ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Escrevo para eu não ser prisioneiro das verdades contidas em minhas convicções; ou pior, para não morrer asfixiado pelas minhas insanidades

Inspirado em Legião Urbana; Goleman; Leis e o tal Dia da Gentileza

Do obscurantismo social, fez-se os subterfúgios enganosos da gentileza moderna dos não gentis; e uma vez que não sou eu o criador do dia, mas o mentor da homenageada: muito prazer, meu nome é Gentil. Em tempo, se não fosse o descaso generalizado, aliado à ineficácia de meu nome, tudo deveria ser inspirado em mim. De qualquer maneira, desejo uma excelente leitura! Isto se o leitor não se envergonhar com as verdades descritas e fragilizado emocionalmente, cair em profunda depressão, ter um colapso cardíaco no decorrer dela.


20180423_140029.jpg Epígrafe: Uma das maneiras de expressar gentileza coletiva, é quando um cidadão desocupado repreende o anônimo pelo seu ato irresponsável contra o patrimônio público. Por outro lado, sobre as leis, na maioria das vezes, é a alternância entre ataque e defesa no esporte praticado nos tribunais por corruptos e corruptores. Sobretudo, porque a relação humana é uma via de mão dupla...; e embora tenham os desvios, policiamento de trânsito, meandros, baías, veículos e paradouros, é mão de ida e vinda, para lá e para cá, sentido Norte e Sul, Leste e Oeste; é via a qual ladrões e traficantes transitam em um sentido e receptadores do produto roubado ou traficado, em outro, somente.

O contrário de gentileza, é cegueira. Não a cegueira das vistas, mas a cegueira do coração! Já o excesso, leis em demasia, gera o popular "casa da Vó Joana", o "podemos negociar", ou quimicamente falando, leis além da racionalidade e bom senso, geram entropia, desordem, bagunça molecular democrática socializadora em um país republicano.

Contextualização: O início deste texto é mera coincidência ficcional com a realidade cotidiana. Entretanto, para quem ainda apura os tímpanos ouvindo os hits da Legião Urbana, parte dele pode parecer com a letra da música "Eduardo e Mônica, escrita pela banda; porém, ao longo da descrição, vai se tornando verdades amargas, feito bile. Gume afiado da navalha em carne crua; sobretudo, este texto não é, e nem pretende ser, (ainda que pouco) gentil.

No portal de entrada da Casa de Espetáculos, a inscrição em letras garrafais esclarece os notívagos: "Bem vindos à nossa cia. Divirta-se o quanto possível, mas não esqueça que Gentileza gera gentileza".

Numa balada qualquer, som pesado ribombando nas caixas e luzes turvando a visão. No salão, encenação de danças e coreografias, cujo lema é: "Na competição predatória noturna, a qual os lobos solitários de pelagem macia e sedosa apresentam-se como carneiros frágeis, dóceis e mansos, todo mundo é de todo mundo; e ninguém é de ninguém. Vamos à caça Bailarinos e Cinderelas".

Lá pelas tantas da madrugada, com o álcool derramando pelas bordas dos copos e uma brasa reluzindo o vermelho do fogo em cada olho, José e Maria se conhecem. Sorriem dissimuladamente. Feitas as prévias gestuais, chegam os lábios no ouvido um do outro: "como é seu nome? Meu nome é José; e o seu? Mariângela, mas pode me chamar de Bad Angel; ou mesmo, Good Company para o café da manhã!" Se não bastasse o escancaramento nupcial nas palavras de Bad Angel, sorriem mais abertamente, aliás não só sorriem, insinuam de vez o "mal feito"; e após trocarem um "selinho" etílico, lábios nos lábios, o conhecimento está consolidado. Terminada a balada, sem os blá, blá, blá das objeções, seguem para o aconchego do ninho; que muitas vezes, é oferecido pelos pais de um deles, ou dos dois. E de balada em balada, embalam-se nas fi(n)cadas escondidas debaixo do cobertor, acostumam-se com o roça-roça sem pudor, não menos a rotina de dormir lado a lado no mesmo ninho de palha, ou no mesmo acolchoado de pena de ganso. Quando dominados pela paixão traídora, a riqueza ou a pobreza do ambiente é o que menos importa aos nubentes. Dizem que o vaso de tanto ir à fonte, uma hora ou outra, racha, quebra. Bendito seja a fala dos antigos e quem pariu Matheus, que o balance; porque quem não sabe o que faz, faz criança em vez de sexo.

