ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Na falta de combustível fóssil, renovo minhas energias, lendo, escrevendo, pedalando, fotografando e viajando por entre as nuvens. De tempo em tempo, procuro-me em meio ao batalhão de estranhos terráqueos. Dificilmente estou disponível para o meu alter ego

O Invencível (a representação de um povo)

Em CNTP e rigorosamente aferido, o pêndulo oscila o ir e vir compassadamente, realizando o chamado MHS: Movimento Harmônico Simples. Em tempo, manter-se equilibrado emocionalmente, é contrário a euforia, que pode ser o princípio da frustração. Equilibrar-se psicologicamente, é o mesmo que "pendular" fisicamente.


O que significa para o leitor ler um livro; assistir um filme; ver um documentário; fazer uma viagem, preferencialmente de bicicleta; fotografar bagas de trigo tombadas nos pendões dos trigais, colher lírios brancos brotando em condições inóspitas e apreciar o quanto o almíscar das flores e o néctar das abelhas elevam em muitos decibéis os volumes delirantes da alma? Desligar-se da paranoia de ter que, obrigatoriamente, respirar a cada segundo a sobrevivência, faz bem para os neurônios.

invencível2.jpegNão resistindo a euforia de realizar a tarefa, quase impossível, Louie soltou um berro ensurdecedor de conquista, que provavelmente foi ouvido nos EUA. Um berro aliviador de tensão. A autorrealização depende do estado de espírito da pessoa no momento do ataque; porém, Louie sempre fora inquebrantável, aliás, era nos momentos desesperadores que ele mostrava-se invencível. Uma fera indomável, porém, serena!

Para Oscar Wilde, “A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. Deve-se concordar com o escritor londrino, ou semelhantes as leis, a arte não existiria e muito menos, sobreviveria, sem conhecer a linearidade, sem antes conhecer a rotina e os acontecimentos cotidianos? Se assim for, as leis e a arte imitam a vida. Uma resposta ou outra, as leis, as artes e a vida formam uma tríade complexa, um novelo de linha difícil de ser desvelado pelas teorias e teses; e ainda que críticos e especialistas no assunto, as subjetividades são próprias de cada pessoa e perceptíveis somente aos sensíveis.

Sobre arte e outras histórias, sempre fui afeito ao universo alternativo. Independente. Raro. E quando vira ração trivial de salmão servida todos os dias para cães, gatos, baratas, ratos e gente, costumo sair pelas portas do fundo à procura de algo diferente que satisfaça-me. Sempre há um pomar em florescência dentro de meu quintal; pois, o horizonte ao longe não é tão distante que meus passos não possa alcançá-lo. Tal presságio de vida sempre foi regra em meus dias; ademais, para o alto e avante.

Estou afastado das telas de cinema faz tempo. Um dos motivos é livro que leio, não assisto o filme sobre; o outro, é que não vejo porquê encarar filas, pagar caro para assistir as produções batidas e endinheiradas hollywoodianas. Além de deturpar o enredo, criam cenários totalmente disformes dos originais descritos no livro. Isso aconteceu com o filme The Doo´rs; Tim Maia; A Insustentável leveza do Ser, com "O senhor dos Anéis"; com "A menina que roubava livros" e outros. Creio que certos autores ficam furiosos, dão pontapés, socam as tábuas, aparam as unhas dos pés nos dentes, remoem as vísceras nas catacumbas ao ver seus trabalhos feito com zelo em longos anos, minuciosamente tramado, sendo explorado de forma caricata e imediatista pela produção cinematográfica. Só pensam em cifras: dinheiro; money; libra esterlina; yen; plata; argent. Como os políticos, apegam-se aos números e quando esquecem os números, é porque estão em campanha para reeleição.

