mulher cultura plural

O feminino velejando entre mundos da literatura, cinema, comportamento e atualidades.

Simone Bittencourt Shauy

Enfermeira por paixão. Escritora por predestinação. Ilustradora por inclinação. Mulher plural por emancipação.

Responsabilidades de uma vida em movimento...

Interessante como cada fase da vida tem as suas particularidades em descobertas, crescimento, desafios e responsabilidades. É assim que a vida vai se construindo e nós nos desenvolvendo, moldando nossa personalidade, aperfeiçoando nosso caráter, escrevendo nossa própria história, bloco a bloco...


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Na infância, as maiores responsabilidades geralmente são vestir-se sozinha, arrumar a cama, escovar os dentes duas vezes por dia, comer vegetais, tomar banho, colocar a roupa suja no lugar certo, respeitar pai e mãe, tomar cuidado para não se machucar, falar a verdade, dizer obrigada, desculpe e com licença, não comer a sobremesa antes da refeição principal, dormir na hora que for para a cama, não conversar com estranhos quando sozinho, não brigar com os irmãos, ficar quieto na hora do programa de TV favorito dos pais, não ir para longe e o resto é brincar e brincar.

Quando a vida escolar começa, as responsabilidades aumentam um bocado. É hora de acordar cedo gostando ou não, fazer as lições de casa, estudar para as provas, de preferência não tirar nota baixa, ter bom comportamento, comer mais frutas e vegetais e menos doces, ajudar a cuidar dos animais domésticos. passar de ano, tomar cuidado para não se machucar, sair agasalhado para a escola ( mãe tem mania de frio, não é verdade? ), levar o guarda-chuva ( a mãe de novo tentando bancar a meteorologista! ), não rasgar ou sujar o uniforme, obedecer a professora, não assistir muita TV ou ficar no computador por horas a fio.

girl-with-black-eye-19531.jpg (Ilustrações de Norman Rockwell)

Na adolescência, as responsabilidades são continuar indo bem na escola, não tomar refrigerante demais, se for encontrar as amigas não chegar tarde em casa, tomar cuidado com o avanço dos meninos, não tomar bebidas nas festas, ficar longe das drogas, não fazer nada pelas costas dos pais, ajudar em casa, cuidar dos irmãos menores e das próprias bagunças, confiar nos pais para falar sobre o que sente, pensa, vive e precisa.

Lá no final da adolescência, é hora de trabalhar para pagar os estudos, entender que independência tem regras, tentar resolver os problemas por conta própria e se não conseguir buscar o conselho dos pais, entender que atos têm consequências e que a preocupação dos pais não é porque gostam de pegar no pé dos fihos, deixar que conheçam os amigos, o namorado ou namorada, tomar cuidado com gravidez, evitar más companhias, enfim, ter um comportamento ajuizado.

boy and father.jpg (Ilustrações de Norman Rockwell)

Na faculdade, ouvir os professores, aprender com as experiências deles, estudar com a consciência de que se está construindo um caminho profissional, ter responsabilidade para lidar com dinheiro, aprender a lidar com cobranças, expectativas alheias, afinal, já não se é mais adolescente. Agora, mais do que ser cuidado pelos pais é começar a cuidar deles um pouco mais a cada dia pois estão envelhecendo, aprender a ter um propósito na vida.

Na vida profissional, a responsabilidade de aprender um fazer, ter um horário fixo para trabalhar, ajustar-se na relação com as outras pessoas, saber ouvir, entender, aprender a lidar com o chefe, lidar com frustrações, aceitar críticas e manejar as pressões, aprender arduamente que nem sempre as coisas são justas, que reconhecimento nem sempre vem, fazer uso do dinheiro de modo sensato e cuidadoso, agora se anda mais com as próprias pernas do que nunca!

