muito além do óbvio

Sobre inquietudes, artes e algo mais...

Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida.
Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso.
Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio...

Até quando?

Até quando o machismo irá imperar? Até quando iremos nos calar? Até quando haverá a próxima vítima, a próxima mulher intimidada, abusada, estuprada? Quantas mortes ainda iremos chorar? Que o silêncio apavorante se transforme no silêncio que precede a tormenta, o furacão, a mudança. Pois, não seremos livres enquanto outras mulheres forem prisioneiras. Não seremos fortes enquanto outras mulheres se sintam fracas. Não poderemos viver normalmente enquanto tantas morrem cruelmente.


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Chorei por ela, chorei por mim, chorei por nós. Não foi comigo? Não foi com você? Sim, minha cara, foi com todas nós. Mas dessa vez quem irá sofrer as consequências físicas e psicológicas é apenas uma mulher. Ontem foi uma, amanhã será outra. Quem? Quando? Onde? Até quando haverá a próxima?

Até quando haverá a próxima intimidação no trabalho, o próximo assovio na rua, a próxima abordagem desagradável, o próximo tom abusador, a próxima encoxada no metrô, a próxima piadinha machista, a próxima passada de mão, puxada no cabelo, exposições de fotos íntimas na internet. Até quando teremos medo de pegar um taxi, de andar sozinha na rua, de ir e vir, de ser livre, de ser mulher!

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Ficamos mudas diante de tamanha barbaridade. Silêncio. Indignação. Mais silêncio. Mas queremos o silêncio apenas se for aquele que precede a tempestade, o vendaval, o furacão. É esse o silêncio pelo qual ansiamos. O silêncio antes do ecoar de nossas vozes, juntas, pois somos muito mais fortes! Que a nossa voz mesmo cansada nunca se cale. E que somente emudeçam aqueles que que nos tentem parar, que nos tentem intimidar!

Basta! Eu grito para calar o seu machismo, o seu sexismo, o seu abuso verbal, físico, sexual. O poder feminino te apavora, por isso seu falo, ao contrário do que pregam, não é um símbolo de poder, mas apenas de medo e intimidação.

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Mulher, a culpa não é sua e nunca será. Não é culpa do tamanho da sua saia, da profundidade do seu decote, do seu comportamento, do seu jeito de andar, de ser, de se portar. Não é culpa por ter saído tarde, por estar andando sozinha na rua, por ter confiado. Não é sua culpa e nunca será!

Ontem nos indignamos, choramos, mas hoje precisamos parar. Parar para falar, para lutar, para gritar por mais sororidade. Pois não seremos livres enquanto outras mulheres forem prisioneiras. Não seremos fortes enquanto outras mulheres se sentem fracas. Não poderemos viver normalmente enquanto tantas morrem cruelmente. Somos como as ondas do mar, juntas somos muito mais fortes!


Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida. Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso. Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio... .
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