mudando algumas certezas de lugar

Acomode-se, vamos comemorar os nossos desastres. Aceita cookies?

Nathália Moura

Curiosa nata, quer conhecer saturno, escrever um livro, fazer um café decente e conseguir que um girassol sobreviva em um apartamento.

Eu só quero que você seja feliz

Onde estiver, com quem for. Espero que você solte muitas gargalhadas, ame seu trabalho e volte para casa em paz.


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Amar é realmente coisa complicada. A gente se doa, mesmo que quebre a cara, mesmo que o outro não retribua. Amar era coisa que não passava pela minha cabeça, eu não sabia o que era, ainda não sei. A gente só sabe que ama, mas não sabe o por quê. Não sabemos ao certo, qual foi o momento, o momento em que deixamos de ser apenas um, nos deixamos, nos depositamos em incertezas.

É coisa bonita, mas as vezes é triste. Talvez se tivéssemos a oportunidade de escolher, não escolheríamos. Preferiríamos a paz do sossego. Amar é entrar de cabeça no caos, é deixar as distrações de lado e focar num ponto, mesmo que distante, mesmo que inalcançável. Amar é estar desequilibrado, quase a ponto de cair. A qualquer momento, em qualquer lugar.

Vemos o amor aí, rindo da nossa cara, esbanjando seu sarcasmo absurdo. Vez ou outra, ele nos acolhe, nos ouve, nos aconselha, nos bota pra dormir. Mas outras vezes, está de mal humor, resolve quebrar tudo que vê pela frente e vá reclamar dele pra ver, ele te dilacera, te esmaga com as mãos.

E o tempo, fica ali, de vigília, espiando a correnteza, quieto. Dizem por essas estradas que o tempo é o senhor e o amor é só um menino, talvez seja sim. Mas um dia, o amor irá crescer, tomar forma e amadurecer, escondido ou esparramado. Depende das noites, dos quilômetros, da vida. Quem é que pode saber?

Desde menina o via, ficava intrigada, mas não ousava perguntá-lo quem o era. Foi quando o vi passar por mim mais demorado. Seus olhos estavam assustados, eu não sabia o que faria para acolhê-lo, percebi que estava machucado, a vida se esvaia de seu corpo e eu queria poder ajudá-lo, mas era tarde demais. Ele se foi, assim como um pássaro que num momento se encontra ao alcance da visão e em outro, abre as asas e não há quem o segure.

Perdida, resolvi seguir qualquer caminho. O queria de volta, mas sabia que não poderia mais tê-lo, não mais da mesma forma.

E assim, em um dia chuvoso, não é que ele me aparece todo molhado numa camisa desbotada, me pedindo abrigo?! Eu queria pô-lo numa gaiola, mas tinha medo, medo de que ele fosse embora de novo e eu não pudesse impedir. Tinha medo que ele pudesse me culpar por não tê-lo salvo da última vez. O admirava todos os dias, de longe, chegar perto podia assustá-lo. Mas não é que ele quis se aproximar e eu ainda com medo, de tudo.

Ele cresceu, eu cresci. O queria ao meu lado, mas queria muitas coisas. Fui-me embora, na tentativa absurda de que ele fosse atrás de mim. É claro que ele não iria, estava cansado, eu já o dera preocupações demais. Fui-me numa tarde qualquer. E no fundo sabia que não voltaria, já havia tomado minha decisão. Meio cega, meio medrosa demais.

Hoje o tenho no peito, em um lugar que posso visitar sempre que me sinto sozinha e atormentada pelo vazio. Não posso vê-lo, mas consigo senti-lo. As vezes ele me dá forças e o caminhar se torna menos pesado. Outras vezes, ele me mostra verdades e eu me desmancho feito uma criança no travesseiro.

Eu só queria avisá-lo de que eu sinto muito. Tanto por permitir-me perdê-lo, como por impedir-me de tê-lo.

Eu só quero que você seja feliz! Até nos dias nublados e chatos, mesmo quando as coisas parecerem fora de ordem.

Mesmo que me parta o coração te ver longe. Mesmo que a saudade cresça a ponto de esmagar minhas vísceras. Afinal, amor também é exagero, meu bem.


Nathália Moura

Curiosa nata, quer conhecer saturno, escrever um livro, fazer um café decente e conseguir que um girassol sobreviva em um apartamento..
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