ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Compromissado com a verdade e bem estar físico e mental do leitor, escrevo com palavras ácidas a receita de um doce amargo como fel. A página está aberta e a iguaria na mesa. Entre e fique à vontade. Puxe a cadeira, sente-se e sinta-se convidado a degustá-la comigo. Adianto que as verdades são indigestas; e em certos casos, além de causar complicações metabólicas e glicêmicas, são rejeitadas pelos ácidos biliares. O doce fabricado por mim, quando não mata, torna o intruso adiposo de sabedoria e cultura

Faltam técnicas; sobram engenheiros civis, ambientais, arquitetos e outros

Nada digo sobre as lágrimas que escorrem nas folhas e galhos de uma árvore tosqueada, podada e cruelmente arrancada com raízes e tudo; apenas lamento, derramo nódoas pelas faces ao ver as cicatrizes e o terror deixado na Natureza pelas mãos humanas. O homem em pináculos e mares, constrói. E sem o menor ressentimento, os sentimentos daquilo que é naturalmente, natural, destrói. Não obstante, o futuro foi e continuará sendo construído pelas redundâncias ininteligíveis dos brutos.


Conheça todas as teorias. Domine todas as técnicas; mas ao apreciar o voo do pássaro; ao tocar em uma flor; ao beber um gole d`água límpida e cristalina; ao embeber a garganta seca no líquido solvente natural que escorre no fio da bica ruidosa e solitária; ao visualizar o imaginário dos animais; ao pressentir as almas e espíritos, o que todos e quaisquer viventes do Planeta Terra possuem, seja apenas outra alma e espírito de igual valor e teor humano. Portanto, seja excelência no trato com sua e demais almas e espíritos que circundam e fazem uso do mesmo espaço físico de suas invisíveis e sublimes dádivas divinas. - quase uma paráfrase ao discorrido por Jung

MataVirgem.jpgRaul nunca usou capacete, ou melhor, fez uso desse objeto apenas para sair visível, bem arrumado e belo na foto; motivo de ter morrido sem saber o real valor e o poder de ter um capacete branco tapando-lhe o sol intenso de meio-dia que agride severamente o cocuruto da cabeça e cozinha os neurônios. Em contrapartida, entendia mais de técnica construtiva, do que muitos graduados em engenharia e arquitetura. Se não, pelo menos não tinha preguiça de subir às alturas para farejar as boas e imprescindíveis destruições causadas à Natureza pelas obras civis e ambientais. Mas a culpa por Raul não ter sido engenheiro é do Temer.

Contextualização: A engenharia brasileira já foi referência na América latina e exercendo a técnica com eficiência, precisão e conhecimento do que demandava edificar com segurança, estabilidade e durabilidade, atravessou fronteiras e oceanos, indo prestar favores aos países tombados pela guerra. O Iraque foi um dos países que, representando a empresa Mendes Júnior, os operários brasileiros cravaram as suas digitais na reconstrução do que sobrou do período funesto e conflituoso com o Irã.

Inegavelmente, a primeira ciência materializadora que o homem conheceu foi a engenharia. E dentre as muitas que puseram o conhecimento matemático dos gregos e povos afins a serviço da humanidade, a cartografia juntamente com a agrimensura, foram as precursoras em auxiliar os navegantes na aventura de superar tormentas revoltosas; em desposar silenciosamente lua e estrelas; em assistir extasiados o arrebol matutino e o desfazer do dia sob crepúsculos inebriantes, para depois de muito navegar, assentar os pés em terra firme. Portanto, sem a rusticidade de instrumentos para medir ângulos e medidas (goniômetros), uma carta mal traçada e uma bússola em mãos, dificilmente o descobridor chegaria ao destino. Esse é o motivo dos historiadores dizerem que as terras brasileiras foram vistas pela primeira vez em 1498 por Duarte Pacheco Pereira que navegava pelos lados da costa marítima maranhense. E uma vez vista, jamais esquecida, rapidamente consolidou-se a invasão portuguesa em terras indígenas brasileiras. Restos, bagaços, ossos e tutanos cospem longe, mas o que é bom, de qualidade, barato e fácil, todos querem; isso é inerente aos sentimentos dos homens brancos. Se estava tudo pronto, o que mais os portugueses e posteriormente os espanhóis poderiam querer, a não ser abocanhar as maravilhas doadas por Deus aos estúpidos, fragilizados e preguiçosos índios, que mal sabiam caçar, pescar e errar o alvo no lançamento da flecha?

