ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Cronologicamente, didaticamente, antropofagicamente, funciona assim: as palavras que saem da ponta de minha pena sem pena, não são escritas; e se escritas, não são exercitadas

Contrário de pintar estrelas, terrorismo adora Dor!

O convívio relacional entre os povos resumido em apenas uma palavra, composta por 3 letras: paz. Mas também pode ser cor, vão, mel, sim, bom, lua, são, não, sal, fel, mau, vil, céu, sol, dor, ter...


Tente, experimente, vivencie, tudo está ao alcance das mãos, dê largada, inicie, pinte um céu estrelado com cores diferentes; ou és mais um que exige água limpa, de boa qualidade, equilibrada de pH (potencial Hidrogeniônico) em sua minerabilidade e ideal de potabilidade da fonte vizinha; e ao invés de somar os volumes, multiplicar as forças, cruza os braços e nada faz para motivá-la, incentivá-la, estimulá-la e preservá-la do sol, cobrindo-a com uma matinha ciliar? Às vezes, com a conivência e acomodação das mãos, as impurezas inimigas brotam das profundezas do mesmo solo.

Diante de tantas tragédias e catástrofes causadas pelo homem contra si mesmo, está mais que claro, que a humanidade está próxima, constelações de estrelas agarradinhas à lua, bem próxima, cheia de Deus...; de deus Lúcifer!

20190311_185109.jpg"Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão." Operando em sociedades comunitárias perfeitas, não há espécies mais especializadas, solidárias, altruístas e socializadas na face da Terra, que as formigas e abelhas. Todas por uma, uma por todas.

Fala-se muito em Deus. Deus, Deus, Deus! Mas poucos reconhecem que Deus é malabarista lançando jatos de pó químico, equilibrando-se com os baldes de água, dançando de braços abertos sobre a corda bamba que une os extremos de um mundo em chamas.

Você sabe o que são estrelas? Já pintou uma delas? Não sabe o que está perdendo. Elas riem de tanto prazer, brilham pelo colorido dado à elas. Tente, acho que você também é pintor de estrelas. Não se preocupe com a altura e o alcance de seus braços: elas descem, vêm até suas mãos. São como os vagalumes. Piscam dizendo: estou aqui, pegue-me, repare-me; e pinte-me se for capaz!

Não, não me considero fanático religioso; como também não sou descrente, por isto, não deixo de acreditar que existe um Deus sobre o teto de minha casa. Aliás, essa moradia doada em sistema de comodato foi me emprestada por ele.

Sim, existe um Deus. Um Deus que me guia. Um Deus que como a invisibilidade do vento, leva-me para lá e para cá. Tocam as minhas faces sutilmente, como a delicadeza do fio de agulha do bico do beija flor tocando o interior da flor desabrochada. Um Deus que me faz dançar, como dançam as borboletas em pleno voo.

Um Deus supremo que guia-me por caminhos incertos e sinuosos, porque a retidão pertencem aos caminhos, os quais deixo as minhas pegadas. Um caminho permeado por flores heliotrópias dos dois lados, sorrindo e abraçando um sol sisudo; pois as nuvens não lhe dá sossego; e corre os quatros cantos, tapando-lhe o olho.

Estranho e raro isso, não? Acreditar em um Deus que guia o seu filho pelos caminhos incertos, ainda mais quando sua imagem e semelhança está endereçado para o bem, foi crismado nas águas da benignidade, comunga da igualdade e justiça dos justos. Para ser sincero, embora ele esteja comigo, eu nunca estive com ele e se alguém caminha acompanhado por alguém, esse alguém sou eu acompanhado por ele. Verdade, ele acompanha-me com os lápis de cores, pincéis, escada, latas de tintas, lua, sol, cuja finalidade, é auxiliar-me na pintura das estrelas no céu.

Em certas ocasiões, penso que Deus sou eu. Pois, se Deus é soberano, onipotente, onisciente e onipresente em lugares apenas imagináveis, eu também possuo essas qualificações aqui na Terra; e o melhor, materializado.

