muito além do óbvio

Sobre inquietudes, artes e algo mais...

Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida.
Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso.
Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio...

Qual é a sua liberdade?

Você se sente livre no seu trabalho, na sua família? Se sente livre pra tomar as escolhas que realmente quer pra si? Você se sente livre pra ser tudo aquilo que realmente poderia? Se perguntar isso é um longo exercício e encontrar essas respostas é algo ainda mais desafiador, mas sem dúvida estar em contato com a sua essência é um dos maiores presentes que a vida pode nos proporcionar.


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Largar um emprego exaustivo e que não lhe é gratificante, se livrar de um chefe explorador, cortar laços com aquele familiar ou “amigo” que só sabe te denegrir; sair de um relacionamento abusivo ou destrutivo. São situações muito similares com a sensação de estar anos em um cativeiro e de repente conhecer a liberdade.

O vento soprando no rosto é algo extraordinário e a recompensa de poder ser e fazer tudo aquilo que você sempre quis é inexplicável, mas o fato é que ainda, por muito tempo, o sentimento de estranhamento pode tomar conta do nosso emocional, por isso lidar com uma nova vida baseada em novas escolhas nem sempre é tarefa fácil. Inicialmente não sabemos o que fazer com essa liberdade, por mais angustiante que fosse estar preso, seja literalmente ou preso em uma situação angustiante ou ainda em uma relação de submissão, exploração e dor física ou emocional.

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Estar preso não é apenas um estado físico, é algo que vai muito além, a maior prisão pode ser nossa própria mente ou aquela que acorrenta a nossa alma. Como diz a personagem principal da serie The O.A.: “Tente se imaginar sendo prisioneiro por tantos anos, você não é livre só porque pode ver o oceano. O cativeiro é uma mentalidade, é algo que carrega com você".

Ou seja, apenas poderemos ser verdadeiramente livres quando conhecermos a nós mesmos e ao mundo que nos cerca. Quanto mais conscientes estamos dos conflitos internos e, ao mesmo tempo, quanto mais maduros estamos para lidar com a pressão dos outros e da sociedade, mais livre seremos.

Sem esse autoconhecimento, será impossível nos libertarmos das nossas próprias prisões, aquelas que criamos dentro de nós, e consequentemente não nos sentiremos livres nem na altura mais alta, nem sentindo o vento mais fresco ou olhando o mar mais azul. A liberdade está presente todos os dias em cada pequena escolha e atitude e são essas decisões que nos aproximam ou nos afastam dela.

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Porém, é importante considerar que toda ação gera uma reação, fazer o que se quer sem pensar nas consequências não torna ninguém mais livre e muito menos garante a conquista da felicidade. Por isso, a liberdade pode ser um mau negócio para quem não conhece seus verdadeiros interesses, vontades e necessidades.

Você se sente livre no seu trabalho, na sua família? Se sente livre pra tomar as escolhas que realmente quer pra si, livre para fazer o que gosta? Você se sente livre pra ser quem é ou pra ser tudo aquilo que realmente poderia?

Se perguntar isso é um longo exercício e encontrar essas respostas é algo ainda mais desafiador, muitas vezes voltar para o cativeiro pode parecer mais reconfortante, mas sem dúvida estar em contato com a sua essência e viver o que você escolheu e não o que escolheram para você é um dos maiores presentes que a vida pode nos proporcionar.


Debora Delta

Atriz com um pé no cinema com um pé na escrita e com dois pés na vida. Fã de Kubrick, Almodovar, Nelson Rodrigues e chocolate para adoçar tudo isso. Apaixonada pelas inquietudes, pela mutação e por tudo que vai além do óbvio... .
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