Até que chega um dia que é hora de deixar a casa dos pais, casar, construir uma vida nova, com uma pessoa diferente, criada de uma outra forma, que pode pensar diferente, ter gostos diferentes, comportamentos diferentes, sonhos diferentes, entendimento das coisas sob outros ângulos. Aqui a responsabilidade é aprender a conviver com estas diversidades e particularidades sob o mesmo teto, aprender a ouvir com a intenção de entender, falar tomando cuidado para não ofender, abrir espaço para a presença do outro, respeitar opiniões divergentes, sentimentos em outras esferas, é o se abrir em corpo, emoções, pensamentos, é preservar o respeito mútuo, é criar um senso de companheirismo sem perder a individualidade, aprender a confiar e buscar reconciliação num momento de desavença.

girl-reading-palm-1921.jpg (Ilustrações de Norman Rockwell)

Perder os pais... Que grande vazio! É ficar órfão para o mundo. Dá umas saudades do colo da mãe!... Agora é ser dono por completo do próprio destino, é tomar decisões sozinho e enfrentar o que for sem aquela "rede de proteção", sem aquele porto-seguro, é ser feliz e chorar sem poder partilhar com eles estes sentimentos, Natais e Anos Novos sem aquela reunião familiar na casa deles, na casa onde se cresceu e se construiu e dividiu tantas e tantas histórias. Se perde um grande alicerce. É carregar na bagagem ao longo do caminho da vida o legado deles, as lições, os conselhos, erros e acertos, os princípios, além de honrar tudo o que nos ensinaram e fizeram por nós, não importa se na presença ou ausência deles.

Tornar-se mãe. Que enorme responsabilidade! Cuidar de uma vida que saiu de dentro que é totalmente dependente de cuidados, que não fala, não anda, é preciso advinhar os desconfortos, alimentar na medida certa, dar amor e atenção incondicionalmente, passar noites em claro, dar os remédios, lembrar que a criança pode estar dormindo descoberta numa noite fria, levantar no meio da noite para cobrir, ver se está bem, contar histórias, sentar ao lado quando tem um pesadêlo, ensinar valores, educar, mostrar o que é amar os outros e a si mesmo.

A responsabilidade de ter um filho é algo gigantesco, é uma vida que se molda. Cada etapa tem um desafio diferente. A preocupação pelo futuro de uma criança é indescritível. Sob a perspectiva de ser pai e mãe, o maior medo é envelhecer ou morrer e não estar lá para cuidar do filho enquanto ele ainda é dependente. É proteger a integridade da nossa vida e da dele, é ensiná-lo a defender-se e ter as próprias convicções, é mostrar o certo e o errado, é ensinar e aprender junto, dar senso de pertencer e valores familiares, é confiar, admirar, aplaudir as vitórias, estar ao lado nas frustrações, manter o encorajamento sempre firme.

mother covering.jpg (Ilustrações de Norman Rockwell)

A vida é um eterno caminhar, um presente e um barco para se navegar em alto mar tendo pela frente todos os tipos de correntes e imprevistos. São inúmeras as responsabilidades, mas são elas que nos fazem ser alguém, existir no mundo, pertencer, crescer. Nas suas tantas e tantas etapas, vicissitudes e conquistas, construir, errar, consertar o erro, ensinar, entender, aceitar, fazer escolhas, buscar equilíbrio, cair e levantar muitas vezes, cultivar bons relacionamentos, celebrar a vida nos seus altos e baixos, ser grato, ser bom, ser íntegro, sincero, honesto, generoso, respeitoso, valorizar o que se tem, lutar pela própria subsistência, ter paciência, perseverança, garra, fé, ter um pé nos sonhos e outro no chão, não se deixar corromper, enxergar além da superfície das coisas e das pessoas, proteger a própria dignidade e a do outro também, lutar contra os preconceitos e a ignorância, cuidar-se, educar-se, deixar-se cuidar e cuidar dos outros, estender a mão sem olhar a quem, não julgar, não exigir perfeição de ninguém, fazer muito mais elogios e se for para criticar que seja com amor, andar para frente e, se tiver medo, vai com medo mesmo!


Simone Bittencourt Shauy

Enfermeira por paixão. Escritora por predestinação. Ilustradora por inclinação. Mulher plural por emancipação. .
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