ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Na falta de combustível fóssil, renovo minhas energias, lendo, escrevendo, pedalando, fotografando e viajando por entre as nuvens. De tempo em tempo, procuro-me em meio ao batalhão de estranhos terráqueos. Dificilmente estou disponível para o meu alter ego

A intolerância da sociedade versus a arte reveladora

A loucura é o passaporte de quem não teme a malidicência da mesmice, não se entrega a igualdade dos padronizados e embora sofra severas consequências, aceita ser um resignado errante caminheiro na corda bamba que escolhera, para nela, equilibrar a felicidade de viver. Contam-se nos dedos os que entendem as metáforas de vida dos loucos.


A radicalidade daqueles que tendem às transparências reveladoras não está distante do conhecimento, do saber, da filosofia e dos viciosos hábitos e costumes culturais de um meio, ou sociedade qualquer. Exemplificando, conhecido pela humanidade, Cristo foi um espírito introspectivo e extremamente radical; e por pregar a retidão de princípios de moralidade, não se misturava de maneira alguma com os movimentos duvidosos aderidos pela massa, ao contrário, abominava, criticava severamente os malevolentes de conduta. Por pensar e agir assim, teria ele sido um louco artista radical infiltrado no seio social e por isto, falsamente amado pela maioria? Há indícios que sim, porque segundo as Escrituras, somente 12 apóstolos seguiram os seus passos pelas estradas retas.

Ademais, louco-insano nenhum é seguido ou tomado como exemplo pelos personalizados de conduta; ao contrário, além de mal visto, tem sua cara cuspida pela sociedade. Tai o porquê de Cristo ter sido um artista/doidão/radical e como todos os loucos que alimentam o espírito com a liberdade das obras realizadas, não pedem aplausos e muito mais, dispensam publicidade em seu nome. Por detestarem sair nas fotos, deixam o marketing e a publicidade para os publicitários sociais que adoram as falácias cotidianas, redes sociais e as selfies.

masp1.jpgObra "Três Mulheres", de 1972, da pintora brasileira Maria Auxiliadora, estará na mostra do Masp restrita a maiores de 18 anos Imagem: Acervo Masp

Breve parecer de como se constrói uma sociedade:

Sociedade humana é a "organização" mais estranha e insensata, dentre todas as organizações ditas organizadas no reino animal. Deixando de lado a Sociologia, (como qualquer teoria humana, explica tudo ou quase tudo, para nada resolver) que estuda a interação das instituições sociais e o comportamento interacional do homem com seu meio de convívio, basta analisar um pouco as sociedades de outras espécies e fatalmente, comprovará que a sociedade humana é uma organização desarranjada, bagunçada, desorganizada e cobre o rosto com o véu da hipocrisia. Sim, precisamente, sem tirar e nem pôr um fio de cabelo, faço parte de uma sociedade que não deu e muito provavelmente, não dará certo. Mas por que, se fomos congratulados com inteligência, razão e livre-arbítrio pelo Criador?

Ora, fácil de responder; pois, a omissão que cada indivíduo traz em seu âmago desde que nasce e a falta de escrúpulo que circula pela corrente sanguínea, aliado ao laissez-faire humano do deixar fazer que depois solucionamos o problema; o deixa enraizar para depois podarmos os galhos com os frutos brotando, somado ao livre-arbítrio herdado do cristianismo, a corrupção tão comum no sistema democrático de direito, é a resposta certeira e o "x" da questão para o desconcerto de uma sociedade mal formada de princípios e atitudes. Apenas, ou tudo isso, é o motivo estarmos no abismo em que o país está, ou melhor, a sociedade o lançou. E não adianta vir com falas infundadas ou dizer que é acusação generalizada, porque um ou outro que não se enquadre no montante da população, santo do pau oco nenhum, representa os mais de 200 milhões que possuem nacionalidade brasileira; portanto, faz parte sim do todo ou do bolo social, afinal o significa sociedade? Chorando ou sorrindo, assuma sua parcela de responsabilidade. Outra desculpa esfarrapada, impensada que faz parte do vocabulário do inconsciente social coletivo é dizer que a culpa, é única e exclusivamente do poder.

