ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Um Profeta asno, ou Asno poeta que previu, resfolegou, instruiu, bateu os cascos contra o solo árido, leu a carta magna; e ninguém o ouviu. Atualmente, residindo no topo da colina, gargalha alto do caos, infortúnio e da desgraça humana: kkkkkk

Catedral de Notre Dame (só para constar nos arquivos)

O leitor está acostumado a ler excelentes e festivos artigos, crônicas, textos e contos que incitam a reflexão, exemplos à serem seguidos e põem em debate
a mudança de comportamento e hábitos? Desculpe-me, mas este é apenas um singelo bilhete encontrado em um dos livros "O Corcunda de Notre Dame", existentes no nosso roto alfarrábio, o qual está com as prateleiras carregadas de mofo e enamoradas pelas teias de aranhas, escrito por Victor Hugo em 1831. Talvez, não seja de vosso interesse, lê-lo.


Sobre a igreja:

gettyimages-1137427764-594x594.jpgFoto pertencente ao fotógrafo por direito de imagem.

A igreja foi implanda em homenagem à Virgem Maria. Motivo da denominação Notre-Dame: "Nossa Senhora", em francês. E no inesquecível dia do lançamento da pedra fundamental, estava presente Alexandre III, o Papa da época.

A catedral em estilo gótico francês, está, ou era localizada no veio pulsante de Paris, a Île de la Cité, ilha no rio Sena, região tida como o cartão postal e domicílio da antiga vila de Paris.

Sobre o livro:

Ao dizer sobre a obra, O Corcunda de Notre Dame", Balzac foi por demais cáustico: "É um dilúvio de mau gosto".

Goethe seguiu o mesmo pensamento e não perdoou: "É o livro mais abominável jamais escrito".

Polêmicas e críticas à parte, vamos ao bilhete encontrado em 16 de março de 2019. Nos falamos ao final; boa leitura.

"Espetáculo boreal no céu azul anil / Plateia em pé atônita e assustada, na Terra.

Colchões de nuvens algodoadas / Feito balões suspensos / cativos incinerados.

Incêndio, chamas, labaredas, línguas de fogo lambendo impiedosamente o Renascimento.

Victor Hugo levanta-se das catacumbas / Mira intrépido / incrédulo.

Para não ver a peça encenada / Tapa os olhos umidificados.

Foram-se os sinos / Quasimodo: o corcunda / a igreja / o padre Frollo / a bela Esmeralda / o campanário

Ficaram-se os livros nas bibliotecas / as cinzas, como relicário.

Palmas, apupos e assovios / Trocados por um minuto de silêncio.

Indescritível e mágico enredo / De uma longa estória literária / Narrada em curta peça de teatro.

Fecham-se as cortinas de fumaça/ Rescaldo encerrado.

Esvazia-se a tenda: Triste e trágico fim.

Botão de flores, rosas, jasmim / Ao pé do memorial são lançadas. Pétalas de carmim."

"Assinam este, todo elenco de atores que encenaram os quadrinhos e o filme de mesmo título do livro".

Voltando:

Estranho, não? Folha de papel intacta, com letras e atores vivos. Parece-me tão recente. Qual foi a sua impressão; a mim parece que foi escrito faz poucos dias. Ah, são tantas coisas esquisitas que acontecem nesse mundão de meu Deus e não ficamos sabendo, que não devemos duvidar de nada. Por sorte, através deste singelo e intacto bilhete, essa peça de teatro ensaiada na catedral Notre Dame, chegou-nos às mãos e olhos quase a tempo.

Sei que não tem a ver com o bilhete e o ocorrido, mas o mesmo inspirou-me escrever algo. Tolice, eu sei, mas deu:

Calcário Nobre:

"São coleções de ossos petrificados em jazidas mapeadas, das quais brotam dinheiro de suas profundezas; e em suas gretas abertas à intempérie, não nascem flores.

Transformadas em cimento, concretaram tudo, até os corações; que era o único órgão humano que pulsava sentimento.

Como consolo e redenção, voltaram ser pedra bruta; e isso é tudo, até que passe por novo processo de extratificacão".

Sei lá, acho que a inspiração ocorreu-me, porque a catedral era, ou é, de madeira; material facilmente inflamável, ao passo que o concreto é mais difícil de pegar fogo. Como disse, são tantas coisas estranhas que acontecem nesse mundão de meu Deus, que até a coerência e os pensamentos lógicos se perdem na efêmera virtualidade do tempo.

O que o caro leitor, afinal acha de preservar, manter, restaurar e curar coisas velhas, decrépitas, inúteis, horrorosas? Seguindo com as perguntas, por que em pleno século XXI, era da informação momentânea, transmissão de dados em tempo real, descobrimento da nanotecnologia; não menos, era que Loius Armstrong foi à Lua, que um físico brasileiro, juntamente com um soviético e um estadudinense foram ao espaço, trazendo de lá, um grãozinho de feijão germinado, para comprovar, por que ficarmos valorizando velharias? Valorizemos o que é belo, retumbante, vistosos cães de raça pura trazidos do exterior e ossos e corações petrificados. Isso sim, é ser atualizado!

Goethe e Balzac estavam certos, cobertos de razão; pensando como eles, rasgue em tirinhas, amasse tudo numa bolinha e toque fogo, incinere este bilhete, faça-o chorar ao sabor de lágrimas de sal da lenha em chamas, sem dó!

Daqui, aproximadamente 189 anos, as cinzas aparecerão em outras páginas de exemplares de livros da obra "O Corcunda de Notre Dame".

Mas, olha lords Gothe e Balzac, ao ser cáusticos e desumanos, como foram com livro de Victor Hugo, os mestres pensadores não levaram em conta o enfoque, a crítica severa, aos costumes e hábitos da burguesia francesa da época. Inclusive, o enredo literário só falta dissertar que, ao abrir os olhos, a falta de empatia dos franceses discriminavam, praticavam a intolerância e impaciência contra mendigos, enfermos e deficientes; e ao fechá-los, cravavam os joelhos no tablado e comungavam ao Padre os pecados e através do sinal da cruz, estavam salvos. Na hora seguinte, eram os mesmos representantes da indiferente sociedade francesa, de antes. Entende agora, o porquê do dualismo entre a bela figura cigana, Esmeralda, o corcunda, Quasímodo; um santo Padre e senhores de poder, na trama?

Nobres senhores e caros leitores, perdõe-me pelos excessos, que aliás faz-me um pecador, porém não posso deixar de esclarecê-los, que Deus anunciou aos povos, à todos os povos, que não mencionasse seu nome em vão, que não o citasse em qualquer situação corriqueira; mas em momentos oportunos, tais como em momentos de dor, sofrimento, doenças e necessidade maior, apenas.

Não estou para esclarecimentos e sermões, mas para silêncio; porém, antes, soltarei um urro gutural em Restos, Restolhos e Egoísmo.

No meio do monturo, Um urubu faminto levanta a cabeça e observa:

"Servem o melhor entre eles, esbanjam banquetes entre família, mas será que esse povo não tem nada melhor para oferecer-me; ou eu não sou um ser vivo criado à imagem e semelhança, de (e por) Deus"?


Profeta do Arauto

Um Profeta asno, ou Asno poeta que previu, resfolegou, instruiu, bateu os cascos contra o solo árido, leu a carta magna; e ninguém o ouviu. Atualmente, residindo no topo da colina, gargalha alto do caos, infortúnio e da desgraça humana: kkkkkk.
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