ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Neologismos. Krautrock. Futebol. Deep Purple. E elegia para um Lord

Como os neologismos e as inovações propostas pelo homem no decorrer do tempo, e o homem e o tempo são mestres em destruir, dizimar o conservadorismo e lançar por terra o tradicionalismo, o Rock também sofre com os neologismos; e conforme o interesse das gravadoras, empresários inescrupulosos e certas posturas espalhafatosas e visuais esquisitos dos artistas, o que não faltam são nomenclaturas para expressar o mesmo sentimento latente de todos, que é a rebeldia, não da palavra em si, mas da literalidade e atitude cultural do Rock. Entretanto, melhor se mantivesse o Rock puro e honesto, como foi o caso de dezenas de centenas de bandas que desfilaram o musical mund´afora. Aliás, o Progressivo brasileiro, argentino e até mesmo venezuelano, são fortíssimos e se são desconhecidos, não é pela falta de qualidade do som que faziam, mas pela limitação, desinteresse e desqualificação cultural de certos povos.


Prosseguindo a introdução: Incluo no pacote dos desqualificados musicalmente, os brasileiros, porque dizer que apenas Pink, Yes, Led e mais meia dúzia de bandas, é Rock, como ouço constantemente, é simplesmente manter-se na superfície, é uma aberração de conhecimento sobre o estilo. Mesmo porque, funk, rap, pagode, sertanojo, neologismos e futebol não são fontes de melhoria intelectual, não resultam em nada culturalmente, e menos ainda, colaboram para a resolução dos problemas sociais do país. Vide o momento atual...; também puderas, cada país joga bola e tem a bunda (es)cultural que merece! Mas o Temer cometeu golpe, ah, se cometeu? Golpe: além de ideológico, também político..., portanto, a culpa pela falta de escrúpulo cultural do brasileiro é exclusivamente, dele. Mantenhamos em pé o nosso futebol esplendor de cada estádio construído especialmente para a copa de 2014, bem como o que nos dão como cultura reflexiva, e abaixo o Temer!

deep.jpgEsquecendo os léxicos dicionarizados, neologismos são palavras e expressões novas que não resolvem velhos, infindáveis e insolucionáveis problemas. Boa parte das teorias e teses humanas não passam de neologismos filosóficos e dialéticos.

Como é de conhecimento de quem está aí do outro lado e perde o seu precioso tempo lendo as inocuidades que escrevo, minha ideia é levar ao leitor, indiferente ao "estilo", as bandas raras e desconhecidas (fubá no almoço, farinha no jantar, acompanhado por um ovo branco aguado frito, cuja produção em tempo recorde é com ração e hormônio frito, é o trivial de todos os dias no prato do brasileiro) que foram os pilares do próprio estilo ou gênero. E por fugir do assombro da mesmice, escrevo paulatinamente sobre intérpretes, compositores e músicos da velha e adorável M.P.B; rabisco umas linhas sobre as indizíveis sonoridades do caipira de raiz (detesto usar essa expressão, porém necessário, porque uns idiotas cunharam um tal de sertanejo univers(o)tário, que não passa de neologismo brega da pior qualidade); dou pitacos sobre jazz, blues e clássico/erudito, mas o forte mesmo é o mal digerido socialmente, Rock.

E dentre as inúmeras vertentes e neologismos criados, preferencialmente, Rock Progressivo; afinal, se é para perder tempo escrevendo e lendo coisas sem nenhum valor, coisas que pouco acrescentam para o nosso cotidiano, que percamos tempo com as coisas boas, de qualidade, esplêndidas e imprescindíveis do Rock clássico; àquele que denomino Rock puro e honesto. Porém, se essa definição do Rock sem pulverulências e adulterações midiáticas, não é a melhor, podemos chamá-lo de Rock: estilo musical "Q.C: Quebra Coco". O que pensas sobre a proposta, caro leitor? Se criam novas linguagens e neologismos para tudo que é ultrapassado, por que não inserir o Rock Puro e honesto nesse contexto e de agora em diante, chamá-lo de Rock estilo "Quebra Coco". Detalhe: não é por causa da criação do neologismo aplicado ao estilo, que o Rock deixará de ser original e autêntico, ao contrário, uma simples maneira de resguardar o gênero de tanta pulverulência e adulteração.

Krautrock. Quê expressão mais estranha, chega ser chula? Deveras, como descrito sobre os neologismos e rótulos impostos pelo homem ao seu semelhante, a expressão kraut foi imposta às bandas alemãs que apareciam num relampear nos idos de 1960, até a socialização do estilo, quinze anos mais tarde, ou mais. E por que da expressão? Kraut em alemão significa algo estragado, podre e por vezes, rejeitado para o uso. Como os ingleses eram os poderosos, quase os pioneiros a fazer Rock de primeira linha e sinônimo de Rock puro no mundo, acredita-se que foram eles, os ingleses que relacionaram o estilo alemão de fazer Rock, com o chucrute, que é a iguaria resultante do azedume da conserva do repolho; ou especificamente sauerkraut, que significa literalmente "repolho azedo", comido intensamente pelos alemães.