Ora, deveras o poder brasileiro é zero à esquerda e não fede e nem cheira, ou melhor, apenas fede; e em vez daqueles que o representa preocuparem-se com os problemas sociais que assola as terras indígenas, estão discutindo a corrupção instituída por eles e tomou de assalto o país de Norte à Sul; porém, antes de seguir escrevendo sobre o tema principal do artigo, é de suma importância saber que assim como não há poder sem povo, impossível haver sociedade sem família. Portanto, há uma profunda correlação e interdependência entre o poder como estado e a progenitora da sociedade, que é a família; e juntas, forma a tríade social do país. Em síntese, o poder é extensão da sociedade, e a sociedade por sua vez, é parida pela família, e não o contrário, como escrevem nos epitáfios das lápides do progresso brasileiro. Mas para um povo obscuro de discernimento, oportunista de atitudes e vendido de princípios, como é o brasileiro, o não é sim; e o errado torna-se certo. Essa é a realidade é o "simples assim", expressão que se popularizou nos estádios de futebol, nos botecos, nos ensaios de escolas de samba (em breve reiniciam a retomada do bate-tambor) e nos lares.

Primeiro embate:

Faz alguns dias, quando muito, três semanas, os gaúchos manifestaram-se contra a exposição "Queermuseu " promovida pelo núcleo cultural do banco Santander. Foi um tiroteio cego, o qual atingiu em cheio os olhos dos organizadores, dos artistas, da curadoria e obviamente, da cultura e da arte de modo geral. Tudo começou com a chiadeira sem precedentes nas redes sociais; e para quem apreciou o desfecho de longe, quem mais se sentiu atingido com as sonoras reclamações e ataques da sociedade gaúcha foi o banco, que por sua vez, admitindo que poderia perder divisas econômicas e fiéis depositários endinheirados, preferiu contemporizar e encerrou precocemente a exposição.

http://obviousmag.org/ministerio_das_letras/2017/09/o-dia-em-que-as-ideias-contrariaram-a-arte.html. Este é o link do texto sobre o tema.

Segundo embate:

Novamente a arte e a sociedade entraram em conflito com a mostra realizada pelo MAM - Museu de Arte Moderna, em São Paulo. Diferente do que ocorrera em Porto Alegre, o motivo do impasse deveu-se, porque criança acompanhada com a mãe, tocou o corpo nu de uma pessoa do sexo masculino durante uma performance. Uma terceira pessoa filmou a cena e para não deixar o visto passar ileso, jogou o vídeo nas redes sociais, causando enorme furor. Os reclamantes e descontentes virtuais disseram que o fato é cena é típica de pedofilia. Sobre as duas exposições citadas, em nota assinada por mais de 70 diretores de museus e mais instituições ligadas à cultura, curadores, diretores arte de modo geral, contestaram e não pouparam críticas à decisão de finalizar antes do prazo as mostras de artes que seriam realizadas em São Paulo e Porto Alegre.

Dois peladões atemporais desafiaram as padronizações e personalizações sociais do tio Sam:

Lennon.jpgDepois de 201 anos, 11 meses, 29 dias, 119 minutos e 59 segundos de vida, (já virou mais um ano e permanecem em silêncio, sem cantar os parabéns para mim) não vi um humano, sequer, que não tenha um pênis com dois escrotos para armazenar esperma, ou uma vagina com dois óvulos, quando fertilizados, fecundantes na frente...

Relembrando algo parecido que marcou diretamente a música como meio difusor da liberdade artística e reacionária contra as regras, procedimentos e costumes sociais impostos pelos senhores da moralidade, no final dos anos 60, a artista plástico Yoko Ono e John Lennon, lançaram em parceria o disco experimental, Unfinished Music No.1: Two Virgins. O disco deu o que falar, foi um tremendo auê mundial, quase foram expulsos do paraíso pelo deus-Presidente dos EUA na ápoca; e o motivo foram as fotos dos dois doidões da arte como conheceram a luminosidade do sol ou o céu estrelado pela primeira vez, estampando a capa e a contracapa do álbum. Na capa, eles aparecem de frente e na contracapa, o casal está de costas com as vergonhas escancaradas. À época, os tetos vieram abaixo, tanto nos lares do continente Europeu, quanto nas casas dos estadudinenses; porém, fazendo prevalecer o adapta-se aos acontecimentos cotidianos ou morre, com o passar dos anos, a cena foi esquecida pelas famílias e a calmaria retornou aos lares; afinal, lares não são ninhos de galinhas chocadeiras, com os filhotes conhecendo o negrume da noite através da incubação libertária. Contrário dos galináceos, os humanos esperneiam, reclamam, chiam, rebelam e duelam, mas não largam a barra da saia da matriarca.

Lennon 2.jpg... e uma bunda com duas bandas atrás, com um oco amigo no meio que não produza e lance no ar gases tóxicos. Quero perambular mais 500 anos perdido pelo mundo para comprovar se existe algum alienígena, apenas um antropoide diferente de mim; a não ser a fêmea de minha espécie.

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Somos absolutamente iguais, exata geometria da igualdade.

