ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Magos, bruxos e druidas também morrem!

Momento de introspecção sonora é quando levado pelas lufadas de vento, o pássaro voa, "Voa alto, pássaro azul"; e após desenhar vários círculos coloridos e levitantes ao redor do céu, volta à Terra assoviando as notas canoras do melhor ROCK PROGRESSIVO do (que) UNI poesia, filosofia, literatura, Natureza, mitologia, história, em prosa e VERSO.


Os meios de comunicação fazem mídia;

a sociedade faz média;

E a cultura musical brasileira caminhando a passos largos, correndo agalopadamente em direção a um profundo abismo de... de...; esquecendo que sou gago de conhecimento, pergunto: pétalas de rosas?

terreno.jpgJoão é mais um contribuinte para a orfandade da música, especialmente do Rock honestamente puro e nobre por excelência, já produzido no Brasil. Foto de quem de direito

Kurk cantou a medição psicotrópica para uma sociedade frustrada, depressiva emocionalmente e por praticar o individualismo, a indiferença, a incompreensão e o desamor, adotou os critérios da covardia para neles, refugiar suas angústias e omissões.

Contextualização: a vida nada mais é que um pacote de bolacha "Passatempo" sem recheio (certamente o leitor está comendo o pacote que pensa lhe pertencer por direito) fabricada pela indústria de sonhos ilusórios do cotidiano. Morrem antes de terminar a última bolacha do pacote, os estúpidos que conduz sua vida sob ferro e fogo, leva-a com demasiada seriedade; ainda mais sabendo que o coração é sensível às emoções, frágil músculo estriado e de tanto inflar desesperado pela ira, explode numa embolia carcomida pelo roxo-único e pela lei das infelizes subjetividades, desiste imediatamente de pulsar a cor rubro da vida no corpo. Portanto, responsabilidade, ordem, disciplina, seriedade, comprometimento, respeito e honestidade em demasia, são virtudes letais; e de menos, falta de vergonha na cara. Safadezas caluniosas que valem-se da batelada de leis bandidas e através delas, livram-se da improbidade cometida, delatando os de igual teor de caráter. Nesses casos, que aparecem aos turbilhões da noite para o dia, só a morte para livrar os honestos e retos de atitudes assertivas, equilibradas e moderadas.

Um dia desses, vasculhando os meus arquivos neuronais, debatendo-me com pilhas e mais pilhas de cultura ultrapassada, enfrentando tormentas de vinis mal cheirosos que tombavam aos borbotões nas prateleiras e avançavam sobre mim afrontadoramente; ouvindo pacientemente, bateladas de livros reclamarem das covas da solidão, os quais foram submetidos; e a prazerosa emoção de farejar o passado no afã de encontrar uma banda fora de catálogo que tenha marcado uma geração de cabeludos e fumeiros, (os verdadeiros roqueiros que ainda restam no planeta Terra filosofam a presteza e o refrigério da brisa leve que solapam suas faces, através do invisível; que deveras, não é para qualquer mente caduca) especialmente do rock brasileiro e obviamente, escrever sobre ela, deparei-me com a péssima notícia sobre o falecimento de João Kurk, flautista, violonista, guitarrista e vocalista do Terreno Baldio.

Pensei: "quê fato despropositado, que notícia mais desagradável sobre o lendário "barba-rala" do Rock Progressivo brasileiro! Agora mesmo, nesse exato instante, tem tanta porcaria falando, tem tanta megera de músico pedindo emprestado a palavra rock (letras minúsculas) nos tiroteios nos morros do Rio de Janeiro, e a morte ingrata de sempre, veio buscar logo ele, que era um trovador incansável em nome do Rock puro e honesto! Sei que és ditadora inegociável por princípios e crença, mas dona morte, não poderia ter sido outro? Um careca, um engravatado, um charlatão ou um corrupto, por exemplo; temos tantos dando sopa, afanando o povo, dizendo ser o que não são; e outros tantos com um microfone e um instrumento pendurado no pescoço enganando a música por aí: mas não, tinha que ser ele o premiado para conhecer o "lado obscuro da lua! Um poeminha indagatório endereçado à morte dele, mas que pode ser útil para qualquer mente pensante:

Oh morte que és tão forte / por que em nome do tempo indecente

consumiu o João Kurk / homem simples cantador de rock

que comparado à sua fortaleza e apogeu / degustou o seu "passatempo"

como um faminto e humilde decadente!?"

