ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Compromissado com a verdade e bem estar físico e mental do leitor, escrevo com palavras ácidas a receita de um doce amargo como fel. A página está aberta e a iguaria na mesa. Entre e fique à vontade. Puxe a cadeira, sente-se e sinta-se convidado a degustá-la comigo. Adianto que as verdades são indigestas; e em certos casos, além de causar complicações metabólicas e glicêmicas, são rejeitadas pelos ácidos biliares. O doce fabricado por mim, quando não mata, torna o intruso adiposo de sabedoria e cultura

9 imagens de capas de discos que inspiraram a minha geração

Algumas imagens de capas de discos representam fielmente a cultura hippie, a geração pós-moderna, atual e tecnológica. No fundo no fundo, lá nos recônditos da nossa essência, somos todos hippies rotulados. Mascarados. Ocultados pelas vestes.



Contextualização: A música estava inserida nas ideias e ideais da contracultura, movimento comandado pelas caras mal lavadas e cabelos ensebados dos hippies. E longe, disparadamente distante do segundo colocado, o movimento mais completo artisticamente dentre os já criados pelos terráqueos, foi cultura, literatura, atitude, fotografia, pintura, consciência, liberdade sexual, educação ambiental, iniciação ao espiritualismo e sinônimo de expressividade geracional. Conheça algumas capas de disco perdidas nos escombros do tempo que fizeram e fazem a cabeça de muitos marmanjos, como também, dita(ra)m os costumes de gerações futuras.

artur.jpgPara os tomados pela cegueira da indolência, a estreita porta da sala é o amplo corredor em forma de alameda ajardinada da liberta felicidade. Mas para chegar a esse consenso, que deveria ser intuitivo, deve-se descruzar os braços e ter atitude nos pés para a infinda caminhada! Produzida em 1972, essa é a capa do primeiro disco de Arthur Verocai; raríssimo artista violonista, mestre da composição e intérprete da velha guarda brasileira. Seus trabalhos flerta(va)m com a M.P.B, jazz e sem maiores delongas, reminiscências de Clube da Esquina, Edu Lobo e de um Brasil desconhecido.

mark.jpgUm dos primeiros trabalhos do lendário, conhecido e ao mesmo tempo esquecido, Mark knopler, após o desmonte da banda Dire Straits. Com canções leves, arranjos transcendentes, dedilhado digno dos magos guitarristas e uma gaita piando na estalajadeiro um blues estradeiro, um disco formidável para quem tem ouvidos, olhos no horizonte e pés nas estradas; e se a tríplice se completa pela música, certamente ela será eternamente grata a quem indicou essa flecha musical atirada certeiramente em corações sensíveis.

bufalo.jpg Essa mocinha deflorada de olhar sereno e feliz pelo ocorrido num matagal virgem, mira fixamente sua sexualidade no horizonte, querendo saber como foi parar na capa do disco "The Midnight Ghost Train da banda "Buffalo".

bulls.jpgCapa do disco "Free for All" de 1972 da banda Bull Angus. Na Índia o ruminante fêmea que caminha com as quatro patas é adorada pelos espiritualistas indianos. O que diriam se cruzassem com uma vaca voadora; será que renderiam louvores ao animal sagrado protegido por lei? Ou simplesmente faziam o sinal da cruz e a excomungava com um credo em cruz!

A definição da capa e contracapa do disco Índia ficam sob responsabilidade exclusivamente do leitor. E saibam todos que a imagem é meramente ilustrativa do que...

india.jpgE os olhos transformam o redondo da órbita, em um triângulo abismal. Modeladíssimo, belíssimo triângulo abismal assentado no porta joia!Essa capa foi proibida pela censura militar e após 40 anos de prisão, foi solta à liberdade. Uma obra situada entre a sensualidade indígena, ousadia e irreverência, não pode e nem deve de maneira nenhuma passar ilesa aos olhos do desnacionalizado brasileiro. Por desconhecer a imensidão verde da floresta amazônica e sua imensurável biodiversidade, Disney é o famigerado quintal desse povo.

... compõe-se por duas sementes circundando abismo profundo;

irrigadas pelo vermelho natural.

Convite ao bem, ou ao mal.

Rock mel.

