ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mineral impermeável. Incognoscível. Sólido. Rústico. Diamante impenetrável

Filantropia: a melhor ideia artística realizada por George Harrison

A beleza da arte está além das vistas e bem perto, próxima e atada às mãos; e usando-as para doar, ainda que pouco, o doado espontaneamente e de coração, resulta em abundância para quem nada tem. Não há nada mais belo, gesto perfeito, ato mais sublime, do que pintar quadros, cantar canções, dançar valsas, tocar instrumentos, escrever sobre as inocuidades, doar com uma mão e a outra não ficar sabendo o que foi doado pela irmã gêmea. A mão que doa nesses moldes, ama incondicionalmente e não pede palmas, muito menos, aceita promoção alardeadora. Doa porque ama e ama porque doa!


O mundo é um lugar perigoso para se viver, não exatamente porque as pessoas são más; mas porque não fazem nada quanto a isso. - Albert Einstein

Contextualização: "Escreva um livro; plante uma árvore e pari ou adote uma criança para que sua excelência seja chamado de papai, ou mamãe". Se o leitor ainda não proferiu, certamente proferir-se-a esse aforismo popular que em parte, conclama os povos para disseminação do amor ágape, prioriza a fina cultura acima de qualquer outra, proclama a renovação e manutenção das espécies, tanto sua, quanto das demais, no Planeta. Ainda que não seja verossímil, lá nos recônditos do âmago, todo ser dotado de emoção aliada à razão e especificamente nesse caso, as mulheres comandam a linha de frente, ruminam tal pensamento e uma vez praticado, denominam altruísmo.

POSTER 2.jpgPaz e amor aos homens de boa, e de má vontade, também.

Uns poucos conseguem realizar a trilogia da felicidade e como não poderia deixar de ser, sentem-se satisfeitos e plenamente realizados na vida. Esses morrem felizes. Outros, das três propostas, realizam duas; portanto, não deixam de ter motivos para sentirem-se bem consigo. E a massa bruta, a maioria ou praticamente todos, esquecendo-se que sem oxigênio apurado e cultura que produza reflexão e mudanças de hábitos, a vida torna-se torrentes de ignorância e morte precoce, ficam apenas em parir, ou adotar uma criança. E o Planeta Terra e a Natureza que se virem para acalentar a cria, sossegar as vísceras de mais de 7 bilhões de bocas, quando elas estiverem famintas, sedentas por um copo com água e asfixiadas pela falta de oxigênio puro. Botar a tranca na porta depois que o visitante mal intencionado roubou até o fubá na despensa do morador, é regra no universo humano. Aí, a solução é a alma de algum chaveiro benevolente de coração correr desesperadamente para socorrer a vítima. Assim foram, não só as ideias, mas as ações do ex-Beatle, George Harrison.

Dentre os quatro integrantes da interplanetária banda de Liverpool, George era talvez, o mais reticente e tacanho Beatle. Usava os dedos para estropiar as cordas da guitarra; e não se metia a compôr, o que ficava sob irrestrita responsabilidade de Lennon e McCartney. Quando ousava sair do ritual de guitarrista, contribuía com a banda fazendo o baixo-vocal em uma ou outra música; portanto, embora fosse talentoso e com ideias avançadas além-época, no tocante às composições, arranjos e acordes, Harrison só tinha lugar, voz ativa na banda como guitarrista; então nada mais correto que comunicar para o instrumento os porquês de seu silêncio e acanhamento como membro da banda. Músico de uma "humildade" ímpar, fazer parte do mais aclamado quarteto musical que o mundo conheceu, já era bastante.

Os quatro Beatles haviam se separado no início de 1970. Como acontecera com a maioria das bandas renomadas, separaram-se sob clima tenso, quente, nervoso; provando que onde há choque de pensamentos e ideias, as labaredas do desentendimento ardem em chamas. E tudo por causa do Ego; que conforme palavras do rei Salomão, toda e qualquer conquista que o ser humano se propuser, não passa de ego vaidoso. Deveras, palavrinha minúscula, miúda, compostas apenas por 3 ínfimas letras, mas que fazem enormes estragos na relação humana; destruindo, lançando por terra, inclusive as amizades de anos e anos. Aliás, a sociedade alternativa e o viver em comunidades não deu certo foi precisamente por esse motivo, afinal, manter distância e colocar na geladeira quando o falaz é inconveniente, como fazem habitualmente os - falsos- amigos das redes sociais, é mais saudável que expô-los ao meio, contradizê-los, combatê-los, aplicando os devidos corretivos. Sobretudo, a dialética é ponderável e une os discursos promissores e democráticos até que a mentira silenciosa não venha à tona, não aprofunde e torne amiúde os porquês da falsa relação reinante entre os componentes do grupo. Verdade inconteste, onde tem gente, mais cedo ou mais tarde, com delongas ou sem, o hermafroditismo da hipocrisia cruzará, enxertará, hibridizará, emprenhará, aninhará por perto e com o tempo, nascerão as crias.

Por ser excêntrico, discreto e pensante solitário, Harrison foi dedicar-se ao misticismo, bem como aos aprendizados esotéricos do autoconhecimento. E embora tenha difundido a música indiana ainda nos tempos dos Beatles, juntou-se com Ravi Shankar; e de certo modo, foi atuante na difusão da música instrumental tirada na cítara; e não menos, na divulgação do nome do músico indiano para outros cantos do mundo. Definitivamente distante do quarteto de Liverpool, George lançou o incompreendido e antológico álbum “All Things Must Pass”, seu grande feito como músico.

harrison.jpgGeorge e Shankar num incidental acústico violado. Pura energia e leveza musical transcendente. Nas sessões de meditação, discípulo e guru revezavam-se na arte de ouvir e musicar; motivo do aprendizado ser contínuo e perene entre ambos.

