamente ao projeto de Freire, o governo brasileiro lançou o Mobral: Movimento Brasileiro de Alfabetização. Embora não declarado, o projeto governamental foi fundamentado no método do pedagogo.

Freire é referência nos cursos de pedagogia, tanto no Brasil, quanto no exterior, não devendo nada para Piaget, Vygotski e outros, autores que escreveram suas teses em outras terras e consequentemente, tomando como base o desenvolvimento cultural, educacional e social dos povos de lá. E embora estudada em algumas disciplinas humanas, em certos casos, as teorias desses autores não se aplicam na resolução dos problemas relativos às áreas estudadas, tornado-as teorias e nada mais.

"Educai as crianças e não será preciso reprimir e punir o adulto" - célebre alerta (talvez o mais conhecido, tanto no meio acadêmico, quanto social) de Paulo Freire à terra arrasada.

freire1.jpg "Com a voz embargada, Friggi definiu sua condição: "Exerço uma das profissões mais dignas do mundo, com um salário miserável".

"Somos agredidos verbalmente de forma cotidiana. Fomos [os professores] relegados ao abandono de muitos governos e da sociedade. Somos reféns de alunos e de famílias que há muito não conseguem educar. Esta é a geração de cristal: de quem não se pode cobrar nada, que não tem noção de nada", lamenta. https://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2017/08/22/ja-atingiram-meu-olho-mas-nao-vao-me-calar-diz-professora-agredida.htm?cmpid=copiaecola

Para não dizer que é uma geração fracassada, melindrosa, defendida pelos estatutos, leis e amparados pelos mimos dos pais, a professora usou de eufemismo. Em um sistema hipócrita, a sujeira e a podridão encoberta pelos tapetes vermelhos jamais podem ser revirados e caso a professora dissesse a verdade, seria ainda mais estapeada?... provavelmente; pois, se não é produtiva, respeitadora e comprometida socialmente, pelo menos é uma geração brigona e valente.

Dando a dica que em um tempo qualquer certos povos alegres, festivos e perfumados estariam na contramão das mentes brilhantes que choraram lágrimas de sangue para construir o mundo, Arquimedes matutou que: se fosse dada a ele uma alavanca e um ponto de apoio, com muito labor, esforço, dedicação e suor, ele moveria o mundo. Deveras, o bom líder é aquele que está no comando, sempre à frente de seu exército; sobretudo, o líder exemplar, não pode ser outro, a não ser aquele que faz! Diante dessa questão, quem foram e o que fizeram Ghandhi, Sócrates, Mandela, Martin Luther King, Paulo Freire, Cristo e poucos outros em Terras arrasadas?

Dizem nas esquinas das avenidas, salas de aula, em estádios de futebol, em filas de supermercados e do INSS que o amor constrói. Pode até ser. Não se deve duvidar de nada, mas é o servente e o pedreiro que edificam. E o engenheiro? O engenheiro é mero assinante de projetos e cruzando os braços, olheiro de obras prontas. Especificamente nesse caso, ( e outros muitos) é de se duvidar que o curso de engenharia (civil) serviu para alguma coisa?

Assim como tem edificações que negam os materiais, existem filhos que negam a hereditariedade genética. Ainda nesse contexto, não menos, teóricos que negam o exercício da prática; todavia, os práticos não negam a teoria, pois, ainda que lhes falte didática, ensinam e lecionam o praticado.

Se as teorias, na prática não se aplicam, concordemos que na prática, a teoria é outra. Tal verdade irrefutável se deve ao fato que, tem muitos indecifráveis lords por aí vendendo a preço de ouro os nós e as cores da gravata, objeto filiado aos sapatos de bicos finos e lindamente lustrados.

E saibam todos que esse texto é o continuísmo do rito; e muitos outros semelhantes estão na pauta. Como porta-voz do caos em terra arrasada, fim de papo. Caminhando e cantando, volto para as profundezas do meu ser: é lá que me encontro. Fim do escrito.

Fui... mas antes leia algo típico de terra arrasada pelo tsunami cultural e educacional: “... é o nosso maior péssimo escritor”. De um colunista crítico da revista Veja, parabenizando um mister escritor pelos seus 70 anos de excelente escrita e favores prestados à ABL e à cultura brasileira.


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
Saiba como escrever na obvious.
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