muito além do óbvio

Sobre inquietudes, artes e algo mais...

Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida.
Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso.
Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio...

A representatividade feminina no cinema

Pense em personagens femininas no cinema. Agora tente se lembrar de alguma não estereotipada como frágil, indefesa ou sem controle emocional. E mesmo em torno da heroína há uma figura masculina ou uma história de amor envolvida. Isso é um reflexo do papel da mulher na industria cinematográfica, por ainda faltarem mulheres em cargos de liderança, as histórias contadas são superficiais, clichês e irreais. Ainda ansiamos por mais representatividade feminina no cinema e em tantas outras áreas....


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Atualmente, assistir a qualquer filme e reconhecer um personagem protagonista feminino não estereotipado é ainda um desafio. Uma das questões preocupantes na nossa sociedade e que consequentemente reflete nas produções cinematográficas é a falta de representatividade das minorias nas construções dos argumentos, histórias e direção dos filmes.

No caso da representatividade feminina, fica difícil observar personagens verossímeis quando um filme é escrito e dirigido apenas por homens. Não que seja impossível um homem retratar esse universo, mas provavelmente apresentará alguma falha quando não houver uma visão real de alguém que já vivenciou a opressão e as dificuldades em ser e viver como mulher. Essa falha pode se converter em um ponto de vista não detalhado ou até mesmo em representações clichês. Existem milhares de filmes que retratam a figura da mulher como indefesa, tola ou como alguém que precisa ser salva. Muitas vezes a personagem vive à margem do homem ou a sua história gira apenas em torno dele e na maioria das produções a mulher é a única figura sexualizada do roteiro.

Mas porque o cinema ainda é uma área predominantemente masculina quando nós, mulheres, somos a maioria nas faculdades? O preconceito e a desvalorização da mulher estão presentes no caminho da formação até o ingresso no mercado de trabalho e esse fato sem dúvida determina a dificuldade em produzir conteúdos mais realistas sobre o universo feminino.

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O Teste de Bechdel questiona a falta de representatividade feminina de qualidade seja na literatura, no teatro ou no cinema. Esse teste foi inspirado em uma história da cartunista norte-americana Alison Bechdel, chamada Dykes to Watch Out For, de 1987, ele possui o objetivo de avaliar a presença das mulheres em filmes, mas também serve para outras obras como séries e livros. Para uma produção cultural passar pelo teste, ela precisa responder as seguintes perguntas:

1 – Existem duas ou mais mulheres com nomes?

2 – Elas conversam entre si?

3 – Elas conversam entre si sobre algo que não seja um homem?

Aparentemente são perguntas simples e questões relativamente fáceis de serem resolvidas em um roteiro, mas a realidade é exatamente oposta. Sem dúvida é muito mais comum encontrar filmes com dois ou mais homens conversando sobre algo que não seja uma mulher do que o inverso. Nós, mulheres, sabemos que nossa vida e nossas conversas não giram em torno dos homens, mas ainda assim é raro encontrar diálogos e cenas que nos retratem de forma realista. Até mesmo filmes direcionados para as mulheres podem não passar no teste exatamente pelo modo que as protagonistas são estereotipadas.

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A página do Facebook SourceFed publicou um trailer sarcástico chamado “A Personagem Feminina Pouco Desenvolvida” que ironiza a narrativa clichê de filmes que estereotipam as mulheres e as reduzem a uma figura fraca, instável e sem controle emocional.

Confira o vídeo A Personagem Feminina Pouco Desenvolvida, aqui.

Ainda ansiamos por mais mulheres no mercado de trabalho e em cargos de liderança em produções cinematográficas, por mais personagens femininas bem desenvolvidas, por mais mulheres contando nossas reais histórias nas telas de cinema. Por mais representatividade feminina na indústria cinematográfica e em tantas outras áreas.


Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida. Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso. Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio... .
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