Ao ficar sabendo do mal feito, o bandido e rei da noite, escapuliu pelas portas do fundo, deixando Bad Angel, além do troféu enganchando na cintura, sem lenço e sem documento, com uma mão na frente e outra atrás, tapando as vergonhas. Para o ato não passar ileso, o infeliz está sendo procurado pela lei. Dessa maneira se deu o enlace que, à princípio era a dois, mas por fim, tornou-se três. E o quê há de gentileza numa família constituída nestes moldes? Certamente, de gentileza não há nada; mesmo porque, os atuais Eduardos, Mônicas, Josés, Marias, Joaquins, Raimundos, Ezequiel, Malaquias, Matheus, Richards, Dinorahs, Wellington, Rodrigos, Cibeles, Riales e mais dezenas de milhões de brasileiros, de gentil em sua essência, não tem nada.

Também puderas, demorou 500 anos e mais uns rolos de fumaça na atmosfera para a família brasileira mostrar sua incompetência na formação das crias, resultando então, numa geração "miojo lamen" miseravelmente incapaz; e sem outro rumo, a não ser o fracasso. E amparadas por lei, se não for os pais, avós e bisavós aposentados alimentá-las, dar-lhes abrigo, pôr comida no prato, cama para dormir e banho quente diariamente, todas elas morrem à míngua.

Gentileza requer percepção sensorial aguçada e sensibilidade à flor da pele!

Em uma sociedade embrutecida, maquinada pela tecnologia, acomodada pelo apertar botões e bater teclas; comandada pelo "toma lá, dá cá" do poderoso dinheiro; de passos apressados à procura do nada; cabisbaixa devido a depressão emocional autopunitiva; adepta às coisas inócuas e vazias existentes na beleza física; de olhos arregalados nas fofocas das redes sociais e ouvidos atentos às mídias em geral; amedrontada pelo tiroteio urbano; omissa e transferidora de responsabilidade; idólatra de ex-presidente detento por corrupção e jogador de futebol que zomba da emoção do paspalho/torcedor rolando no gramado; assina sua procuração para palhaço e outros canastrões falaciosos representá-la nos Governos; enaltecedora da mediocridade egóica do "eu sou; eu faço, eu posso, eu sustento, eu...", acima do "nós...", é proibido aos usuários do mesmo ambiente olharem-se meigamente, inteirarem-se sem segundas intenções, contemplarem-se amistosamente e um desejar ao outro: "bom dia, boa tarde, boa noite, até logo; dê lembrança à família; aparece lá em casa para tomar um café; posso ajudá-lo; nem bem saiu e já estamos com saudades; como é bom vê-lo com saúde; muito obrigado; que isso, meu amigo, eu que agradeço; como estou feliz com sua vinda; volte quando sentir vontade; estamos de portas abertas para recebê-los, sempre!; etc."

A gentileza regozija, deleita-se com palavras ternas; mas não sobrevive sem a consumação do apalavrado, em atos. Sob a luz da racionalidade, o título deveria ser de todos, mas lamentavelmente, gentileza é título de nobreza concluído por poucos na Universidade Filosófica Individual de Vida!

Conclui-se, portanto, que ninguém dá o que não tem, ou melhor, ninguém ensina o que não aprendeu a ser; afinal, uma sociedade é constituída por inúmeras, miríade de famílias, que pelo princípio teórico da Sociologia, se unem para usufruir do bem comum. Em tempo, para se ter ideia como a geração moderna brasileira chafurdou no caos, para não dizer na ...; ou no abismo de pétalas de flores, quando os antigos diziam que algum Gentil era de confiança, entregava as chaves da casa ao confiado. Quer ato mais sublime, gentileza maior que ser confiável de alguém, a ponto de receber as chaves da casa do amigo?

Fidelidade harmônica, amizade sincera e respeito mútuo, são maneiras associativas que redundam em honestas gentilezas. Quando as gentilezas são forjadas nesses aparatos, dificilmente os elos da corrente se rompem com a tarefa em execução. Saibam todos que até o momento que escrevia este texto "Desobediente Civil", gentileza e educação apurada não deflorou, não abriu porteiras, não estuprou ninguém.

20180413_071931.jpg Quanta gentileza do cidadão Gentil que se preocupa em recolher os cacos pontiagudos de vidros quebrados e deixados em qualquer lugar no espaço público; os quais é risco iminente de cortar a sola das patas dos cães engravatados de raça nobre, bem como dos vira-latas maltrapilhos. Afinal, cães urbanos não são farejadores, pois possuem os narizes arrebitados, apontando para o céu e as vistas no horizonte.