Pink Floyd, Genesis, The Beatles, Creendence, Led Zepplin (praticamente são as bandas da velha guarda que chegaram em terras indígenas) e outras estupendas bandas que me perdoe, mas o rock alemão são notas nervosas, inquietas, agressivas, pesadas, leves, corrosivas, rasas, profundas, intrépidas, progressivas, sinfônicas; enfim, é tão bom, tão qualificado, tanto quanto o Rock inglês. Sobretudo, pela seriedade como faziam música, aliás o que lhes é peculiar desde que receberam os dotes da dignidade e presteza. É tão verdade a descrição, que basta relembrar a aula de futebol que eles deram e ainda que ganhando de balaiada, (os vexatórios 7 x 1, a maior goleada de todas as copas) mantiveram a seriedade de jogar para frente sem firulas, correndo em campo até o término, nada parecido com nossos heróis do futebol e o pior: agora deram para culpar as chuteiras coloridas pela falta de competência. Ao chutar para fora a cobrança de pênalti, olham e socam o gramado, em seguida esbravejam com as chuteiras. Corretíssimos: as cores das chuteiras não ganham rios de dinheiro, aliás não cospem em emblemas de clubes, não são mercenárias pela maçarocas de money, mas são marcantes na colaboração com a ruindade dos fulanos.

Os alemães pecaram somente em não ter enfiado uma sacolada maior, uns 15 ou 20 gols nos perebas, na súcia de boleiros corruptos e mercenários, comandos por João Havelange, Neymar, David Luis, Hulk, Firmino, (antes de aparecerem na seleção, quem sabia que esses sujeitos eram brasileiros?) Tiririca, Adriano o imperador?; Carlos Nuzman, Romário, (participou da chamada muamba tétrica, cuja ideia, era não pagar os impostos e tributos sobre os muitos presentes recebidos por terem levantado a taça em 1994, nos EUA, à Receita Federal. Merecidamente, atualmente o "baixinho" é Deputado e está lá na boa, só falando besteiras e pondo no bolso a grana dos imbecis que creditaram no nome dele os votos nas urnas) Galvão Bueno, Pelé e muitos outros, que além de usar os esportes para enriquecerem, colaboram para a falência do futebol bem jogado, artístico, socializado e humano, como um dia a pelota rolou sem domínio nos gramados tupiniquins.

De modo geral, os brasileiros são individualistas; e deleitam-se com o imediatismo e sem questionamentos, aderem facilmente os neologismos, tornando o tradicionalismo desnacionalizado. Contrário do exemplo de patriotismo dado por Klose, que ao ser perguntado como se sentia em ser o artilheiro de todas as copas, superando Ronaldo, que os brasileiros idolatram com o epíteto de fenômeno, respondeu: "Não fiz mais quê meu dever; é minha obrigação fazer os gols, pois tanto eu, quanto os demais, jogamos em favor de uma nação que está nos vendo emocionada na Alemanha. Não podemos trai-los; somente isso..."

O Rockpalast - palácio do Rock - é um projeto da televisão alemã WDR (Westdeutscher Rundfunk)que ultrapassou as barreiras do som e permanece viva irradiando o melhor do estilo para o mundo. Relevante dizer que, inicialmente, o espetáculo das bandas eram num cubículo totalmente underground, ou em um minúscula garagem. Óbvio que dos anos de 1970 para cá, muita coisa mudou, mas a seriedade como faz os musicais permanecem vívidos; o que é típico dos alemães. Outro ponto que deve ser destacado do projeto, é que os musicais aconteciam no silêncio tenebroso da noite e percorriam toda a Europa; e obviamente, tanto os tele quanto os espectadores, dormiam durante o dia para não perder o feito histórico na madrugada. O som rolava solto e para comemorar as duas horas de show "quebra coco", nada melhor que muito uísque, mais ainda vodka sem gelo e uma pitadinha bem leve no baseado. Brasinhas luminosas em meio à escuridão, nada diferente de um bando de vagalumes procurando luz na imensidão do etéreo. A nobre cultura e o Rock puro e honesto se completavam com esse arsenal de experimentações, ácidos e viagens lisérgicas de ida ao devasso e volta à monotonia de farejar a mesmice.