Essa é a minha (a) versão sobre os filmes originados de livros; e quem conhece e leu a trilogia originalíssima de "O senhor dos anéis" sabe o que ela representa para quem deveras era leitor de mitologia e contos fantásticos. A edição é, deveras, fantástica. Incrivelmente, antes de descrever as peripécias de Bilbo e Frodo, o capítulo inicia com as gravuras do enredo a ser lido em alto relevo. Ao observar com devida minúcia os detalhes, o leitor já imaginava o que viria pela frente. Se o leitor quisesse divagar ainda mais, bastava passar os dedos sobre as elevações, que os olhos incitavam a mente passear pelo cenário imaginativo. E ao ler o capítulo, as palavras, frases e os parágrafos revivem as travessias de vaus perigosos, o sono profundo sobre raízes retorcidas, o esconderijo em locas mal cobertas, subida aos tropeções correndo de Orcs, o jogo de charadas com Golun, o sujeito gosmento das Terras Médias, etc. A obra é tão completa, que o sueco Bo Hansson, musicou a trilogia. Vale o registro, que na trilha sonora do filme, não foi levado em conta esse detalhe e não há uma, ao menos uma música do sueco. Novamente, o império do dinheiro domina, os súditos acatam e as obras que eram valiosíssimas, tornam-se sucatas. Mas é o que temos para hoje; e para os tempos sombrios contrários aos idos da alquimia, a qual transformam ouro em latão. Aliás, para celebrar o "Retorno dos Reis", já escrevi sobre o encontro de Tolkien e Bo Hansson para o Portal. Vale a pena conferir...

Havia torvelinhos de nuvens no céu, mas nenhum deles inspirava confiança. A qualquer momento poderiam se rebelar. Para a verdade do zodíaco fantástico, a qualquer instante poderiam debicar em direção ao solo. Não as nuvens, mas o conjunto celeste; e obviamente, se isso acontecesse, seria o fim. A cena apocalíptica viria com um fio de fogo ardente e furioso. Uma labareda incendiária, talvez; e abriria uma fenda. Uma degustadora fenda justa e igual degustadora de gente na Terra. Conclusivamente, despertei as vistas para a realidade, pedi licença à loucura que interrompe minhas conquistas de quando em quando. Observei o mundo além-muros e ele apresentava-me um cenário, incrivelmente, modorrento. Daqueles chatos de matar pernilongos. A parede recém-pintada de branco salpicada de sangue. Uma chinelada, duas...; três. Covardes; sumiam em debandada. Nem um vulto. Apago a luz. Zuuuuuuuuuum! Pá...; pá! Aaai meu ouvido! Caralho, que bicho chato! Irritante.

O cão, um infeliz encontrado rasgando o saco de lixo perto do portão de minha casa, ora choramingava, ora latia. Será a sarna que não o larga? Animais e crianças: prejuízo na certa. Crianças o prejuízo é maior, ainda prefiro os animais. Vou ver o que se passa com o sarnento. Está na cozinha rodopiando adoidado atrás do rabo. Para e estica o rabo, apontando-o para o forno microondas. Volta a rodopiar feito pião em ato contínuo. Endoidou é? Pergunto. Para de repente, repete o gesto. Hummm! Quê sapiência desses animais. O milho termina naquele instante de espocar. Pipoca no ponto. O cão que permanece em sua santa insanidade. Jogo um pouco de água em seus olhos. Quieta-se...; sossega em seu canto. E eu o que farei? Corro até o aparelho de som. As bandas Alquin, Yggdrasil, Altona e Camel olham-me desesperadas, querendo dizer: "escolha-me". Havia também o "Via Láctea", mas o Lô Borges apresenta-se na capa cabisbaixo e sem graça; ao contrário ao Lô, naquele instante precisava de algo mais enérgico. Encorajador. Opto por Altona. Em altos decibéis, é mais uma daquelas bandas Krautrock. Discão de 1975. Era, em que a qualidade falava pela arte musicada. Sonzeira atrevida dos diabos!