Em profunda reflexão sobre o ocorrido, cheguei a conclusão que o tempo dita o ritmo, a contagem regressiva dos relógios alertam e a sentenciadora morte, trata da execução. Os arranjos, os acordes, as harmonias e a letra não fogem à essa ridícula e irônica canção que mais cedo ou mais tarde, será a melodia para a morte de cada ser que vagueia nesse pedaço de chão planetário chamado Terra. E no dia 11 de agosto de 2017, muito contragosto dos fãs e roqueiros de todo o país que o conhecia, as trombetas do anjos musicaram a letra "Fim do passatempo" para o músico.

Momento de introspecção sonora é quando levado pelas lufadas de vento, o pássaro "Voa, voa alto, pássaro azul"; e após os círculos levitantes ao redor céu, desce à Terra assoviando as notas do melhor Rock Progressivo do universo.

"Gandalf", como ficou conhecido nas noites paulistanas, foi um ícone do rock brasileiro e fazendo jus à alcunha, devido a semelhança com o mago da trilogia "Senhor dos Anéis", R.R. Tolkien, considerado mentor do movimento hippie; o pouco divulgado "barba-rala" da música alternativa brasileira, possuía a magia do encantamento no palco e a versatilidade dos velhos magos; e onde sua voz esquisita e esganiçada pousava, o alarido do Rock desassossegava os neurônios de qualquer cachola .

Debutando nos palcos desde os 14 anos de idade e mais de 50 contribuindo para o Rock, em 2012 "Gandalf" montou sua banda para tocar covers de bandas renomadas. Fazendo mágica e se virando com podia para sobreviver do que mais gostava de fazer, tal dedicação aos covers iniciara nos tempos de Rock Memory e Paris Supertramp, cover da banda inglesa Supertramp.

Todavia, o músico chegou ao ápice na carreira quando era vocalista e líder da banda "Terreno Baldio, a Gentle Giant nacional, que faço questão de dedicar um texto sem emendas e rasuras sobre ela. Em nome dos diminutos fãs espalhados pelo país, por enquanto, resta-me o lamento de saber que João Kurk é mais um contribuinte para a orfandade da música, especialmente do Rock honestamente puro e nobre por excelência, já produzido no Brasil; e o pior, ter a certeza absoluta que jamais teremos um músico de seu quilate como peça de reposição para supri-lo.

"Ao andar, ninguém conversa com você / A solidão a todos vêm.

Pode ser, você se sinta esmagar / Mas na cidade há um lugar." - parte da épica letra Terreno Baldio

Defendendo o Rock de todas as maneiras e dizendo palavras-encantamento contra as maldições de uma sociedade depressiva e despropositada culturalmente, excomungando a mídia prostituída e vendida para os gringos, recentemente, "Gandalf" fez sua última aparição nos palcos, tocando no MIS (Museu da Imagem e do Som) em São Paulo.

Após o instante que músico fechou os olhos para a eternidade, a farsa do Rock in Rio escancarou um sorriso cínico e sem os sobressaltos dos pesadelos, por saber que a música, especialmente o Rock honestamente puro, estava ainda mais órfã de cultura qualificada, do que no minuto anterior. Entretanto, os predicados e adjetivos passam, mas os substantivos, os feitos e as boas obras permanecem inalterados para sempre, "Gandalf".

Descanse em paz, durma com a consciência tranquila Kurk; porque, além de você ter dado sua contribuição, invejavelmente bem, para o musical-Rock brasileiro, infelizmente, magos, bruxos e druidas também morrem! Nesse espaço terreno, dominado pelas mentes corruptas e vendidos que querem ver o fracasso da cultura, não há espaço para milagres...; no entanto, uma coisa é certa: as noitadas, os pileques de bar em bar e o fininho da brisa luminosa do capeta, também conhecido como "o louco brilho ideológico da paz entorpecedora de mentes", que fumaceia os pulmões e morre tragado em lábios dilacerados, sentirão sua falta. Ô morte, que mata..!

P.S.: antes que eu esqueça, respondendo à pergunta feita na introdução: ...correndo agalopadamente em direção a um profundo abismo de MERDA. Entende agora o que uma linguagem musical e cultura aliteradora fazem para homenagear a prostituição legalizada que se instalou no país de Norte à Sul, "Gandalf?" Sim, essa gentileza gramatical foi para você, mago do Rock Progressivo brasileiro, que nunca dependeu da promoção midiática! Com muita energia e intensidade no palco e moderadas atitudes cotidianas, você sempre tocou o melhor do Rock and Roll de maneira honesta, responsável, comprometida e séria... cumprindo magnificamente sua proposta de vida, tanto nas noites paulistanas, quanto na Terra.


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
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