ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Compromissado com a verdade e bem estar físico e mental do leitor, escrevo com palavras ácidas a receita de um doce amargo como fel. A página está aberta e a iguaria na mesa. Entre e fique à vontade. Puxe a cadeira, sente-se e sinta-se convidado a degustá-la comigo. Adianto que as verdades são indigestas; e em certos casos, além de causar complicações metabólicas e glicêmicas, são rejeitadas pelos ácidos biliares. O doce fabricado por mim, quando não mata, torna o intruso adiposo de sabedoria e cultura

Que problema há em produzir lixo em série!?

Uma reflexão sobre as raspas, restos e sobras; porque pensar sobre as várias maneiras de reciclagens está longe de meu entendimento, e sobretudo, demanda atitude e boa vontade, virtudes que menos trago incorporado no meu DNA. Geração Meio Ambiente, geração!..; querem saber tudo e como poderosos reis sem coroa, quem tudo sabe, tem o direito de sentar no trono e comandar os subalternos nas tarefas que não se propõem fazer. Ação consciente e trabalho árduo, dão trabalho e liberam suor em bicas. Contudo, diga-me a resposta do título, explique-me qual é o nome correto, como é classificado, por quem e como é produzido o lixo? Se não interessa para os demais, interessa-me saber a fundo sobre os meus restos e sobras de cada dia.


"Com o puro, tu te mostras puro". - Salmos 18:26

lixo.jpg

Gravatas. Grana. Grandeza.

Sorrisos. Traidores. Em seres sociáveis.

Dentes. Corpos. Restos. Sangue. Olhos.

Luxo. Corrupção. Da Luxúria à podridão.

Unhas em restolhos. O lixo do homem.

Contextualização: genericamente e por desconhecimento, qualquer sobra, todo e qualquer objeto residual é chamado de lixo. Em se tratando de coisas inúteis e restos que não são aproveitados nos lares, hospitais, comércios, indústrias, área urbana e rural, etc, não é tão incorreto chamá-los de lixo; porém, o mais apropriado seria dizer resíduos sólidos. Portanto, gerados pelas atividades humanas, por definição, resíduos sólidos é tudo sem a mínima utilidade e compreendem, os materiais, instrumentos e objetos que devem ser eliminados e descartados; obviamente, em lugar apropriado, os quais devem ser distantes de nascentes e mananciais hídricos. Restos de dejetos e sobras de impurezas, não combinam com o solvente natural, ou líquido da vida, que para o consumo humano deve ser inodoro, insípido, incolor, límpido e puro.

Essa geração que revive os traços de personalidade do personagem Rebordosa da Mad, revista/pasquim que veiculou no final da década de 70 até quase a década de 90, com o corpo mapeamento pelo bicho geográfico e seus penduricalhos fixados nas sobrancelhas, orelhas, umbigos, línguas, pênis, vaginas e dentição, além de consumista em potencial e de pouco retorno ou nada à fonte servidora, (parasita inútil que não serve nem para dirigir o carro da família?.. também não, garantidamente, servem para usurpar os bolsos dos pais e avós aposentados) é exigente e sempre quer a melhor mercadoria servida pelo Meio Ambiente na mesa, no copo, no prato, no banho, na cama, nos bordéis e nas atividades diárias que suprem suas "necessidades" dia a dia. Senhora e dona de si, essa geração insustentável não se preocupa em questionar que estão exigindo em demasia de uma Natureza saturada, desgastada e enfurecida pelo uso exacerbado; e por retirarem tudo dela, necessita urgente, de descanso para recompôr e renovar seus mecanismos produtivos através da resiliência; caso contrário, o planeta Terra entrará em colapso definitivo.

Importante saber que pela lei da proporcionalidade, o lixo residual que um bairro, uma cidade ou uma nação produz está plenamente relacionado ao modo de vida de sua população. Exemplificando, as cidades medianas, megacidades e países industrializados produzem grande quantidade de lixo inorgânico. Já nos países em desenvolvimento como são estudados, nas pequenas cidades do interior, nos povoados, assentamentos rurais e nas fazendas, grande parte do lixo produzido é de origem orgânica.

O lixo são classificados em quatro grupos e quem não produz uma modalidade das quatro possíveis, em casa? Diga rápido qual e que lixo é o seu?

- lixo domiciliar, produzido nas residências, tais como restos de alimentos e sacolas plásticas;

- lixo comercial, produzido nos estabelecimentos comerciais como lojas, butiques, mercearias etc.;

-lixo industrial, produzido nas indústrias, como por exemplo, restos de matérias-primas e subprodutos da produção;

- lixo hospitalar, produzido nos hospitais, postos de saúde, clínicas, laboratórios e farmácias.