Agudo. Grave. Musicalidade fenomenal e incontestável do rock "quebra coco". O som entra voraz alternando entre bateria, teclados, sax tenor, baixo, guitarra, baritone, flauta. Notas nervosas. Agressivas variações. Sequência instrumentalizada jazz/rock. Barulho sinfônico estratosférico. Som piolho (àquele que irrita, tira o sono da vizinhança) da melhor linhagem do rock. A certa altura, o vocal pigarreado do Karl-Heinz Blumenberg completa a sinfonia. Rock é a pulsação do coração, porém, só rock and roll não basta...; o que mais posso eu querer? Escrever. Rabisco umas linhas. Quem não consegue sovar as letras refinadas do puríssimo trigo em poesias encantadoras e artigos profícuos, escreve palavras rabuscadas em papel de pão. Estava seco de ideias e o pão, engraxado com margarina não. Resumo: com a falta de ingredientes, dificilmente sairia alguma coisa boa do forno. Rasguei o que não comecei. Ainda bem que inventaram os aterros sanitários e cemitérios. Neles, enterram-se tudo que não presta.

Pedaços de bilhetes que nunca foram entregues, encontrados entre páginas de livros que nunca foram lidos. Escrever é para os escritores. Pior é ser poeta, que depende de abstrair estrelas, aurora, sóis, crepúsculo, lua, estrelas e arrebóis. Diante de tamanha realidade, sinto-me mal em sujar as linhas das folhas de papéis com as cores. Como não sei rezar, desnudo o mundo das verdades. Incolores são os vestidos, calças, saias, soutiens para segurar duas cabaças lânguidas e calcinhas para guardar a joia Das Dores. As mulheres assemelham-se às pérolas das ostras. Pois, todas elas possuem um segredo guardado em algum lugar; em algum lugar, toda mulher tem um segredo guardado. Um dia descubro...; honradamente, chego lá!

Portanto, sempre soube o quero e naquele exato instante, escrever era exatamente o que não queria...; pedalar? Sei lá...; os integrantes da banda seguiam brincando de fazer música na vitrola Sonnata. A agulha quase devora o vinilzão de petróleo. Como tudo, o que é bom não deve pertencer a todos. Balela, bazófia mais furada que a tal de diversidade, quero continuar vivendo, para ouvir. Sempre nivelei as coisas por cima e risco o fósforo, toco fogo e meto álcool nos tapetes.

O telefone ainda de disco esguela à minha caça. Demoro um segundo da sala de som à sala de estar. Dentro de casa, fora de mim. Nem bem digo alô e uma voz adoravelmente metálica me intima: "estou indo aí para assistirmos um filme na Netflix. É a sua cara. Aguarde-me! 10min, se muito". Nem esperou eu dizer que vou sair para um pedal, desliga. Sem o que fazer, ponho o fone no gancho e reflito sobre essa porra chamada Netflix; spoilers, fake, delete e outros inglesismos mais. Odeio os neologismos, africanismos, alemanismos, francesismos, americanismos, etc. Sou ignorante assumido e com orgulho de sobra, bato no peito e digo que sou brasileiro que conhece o Brasil. E como disse Elis Regina musicalmente: "O Brazil não conhece o Brasil / O Brasil nunca foi ao Brazil"; é chato ser brasileiro apenas na nacionalidade.

Enfumaçando a atmosfera, um carro para em frente minha casa. É ela; minha amiga doidona. Chega pisando duro e antes de dar-me um desejoso abraço, dirige-se à parafernália eletrônica.Puxa fio para cá, emenda em outro. Testa uma sonoridade de um lado, experiência do outro e pronto: "traga as almofadas". Mandona. Ainda que debaixo de meu teto, meus amigos são assim: donos do pedaço. Humildemente faço os seus caprichos, uma hora ou outra, serei recompensado. É o que penso. Enquanto aciona os botões, vou à cozinha. Pipoca, por falta de sentimento não pipoca; e ainda é o melhor consolo para os dias depressivos.

