muito além do óbvio

Sobre inquietudes, artes e algo mais...

Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida.
Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso.
Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio...

Saciando a fome de “amor”

Enquanto não formos capazes de entender o amor na sua essência, ainda buscaremos relacionamentos com o intuito de preencher lacunas e não construir vidas, continuando insatisfeitos com o outro e conosco. Procurando a metade da laranja enquanto ainda não somos nem um inteiro. Dessa maneira construímos e mantemos relações dependentes, tentamos mudar o outro, inventamos sentimentos. O ministério dos relacionamentos adverte, em caso de imaturidade de sentimentos, a opinião dos outros e o medo de ficar só podem ser totalmente prejudiciais. Procure um amor. O amor próprio de preferência.


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Chegar à conclusão de que talvez você nunca amou ninguém verdadeiramente, nem aqueles por quem mais sofreu ou aquela relação pela qual mais lutou não é nada fácil de digerir, mas de alguma maneira pode ser totalmente libertador e cair tão bem quanto aquele sal de fruta logo após uma feijoada completa. Libertador pelo simples fato de admitir a incapacidade de se relacionar de forma saudável e construtiva. Sim, admitir é o passo mais importante para a mudança, mas ao mesmo tempo o mais difícil.

Se você já se sentiu como se estivesse em uma arena quando está se relacionando, aonde as brigas, discussões, disputas, egos inflados, ciúme, mentiras e possessividade estão presentes ou você simplesmente não consegue aceitar o outro na sua essência, tenta mudá-lo, controlá-lo ou ainda luta para obter constantes provas de “amor”, talvez, meu caro, você não ama ou nunca amou ninguém, muito menos a si próprio.

Sabemos que o amor próprio deve ser o ponto de partida para qualquer tipo de relação, seja com a família, amigos, chefe e principalmente em uma relação amorosa. Mas mesmo com essa informação porque ainda vivemos relações tão imaturas? A realidade é que não sabemos nos relacionar e nem amar de forma sábia porque ainda não somos maduros emocionalmente e não aprendemos a viver o amor mais importante de todos, o próprio.

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Como você pode dividir um prato vazio com alguém? Se você não tem nada no seu interior, como será capaz de dar algo? Como amar alguém quando só sabemos teorizar sobre autoestima e amor próprio? Como? Muito simples! “Amamos” através do apego, ciúmes, cobrança, controle e disputa. E acreditamos convictamente que todos esses sentimentos são sinônimos de amor. Você pode até gostar do parceiro e da sua companhia, mas apenas quando tudo está da maneira que lhe convém e enquanto tudo alimentar o famoso ego. E acredite, a fome dele pode ser enorme!

O verdadeiro amor próprio e maturidade emocional começam quando você é capaz de conviver consigo mesmo aceitando todos os seus defeitos e reconhecendo e valorizando as suas qualidades. Se encarar sozinho e olhar para a própria vida sem ter alguém para suprir a carência é um desafio ainda maior em uma sociedade na qual o sinônimo de felicidade é estar numa relação amorosa. Você pode estar sozinho e muito mais feliz, mas as pessoas continuarão te julgando e é aí que mora o segredo, o modo como reagimos a isso! A liberdade e felicidade estão presentes quando você entende que a única pessoa responsável por elas é você. E esse é o melhor caminho sem volta: Você passa a se amar verdadeiramente, se sente bem na sua própria pele, encontra o prazer em estar sozinho e a partir disso estar ou não em uma relação é somente algo para somar a felicidade que você já encontrou.

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A fome de “amor” é insaciável e perigosa porque o risco de usar as relações como vícios é enorme e em muitos casos, quanto mais dolorosas as interações, mais distração e adrenalina elas podem oferecer e sair desse círculo vicioso se torna praticamente impossível.

A tentativa de se relacionar quando você ainda não aprendeu a conviver consigo mesmo é um pouco parecido com aquele sanduiche deliciso que você quer experimentar: Você se desloca com seu carro até a lanchonete, pega um trânsito absurdo, paga caro o estacionamento, mas ao chegar acaba comendo todas as outras porcarias do cardápio e nem se lembra de pedir o tão desejado sanduíche, ou seja, enquanto você não estiver pronto para escolher exatamente o que quer, as relações nunca irão cair bem, muito pelo contrário, a consequência será sempre uma grande indigestão!

Reencontrando a autoestima não será mais necessário procurar a metade da laranja porque você já terá a feira completa em casa! Aprender a grande arte gourmet e preparar o seu amor próprio é o primeiro passo contra a indigestão amorosa, até lá, dá-lhe dieta!


Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida. Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso. Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio... .
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