Cacarecos. Lixas. Vidros em cacos.

Palma. Alimento. Mãos. Sem luvas estão.

Oxiúros. Anuros.

Cata trecos. Espinhos em cactos.

Monturos. O homem do lixo.

20171107_081108.jpgFoto pertencente ao autor do texto

Explicando as diferenças entre um e outro, o lixo orgânico é aquele originado de quaisquer seres vivos, animais e vegetais, que são facilmente decompostos pela natureza. Restos de frutas, verduras e plantas (folhas, galhos, pedaços de madeira, serragem etc.) são alguns exemplos de lixo orgânico. Aliás, transformam em serrapilheira, que é a camada mais fértil do solo e está 20 à 25cm de espessura abaixo da superfície.

Contrário dos resíduos orgânicos, tem-se o lixo inorgânico, que resulta de produtos industrializados (plásticos, vidros, metais etc.); e comumente, é quase impossível sua decomposição de imediado pela natureza, levando décadas ou séculos para a decomposição; porém, desde que haja querer e boa vontade coletiva entre família, sociedade e governos, boa parte do total pode ser reciclado pelas mãos humanas.

Direcionando o tema do artigo para o Brasil, aqui tudo é sazonal e a continuidade dos projetos e questões de relevância social são tratados como anúncios afixados nos estabelecimentos públicos após o horário de atendimento e dizem: "Continuaremos o atendimento amanhã; porém, só atenderemos com senha." Exatamente aí que está o ponto, pois além de não entregarem e se entregam, não pegamos a senha, os problemas vão sendo postergados e nada de serem, ainda que parcialmente, resolvidos. Tal verdade está escrita nas entrelinhas ocultas nas pastas das Secretarias e Ministérios da Saúde, dos Transportes, da Habitação, da Educação (educação é a guloseima que mais usam para adoçar a massa) e outras. Mas em todas elas e em todos eles, não suscito a possibilidade, afirmo plenamente: tem muita sujeira, podridão demais saindo pelas chaminés acima dos intocáveis telhados de cristais.

E o pior: com o tempo, arquivam os processos e dependendo do bom humor e querer, porque humanos de inteligência, emoções, ossos e carne não foram esculpidos com o resistente, feitos com diamante bruto, reiniciam, recomeçam do zero o que estava em andamento. Infindável renovação. Com isto, parecidos relógios estáticos nas paredes, tudo vai se repetindo em tic-tacs e o vai e vem, o lenga-lenga não é dado por encerrado, pelo menos em partes; ou nada, como queira. Em terra tupiniquins, onde os portugueses e bandeirantes, além de saquear as nossas riquezas e deixar como pagamento as botas esfarrapadas e chulezentas, mostram-se ser senhores corteses, se enfiam onde não são chamados e por isto, qualificados como "anão diplomático" pelos Norte-coreanos; dão pitacos em tudo, para em nome do descompromisso social e humano, nada resolver. Nascemos assim, fatalmente, morreremos assim.

Até antes da crise econômica, os aterros sanitários da capital e grande São Paulo, recebiam em média, as humildes 18 mil toneladas de resíduos. Ora, multiplicando 18 mil por mil, temos a bagatela de 18 milhões de quilos descartados, de restos de resíduos humanos lançados nos aterros sanitários. Para uma capital como São Paulo, esse montante representa 1 quilo de resíduo/pessoa, por dia. Pensando que poderia ser 5 ou 10 quilos/pessoa, uma ninharia de lixo por cada cidadão, não? Contando que segundo as pesquisas, a população está envelhecendo e os idosos consomem menos que adolescentes e crianças, significa dizer que a geração atual é quase nada consumista. Portanto, deve-se contabilizar e creditar na conta da geração consumidora a parcela pertencente aos maltrapilhos, mendigos e humanos que estão à margem da sociedade. Estamos na era em que animais domésticos, que também consomem e por isso geram lixo, são mais venerados que amores malamados e corações feridos. Sou incapaz de regar uma plantinha em seu leito de morte, não menos, oferecer um copo com água para o gari, mas deleito-me em cofiar os pelos de cães e gatos de raça pura; principalmente, aqueles animais que eu trouxe do exterior.