Eu posso ser visto, tocado, apalpado, reprimido e o Deus invisível, não. Ser um deus: os humanos não sabem o que isso. O sentimento que isso causa. O bem-estar fluindo na corrente sanguínea. Como eu gostaria que o mundo pertencesse somente a um Deus. Só tivesse um único Deus que governasse a humanidade; e a ele, rendesse glória e louvores.

Mas humanos possuem ossos, carne, são inteligentes, dotados de livre-arbítrio, racionalidade dialética e carregam nas costas constelações de pecados. Pecados e mais pecados; e embora possuam estrelas, essas são apagadas, esperando pelos lápis de cores presentes no amanhã. Por isso, é o negrume das trevas em profunda escuridão.

Se o outro deus existe ou não, não importa. Importa-me que eu o represento. Estou no campo de batalha, tomo à frente das coisas. Lidero um rebanho. Eu sou o deus da Terra e pinto as estrelas. E quando sinto necessidade de atingir o Nirvana, adentrar o paraíso, colher flores no Jardim do Éden para enfeitar o altar e conversar com Deus, caminho a noite inteira, tomo uns tragos de inspiração, reparando o quão lindo é o universo.

A lua cheia ou vazia, esparrama sua claridade sobre o Planeta; e eu, Pintor de estrelas, esparramo meu corpo debaixo do sombreiro gerado por ela. Pego as minhas companheiras em meu embornal invisível, beijo-as de cima a baixo, desenho um céu abobadado, encho-o de estrelinhas pintadas e digo: meu, esse teto é somente meu; pois os humanos que compõem a humanidade não sabem e nem querem saber, o que isso significa.

Meus desenhos e pinturas são lindos. O Deus invisível é mistério, mas as obras dele são palpáveis, motivo d´eu me sentir um deus quando saio a noite para rezar e pintar o céu cheio de estrelas.

Definitivamente eu não preciso de religião, mas preciso de céus abobadados, com uma lua cheia amarela lá no canto, circundada por uma circunferência alaranjada de colinas, salpicadas de estrelas.

Para mim, pintar estrelinhas é a minha religião. Enquanto todo o mundo as ignora, eu quero todas as estrelas do céu para mim. Quero muitas estrelas, para quando eu sentir vontade de confessar minhas fraquezas, quando eu querer entoar uma música em forma de oração, tenha em mãos uma caixa de lápis de cor e uma folha de papel em branco, para desenhar um teto cheio de estrelas coloridas e chamá-lo de céu.

Um céu celestial, para chamá-lo de moradia de Deus. Um Deus que guarda e abriga um pecador sem religião. Um Deus que protege o pintor de céu estrelado, conhecida morada divina.

Porque o Deus supremo é repetição. Eu repito sempre os meus desenhos de céu estrelado, as minhas pinturas, as minhas rezas, os meus coloridos, as minhas cantigas, os meus medos, cuja finalidade é estar em constante sintonia com Deus. Solicitamente, com os lápis-de-cores, pinto um céu abobadado para meu Deus e consequentemente, durmo sereno debaixo dele. Quem tem uma caixa de lápis de cor, tem um céu para pintar repetidas vezes; e quem tem um céu pintado repetidas vezes, tem Deus em seu coração.

Amar é repetir gestos de solidariedade; mesmo porque, o Deus supremo é repetição e analogia. Eu repito sempre os meus desenhos de céu estrelado, tanto quanto repito as minhas pinturas, os meus coloridos, os meus escritos, os meus devaneios, as palavras. Repetindo tudo, estou em constante sintonia com Deus. Repito, rascunho, ratifico, finalizo, retifico, repito. Eu repito gestos de solidariedade todos as horas, todos os dias, todos os meses, todos os anos. Por toda a vida, solidariedade é dar a vida, pela vida!

