ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Próximo, lado a lado com as teorias e longe, anos luz da solução, sigo impotente, escrevendo nada de óbvio para Obvious

Overdose de Riders on the storm, do The Door´s

Jim Morrison is absolutely live; ou está absolutamente vivo em outras vozes que cantam e interpretam The Door´s! Representando a banda Sepultura, uma das vozes é de Derrick Green, com Andreas Kisser no violão.


Houve um tempo que, mais exatamente quando o Rock clássico passou por uma profunda depressão, sumindo do cenário underground e por consequência, afundou na decadência de vez e nunca mais foi o que era, apareceram no espaço alternativo inúmeras bandas covers. As "cópias" traziam uma versão renovada dos clássicos setentistas e uma vez que faziam um som apurado e de boa qualidade, algumas bandas conseguiram sucesso e notoriedade de público e vendagem. Dentre as que ficaram famosas, destaque para a banda americana, "Dread Zeppelin", que além de fazer covers de diversos estilos, ficou conhecida interpretando os clássicos da banda inglesa Led Zeppelin; daí a origem do nome do grupo. Com a aceitabilidade dos ouvintes e precariedade advinda da falta de renovação, Dread foi relativamente bem divulgada; não menos, tocada nas rádios com programação alternativa no circuito Rio-São Paulo de Rock.

jim.jpgA foto mostra como antigamente se fazia música de maneira objetiva e humana. Como disse Milton Nascimento, "o artista tem de ir aonde o povo está"; e para que o ato se consolidasse em arte, bastava o pessoal plugar os instrumentos ao amplificador (ou não) e de forma simples, a produção artística subia às alturas sem maiores traumas e dramas. Tudo muito simples. Assim que se faz. Alvo como a neve. Tudo muito natural. O luar engendra monstros estelares. Centelha viva da mente. É o Rock da paz!

Cavalgue na tempestade, molhe os fios de cabelos, hidrate os neurônios, sinta-se borboleta levada pelos ventos minuanos, empapuce os hormônios gonadotrofina e ejacule à vontade de tanto ouvir a música Riders on the storm, composta pela banda The Door´s, nas vozes de sete intérpretes nada habituais do Rock mundial.

Em alto e bom som, a primeira versão é da banda americana Creed. Formada nos anos 90 e liderada pelo polivalente, Scott Stapp, a banda fez um show memorável em São paulo, em 2012. No ano seguinte, o grupo se separou; voltaram com o nome de "Alter Bridge". Hoje não se sabe por onde anda...; também puderas, a música apurada não permite que os executores de suas notas comam alpiste nos cochos na mesma estação, como fazem os pardais e os pombos!

Nesta sensível linguagem musical para os espíritos vadios, incrível o parentesco entre o vocal rouco de Scott com a voz dilacerada de Jim.

A segunda versão é ao ritmo latino; e é assinada por Chester Bennington e o mexicano Santana, renomado guitarrista que já foi aclamado como um dos melhores do mundo. Para quem está tentando se localizar no tempo e espaço, Santana é o compositor e cantor de "Guajira, Black magic woman; Samba pa ti, Oye como va, Flor d´luna, Evil ways de 1969 e muitos outros hits famosos. Figura desconhecida, o músico subiu ao palco do festival de Woodstock como mero coadjuvante e saiu com status de senhor da guitarra. Ovacionado de pé pela plateia, a partir daquele data, nunca mais foi o mesmo roqueiro/latinista e tocador nos bares e pequenos espaços em San Francisco, EUA.

Conhece a banda de peso metal/melódico, "The 69 Eyes"? Não?... então não perca a oportunidade e ouça-a nessa versão para lá de cavalgada. Excelente vocal que flutua entre o obscuro e o pigarreado dos musicais do faroeste americano.

Joe Lynn Turner largou acelerado e seguiu alucinado, contornou a décima órbita lunar e ao aproximar da confluência entre o etéreo e o Nirvana, disse que "canta a sua maneira, sem imitar quem quer que seja". Peça marcada do rock detonador, o músico já brindou sua guitarra giratória na extinta banda Rainbow, Deep Purple e atualmente perde tempo se apresentando com a tropa que já passou pelo Quiet Riot; Ozzy Osbourne; AC/DC e outros. Ser ruim no que faz e não ter o que fazer, dá nisso. Eterno drama daqueles que sobrevivem da arte musicada. E o leitor acha que esses doidões do Rock se preocupam com isso? Pela frente ou por trás, o barulho do Rock, sentido da vida, é o que importa e a posição, tanto faz!

Se é sobre o The Door´s, nada melhor que Ray Manzarek para interpretar em seu teclado jazzístico e lisérgico, o trabalho que fazia com maior apreço, profissionalismo e carinho para a banda nos tempos áureos do Door´s. Viajando de asas abertas no cavalo alado dos imortais, enquanto as teclas choram ao ser tocadas pelos seus dedos, o músico declama, esmiúça, dialoga com a letra de Riders on the storm, composta por Jim e cia. Quanta saudade Ray deve sentir ao apresentar uma peça musical da banda! Além de competentes, os quatro Door´s foram anarquistas do Rock puro e honesto.

Interpretada por Scott juntamente com Ray nos teclados; John Densmore na bateria; Robie Kriger na guitarra, os três membros que sobraram do Door´s. Nessa, o vocalista Scott não faz o mesmo falsete que fez na versão com a banda Creed.

Por fim, fecho o transe cavalgado em tempestade sonora, com uma banda brasileira. No vocal, Derrick Green; no violão, Andreas Kisser e o restante dá(va) um canja de pura habilidade instrumental no "Altas Horas; quando o programa do Serginho Groissman era vinculado às coisas prestáveis e não maltratava os ouvidos dos telespectadores. Ridículo foi a plateia engomadinha e comportada fazer a coreografia bate palminha, bate, para o que não conhece; pois se desconhecemos o produto que consumimos, sejamos humildes lendo a bula ou perguntemos sobre. Saber e conhecer a fundo a disciplina, não danificam e menos ainda, ocupam lugar nos arquivos do museu, chamado mente. Contudo, um dia, sabe-se lá quando, talvez no juízo final, a massa ouvirá a música fina que os excelentes confeiteiros levaram décadas e mais décadas para confeitar as notas, acordes, arranjos e harmonias nos nobres bolos e doces musicais que faziam; e não são vendidos em qualquer empório e vendinhas de secos e molhados.

Comum nas apresentações ao vivo e jam session´s, Andreas kisser vacilou ao mudar de nota, Derrick engoliu uma entrada ou outra e não soltou um berro gutural, sua marca registrada, mas o que importa é o esforço desprendido por todos para rememorizar essa que é, dentre as muitas, uma obra musical fantástica do Door´s. Espero que tenha curtido; pois assim farei outros. Contrário ao "When the music's over, do próprio The Door´s, a música que respira energia vital não pode acabar, jamais. Se ela acaba, o roqueiro de alma e espírito asfixia-se em meio à música qualificada que pipoca aos montões nos tiroteios funk`s. Contrário ao animal pertencente a espécie da família Ascarididae, asfixia a tal ponto, que fadiga e morre afogado. Sufocado.


Profeta do Arauto

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