No final do mesmo ano de separação dos Beatles, Harrison ultrapassa os limites do anonimado e a música "My Sweet Lord" estourava as caixas de som no mund´afora; porém, sua maior conquista como humanista estava por acontecer e atendendo o apelo de Ravi, o recente e incontestável amigo, dá início ao projeto, entra com espírito e alma na odisseia musical do "Concerto para Bangladesh"; cujo país havia sido devassado por um terrível ciclone que deixou miríade de desabrigados, além de varrer do mapa mais um sem número de paquistaneses. Com a carência de alimentos, vestuário, calçados, moradia e a fome tão comum em situações como a quê ocorrerá no país da Ásia, criaram um estado paralelo ao de Bangladesh.

Em princípio, o ex-Beatle queria reunir os demais Beatles na realização do evento musical. Todavia, a aterrissagem do voo que os separou foi um tanto quanto turbulento e havia um série de entraves mal resolvidos que negativavam a proposta de George. O ego prevaleceu, cantou mais alto e o primeiro a dizer não ao convite para trabalhar gratuitamente para as vítimas do ciclone foi Paul; e o motivo era porque Harrison estava movendo um processo judicial contra ele. O segundo foi Lennon; este por saber que o organizador não queria Yoko no mesmo palco que o quarteto. O caldo ferveu, engrossando a tal ponto entre os ex-Beatles, que George pediu auxílio a outros músicos, dentre eles Leon Russel, Eric Clapton, Billy Preston, Badfinger e Ringo Star entre outros. Era a primeira apresentação de Bob Dylan ao vivo depois do acidente de moto, que quase o levou a óbito, em 1967.

banga.jpg

Foram dois shows apoteóticos, uma à tarde e o outro à noite, no monumental Madison Square Garden. A plateia em pleno êxtase delirante, além de aplaudir de pé os amigos altruístas, colaboraram com alimentos, roupas, calçados, água e obviamente, doações em dinheiro e depósitos em conta bancária para os necessitados. Estima-se que o evento tenha rendido mais de 240 mil dólares, um disco triplo com as músicas, um filme que ainda hoje rendem dividendos e fundos para ajudar vítimas de catástrofes naturais que ocorrem de quando em quando no planeta Terra.

Por fim, tenhamos coragem, como teve George e contrarie os que dizem que nem tudo que reluz é ouro, mas dependendo do pensamento, das ideias e ideais do pensador, das forjas e das mãos dos ourives/alquimistas, quem sabe o objeto reluzente transformar-se-a em ouro. Peça licença à inibição e ao comodismo, tome uma dose, ainda que pequena de coragem e transforme-se, faça como fez o ex-Beatle e revolucione o seu meio... você pode! Ou vai tornar o mundo ainda mais perigoso para se viver? Ideias, arte, paz, amor e flores, sempre, leitores. Porque dá-las apenas na primavera, pode ser demasiado tarde para uma única vida que terá que passar por mais três estações para completar o ciclo anual!

trio.jpgHarrison, Dylan e Russel. Trio de peso da música altruísta sessentista. Com a finalidade de arrecadar fundos, esse show musical foi o mais Rock, de todos os shows beneficentes.

P.S.: Não esqueçamos que Paul declinou do concerto musical para as vítimas do ciclone em Bangladesh por motivo processual, o que demanda litígio, tempo, custa e dinheiro; no entanto, está no Brasil pagando a bagatela de aproximadamente 40 mil reais (cerca de 15 mil dólares) no hotel em que está hospedado. Uma vez ego, sempre ego, porém, sempre há os imbecis que bancam o ego dos senhores egoicos. Aliás, a imbecilidade é irmã gêmea da bestialidade e enquanto uma está no Brasil, a outra gira o mundo, portanto estão em todos os territórios e decididamente, não possuem nacionalidades. O visto de entrada e saída nos países é plenamente aceito e liberado pelos usuários de seus préstimos.

Fecho a fantasia existente no altruísmo, escrevendo que o Saci tecnológico possui uma perna, mas pula com duas; pensa com uma cabeça cheia de ideias totalmente inócuas; possui dois cotovelos, mas fala bem da vida dos outros com a língua; e embora tenha duas mãos, escreve com uma. Puta sorte desse querubim, dessa entidade fantástica, desse arruaceiro de mente possuída por neurônios faiscantes e corruptos, que se não faz mal à ninguém, bem também não!.. Como deve ser o PH da água potável, é um sujeito neutro e inofensivo; porém, como foi Harrison, o ex-Beatle, é excêntrico e enxerga o mundo com outros olhos; e não com os que estão, um de cada lado, acima do nariz, embelezando uma cara de fisionomia horrenda e assustadora. Saci fantasia nunca pensa, mas quando tira um segundo para pensar, pensa que o amor ágape, genuíno e puro de coração não está na obra de arte que julgam bela, na artesania que entendem ser linda aos encantamentos dos olhos que não saltam das órbitas.

Esparrame as gotas de felicidade de George até onde as nuvens e as lufadas de ventos possam chegar; quem sabe alguma mente lúcida e iluminada exercite-a sem precisar teorizá-la. Diante das infinitas improbabilidades, tudo é possível!


Profeta do Arauto

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