muito além do óbvio

Sobre inquietudes, artes e algo mais...

Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida.
Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso.
Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio...

Resolução de ano novo: maturidade emocional

"A maturidade nos permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade e querer com mais doçura". (Lya Luft)


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Fim de ano, momento de fazer o balanço do que foi vivido e aprendido. No pacote de presentes, destaco um dos maiores que se pode ganhar: a maturidade. Desfrutar o prazer da própria companhia, praticar a gratidão e não se importar tanto com o julgamento alheio são alguns dos brindes dessa fase tão enriquecedora. Se ainda a desejamos, que ela seja o primeiro item das resoluções de ano novo. Mas, se já foi adquirida, vamos tirar o laço, o embrulho e aproveitar da melhor maneira esse presente que a vida nos dá!

Sempre ouvia sobre maturidade emocional, mas a associava com a idade e pensava que talvez bem velhinha eu fosse capaz de compreendê-la. Só conseguia perceber que estava muito longe, porque ainda sofria pelas minhas atitudes e principalmente pela dos outros. Hoje não sei se sou um exemplo de maturidade, mas o melhor é que isso simplesmente não importa, pois o julgamento alheio e a aprovação externa deixam de ser o foco da sua vida, quando você descobre verdadeiramente o amor próprio. O drama perde a importância, a opinião dos outros já não interfere nas suas ações e a própria companhia se torna o melhor encontro do dia.

Para cada pessoa, a maturidade vai refletir de maneiras diferentes. Abaixo segue uma lista - não espero dar receita de bolo, até porque cada um deve ter o seu próprio tempero - mas, para mim, claramente algumas coisas adoçaram a vida:

1.Aprender a desfrutar o prazer da própria companhia e desenvolver o amor mais importante de todos, o próprio.

Esse é um caminho sem volta e a sensação de capacidade e empoderamento são inexplicáveis. Se sentir verdadeiramente feliz e em paz independente do lugar, do programa ou do fato de estar sozinha ou acompanhada é algo extremamente poderoso. Desde estar em uma viagem incrível com milhares de amigos até ficar sozinha em casa lendo um livro são momentos desfrutados com a mesma sensação de paz interior. E outro grande triunfo da descoberta do amor próprio é que os relacionamentos amorosos deixam de ser muletas para a solidão. Você não precisa mais achar alguém que a complete, porque será um ser inteiro aberto para uma relação sem amarras, sem cobranças, um amor que não tira do chão, mas que o coloca cada vez mais em equilíbrio.

2. Aprender a dizer não para o seu sim ter real valor.

Ir à algum lugar quando realmente quer, fazer coisas que realmente deseja, ser simpática com quem merece, dar a sua atenção para quem se importa. Dizer não significa ouvir seu sexto sentido, se respeitar. Não é necessário dar as costas às novas oportunidades e desafios pelo medo da mudança, mas dizer não às coisas que você já sabe que não agregam ou que te afetam negativamente e dar adeus àquela velha falta de autoproteção. Dessa maneira, sem dúvida seu sim terá muito mais valor, porque você o dirá com convicção e sinceridade, sendo uma melhor companhia para os outros e principalmente para você mesmo. A qualidade dos programas e das pessoas que o cerca melhora automaticamente após essa atitude.

3. Aprender a se desligar amorosamente das amizades tóxicas e valorizar os poucos e bons amigos.

Quando você aprende a dizer não, muitos não entenderão, podem achar que é pessoal e talvez não estejam totalmente errados, pois quando você passa a entender o que realmente quer, algumas amizades não farão mais sentido. Na realidade, muitas pessoas surgem na nossa vida para ensinar, aprender e ir embora. A maior dificuldade é se desligar amorosamente delas, desejar verdadeiramente o bem e entender que independente do que acontecer, nada vai mudar o que de benéfico ela deixou e levou durante a sua passagem. O número de amigos diminui, mas os laços se fortalecem e esse é um dos maiores presentes dessa fase. As relações passam a ser de muita cumplicidade e compreensão, o respeito à sua essência, seus valores e suas crenças passa a ser essencial.