Para conter o avanço desordenado de cacos de vidros deixados em praça pública pelos irresponsáveis cães, algumas cidades estão criando leis específicas, cuja finalidade é autuar e punir os infratores desrespeitosos com o patrimônio público. Pergunta: quem fiscaliza, executa a lei 24h por dia; 30 dias por mês; 365 dias por ano?

Gentileza não tem raça, credo, cor, religião, faixa etária, classe social, clubismo e muito menos, dono. Como também não tem hora, dia, mês, ano, década para exercê-la. O momento ideal para ser um solícito Gentil, é quando por exemplo, o silêncio de um deficiente visual, ou os olhos ternos de um cadeirante solicitam sua prestimosa gentileza para ajudá-los atravessar a rua. E você, diligente senhor Gentil, obviamente, executa a tarefa com apreço e respeito pelo deficiente. Parabéns!

As primeiras páginas do originalíssimo livro "Inteligência Emocional" do PhD em Psicologia, Daniel Goleman, relatam a lição prática que ele teve com um senhor, cujo nome não é citado, mas quem leu o livro supõe-se que seja Gentle em inglês, ou Gentil em português, transitando no ônibus conduzido pelo motorista "Pacificador do Mundo", nas ruas estreitas e apinhadas de gente e carros em Nova Iorque.

Produzida e comercializada em pequena escala, ainda está disponível no mercado humano, gentileze-se!

Logo cedo, temperatura máxima na capital americana. Sobe e desce constante nos ônibus/coletivos que circulavam pela cidade. Nos pontos de parada, pessoas mal humoradas, com fisionomias carrancudas excomungavam a sorte. Xingavam-se mutuamente. Atento a tudo e a todos, Daniel sinaliza aleatoriamente com a mãos para um deles. E eis que ao pôr o pé no degrau, é surpreendido com um sonoro: "Bom dia! É imenso prazer conduzi-lo ao destino. Una-se aos demais e que tenhamos, não só uma feliz viagem, mas um feliz dia. Sinta-se bem sob nossa companhia". Ditas para os demais, tais palavras atingiam o âmago dos passageiros, despindo-os do estresse cotidiano, livrando-os das garras do leão parido das entranhas do caos urbano. E no decorrer da viagem, quem subira no ônibus tenso e irado, estonteado e presunçoso, descia alegre e festivo; pois não havia uma cara fechada, um amargor sequer no coração, que não se rendia à gentileza daquele senhor sorridente, que para Goleman, era um imediato "Pacificador do Mundo", digno de nota e louvor.

As calorias do alimento material são queimadas pelo organismo para a manutenção da matéria física alimentada; enquanto que a nobre e sutil gentileza alimenta, nutre duas almas carentes.

Caro leitor, torne seu dia a dia menos hostil, torne-o mais mel e menos fel, colabore para que ele seja menos gume afiado de navalha em carne crua. Para isto, exercite a gentileza, como faz Senhor Gentil. E ao ver uma mulher grávida, um(a) idoso(a), um deficiente físico, em vez de fazer que está dormindo, imediatamente levante do assento e dê o lugar. Aliás, sobre o exercício de respeitar o idoso, havia uma campanha panfletária colada em lugares bem visíveis nos meios de transporte coletivo, esclarecendo os perceptivos de visão: "Respeitar o idoso, é respeitar a si mesmo". Como cegueira é o contrário de gentileza, a campanha foi retirada para nunca mais causar problemas nas vistas dos passageiros.

E o que há de gentileza no parágrafo descrito? A resposta fica por conta da percepção visual e racionalidade teatral do leitor.

Gentileza: fazei uma aleatoriamente, hoje, agora, já; porque amanhã pode ser tarde. Afinal, em cada mão lançada, em cada ombro amigo, em cada abraço dado, em cada auxílio ofertado, tacitamente, há um sinal de adeus!

A sociedade brasileira é tão distraída, deleita-se em tirar proveito da situação, adora levar vantagem e hipocritamente corrupta, que para mitigar essa falta de sensibilidade do povo, (e a geração Bebezões usurpadores do leite materno, ou simplesmente, Bebezões de mamãe, comanda a linha de frente) existe uma lei assegurando aos grupos de pessoas citadas, o direito de uso dos assentos. E por que a lei foi criada pelos nossos iluminados políticos? Diz a lei premissa do Direito Constitucional que "A lei emana do povo e para o povo". Assim sendo, nos condados provinciais oriundos do Pau Brasil, toda vez que não há bom senso, inteligência solidária e gentileza na relação humana, cria-se uma lei.