Criada para o bico fino de uma beija-flor que se banhará em amargo e denso néctar;

segredo e mistério de uma mata virgem;

tonalidade fel.

india1.jpgContracapa do disco. Assim que a capa foi liberada em 2015, a cantora postou em sua conta no Instagram que estava feliz pela liberação da imagem: “Para o nosso deleite, incluindo o meu, a capa do disco "Índia" de 1973 está disponível e em breve voltará às prateleiras das lojas de discos em uma reedição especial do álbum"; resumiu Gal; cujo epíteto era Gal tropical.

king.jpg Ainda que sem os piercings enfeitando as sobrancelhas, decorando o umbigo e embelezamento para língua, nariz e lábios, o que há de semelhante entre a capa e o que se vê aos montões, às bateladas ru´afora na trupe do metal até nos dentes que transita pelos grandes centros e cidades medianas do mundo? A agressividade da imagem contra os costumes dos conservadores e tradicionalistas é a apresentação do disco da banda King Weed. No mais, divirta-se... entorpeça a mente e demais órgãos sensoriais com os anéis da fumaça fluídica da paz. Como diziam Tim Maia e Raul Seixas: vamô enrola um fininho, dá um tapa no conhecido cigarrim do demo, mermão? Pita na boa, seu pai é um careta fora de época e nem vai sacar que cê tá com a mente fumada e as ideias bem transadas.

raiz.jpgLançado em 1984, essa é a capa (em razão da fugacidade depressiva, que quer por que quer, escapar pela janela, atualíssima) do primeiro disco da banda Raiz de Pedra, formada na capital gaúcha. As canções mesclam rock progressivo, instrumental jazz/fusion, M.P.B, à coisas mais da música clássica/erudita. Mas antes de partir para a outra, vale reescrever o título do disco da banda: "Raiz de Pedra".

nirvana.jpegEssa capa é conhecidíssima e dispensa comentários sobre ela; porém, peço cautela, sensatez e sabedoria para o leitor ao mergulhar nas piscinas do passado, pois, para entrar no transe divagador das águas lisérgicas do flower power, é fácil; difícil é retornar à normalidade habitual.

Lembro ainda aos maus nadadores citadinos, que creem piamente nos falsos líderes, nas inovações tecnológicas, P.M.D por smartfones e internet, no consumismo desenfreado, que o amor ao dinheiro não trará a paz ao vosso reino. Ledo engano pensar que o materialismo é a salvação para todos os males. Melhor pensar como Mark knopler, que nos tempos de Dire Straits compôs a canção "Money for nothing"... ou o compositor estava errado e prevendo o futuro, o título deveria ser: money for everything... até para subornar a ditadora morte?

Embora que com ela não há meias palavras, ao contrário, vai direto ao que lhe interessa e ao ouvir o veredito: "pare a escrita e despeça dos entes e amigos; abrace-me já, e sigamos juntos para eternidade". Depressivo ou contente, o melhor é seguir viagem em paz e dizendo para si, que "chegou o momento, por isto, despeço-me da vida, despeço-me de mim, despeço-me de meus amigos e parentes; e sem outra opção, acompanho essa prepotente e insolente, raivoso por fora, feliz e sorridente internamente!" Como ainda não sei o que se passa do lado de lá, para maiores detalhes, entre em contato com o Jim Morrison, John Lennon, Raul, Cazuza, Luis Gonzaga, ou o ex-Nirvana, Kurt Cobain; contudo se não conheces nenhum desses, consulte os que eram de vosso conhecimento. Impossível que não tenha ninguém que possa auxilia-lo sobre a maneira de tirar o passaporte, conseguir o visto de entrada, inteirar-se sobre materiais e objetos de uso individual requeridos; enfim, o que levar nessa desventura humana, só de ida.

P.S.: o título do disco da Gal Costa foi inspirado na música Índia da dupla sertaneja Cascatinha & Inhana; cujos nomes de batismo é Francisco dos Santos e Ana Eufrosina da Silva. Cantando em coretos de praças e picadeiros de circos, a dupla caipira formada por marido e mulher, fez muito sucesso em meados do século passado.

Outra observação sobre o casal de músicos, é que eles praticamente morreram sem um tostão furado para pagar as custas dos enterros. A dupla compunha e cantava com os corações saindo pela boca e pelo simples prazer de elevar às alturas as virtudes de um povo simples, humilde e sem nobreza da grota, cujo nome é Brasil; quando o Brasil era um Brasil para os caboclos do sertão. Por que atualmente...


Profeta do Arauto

Compromissado com a verdade e bem estar físico e mental do leitor, escrevo com palavras ácidas a receita de um doce amargo como fel. A página está aberta e a iguaria na mesa. Entre e fique à vontade. Puxe a cadeira, sente-se e sinta-se convidado a degustá-la comigo. Adianto que as verdades são indigestas; e em certos casos, além de causar complicações metabólicas e glicêmicas, são rejeitadas pelos ácidos biliares. O doce fabricado por mim, quando não mata, torna o intruso adiposo de sabedoria e cultura.
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