A terra é parte da Natureza e como tal, nunca pertenceu e jamais pertencerá a quem quer que seja; porém como ocorre nas invasões de terra nos dias de hoje, assim que o comboio humano adentra o espaço, primeiramente, tratam de expulsar quem está no ambiente. O próximo passo, é cada invasor demarcar um pedaço, que daquele instante em diante, dizem pertencer-lhes por direito e posse. Em síntese, qualquer pessoa que diz possuir um quinhão de terra, na realidade não passa de invasor, que com o decorrer do anos, se apropriou "legalmente", documentando-a. Mas para se chegar ao proposto, alguém tem que conhecer o elementar de matemática e saber um pouco das ferramentas oferecidas por ela para posteriormente, aplicá-las na demarcação. E de invasão em invasão, de quinhão em quinhão, de "roubo em roubo", as terras dos continentes foram sendo loteadas e por fim, a fez-se a destruição das reservas verdes do Planeta.

Com citado acima, em outros tempos, com um goniômetro e um metro já dava para determinar, grosseiramente, a superfície e a área do delimitado. Todavia, atualmente, o conhecimento tecnológico tem colaborado bastante com o homem, resultando em preciosos trabalhos, os quais a precisão é máxima. Contudo, falta-nos conhecimento técnico à fundo, tanto quanto o conhecimento das leis universais da Natureza; afinal, ter máquinas e não ter quem saiba manuseá-las, nada adianta; ou se adianta, é OVNI (Objeto Voador não Identificado) nas mãos de criança.

manancial.jpgO lago Atitlan, na Guatemala, é um dos cartões postais esculpidos pelas devoradoras línguas de fogo dos vulcões.

No estudo da cartografia como engenharia, o espaço geográfico é o fundamento e a geodésia, ciência que leva em conta a curvatura, o dimensionamento da forma e o campo gravitacional, possibilitando analisar, medir e representar grandes e relevantes fracionamentos do globo terrestre, é a principal disciplina a ser estudada. Por essa simples definição dá para se ter ideia da complexidade da ciência. Por sua vez, a agrimensura (o radical agri, do grego significa: terra; mensura: medidas) faz o mesmo em pequenos porções de terra. A disciplina estudada é topografia (descrição de lugar) e basicamente, resume-se à geometria plana, espacial e os elementos da trigonometria. Portanto, essas foram as duas engenharias materializadoras que a humanidade conheceu; as demais, vieram depois, muito depois conforme a evolução, necessidades e interações do homem com os demais dentro do espaço geográfico habitado. Para o bem dos entendidos e rebeldes, exceto a medicina, a filosofia e outros estudos de caráter humano, as demais são ciências menores, pequenas; porém, diante do caos deixado pelos períodos pós-guerra e a soberania do capitalismo consumista que arrasa o mundo e carcome os recursos naturais desenfreadamente, foram sendo introduzidas na senda humana e portanto, "necessárias".

Tendo em mãos o elementar do conhecimento matemático e o mínimo para o assentamento da vida na Terra, que é um pedaço de terra, pois as raízes do gregarismo do viver coletivo e a família exigem isso, chegamos ao estudo da utilíssima engenharia civil. Embora já houvesse as grandes e imponentes construções, como as piramides, templos, igrejas e castelos dos reis, havia necessidade de se construir exercendo a técnica, cuja premissa era diminuir os custos e usar de modo racional e eficiente os diferentes materiais extraídos da Natureza. Mas para chegar a esse estágio técnico-operacional, fez-se necessário criar meios laboratoriais para os ensaios e determinação da dureza, durabilidade e constância dos materiais a serem utilizados numa obra. Nota-se portanto, que a engenharia civil é união da teoria, conhecimento e aplicabilidade técnica-operacional dos materiais. E se assim não for, não há edificação que satisfaça o ensino da técnica. Se disserem o contrário, é falácia de marca maior. Charlatanismo ludibriador da técnica!

Praticamente o pioneiro na engenharia civil brasileira foi um pião conhecido como Camargo Correia. E embora não tenha frequentado as carteiras de escolas, foi sábio na arte de compactar. Com o tempo, o que era puro empirismo, tornou-se exemplo para o avanço das teorias na área. Camargo foi acima de tudo, um motivador incondicional da aplicabilidade consciente da técnica.