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4. Aprender a resiliência em sua essência.

Ser resiliente é ser capaz de voltar a sua forma original, aos seus valores, a sua verdade, independente do que tiver passado ou sofrido, independente do que os outros fizeram ou deixaram de fazer, é ter a capacidade de se adaptar às mudanças. Nem tudo irá acontecer quando ou como queremos, mas o que aprendi foi que sempre acontece da melhor maneira. Quando aprendemos a ser resilientes nos momentos difíceis e enxergar algo de positivo mesmo em situações quase impossíveis, a vida se encarrega de resolver e mostrar rapidamente o porquê de tudo aquilo. Quando você entende que não importa o que o outro faz, mas sim como se sente em relação a isso, a vida se torna mais leve e você passa a compreender que é o único responsável pelos seus sentimentos.

5. Aprender a superar alguns limites e ao mesmo tempo respeitar os mais importantes.

Superar limites, fazer coisas que sempre quis, mas que por medo da reprovação externa e principalmente do seu próprio julgamento, você sempre anulou. Perder o medo de voar e de pular da pedra mais alta. Perder o medo de estar só. Perder o medo de falar não. Respeitar os seus limites, respeitar as suas crenças pessoais, seus valores e suas verdades. É preciso aprender quais os limites que você pode superar e quais não devem ser desrespeitados jamais.

6. Aprender a praticar a gratidão, reclamar menos, agradecer mais.

Você pode comprovar no seu dia-a-dia, quanto mais as pessoas reclamam mais problemas elas têm. Por quê? Porque é exatamente isso que atraem, quanto mais reclamam mais coisas irão surgir para reclamar e se não tiver, pode ter certeza que elas encontrão. Aprender a ser grato em épocas felizes é bem mais simples, apesar de muitas pessoas não agradecerem nem durante esses momentos. Mas usar a gratidão em épocas turbulentas é um dos maiores desafios. A partir do momento que você se conscientiza que cada experiência vivida tem a sua importância, a gratidão fica um pouco mais palpável.

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7. Aprender com as experiências do passado, mas deixá-lo aonde ele tem que estar.

As pessoas passam em nossa vida para nos deixar ou levar algo. E esse é o maior aprendizado de todos, saber a hora de dizer adeus. Insistir para que alguém fique, desejar que algum momento volte ou não encerrar aquilo que já acabou é persistir em viver fora da realidade, a qual sem dúvida pode apresentar situações e pessoas tão interessantes que irão somar infinitamente ao seu crescimento pessoal. Aprender com o que foi vivido e deixar o passado aonde ele deve estar é essencial para valorizar a própria serenidade. Isso vale para o antigo emprego, a amizade que se rompeu e o relacionamento que acabou. Praticar o desapego das pessoas, das coisas e do que já passou é essencial para não se perder o bem mais precioso: o dia de hoje.

8. Aprender que a opinião dos outros e só deles, isso não é a real verdade sobre quem você é.

Fulano acha isso de mim, pensa aquilo sobre a minha atitude ou me recrimina por determinado pensamento. Ignorar o que desconhecidos pensam sobre nós não é uma tarefa tão difícil, mas e quando esse julgamento parte de pessoas com as quais nos relacionamos, pessoas que amamos? Algumas vezes as pessoas podem opinar sobre nós mesmos de forma construtiva ou amorosa, mas a grande parte não sugere algo, apenas julga. E o poder da maturidade está em perceber essa diferença e ouvir unicamente aquilo que é benéfico para a sua mudança e para o seu crescimento e descartar o que não serve ou o que vem apenas cercado de julgamentos.

Todos os tópicos começaram com o mesmo verbo, por isso, certamente o sinônimo da maturidade é a humildade, humildade para aprender e nunca se privar das suas descobertas pessoais e do mundo novo que se apresenta nessa fase, que não tem idade certa, mas que você simplesmente vai sentir, vai perceber quando chegar.


Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida. Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso. Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio... .
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