ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Cansado, exaurido de ser estrela sob os raios luminosos e incandescentes do sol, enveredei pelo frescor da noite, cuja ideia é tomar conhecimento e ver de olhos abertos, o que o negrume soturno noturno tem a mostrar-me

Os índios também transam Rock Sem Reservas!

"Enquanto os índios brasileiros só pescam, caçam (quando muito) dormem, comem, tamborilam o pandulho após as refeições, reivindicam o que não tem direito, tatuam o corpo, "fazem bobagens escondidos" nos lagos e matas; e imitando os brancos que aumentam significativamente a pobreza mund`afora, lançam os seus restos e dejetos no Meio e Ambiente e fazem o mesmo com a limpeza das tripas, emporcalhando as águas, dos quais dependem, caraca, veja as obras dos caras!"


Salvo engano, a introdução é pensamento direto, verdadeiro e reto que ouvi de um estupefato brasileiro que conheci em visitação à Ushuaia, Terra do Fogo, Argentina; ou em visitação à Machu Pichu. Realmente, exceto um ou outro da indiaiada brasileira, - o problema da inutilidade cultural e estrutural da nacionalidade brasileira já foi musicado pelo Ultraje a Rigor nos anos 90 - o restante dos índios espalhados pelo mundo fizeram e fazem parte da história do país originário da tribo. Não só isso, contribuíram culturalmente para as artes de modo geral; pois, habitando entre as belezas do meio selvagemente natural e os contrastantes caos urbanos, inspiração não faltam. Embora não defenda os americanismos ou outra internacionalização qualquer, a história e a cultura americana foi marcada pelos caras pálidas de corpos tatuados. O misticismo indígena inspirou muitos roqueiros; Jim Morrison era um deles que sempre descia às profundezas do México para tomar a benção do Cacique, benzer-se com os chás alucinógenos, dentre os muitos, de cogumelo; e exorcizar os maus espíritos com as tribos Shamãs.

Para facilitar a audição e o ir e voltar não interferir na leitura, aperte o cursor. O resto é com você; nos falamos no comentário!

Sim, creio piamente que a meia dúzia de "leitores /gatos pingados" que não abrem mão, primam pela leitura e aprendizado do melhor Rock do universo, estavam com saudades. Saibam todos que não esqueci do meu compromisso com o meu fiel público leitor e ouvinte de Rock clássico da Obvious. Então prezados, prepare os pés, abra a cabeça, solte a cabeleira, acelere a adrenalina, suba o volume nas caixas, prepare os tímpanos e após meter o dedo firme no manche para a decolagem, retroceda até o início do texto e aprecie imoderadamente a leveza da viagem musicada que será ao som da banda clássica Blackfoot. Perda de letras, sílabas e palavras escrever que é uma banda, excelentemente do além!

índios.jpgReunião de tribos Sioux

Já sei, o leitor nunca se sentiu sonâmbulo perambulando pela casa querendo ter contato com algum ser simpático de outra dimensão, um ET talvez, que pudesse esclarecê-lo sobre alguns detalhes da banda citada. Estranho não, mas como interessar-se por aquilo que não se sabe? Virando a página, não se preocupe, Profetas existem é para declarar os erros, anunciar as catástrofes, prever o futuro, professar as boas novas e logicamente, trazer de volta à tona o que de melhor houve no Planeta em se tratando de Rock. Assim continua chafurdando em abismo...; em abismo de...; em abismo de pétalas de rosas quem quer; pois, seguindo-os assiduamente, meios comparativos entre o que foi a soberania do Rock com o midiático Lulapaloosa e o fracassado rock and rio (tá mais para roque em bala perdida) que já cedeu o palco para bateria de escola de samba, não faltam. Profetas, magos, druidas, alfarrabistas e hermeneutas, são benevolentes em essência, acredite!

Confesso que não sou afeito aos formalismos de saber os pormenores de nenhuma banda; embora que algumas características nos trabalhos das bandas eram marcantes e as capas (não é o caso da capa do disco visto acima) era uma delas, também não sou daqueles fanáticos colecionadores que tinham tudo de determinada banda. Interesso-me apenas em saber genericamente sobre ela, quando muito; no entanto, importa-me conhecer à fundo a musicalidade da banda e ponto final. Aliás, também não perco tempo estudando nomenclaturas, por exemplo, Rock e seus sub-gêneros. Sub-gêneros? Para mim não há sub-gênero no Rock, daqui à pouco querem me enfiar goel´abaixo que samba-rock é sub-gênero do Rock. Portanto, se o trabalho é bom, audível, retumba nos ouvidos, ouriça os sentidos, é música qualificada e representante da arte Rock ou não, basta. Papo encerrado, fim de celeuma. No máximo, resumo o estilo em categorias: por exemplo, Rock Progressivo. Óbvio que para diferenciar Progressivo de Hard, é natural que ouça apuradamente, com cuidado e zelo a sonoridade de um e outro. É à isso que me apego.