IMG_5694.JPGPonte construída em 1915 com materiais trazidos da Europa. E ainda hoje é utilizável e cumpre o seu papel social, que é unir os cidadãos do município de Barra Bonita, interior de São Paulo.

A Camargo Correa evoluiu, atingiu níveis elevados de reconhecimento técnico e com ela, outras várias empresas apareceram, tornando o mercado competitivo. Tais empresas especializaram-se na parte de infra-estrutura; e corresponde à engenharia de projetos e obras de desenvolvimento social-urbano. Nota-se então que, a engenharia de infra-estrutura está intimamente ligada à economia e a política governamental; pois, depende de altos investimentos para a construção e expansão da malha viária - estradas - ferrovias, aeroportos, barragens e outras.

Sobram engenheiros civis, ambientais, sanitaristas, biólogos, químicos e arquitetos; e por consequência, faltam comprometimento, seriedade e respeito pela técnica e incluindo o solo e os polinizadores, aos dadores de vida ao Planeta. Animais quaisquer, viventes quaisquer, merecem respirar em paz! Aliás, até as baratas, ratazanas e camundongos devem ter suas vidas preservadas. Afinal, se vieram habitar a Terra é porque fazem parte do todo e no mínimo, são importantes para a manutenção da cadeia alimentar.

pinheiros.jpgTomada do rio Pinheiros, abaixo da usina/comporta de traição. Tanto ele, quanto o Tietê e o Tamanduateí, rios que cortam a cidade de São Paulo, estão em petição de miséria. Totalmente poluídos e oxalá se não estão contaminados. Aproveitando o ensejo, qual a diferença entre um rio poluído e contaminado; ou em se tratando de potabilidade da água, tanto faz?

Contudo, nos últimos anos (de 2000 para cá) presenciamos uma desmoralização sem tamanho e limites na política e por extensão, na engenharia, tanto de infra-estrutura, quanto nas de menores proporções construtivas. No entanto, nenhuma avalanche ocorre, sem antes iniciar por um torrãozinho de neve. Óbvio que motivos para a escandalização não faltam, pois onde há grandes estoques e farta distribuição de queijos, as enormes ratazanas e os pequeninos camundongos achegam-se à despensa pisando em ovos. Quando as sentinelas (se não estiverem envolvidas) guardiãs dos portões dão fé do sumiço da iguaria, já era... e o solo que era fértil e adubado, transforma-se em aridez. Caso crônico de gerações, portanto, nada de novo no Brasil de 500 anos e mais uns rolos fumaça na atmosfera.

barragem.jpegEssa belíssima obra, merecidamente esquecida por todos, menos por quem sofreu as benéficas consequências, foi projetada e implantada faz pouco tempo pelos nossos egrégios engenheiros civis, ambientais, arquitetos, biólogos, químicos, mineradores e outros; e durará uma eternidade para ser desfeita e reconstruída pela Natureza.

Desgarrando a engenharia da política e analisando os demais porquês de barragens desmancharem e por consequência, poluírem enormes áreas, despertarem ribeirinhos de sonhos profundos, enlamearem crianças e animais; de muros caírem com o sopro do vento, destruindo os carros desavisados que estavam estacionados ao lado; de desrespeitosos tetos de igrejas que desabam sobre os fiéis no momento do culto; de ciclovia à beira mar que inunda e mata praticantes de esportes; enfim, a lista é maior que os problemas da própria engenharia; os quais iniciam com a deficiência dos cursos.

muro.jpgSegundo o divulgado pela imprensa, a obra que está em construção, foi plenamente aprovada pelos órgãos de engenharia do município e devidamente assinada pelo engenheiro responsável. Inclusive, com a ART (Arrecadação de Responsabilidade Técnica) devidamente paga. Corretamente, tudo pelo dinheiro, nada pela técnica construtiva.