Eu tenho um teto abobadado, com uma lua no meio, cheio de estrelinhas miudinhas, grandinhas, todas elas coloridas. Eu dou vida à elas. Dando vida à elas, dou vida a minha religião. Dou vida ao Planeta; pois sou considerado Pinto de estrelas. Pinto um coração. Pinto um céu. Pinto Deus, porque sou o Pintor da morada de Deus. E os povos do mundo inteiro sabem de tudo, definem tudo, conhecem todas cores de cor, tem explicação para tudo, mas ninguém sabe o que é pintar estrelas. Ninguém sabe como é salutar e significativo pintar estrelas. Repetir as cores nas repetidas estrelinhas.

No meu mundo, o céu é igual, as casas são iguais, os brinquedos são iguais, as estrelas são iguais; a lua demora uns dias, mas quando aparece é igual, as cores dos lápis são iguais, os viventes são iguais; tudo, absolutamente tudo, é exatamente igual, mas não me canso de pintar com cores vivas o teto que pertence ao meu Deus, o Deus da igualdade e justiça. O meu teto, minha cobertura, meu amparo, minha proteção.

Tanto escrevi e repeti a palavra Deus, que fica a pergunta: quem deveras é Deus?

Terror, Estrelas, Lua, Sol, Fauna, Flora, Natureza, Vento, Sorte, Religião, Morte, Ciência, Amor! Escolha a resposta e faça sua aposta, não paga nada; exceto em alguns casos, se cobrarem, pagarás com a vida. Sobretudo, porque deuses e religiões são esquisitos; e facilmente, desentendem por não saberem o que é pintar estrelas.

E quem não pinta estrelas, jamais beberá água pura na fonte da sabedoria, justiça, igualdade, bom senso e discernimento; em contrapartida, corre sérios riscos de ser acometido, fica suscetível às vilezas das dores. Afinal, todo ato desumano e tudo que não for armamento em defesa da paz, é fanatismo religioso atentando contra a vida, aliado ao terrorismo que evoca o desamor.

Contrariando o Pintor de estrelas e o filósofo Sócrates, numa noite qualquer, em nome de um, ou de muitos deuses, novamente as bombas das dores iluminaram o céu, explodiram as estrelas, devassou a lua, dizimou o sol, engarrafou o vento, parou a chuva, acorrentou a liberdade, secou as nascentes, aniquilou vidas; dando sinais cabais de egoísmo e intolerância religiosa.

Por pura sorte, naquela noite faltaram lapis de cor, escadas, tintas e Deus no coração dos deuses, motivo do Pintor não ter saido de sua casa, que está encravada na rua Imenso Céu da Liberdade, S/N, para pintar estrelas.

E sem brilho, luz e cor, todas as constelações de deuses choraram, copiosamente, a falta de uma verdadeira estrela que amparasse, governasse pacificamente, protegesse, cobrisse todo o universo humano com o manto da paz.

Como não foi possivel cobrir o céu com a estrela da paz, poderiam cobri-lo com cor, vão, mel, sim, bom, lua, são, não, sal, fel, mau, vil, sol, dor, ter. Mas ter, exige complemento; e se somarmos mais uma sílaba, composta por 3 letras à palavra, temos: terror. E terror, é o licor esparramado, misturando as cores, com o fidedigno câncer necrosado pela filosofia luciferiana na Terra.

"Sócrates foi o primeiro a evocar a filosofia do céu à terra, deu-lhe a cidadania nas cidades, introduziu-a também nas casas e obrigou-a a ocupar-se da vida e dos costumes, das coisas boas e das más." - Marcus Tullius Cícero

A poesia e a filosofia, o bem e o mal, a paz e o terror, o amor e o ódio, Deus e Lúcifer, caminham lado a lado, livres e leves pelo mundo. E de quando em quando, servindo um deus de cada vez, enquanto uns povos teorizam os valores e conceitos de um ou outro deus, outros povos exercitam as lições em totalidade.

Foto pertencente ao autor do texto


Profeta do Arauto

Cronologicamente, didaticamente, antropofagicamente, funciona assim: as palavras que saem da ponta de minha pena sem pena, não são escritas; e se escritas, não são exercitadas .
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