Apenas exemplificando o que é fato verossímil vistos a olhos nus e por isto, não deve ser confundido como discriminação de classe ou algo que o valha, (às vezes o que tomam como discriminação não passa de melindre social, assistido por lei em vez de bom senso; que é o recurso que criam quando falta a virtude da boa relação entre os participantes do meio grupal) basta passar em frente as favelas, que alteraram a nomenclatura para comunidades, mas os costumes e hábitos dos que habitam-nas continuam os mesmos, que as rumas de resíduos estão tapando as principais entradas. Trabalhando intensamente, as pás carregadeiras enchem caminhões e caminhões e assim que terminam o recolhimento e finalizam a limpeza do espaço, imediatamente recomeçam a fazerem do ambiente, ora limpo e relativamente asseado, novo "aterro sanitário itinerante". Salvo uma ou outra, esse tipo de atitude da população é regra nas comunidades dos grandes centros no Brasil. A elite para não perder o pedestal, não fica para trás. No tocante à cultura do desrespeito ao que é público, a desordem não escolhe classe social; ao contrário, unem-se na igualdade existente na imundície do lema: socializo o lixo produzido por mim, sobretudo, o que é meu, disponho para todos os meus semelhantes. E montes de merdas, fetos, embriões, absorventes com a cor do socialismo, preservativos gotejantes, calcinhas e cuecas com furos direcionados, vidros quebrados, sofás e rumas de restos e lixos de toda cor e modelo são jogados aos borbotões nas esquinas das confluências de ruas dos grandes centros do país.

20171107_073922.jpg Qualquer canto de muro, tronco de árvore, poste de eletricidade, tem seu devido valor para quem relaciona-se bem, ama de perna apoiada ao substrato e transa com o lixo. Foto pertencente ao autor do texto

Convenhamos que assim como não existe maus governos, sem a bondade do povo; não há grandes problemas que não tenham iniciado pelos pequenos. Tudo, mas tudo na vida, até a irresolução do lixo doméstico, é o acúmulo do pouco transformado nos montes da demasia. Por mais e mais, que problema há em produzir lixo em série!? Nenhum. Ainda mais sabendo que a culpa não é minha e sim, do golpista Temer e sua corja. Mais: futuramente continuarei sendo, precisamente, geometricamente, milimetricamente, igual ao que sou agora; ou seja, um sujeito cosmopolita de um mundo, imundo.

lixotec.jpgPesquisa realizada em 2006 para a confecção do gráfico. Regressando aos 11 anos de pouca reflexão e atitude sobre o assunto no voo 2017, de lá para os dias atuais, será que as engrenagens das máquinas de empresas e industrias de tecnologias pararam no tempo para as sociedades desceram das naves do consumo coletivo desregrado? O que foi dito aos berros nos grandes centros, nas conferências, nos simpósios, nas agendas sobre Meio Ambiente, nos cursos de Engenharia Ambiental e oficinas sobre o assunto; e o que estão fazendo de prático para sanear os problemas do lixo? Nada. Assim como as porcarias que escrevo, obviamente para não ser lidas, os restos e as sobras humanas vão para os aterros sanitários itinerantes.

Pergunto: em frente a sua casa tem uma lixeira para acondicionar os seus restos e sobras com certa segurança até a passagem do coletor municipal; porque separar o lixo e selecioná-los por categoria e tipagem está longe, anos luz do consenso do consumidor? Sejamos honestos com nosso espelho: trabalhar dá trabalho; e como dá! Outra bazófia é dizer que o trabalho dignifica, enobrece o homem. Expressão falaciosa, mentirosa; pois, em mais de 200 milhões de improváveis, quais e quantos se propõem e querem ser dignos e nobres, lavando, passando, cozinhando, levantando cedo, coletando o lixo, lavrando a terra, varrendo e limpando a podridão de uma sociedade desrespeitosa, ostentadora, melindrosa, adúltera, carente, viciada, desaforada, indolente, consumista, podre, imediatista, como é a brasileira?

20171109_121613[1].jpgFoto pertencente ao autor do texto

Amores com tempo de cozimento de miojo. Amizades evaporadoras.

Laços de seda velha e esfarrapada. Lixos.

Lamentavelmente mutáveis... Lamentavelmente instantâneo.

O rolo compressor esmaga. As pás carregadeiras limpam.

Os caminhões transportam. Os aterros sanitários aceitam de bom grado.

Em tempos de consumo desgovernado, em segundos, tudo se transforma em lixo!