Pois bem, o leitor já ouviu Lynyrd Skynyrd? Creio que sim, aliás já escrevi sobre a tragédia que dizimou a magistral trupe de músicos americanos que faziam parte da banda. Se não conhecem ou não leram, ao terminar de ler e ouvir este, corra o cursor pela minha página e faça o mesmo que por ora está fazendo. E o que tem a ver uma banda com a outra? Guardada as proporções de notas, arranjos, acordes e harmonias, tudo. No entanto, no decorrer das carreiras, cada uma adota sua peculiaridade musical.

Blackfoot (o nome é tributo da fusão de 3 tribos indígenas, das quais, três músicos são filhos) é uma banda americana que data de meados dos 70; e como qualquer outra, formada por um grupo de jovens adolescentes universitários rebeldes procurando se encontrar em um mundo com fortes tendências ao caos da guerra; mesmo porque, semelhante ao dinheiro, a guerra é alimentada no cotidiano humano pela competição. Para cada um deles, só vadiar inutilmente, sobraçando livros e cadernos e ouvir professores chatos berrando coisas inexequíveis em seus tímpanos, não bastava e uma vez que tirava uma chinfra solando alguma coisa espaços alternativos/undergrounds, resolveram juntarem-se para formar um conjunto. Tudo bem simples, porque os sonhos eram gigantescos mas a grana curta, a primeira formação foi no início da década e fizeram parte Ron Sciabarasi nos teclados, Rick na bateria e vocal, Greg no baixo e na guitarra Hargrett. Esse embrião não tinha nome definido. Ao sentirem a necessidade de profissionalizar o som, juntaram-se aos adolescentes de espinhas na cara do "The One Percent"; banda que logo chamaria Lynyrd Skynyrd.

Outra característica marcante nesse pessoal setentista é o "entra e sai" de músicos. Salvo uma ou outra banda que emplacava uma formação e com ela conseguia sucesso de imediato; sabendo de isto, a banda trouxe para o seu ninho o guitarrista Greg T. Walker. De modo que o time era formado por Rick Medlocke no vocal principal, arranjos, guitarra e bandolin. Charlie Hargrett também na guitarra. Greg T. Walker no baixo. Jakson Spires na bateria; (infelizmente falecido) e Shorty Medlocke também guitarra e banjo; outro que partiu antes do combinado. Todos os músicos faziam a segunda voz.

Competência era o que não faltava à banda, porém deve-se fazer uma menção particularizada para Jakson Spires que além da técnica apuradíssima em manusear as baquetas no contratempo e mandar os pés estrondosamente contra os pedais nos bumbos, o músico revelou ser excelente também na escrita das letras; fato que enobrecia o conjunto da obra em detrimento do nome Blackfoot.

Agora sim, com uma formação considerada ideal, a banda Blackfoot passa a ensaiar regularmente à espera de alguma gravadora interessada em investir em seu trabalho. A transa planejada com tempo, rascunho bem elaborado e ato, suadamente trabalhado, resulta em um embrião promissor; e não tardou, a Epic convidou-a para adentrar o seu estúdio.

Dos muitos LPs, o velho e revolucionário bolachão de petróleo, falaremos um pouco sobre o primeiro álbum lançado pela banda em 1975, cujo título é "No Reservation: exato, o som "quebra coco" produzido pela banda é "Sem Reservas". Pelo menos na visão de quem escreve este, contrário dos demais, nesse disco a banda explorou o universo minimalista, com casamento perfeito entre os instrumentos e os vocais; que além dos homens, contam com mais três vozes femininas: Barbara Wyrick, Laura Struzick, Suzy Storm. Se atualmente a mulherada choraminga pelos cantos contra o sistema moderno opressor, exclua o Rock que sempre deu voz à elas, sem no entanto, explorá-las. Aliás, o movimento feminista em defesa de seus direitos iniciou com àquelas que faziam música alternativa; por exemplo, Rock.

Ao ouvi-lo, tenha um pouco de paciência, porque a sonoridade da primeira faixa "Railroad Man" de pouco mais de 2 min, está abaixo das demais; todavia, a segunda evidência o que virá pela frente de modo que após a quarta faixa em diante, impossível não ser hipnotizado, ser abduzido pelo metal sinfônico produzido pela banda. Sobretudo, uma guitarra guturalmente seca fará duo, cruzará constantemente com as cordas do baixo, não menos com as baquetas de uma bateria vibratória no contraponto. Esplendor musicalizado, especialmente produzido para ser ouvir!

A terceira faixa é Lynyrd, mais Lynyrd; puramente Lynyrd. O som segue destilando o veneno do puro Rock, com faixas curtas, variando as entradas e saídas em vasta instrumentação; sobe e desce nas escalas musicais; peso e leveza das notas nos mais de 35 min de música espalhados em 7 faixas lisérgicas.

