mudando algumas certezas de lugar

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Nathália Moura

Curiosa nata, quer conhecer saturno, escrever um livro, fazer um café decente e conseguir que um girassol sobreviva em um apartamento.

Ter fé é além de ter uma religião

Muitos acreditam que a sua fé precisa ser dirigida de forma institucionalizada, coisa que não tem sentido, logo porque fé é subjetiva, individual e íntima.


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A necessidade de criar regras e convenções das quais precisamos seguir para ser aceitos em determinados grupos - sejam religiosos, políticos, entre tantos outros - fazem com que percamos o objetivo principal de se unir a esses grupos. Quando deveria ser uma troca de visões de mundo que nos auxiliaria a tentar enxergar o outro e a si próprio, a refletir sobre a existência do outro e a de si mesmo, procurando um propósito maior para o bem comum, acaba se tornando em imposições de visões de mundo, baseadas nem ao menos na experiência, mas no que outros disseram ser verdade e assim se bate o martelo e que tomem cuidado os desertores com as "caras feias"(Para demonstrar sutileza). No entanto, o que podemos saber com a verdade se a fé é algo tão intangível?

Existe um certo tipo de receio em discutir alguma coisa que se relaciona com religião, as pessoas ficam incrédulas, arregalam os olhos e te apontam o dedo, como se a frase cristã mais famosa "Amar o próximo como a ti mesmo" não incluísse respeitá-lo, mesmo que em opinião diferente da sua ou seja lá o quê.

O que acontece é que muitos seguem doutrinas e um monte de imposições, sem ao menos entender o porquê de o fazer. E não vemos isso só nas igrejas e em outros lugares religiosos, mas em todas as partes. E quando há indagação é uma indagação na maioria das vezes manipulada, alienada. As pessoas têm, ou parecem ter, preguiça de pensar com a própria cabeça. Fazem, sem pensar duas vezes, com o outro o que não gostariam que fizessem consigo.

A fé é fundamental para nós humanos, em todos os momentos da vida. É saudável ter fé. É saudável cultivar boas intenções. É saudável praticar o bem. Todo ser humano é constituído de fé, mesmo que não seja em uma entidade religiosa, mas em si mesmo. Fé é motivação. E é de uma beleza inimaginável.

Religião é outra coisa, completamente diferente. Cada uma tem seus encantos, confessemos. Mas nenhuma é perfeita. E se diferenciam por suas formas de enxergar a vida. O que não significa que devem limitá-la. Ao contrário, a intenção de uma religião é religar o homem ao transcendente, é buscar o melhor que possamos ser, é quebrar barreiras que impedem nossa evolução espiritual. Mas acabam sendo argumento para guerras.

O sentido é perdido no caminho, acaba sendo distorcido e ninguém sabe direito o que fazer, em quê acreditar, se deve realmente acreditar em alguma coisa ou se essa coisa existe e por qual razão existe. Os valores estão tão embaralhados que muitas pessoas acreditam que seus pecados podem ser pagos por promessas, por alguns pequenos sacrifícios, em seguida, comete outros pecados para poder se desculpar novamente e tornar isso um ciclo vicioso. Outras já acham que ao entrar na igreja e fingir ser pessoa bem intencionada justifica a falta de caráter, compaixão, empatia demonstrado na rua. É de tamanha hipocrisia que chega a dar calafrios.

A questão não é ter status, é além disso. Encontrar a plenitude, o nirvana ou seja lá o que for, é além. Fé implica em ter forças para cada passo dado e cada passo que ainda será dado. Mas também exige reflexão, exige interiorização e exteriorização. Implica em coisas das quais a capacidade humana ainda não consegue compreender.

Insistimos que é assunto delicado, tabu, desencadeador de conflitos, o que é cômico, já que a intenção era para ser justamente desencadear a paz.


Nathália Moura

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