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Medida cautelar:

Prevendo que poderia haver contestação e consequentemente, polêmica negativa da sociedade paulistana em relação ao que será exposto na mostra, o MASP (Museu de Arte de São Paulo) recorreu a Justiça para garantir o evento. E seguindo o critério adotado em lei pela Constituição Federal de 1988, a mostra artística será limitada a menores de 18 anos idade. A medida cautelar foi tomada com base no citado que "O Estado de direito pressupõe que todos os brasileiros, sejam pessoas físicas ou jurídicas, obedeçam àquilo que dispõe a Constituição Federal de 1988, a qual consagra tanto a liberdade de expressão, quanto a proteção prioritária à criança e ao adolescente".

masp3.jpg"Mulher enxugando o braço esquerdo", do pintor e escultor francês Edgar Degas, é uma das obras que estará na mostra coletiva História da sexualidade, no Masp Imagem: João Musa/Acervo Masp

O MASP tomou a decisão de recorrer a Justiça para a realização do evento artístico, porque em 2015 foi liberada mostra expositiva sobre sexualidade. Com o sucesso da medida cautelar, a instituição que presta relevantes serviços à cultura paulistana, garantiu o direito de manter e dar continuidade ao programa anual que o museu faz, expondo quadros e pinturas sobre o tema.

A nota divulgada pela direção do museu, diz que "confirmou a autoclassificação, houve a análise das obras integrantes da exposição Histórias da sexualidade, à luz dos critérios contidos no Guia Prático de Classificação Indicativa do Ministério da Justiça, tendo se concluído que tal exposição deveria classificada como não permitida para menores de 18 anos".

O texto foi referenciado na matéria assinada pelo portal: https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2017/10/19/masp-buscou-orientacao-juridica-para-veto-inedito-a-menores-de-18-anos.htm

Mais um embate:

Faz algum tempo que o inferno tornou-se teatro itinerante e após passar por inúmeros lugares, atualmente está de passagem por aqui encenando a peça: "A intolerância da sociedade versus a arte reveladora". Explico: tudo, mas tudo, é motivo de desavença entre os adeptos e os contra; e como não bastasse os arranca rabos entre sociedade e artistas de diversas modalidades de artes, nos últimos dias o tiroteio sobrou para a filosofia, motivo de Sócrates e Aristóteles estarem revirando nas catacumbas.

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Matéria completa e imagens pertencentes ao portal https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/11/07/manifestantes-protestam-contra-filosofa-americana-judith-butler-em-sao-paulo.htm. Adianto dizendo que a desavença ideológica não foi em defesa, carência e necessidade de trabalho para todos; aliás, nem os pássaros deram um menor pio em favor da dignidade através da conquista pelo suor.

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"Tudo isso acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos". Certíssimo Zé Geraldo, a indiferente democracia alienante e dar comida para quem tem fome, ainda são as melhores modalidades de arte e não maltratam o brio de nenhum ser dotado de (falsa) inteligência moral.

P.S.: Contrário da intolerância animalesca característica do Homo Sapiens, a docilidade do bicho preguiça está sendo dizimada e devido sua esperteza biológica, corre sério risco de extinção. Respirar e sobreviver pendurado de cabeça para baixo em troncos e galhos de árvores, pintando com cores suaves a ternura e espreitando os frutos viçosos, tenros e apetitosos de dar água na boca, porém nada comestíveis por serem indigestos ao seu sistema digestivo, só pode ser coisa de artista insano. ,

preguiça.jpgO amor genuíno e autêntico, além de encantar os olhos, enche os malabares de orgulho e alimenta a alma da plateia de sonhos. Quando o homem saberá olhar uma obra de arte como a exposta na foto, e saberá refletir sobre o seu real significado e valor para o seu dia a dia. Na ocasião que isso acontecer, - o que jamais acontecerá, pois o obscurantismo tomou conta da humanidade - as palavras respeito, bom senso, sabedoria, humildade, simplicidade e outras poucas, poderão ser sacadas das dicionários. Motivo dessas e das palavras imparciais representantes da ordem, disciplina e do progresso estarem longe, manterem distância dos guias das Constituições, dos manuais de procedimentos corretos, das leis, das regras, dos parágrafos e incisos, das medidas provisórias, da democracia, da diplomacia, etc.

Uma vez que a escrita e a arte não prestam ao entendimento, resumo o descrito acima, escrevendo que contrário da intolerância e animalidade do Homo Sapiens, o bicho preguiça está sendo dizimado e devido sua esperteza, corre sério risco de extinção.


Profeta do Arauto

Na falta de combustível fóssil, renovo minhas energias, lendo, escrevendo, pedalando, fotografando e viajando por entre as nuvens. De tempo em tempo, procuro-me em meio ao batalhão de estranhos terráqueos. Dificilmente estou disponível para o meu alter ego .
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