Afinal, é impossível haver qualidade nos cursos, os quais, os professores não se propõem a ser educadores em detrimento da técnica; faculdades sem a menor estrutura laboratorial, pois, o valor para a montagem de um laboratório qualquer é altíssimo, enquanto as mensalidades cobradas é uma ninharia de dinheiro, (tem faculdade operando um curso por 300 reais/mês. Do jeito que as coisas caminham, em breve o I.U.B - Instituto Universal Brasileiro - irá também oficializar cursos de graduação em engenharia à distância. Ser paciente é aliar-se ao tempo; o sócio majoritário das ações humanas e legítimo dono de tudo) redundando em cursos de bate-papo. Soma-se aos problemas citados, uma clientela estudantil descomprometida, desinteressada com a técnica, indolentes de vivacidade que não almeja mais que um simples canudo de papel. O aluno mais interessado, assíduo e promissor, exige que o chame no boteco mais próximo da "facu" para assistir as aulas. Dizem repetidas vezes que assinar é mais fácil e menos operoso do que levantar antes dos galos cantar, lavar a cara num fio d´água da bica fria, aquecer os pés com botinas pesadas, comer marmita fria e pôr as mãos na massa e no concreto. É uma geração estudantil que não prestam nada à pátria amada; salve, salve! Para não ser por demais prolixo e repetitivo, por fim, os problemas relacionados aos cursos de engenharia são uma enormidade e a solução para saná-los, brevidade lacônica e por vezes, endinheirada; mas a culpa é do Temer que aprovou essa batelada de cursos sem o menor critério educacional/pedagógico e formação profissional. Será?

Mas se atualmente sobram engenheiros civis, ambientais e arquitetos, em outros tempos, haviam técnicos que construíam com seriedade, comprometimento, honestidade e respeito pelo usuário; pois edificar com presteza e eficiência é contribuir para a cidadania, ordem e progresso de um povo. Convenhamos que tais atributos e virtudes passam distante, longe, muito longe dos canteiros de obras do Brasil.

IMG_5706.JPGVista frontal da eclusa em Barra Bonita. Quase 30 m de altura de concreto maciço separam a jusante à montante do rio. A inauguração data de 1973; e até então, era a única obra fluvial desse porte em toda a América Latina.

IMG_5711.JPGBarco adentrando os 40m de comprimento por 12m de largura do corredor de concreto, que aos poucos, elevará o nível de água à montante do rio.

Esse é um maciço de concreto utilitário que as mãos dos técnicos acertaram em cheio; pois, fatalmente, deveriam saber o que é slum-test. Exsudação e cura do concreto; qual cimento e o tipo de aço a ser utilizado nesse tipo de obra; as teorias, conceitos e aplicabilidades das leis de Pascal e Arquimedes; calcular as forças atuantes nas paredes de concreto e dimensionar a estrutura necessária para a devida estabilidade do maciço; determinar o fck mínimo requerido do concreto; saber o que eutrofização da água; qual a finalidade das Obras de Artes Correntes e Especiais; como se combate a oxidação do ferro; o que significa e aplicabilidade prática da sustentabilidade, etc. Por outro lado, se não soubessem amiúde o detalhamento técnico e não o exercita na feitura da obra; então, o que importaria os títulos e a nobreza dos artesãos que se propuseram à construção? Fariam da técnica, teorias humanas e nada mais?

Todos os viventes cumprem, ou deveriam cumprir seus papéis os quais se propuseram colaborar com seu meio. Por exemplo, uma lesma ou uma minhoca, ainda que mancas, tem e cumprem suas missões no nicho ecológico, em seus espaços biológicos e nas cadeias tróficas; e se tiverem que morrer na boca e garras de outrem, que seja só e somente, pelos seus predadores naturais e não pelo sal e anzóis dos covardes. Aliás, alguém já pesquisou, sabe o real valor do trabalho incansável 24 horas por dia de uma, ou de um conjunto de minhocas para o meio ambiente? E o mais admirável: altruístas espontâneas e por deleite, não pedem ou exigem nada em troca. E você leitor, como procede ao fazer uma "boa" obra?

IMG_5719.JPGApós abrir a comporta à montante, o barco está livre para navegar as águas soberanas do limpo e depurado rio Tietê. Ainda bem que, o que compõe a Natureza, por natureza, não precisa do homem. Se não...; também puderas, a Natureza sabe tudo de técnicas de limpeza, sedimentação através da decantação e autodepuração!

Porém, analisando os dias de hoje e retrocedendo no tempo, os técnicos e operacionais que construíram a barragem devem ter pecado nos itens, tais como: orçamento, custos, cronograma e como manda a carta magna da técnica de eficiente planejamento, se tudo saísse corretamente e nos prazos estipulados, como as ratazanas e camundongos iriam atacar as sacarias e os imensos queijos das despensas? Isso explica porquê o Brasil vem descendo a ladeira e não menos, porquê o presente repete o passado; exceto em se tratando de técnica aplicada e honesta nas obras de engenharia.

