mudando algumas certezas de lugar

Acomode-se, vamos comemorar os nossos desastres. Aceita cookies?

Nathália Moura

Curiosa nata, quer conhecer saturno, escrever um livro, fazer um café decente e conseguir que um girassol sobreviva em um apartamento.

Não tenha pressa, eu te espero

As vezes não importa o quanto você tenta acompanhar alguém, há pessoas que sempre estarão a um passo à frente de nós. E nem sempre é por falta de esforço, de tentativa, de querer.


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Talvez seja medo. Teimo em acreditar que essa coisa de se colocar à frente seja apenas uma casca, uma forma de proteção, assim como o orgulho que está de mãos dadas com o receio. Criamos quilômetros de barreiras de proteção e nos infiltramos no egoísmo, na arrogância, na prepotência, mas no fundo há sempre alguém desesperado, uma criança amedrontada, um vazio inimaginável.

Choramos sozinhos, com anseio de chorar com o outro, somos fracos sozinhos com anseio de sermos fracos com o outro, ao invés de dividirmos a dor, as acumulamos, as colecionamos. Sem contar as vezes que deixamos de multiplicar as pequenas alegrias, para vivê-las sozinhos, como ótimos afortunados que somos.

O outro não só é, como deve ser um complemento à vida. E limitamos muitas vezes em enxergar o mundo, quando a única coisa que conseguimos fazer é enxergar o próprio umbigo. O verdadeiro equilíbrio se encontra em conseguir ser leal a si sem esquecer de ser leal ao outro, que está ali, tentando nos acompanhar, mas fazemos questão de não olhar para trás, só para não perder a piada, o ônibus, a hora.

Esse lado obscuro que habita me nós, faz com que pensemos primeiramente, e muitas vezes unicamente, em nós mesmos quando nos vemos frente à um benefício, à alguma vantagem, seja ela qual for. Queremos sempre o melhor para nós e pouquíssimas vezes, verdadeiramente, para o outro. Qual é a desse monstrinho que insiste em ser muitas vezes a voz mais ativa e forte, que nos ensina o caminho mais "vantajoso"? E será que é vantajoso mesmo? Quando conseguimos o tão sonhado prêmio, por qualquer coisa que seja, mesmo que imaginária, o que afinal ganhamos com isso? Não me refiro ao dinheiro e a nenhuma outra coisa material, mas sim de ganhos espirituais. Quem se nega a se doar, também é privado do doar do outro, que mesmo que esteja empenhado à tarefa, acaba percebendo que é um caminho terrível, dar e não receber, por inúmeras vezes. Uma hora ou outra, o cansaço chega, relações não podem ser sustentadas por apenas uma energia a seu favor, é desgastante.

Vejo por essas ruas, pessoas que se doam demais e pessoas que se doam de menos. As duas estão caminhando em direções errôneas, por muitas vezes serem direções angustiantes.

Saber se valorizar ao mesmo passo que também sabe dar valor ao outro é tarefa complicada. Como saber dosar, para não amargar ou azedar? Eu não sei. Mas vez ou outra vale a vez, a pena, os sentidos, simplesmente parar, olhar para trás, estender a mão e dizer “Não tenha pressa, eu te espero.”


Nathália Moura

Curiosa nata, quer conhecer saturno, escrever um livro, fazer um café decente e conseguir que um girassol sobreviva em um apartamento..
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