Filme prestes a colorir a tela. Ela em silêncio absoluto. Acompanho-a. Antes de acionar o botão "on", abriu a boca e além de exibir os dentes postiços de porcelana que acabara de pôr para emoldurar-lhe o sorriso, comenta a sinopse do longa metragem de mais de 2 horas de duração:

"Profeta do Arauto, senhor obsoleto de ideias e anacronicamente fora de órbita, inculto por princípios e crença, de nascença incauto, esse filme que irás assistir é uma produção dramática americana baseada no livro de mesmo nome. Em inglês não literal, significa "UnBroken". E conta a história de um cidadão americano com todas letras maiúsculas que não tem muitas habilidades com outra coisa, senão, praticar esportes. O fulano nasceu para ser resistente atleta e por acreditar nessa possibilidade, investe todo suas forças e potencial no atletismo. Determinado, torna-se atleta olímpico. Pelas iniciais, já deve ter percebido que o filme é sobre alguém obstinado, que sabe o que quer desde cedo. Portanto, antes de superar as barreiras impostas pelas dificuldades do tempo e sinuosidades das estradas, incute em seu inconsciente que acreditar em si e traçar metas, poderia levá-lo à realização como atleta e por consequência, ao pódio de cidadão americano vitorioso. Um herói de fato? Quem sabe...; heroísmo é pensar na realização interior. É motivar-se; estimular-se. O que realmente acontecera, pois chegou primeiro nas Olimpíadas realizas no Japão em sua modalidade de esporte. Seu nome no filme é Louie e incrivelmente, ele representa fielmente o sentimento aguerrido e nacionalista do americano. Uma pausa e passaremos à sequência do enredo; você vai gostar, como disse, baseado numa história real, o filme é a sua cara. Nunca vi alguém para gostar de apanhar da vida, botar a cara para bater, tomar lambdas no lombo, querer mais e não perder a vergonha e o brio, como você! Nesse quesito, tiro o chapéu para você, Profeta. Chega de elogios. Pausa.

Ela sabe, tanto quanto uma cartomante, que odeio elogios, pois soa ironia, deboche; mas insiste em elogiar-me. Sempre disse para ela e não escondo de ninguém, que se quiserem que eu sinta-me feliz e reflexivo, critique-me. As críticas quanto mais febris, mais motivo tenho para reagir. Torno-me rijo, altivo e fecundo. Enfim, evoluo nas críticas. Talvez, um humilde e simplório invencível. Todo excesso é nocivo, por isto, prefiro o meio termo. Embora aparento ser radical e talvez o seja, prefiro a moderação, aos extremismos. Sou negociável...

Outra coisa que não consigo digerir bem, são essas aulas moralistas, porém fazer o quê: é indescritível o poder que as mulheres exercem sobre mim. Essa era uma amiga, das muitas que nunca ofereceu-me nada mais que sermões. Sermões por sermões, bastam os defendidos hipocritamente pela sociedade brasileira. Furioso e condenando-me por que não mandava-a às favas, permaneci imóvel, ouvindo-a: "pois bem Profeta, como sabeis através das aulas de História, os conceitos humanos foram revolucionados através das guerras. Sem as guerras, o mundo não seria o que é. Vide o avanço tecnológico. Computadores, veículos, químicas, celulares e outras inovações, todos usam, mas nunca questionam de onde veio e por qual motivo foram criadas. Enquanto pregam a paz, foi a guerra que mudou os rumos da humanidade, direcionando-a ao modernismo consumista . War. Guerra. Fixe essa palavra e seus muitos significados e por favor, não os esqueçam mais. Uma guerra transforma tudo marra; não depende de querer e sem a menor negociação, impõe mudanças sociais drásticas. Combatendo na guerra, o filho chora e a mãe não ouve."