A engenharia civil bruta sobreviverá os tempos se levados em consideração o estudo a fundo e rigoroso do solo onde irá implantar a obra, o que é determinado pelos perfis geológicos-geotécnicos; portentosa fundação subterrânea e estrutural: itens que dependem de um calculista que entenda, primordialmente, dos conceitos de física e aplicabilidade dos mesmos às diferentes modalidades de engenharia; dimensionamento da ferragem; acompanhamento com olhos vivos e atentos o lançamento do concreto; dimensionamento da elétrica e hidráulica prevendo a pior condição futura; fina cobertura e conforme a obra, seleção dos melhores materiais; o resto é maquiagem externa, e os espectadores ao vê-la terminada, sem o conhecimento da real dimensão dos perigos se não seguiu à risca os critérios das técnicas requeridas, chamam de bela e imponente obra de arte. Porém, mal sabe os observadores e usuários que, às vezes, os olhos traem a inteligência e engabelam a mente; quando dão por si, adeus vida minha! Uma obra de engenharia tem o poder de aniquilar, dizimar várias vidas em um só tempo; e essa é a diferença única e primordial entre as engenharias e as demais áreas do ensino formacional.

Nada digo sobre as lágrimas que escorrem nas folhas e galhos de uma árvore tosqueada, podada e cruelmente, arrancada com raízes e tudo; apenas lamento, derramo nódoas pelas faces, ao ver as cicatrizes e o terror deixado na Natureza pelas mãos humanas. O homem em pináculos e mares, constrói. E sem o menor ressentimento, os sentimentos daquilo que é naturalmente, natural, destrói. Não obstante, o futuro foi e continuará sendo construído pelas redundâncias ininteligíveis; pois quando penso que evoluí, endoideço, fico lelê da cuca querendo retornar ao ponto que não deveria ter saído. Em resumo, pode haver ficção na arte de viver; mas progresso futurista mais rápido que o clarão do relâmpago, como querem a todo custo e pagam valores exorbitantes por ele, nunca!

P.S.: Minha estúpida, psicóloga, vidente, analfabeta, economista, venerada, comprometida, engenheira, educadora, alquimista, devota fervorosa e praticante de Nossa Senhora da Honestidade e acima de tudo, anti-ética, mãe dizia para eu tomar cuidado, porque, quando o filho perde a única e indissolúvel vergonha da cara, os pais podem caminhar de Ushuaia ao Japão por via única, que jamais a encontrará. Completava o sermão dizendo que vergonha é invisível e misteriosa como o sopro do vento, que faz farfalhar as folhagens e adernar embarcações de grande porte; mas jamais o causador tem a ombridade de assumir e dizer que foi ele quem causou tamanha dor e tristeza. Quem sou eu para duvidar e contradizer as palavras diretas, transparentes e sinceras de minha incrível filósofa! Acima de engenheiro, sou e exerci a técnica, tal qual o juramento e realização de Arquimedes ao dizer que, se desse a ele uma alavanca e um ponto de apoio, moveria o mundo; e jamais te causei esse desprazer Mainha...; pois ao construir uma cabana de sapé qualquer, antes de pensar em mim, pensava nos raios de sol iluminando a sala durante o dia e os pingos de chuva importunando o sono de quem eu iria abrigar. Deveras, segundo a alquimista, respeito e comprometimento por quem quer que seja, transforma dignidade em caráter puro! Virtude, as quais a humanidade carece. E não há canastras e mais canastras, imenso volume de ouro e prata no mundo, que pague quem possui e nutri-se diariamente com essas duas palavras, as quais estão catalogadas nos imensos e caudalosos dicionários, porém lidas e quase nada exercitadas. Às vezes as teorias, além de falharem, são desonestas e pecam pelo excesso. Tese filosófica que também aprendi com minha estúpida Mãe.

A foto do muro, da chacina ambiental e do Raul, são de domínio público; as demais, pertencem ao autor do texto


Profeta do Arauto

Compromissado com a verdade e bem estar físico e mental do leitor, escrevo com palavras ácidas a receita de um doce amargo como fel. A página está aberta e a iguaria na mesa. Entre e fique à vontade. Puxe a cadeira, sente-se e sinta-se convidado a degustá-la comigo. Adianto que as verdades são indigestas; e em certos casos, além de causar complicações metabólicas e glicêmicas, são rejeitadas pelos ácidos biliares. O doce fabricado por mim, quando não mata, torna o intruso adiposo de sabedoria e cultura.
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