muito além do óbvio

Sobre inquietudes, artes e algo mais...

Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida.
Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso.
Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio...

Poemas desconstruídos aos ex namorados

Do amor que ainda não havia acontecido, ela ressignifica os momentos vividos. Buscando em outra emoção, a menina acertou o passo quando criou a sua própria dança, sua própria canção. A mulher a toma pela mão, a música romântica agora faz sentido, ela não precisa mais de alguém, pois agora é o seu próprio abrigo. Então o amor vem, leve, livre, pleno, não a tira mais do chão, pois ele tem pés firmes, fortes e férteis e a acompanha nesse samba canção.


Thumbnail image for casal 01.jpg Foto de Natacha Mantovavi do Projeto: http://cargocollective.com/natachamantovani/on-Body-Project

Quis tanto ser a sua paz, mas ainda não havia encontrado a minha. Quis tanto que você fosse o meu encontro, mas não sabia onde eu estava e muito menos aonde queria chegar. Quis tanto dar, mas nem ao menos sabia receber. Quis apenas pedir, mas só soube exigir. Quis tanto escolher, mas só aceitei o que era dado. Não fomos além; eu não era, você não foi, nós partimos.

O romântico professor, o artista de boa fé, o tradicional pé no chão; todos em poucos, um pouco em todos. Enquanto eles passavam, ela seguiu cantarolando entre Caetano, Lenine, Cazuza, Faith no More e Sade. Do nacional ao pop, do romântico ao rock, das viagens às despedidas, dos planos aos abandonos, dos momentos felizes aos desamores... mas, ó menina, os dessabores fazem parte quando ainda se é uma mera aprendiz nessa arte.

E essa tal arte de amar? A técnica pode variar, mas ela só conseguia a transformar em verbos e nunca em poesia! Querer, exigir, dançar e trocar de par, uma dança descompassada, com passos esquisitos, o que adianta os belos giros, se os ritmos são distintos? Talvez trocando de verbos? Enxergar, atravessar e se encontrar, de tal forma que essa arte faça algum sentido.

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O tango no meio da rua, as cócegas fora de hora, os beijos adolescentes no banco do carro, as musicas cantadas com letras e melodias trocadas, as horas e horas de debates culturais que terminavam em sexo e recitais, os trovadores urbanos, as viagens inesquecíveis, escrever o nome na areia e rolar nela depois, ser brega e desejar ser piegas. Todos esses momentos ficam, doces, como se somente isso fosse. Mas foi além, o fim se tornou o recomeço e quão belo foi!

Apego, intolerância, machismo e discrepância, nem tudo eram flores, mas a menina aprende, a menina dança. Ela se reinventa e coloca cor aonde era cinza, vida aonde eram cinzas e a mulher a toma pela mão para dançar a tão esperada canção.

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Confiança, respeito, paz, harmonia, liberdade... Tantas palavras em tantos lugares e não é que estavam aqui o tempo todo? Buscando em beijos, abraços, momentos; encontrou no mais importante dos relacionamentos! Ó menina, vá além e enxergue em si mesma o lugar de recomeçar.

Entre amores e dessabores: gratidão. Pois o encontro não é ao acaso e o acaso é mera ilusão. Eles fizeram parte de uma história que ainda esta sendo escrita, mas que agora possui autora e capítulos muito mais definidos. E entre tantos:

Amor, você chegou quando aprendi a me amar por inteiro e não poderia ser diferente porque agora estou livre para te amar também. Esse amor calmo que me traz paz, não tira meu chão, mas sim me ajuda a ficar ainda mais em equilibro e apoiar os meus pés em um terreno firme, forte, fértil. Esse amor que prossegue em liberdade, sem amarras, sem cobranças, apenas com a confiança em ti, em mim, em nós. Não nos completamos, pois somos 2 inteiros que se encontraram. Obrigada por despertar o melhor em mim.

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Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida. Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso. Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio... .
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