Deep Purple - Live Rockpalast - 1985 - (Palais Omnisport Paris). Os espaços usados para os musicais do Rockpalast eram pequenos, porém, para não haver pisoteios e transtornos entre o público, porque uma banda com o potencial e envergadura como o Purple requer espaço alargado, os integrantes da banda pediram uma área maior para celebrar à ocasião, e foram prontamente atendidos pelos organizadores do evento.

Feita a apresentação do musical, nesse show a banda de hard Rock clássico toca com a melhor formação, dentre as várias que por ela passou. Citar um ou outro é covardia de quem escreve este, porém deve-se ressaltar os gritos estéricos, estridentes e apavorantes de Ian Gillan, o garganta de ouro. O bigode eriçado de Lord devido a fúria ao bater nas teclas do órgão Hammond C-3, série posterior ao potente B-3, os melhores modelos e sonoridades, em se tratando de teclados. Os grunhidos eram ainda melhores quando subordinados aos dedos estrambólicos, devassos, avassaladores, como os de Lord. Alguns eram órgãos de tubos, como são os de igrejas barrocas, bem ao estilo medieval. Em síntese, sobre o Purple, todo e qualquer dicionário é nada para dar significados aos que esses monstros do Rock puro faziam. Sóis em brasas e tempestades de chuvas, desposamento de virgens viúvas! De Rock "Quebra coco", a banda transava tudo...; fodia tudo e nada passava ileso, sem que uma lasca de virgindade ficasse para trás.

Lord era um show a parte, dentro do show. E o Gillan na gaita; ruim, não? Só quem cruzou com eles frente a frente na mesma arena, pode responder com conhecimento de causa sobre a bravura desses "touros indomáveis do Rock "Quebra coco".

Jon Lord (in memórian) foi mestre do teclado. Lendas do musical, ele e Ritchie, provavelmente, tenha sido a melhor combinação de guitarra e teclados que o Rock puro conheceu. John era visto como um dos melhores, oxalá o melhor tecladista de Rock e sua performance musical era de extrema velocidade e rapidez no deslizar os dedos sobre as teclas. Todavia, Purple foi uma banda fora de série e não menos, os desacordos entre os participantes, motivo de manterem a banda Rainbow, formada pelo ex-integrante, Ritchie Blackmore, em paralelo. E assim que a discórdia baixava sobre a oficial, corriam para a paralela. Por sorte, nesse show a banda está com a formação original (inclusive um tubo de pomada acnase creme para pôr nas espinhas dos rostos e aparador para o bigode estuprador de Lord) e para felicidade neuronal da plateia, tocaram vários clássicos, desde um solo estratosférico, até Lazy (vagabundo, indolente, preguiçoso) que para quem escreve este, é o melhor som da banda. Aliás, nomeio o disco Head Machine como a obra mestra, a máxima produção da banda.

O encontro de duas humildes e simplórias sumidades dos teclados. O Rock sólido e impermeável agradece.

Breve elegia musicada por ele e letrada por quem escreve este: valeu pela contribuição para o melhor e mais apurado Rock "Quebra coco", bravo Lord! Os excelentes tradicionalistas não são eternos e se não são dizimados pelos neologismos criados pelo homem, são destruídos pelos inexoráveis critérios do tempo. Toda folha clorofilada com sua proficuidade oxigenante e elégica, após cumprir sua missão na Terra, amarela, murcha, seca, cai do galho e às vezes, morre precocemente! Porém, fertiliza e aduba o solo. Quando incinerada, as cinzas alimentam a carne, a mente, as mãos e os dedos de outro Lord. Missão difícil para uma atualidade seca, árida e dominada pelo dinheiro; mas não perderemos as esperanças; que como dizem os sertanejos originais que nada entendem de neologismos, esperar resignado com fé e crença pelo retorno do excelente, é ato e virtude que jamais morre! Por que merda, futilidades e banalidades, não há mais espaço no Planeta para tanto!

Para as notas angelicais do Rock tradicional clássico, a desumana e implacável morte não deveria existir; porque eternizá-las apenas no musical, é pouco e merecem muito, mas muito mais que ouvidos, aplausos e assovios.

Que produção musical "Quebra coco" monstruosa...; magistral orgasmo em conta gotas!

P.S.: óbvio que há shows do Purple infinitamente melhores do que este, a começar pela acústica; porém o Rockpalast mantinha o tradicionalismo acima de qualquer tecnologia. O projeto primava pelo trabalho suado dos músicos, pela rusticidade dos instrumentos e deficiência das mesas de som de poucos canais. Curtiam o Rock feito com a mais pura competência, raça e sangue desprendidos pelos músicos e muita, mas muita ousadia e energia em prol do musical Rock. À época improvisar e criar eram precisos, necessários para a sobrevivência da banda no exigente mercado do Rock. Será que Purple teve cabedal e potencial humano para tanta exigência ao longo de mais de 45 anos de música?


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
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