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"Os EUA estava recrutando jovens para servir o exército. E claro quanto mais fortalecido fisicamente, melhor o recruta; e Louie foi um dos escolhidos. Pilotaria as bombas que seriam lançadas contra os japoneses, porém os explosivos saíram pela culatra; e ele e mais dois caíram no mar. Ficaram por mais de 40 dias passando as piores privações que um ser humano pode imaginar. Até que são resgatados pela Marinha japonesa e aprisionados. Sordidamente, ao ficar sabendo que Louie era esportista, foi escolhido pelo comandante do pelotão para pagar as ofensivas e ataques que os EUA faziam contra o minúsculo Japão. Palavras de ordem. Insultos e porretadas no lombo: começava a saga de Louie; que sem em outra opção, mantinha-se firme, resistente, resignado, inabalável, sereno, invencível. Consegue agora entender o porquê do título, Profeta?"

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Não respondi a pergunta. Permaneci calado, pasmo e estupefato com a história, porém, preferi manter silêncio, para não ouvir outro sermão. Prosseguiu:

"De quando em quanto, os comandantes de destacamento e pelotão eram mudados de lugar. Para desprazer e infelicidade de Louie, ao ser transferido, caiu novamente sob o comando do mesmo agente anterior. Ao reencontrarem-se, olharam olhos nos olhos. O americano não tinha dúvidas que a sessão de torturas recomeçaria do zero. Pensado; realizado. Não contente, o chefe do pelotão, um japonês pequeno, mirrado, cara amarrada, separou-o dos demais prisioneiros. Levado ao isolamento, obrigou-lhe levantar um enorme tora de madeira. Ledo engano pensar que Louie se entregaria ao desespero, se perderia aos lamentos chorosos e desastroso desequilíbrio emocional, ao contrário, friamente engoliu o fôlego, reuniu forças, concentrou-se na tarefa que iria executar e como um humilde servo, atarracou as mãos numa posição favorável ao levante da enorme peça; e após uma parada rápida para nova tomada de fôlego, ergueu o troféu para o japonês ver com seus próprios olhos; que incrédulo, prostrou aos pés do americano. Para não dizer humilhante, a cena forte e marcante, encerrou o encontro da caça com seu algoz caçador. E o comandante não tinha mais dúvidas: Louie era digno de notas e merecedor inconteste de honrarias. Imbativelmente invencível. Feita a resenha, vamos ao filme."

invencível4.jpegA foto mostra a volta de Louie ao Japão. Recebido com honra ao mérito, o representante olímpico dos EUA carregou a tocha na abertura do jogos no país. Ovacionado pela plateia, não houve uma mão sequer, que não aplaudiu o herói americano.

- Sinto em dizer-lhe, mas penso que o filme foi contado nos mínimos detalhes por você. E uma vez que o título é "O Invencível", não vou dar por vencido e vou pedalar; sim. Era minha meta antes de você ligar. Fique à vontade; sinta-se em casa. Nos falamos daqui a pouco. Até mais!

Ao chegar do pedal, pus os pés dentro da sala e não vejo minha amiga. Varro o ambiente com os olhos e reparo um bilhete em cima do projetor (recuso-me dizer: home teather). Apanho, e logicamente, leio:

"Não basta ter olhos, é preciso ver;

Não ter basta ter ouvidos, é necessário ouvir;

Não basta ser cerne da aroeira, é preciso ser casca grossa;

Não basta ser selvagem; é necessário rugir;

Não basta ter pernas, é preciso caminhar;

Não basta ter mãos, é necessário apalpar;

Não basta falar, é preciso ação;

Não basta pertencer a espécie Homo Sapiens, é necessário humanizar;

Não basta dizer que é humano, é preciso sê-lo;

Não basta ser inteligente, é necessário operosidade;

Não basta praticar esportes, é preciso levantar latas e mais latas cheias de concreto;

Não basta ser empático, é necessário praticar a solidariedade;

Não bastam diplomas, é preciso diplomar-se no curso de Excelência Humana;

Não basta profissionalizar-se, é necessário a cooperação mútua social;