Entre tantos entretantos, propor, criar e assinar leis, é mais fácil (facilíssimo, no superlativo) e menos trabalhoso que fiscalizá-las; é menos desgastante que "bater de frente" com o infrator. Ampliando a explanação, autuar e trabalhar, exercitando as leis, dá trabalho; e trabalho operoso, suado, laborioso, é o que o brasileiro menos quer; em contrapartida, sombra e água fresca, muito lhe atrai. Fato!

No entanto, lei ignorada pela sociedade e não fiscalizada pelo Estado, é conjunto de letras formando sílabas, que por sua vez formam palavras inócuas impressas em quadros empoeirados pelo esquecimento dos anos, expostos nos estabelecimentos comerciais e outros; não servindo nem como utilidade pública. Vide a lei proibindo fumar em lugares coletivos fechados; a lei que proíbe a venda de bebida alcoólica para menores de idade; as leis que regulamentam a mobilidade urbana entre pedestres, ciclistas e demais veículos de transportes; e tantas outras escritas e jamais lidas e menos ainda, exercitada respeitosamente.

Leis, leis, leis! Quais são os senhores que não atendem pelo nome Gentil; e por não serem gentis, aceitam-as passivamente, impostas pelos reis? Criadas pelo Estado e aceitas pelos coniventes, cuja finalidade de umas é "punir"; e outras, atender, proteger, amparar os mal formados, deseducados e desrespeitosos, certamente, os Gentis, anarquistas, libertários, Bufões rebeldes e Profetas arredios (além de possuir todas as qualidades e estilos citados, Cristo é o mais conhecido pela humanidade) bufam, choram, detestam, odeiam, as leis dos homens.

Uma vez que as gentilezas de Cristo são bastante propaladas mund`afora e nem um milímetro seguida pelos brasileiros, em nome dele, eu, Profeta do Arauto, finalizo esta mixórdia de texto, implorando: "Muito, muitíssimo obrigado por ter lido-o do início ao fim. E por favor, peço encarecidamente mais gentileza e nada de bala perdida procurando alojar-se em corações gentis, solidários, apaixonados! Desejando-lhe sorte grande, nos encontramos na próxima leitura, até lá. Fui...; ah, por favor, se algum outro solícito leitor interessar-se em saber quem sou, ou perguntar por mim, diga que continuo labutando a vida e diante das conquistas obtidas, repassando as experiências investigativas e esclarecendo os interessados através da escrita!"

[000813].jpgMenos leis e empáfia ostentadora, e mais gentileza generosa, solidária, humana e amorosa, por favor! Por que de bla, blá, blá; mimimi e propostas indecorosas, a Natureza e os habitantes do Planeta Terra não suportam mais.

Não confundir a palavra gentil, da qual deriva gentileza, com gentio; palavra citada inúmeras vezes na Bíblia, mais exatamente, no Novo Testamento. Aliás, qual o significado da palavra gentio, à que povo era endereçada e por quê?

Nota: por não ser nenhum pouco democrático e gentil, este texto não deveria ter sido lido. Por sorte, nada de mais grave aconteceu, porém acontecerá, com a mudança de comportamento do leitor a partir do término; postura que o fará um novo Gentil "Pacificador do Mundo". Ainda resta uma centelha de esperança, macuco incrustado no corpo humano.

P.S.: Não, não escrevo; no máximo sou relator de palavras ocultas e impróprias para doutos e poliglotas alfabetizados, mas que ainda não sacaram que os neurotransmissores foram projetados e implantados sem suas mentes para pensar de maneira inteligente, empática e altruísta, as quais distribuídas gratuitamente, é minha gentileza para os leitores, prioritariamente, da Obvious.

Agradeço imensamente ao pessoal da Legião, aos criadores do tal Dia da Gentileza e aos assinantes das Leis. Confesso que se não fosse essa trinca de ases utilíssimas que circulam aos quatro cantos do Brasil, eu não teria inspiração para ser o relator do texto. Muito obrigado, gratíssimo!

Fotos pertencentes ao autor do texto


Profeta do Arauto

Escrevo para eu não ser prisioneiro das verdades contidas em minhas convicções; ou pior, para não morrer asfixiado pelas minhas insanidades.
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