Fora esse montante, temos ainda o resíduo tecnológico; que é o lixo resultante de comprar certo equipamento eletro-eletrônico hoje e descartar nos monturos amanhã. A maioria, senão todos os modelos de máquinas, instrumentos e equipamentos, - tomem como referência o automóvel - já saem de fábrica com o prazo de validade "vencido"; pois, devido as inovações tecnológicas que ocorrem da noite para o dia, tornam-se obsoletos imediatamente. Obsolência tecnológica é o termo genérico para essa forma desgovernada de consumo da população e alimenta só e somente, os países que produzem tecnologia. Aliás, embora preguem o "socialismo" justo, começando pela divisão igualitária dos recursos e bens, vendem seus produtos a preço de ouro, ou em dólar, ou em euro, para os países pobres, estudados pelos especialistas como emergentes. Ademais, pobres ou emergentes, de quem consome, arrancam o couro. O que há em um telefone celular smarthphone para custar cerca de 1400 dólares? A sociedade brasileira é miserável, com cheiro de perfume francês, quando não, fedida a suor de rico.

O tema é extenso e abrangente, motivo de demandar outro texto; porém permita fechá-lo com a pergunta pertinente: "Que lixo é o seu?" Pergunto por que eu ainda não descobri se sou o homem do lixo, ou o lixo do homem; e por não saber quem sou, não sei qual o tipo de lixo produzo. Mas ainda saberei... e quando souber, prazerosamente, escrevo outro texto relatando. Porém, com conhecimento de causa, adapto um antiguíssimo aforismo oriental à nossa conduta, o qual diz que “O lixo que sua excelência descarta aqui ou ali, sempre volta à porta de sua casa um dia, cabe ao doutor escolher a cara e o cheiro dele!”

"Tudo é puro para os que são puros; mas nada é puro para os impuros e descrentes, pois a mente e a consciência deles estão sujas." (Tt 1:15).

O Meio Ambiente agradece imensamente pela leitura; e pede encarecidamente ao caro leitor que separe o seu resíduo produzido e descarte-o em lugar apropriado! Manda dizer ainda que, no conjunto da obra, ou melhor, com a separação e destino apropriado dos resíduos reciclados, todos se beneficiam e ganham com o feito. Porém, mantém a mente na ideia fixa e imutável, que trabalhar, dá trabalho!

Agora que já sabemos, ainda que pouco, não prendamo-nos às nomenclaturas. Reduzir, separar, reutilizar, conscientizar-se, esclarecer, reciclar, além de auxiliarem na resiliência ambiental, resultam em humanização imediata, que é tanto comprometimento mútuo, quanto conhecimento de si como ser humano. Ou eu e o leitor não preocupamos conosco, portanto, não prestamos para tal?

Eu no caso, Meio Ambiente, depois do pouco que soube, sinto-me envergonhado e creio que o resto, a sobra, o resíduo, o dejeto, o impuro sou eu; e não o que não é descartado e raríssimas vezes, (re)utilizado por mim. Mas para chegar a esse consenso, refleti que onde querem que eu seja essência, sou casca grossa; onde querem que eu seja ouro, sou escória esfarelada; onde querem que eu seja cavaleiro de luz, sabedoria e cor, sou um pária consumista das trevas e da Natureza, perdulário usurpador!

P.S.: Ordem e Progresso.

A problemática do lixo, bem como todas as demais, o progresso, o respeito, a educação, a evolução de um povo, a ordem e o progresso, obrigatoriamente, passam no mínimo, pelo crivo de duas gerações consecutivas. No quesito renovação geracional, estamos órfãos e o pior, respirando por aparelhos. Exuberante presságio para os filósofos, sociólogos, políticos e doutos que explicam tudo em teorias; e péssimo resultado dialético. Mas a culpa é do Temer que está vendo tudo sentado confortavelmente no trono...; fez a Reforma Trabalhista, mas não dá trabalho; pelo menos para mim que não nasci para trabalhar de gari. Assumo que é preferível ser vagabundo declarado, a cidadão falsamente operante, como tem um monte enrustido em nossa sociedade. Fora outros absurdos, esses são produtores de lixo em alta escala cobertos pelo véu do "politicamente correto".


Profeta do Arauto

Compromissado com a verdade e bem estar físico e mental do leitor, escrevo com palavras ácidas a receita de um doce amargo como fel. A página está aberta e a iguaria na mesa. Entre e fique à vontade. Puxe a cadeira, sente-se e sinta-se convidado a degustá-la comigo. Adianto que as verdades são indigestas; e em certos casos, além de causar complicações metabólicas e glicêmicas, são rejeitadas pelos ácidos biliares. O doce fabricado por mim, quando não mata, torna o intruso adiposo de sabedoria e cultura.
Saiba como escrever na obvious.
version 10/s/sociedade// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Profeta do Arauto