Feito garranchos que descem a correnteza de rio às camabalhotas, esbarramos na faixa "Born To Rock and Roll". Poupe-me de dizer que quem nasceu para fazer Rock, morre fazendo Rock, como infelizmente acontecera com o vocalista Shorty Medlocke, que além de vocalizar feito cigarra, fazia um solo de guitarra e dedilhava o banjo. Os excelentes não podem ser eternos, afinal serão sempre lembrados pelas boas obras na Terra; em contrapartida, aos medíocres e inúteis a merecida eternidade.

Sigamos metalizando com "Take A Train". Atente-se à bateria no contratempo e o rif espetacular de guitarra, vocal esganiçado (por falar em vocal esganiçado, conhece o vocalista Lemmy Kilmister do Hawk Wind, que depois foi vocalizar no Motorhead, tinha essa loucura de cantar com o pescoço esticado para mexer com as cordas vocais e a voz sair maquiavelicamente rouca e urrada. Coisas de quem era de Rock) e o retorno da nota no vai e vêm. Simplesmente alucínio lancinante.

Porém, como dizem os inocentes e ingênuos que os últimos pacientes herdarão o reino do céu, a última faixa "I Stand Alone" é o ápice do disco; obviamente que não discutirei com meus leitores, e se escolha for outra, continuaremos amigos. Mas que é uma pedrada na moleira, ah isso é. Aliás, essa é a faixa mais longa, com mais de 5 min; com Shorty Medlocke "dando por vencido" e deixando que o instrumental represente o todo. Uma vez que o fim nos remete ao início, voltamos à primeira faixa com uma versão metal e pesada. Nela fica evidente o parentesco com a faixa "Free Bird" do Lynyrd. Nada mais lógico, afinal a banda é uma dissidência por assim dizer, do Lynyrd. Uma coisa pode-se dizer sem medo de errar: Rock americano, só foi tocado por essas duas bandas e mais nenhuma outra no Planeta Terra.

Em que faixa entra o banjo? Parabéns pela sacada; sinal que conectou ao som da banda. Então, para fechar a volta ao espaço intergalático, Shorty Medlocke tocando banjo e assoviando, interpreta uma canção incidental curta em ritmo country, estilo cantado tipicamente por Wilie Nelson ao cavalgar seu alazão pelo Arizona e Texas. Banjo é instrumento bastante utilizado no folk; estilo celta; etc.

Após esse disco, a banda seguiu como locomotiva desenfreada nos trilhos do Rock; porém, distanciando da pegada meio Lynyrd e assumindo definitivamente a originalidade Blackfoot, tornou o som mais pesado que nunca, com arranjos metalizados, pedais afundados em rifs de guitarras estridentes, baixo evocando deuses tribais; deixando claro que era questão de tempo para a banda ser mais Hard Rock, para alguns críticos Heavy, que Rock americano.

Aos que sentiram-se tentado, dê um salto até o youtube e vai encontrar baciadas de Blackfoot. Se pesquisar um pouco mais, ficará sabendo que os últimos 2 discos teve a participação de um músico, creio que na guitarra, que tocava no Uriap Heep. Paro por aqui e foi excelente poder reencontrá-lo e saber que permanece rijo, forte, impenetrável feito diamante e o mais louvável: apreciando o asqueroso, velho, prepotente, inquebrantável e aspirando o pó e bolor do humanitário Rock and Roll.

Deus salva e o bom Rock sem adulteração, sem nada de lero-lero e pulverulências midiáticas, alivia. Por fim leitores, sigamos proclamando o Rock como estilo musical sem reservas. Namastê.

P.S.: E abaixo as cuícas, tamborins, mestres-salas; bundas e umbigos rebolando em cima dos calcanhares; e outros ziriguiduns! Como dizia Moisés da Rocha no programa que fazia na rádio USP: Ôô samba pede passagem!

Aí, o Profeta do Arauto nos anos dourados de faculdade ao produzir o programa alquímico Raros e Independentes com discotecagem própria e sonoridade puramente Rock, para a rádio clandestina da universidade, respondia: "sai, sai, sai da frente. Abrem alas e dê passagem para o cordão dos sonhadores suados, exaustos e sambados, mas "felizes"!"

Arriba, arriba muchachas guapas! Deveras, a alegria da nacionalidade brasileira é sonhar, fazer "gambiarras", descolar uns esquemas, fumar um baseado, levantar uns trocados para comer um pastel frito em gordura oxidada na feira regado à garapa, incendiar ninhos de urubu, lançar as narinas no frasco de lança perfume e sambar.

Sórdida, pobre e feliz indiaiada de nacionalidade brasileira!


Profeta do Arauto

Cansado, exaurido de ser estrela sob os raios luminosos e incandescentes do sol, enveredei pelo frescor da noite, cuja ideia é tomar conhecimento e ver de olhos abertos, o que o negrume soturno noturno tem a mostrar-me.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/musica// @obvious, @obvioushp //Profeta do Arauto