Não basta decorar, estudar e pesquisar as teorias; é preciso ser perceptivo;

Não basta respirar, é necessário oxigenar-se;

Não basta ser honesto, é preciso vestir-se de honestidade;

Não basta surfar, é necessário a prancha;

Não basta pintar o sete, é preciso o pincel;

Não basta ir à igreja, ajoelhar, rezar e orar, é necessário seguir religiosamente os mandamentos de Deus;

Não basta ser invencível, é preciso ter coragem;

Não basta a guerra, é necessário fazer parte de um exército combatente;

Não basta ser herói, é preciso ter ordem e disciplina emocional;

Não basta ter coração, é necessário sentir na pele;

Não basta exigir os supostos direitos, é preciso cumprir com o obrigatório dever;

Não basta ser insano e vagabundo, é necessário equilíbrio mental para sê-los;

Não basta ser líder, é preciso ser exemplo de virtudes;

Por fim, não basta a nacionalidade, é preciso ter sangue nas veias, bem como é necessário energizar o corpo com o mais puro sentimento de ser brasileiro.

- Profeta, você é um tremendo cerne impermeável de aroeira invencível, envernizado com odiosa casca grossa!

Mais tarde, lá pelas tantas da noite, com os pensamentos ordenados, escrevi em resposta e juntamente com esta resenha, enviei por e-mail: "Tremendo cerne de aroeira invencível, envernizado com odiosa casca grossa é você, por me suportar. Esplêndida dica, não de filme, mas de livro. Qualquer hora quebro o protocolo e não leio-o. Oscar Wild tinha razão, pois os americanos imitam a arte. Vou dormir, o pedal foi pesado. 60 km, acredito. Que seu 2018 seja tão inspirador e realizável, quanto foi o invencível Louie em vida. Saúde sempre amiga chata! Petulante, é verdade, mas alguém muito especial. Admirável! O incomum é como o vento e não é possuído, não é propriedade de ninguém, não é partícipe do conhecimento dos igualmente normais. Ventos são leves, transcendentes, benevolentes, invisíveis e por não se renderem a nada, invencíveis."

P.S.: O que escrevo demanda pensamento, percepção, inteligência. Não escrevo para o leitor jogar na lata de lixo o que leu. Portanto, o que escrevo é para ser lido, ou visto? Como sugestão, o que escrevo é para ser exercitado, por que lido, suponho que tenha sido. A serventia das boas teorias, das relevantes teses e dos exemplares modos de vida são válidos, quando postos em prática. Caso contrário, entram por um ouvido e saem por outro. Descartáveis perdas de tempo; e como perdem tempo no mundo, porém, a fatura de cobrança pelo tempo perdido, é entregue em mãos pelo próprio senhor Tempo. Aí é tarde demais para pagar os reparos do Tempo que ficou para trás; que obviamente, é tempo que não volta mais...

Louis Zamperini, o pêndulo inabalável, faleceu em 2014, com 97 anos sofridos nas costas, é verdade; porém no quesito dívida com o Tempo, não deixou legado para vivente nenhum do Planeta. Orgulhosamente, cumpriu seu dever como piloto de avião, atleta olímpico medalhista, resistente herói de guerra e americano por nacionalismo.

Os bons e reflexivos exemplos dos sábios, são como professores, mestres e pais honestos; e deveriam (são vistos, mas não são ouvidos) ser exemplos a serem seguidos. Bons e reflexivos exemplos são flechas certeiras (deveriam ser) atiradas em direção ao coração; obviamente, de quem ama a si e os demais de coração.


Profeta do Arauto

Na falta de combustível fóssil, renovo minhas energias, lendo, escrevendo, pedalando, fotografando e viajando por entre as nuvens. De tempo em tempo, procuro-me em meio ao batalhão de estranhos terráqueos. Dificilmente estou disponível para o meu alter ego .
Saiba como escrever na obvious.
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