mulher cultura plural

O feminino velejando entre mundos da literatura, cinema, comportamento e atualidades.

Simone Bittencourt Shauy

Enfermeira por paixão. Escritora por predestinação. Ilustradora por inclinação. Mulher plural por emancipação.

Mônica Bellucci e o direito de envelhecer

Quando a personificação da beleza física mostra que envelhecer é um processo inexorável para todos sem exceção e que não há nada de errado nisto...


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Mônica Bellucci, por décadas, considerada um ícone da beleza inquestionável. Uma mulher italiana sempre no auge da sua exuberância. Corpo violão, cabelos brilhantes, olhos penetrantes, lábios sensuais... Todos os homens parecem sonhar com ela e todas as mulheres parecem tê-la como muito do que se quer ser. Todo mundo esqueceu de imaginar que ATÉ ela iria envelhecer!

Agora que está com 50 anos, muitas pessoas expressam um certo choque como se, especialmente ela, não tivesse o direito de envelhecer!

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Sua personagem no filme "Malena" era símbolo de desejo e desdém. Uma mulher comum "absurdamente" bela. Incomodava muita gente. Os ignorantes de plantão, faziam-na sentir-se culpada por ser linda. Colocaram-na numa moldura de A pecadora, sendo que ela nunca havia feito nada para merecer o rótulo. Somente porque era bonita "em excesso", tinha que ser desqualificada por aqueles que tinham o monopólio do recalque.

Agora percebo nisto um paralelo com a Mônica da vida real que chega aos 50 anos de idade. As pessoas se dividem em grupos no que concerne ao julgamento dela nesta idade: uns acham um absurdo que até Mônica Bellucci tenha envelhecido; outros acham bem feito, porque não tinha o direito de ser bonita e jovem para sempre; outros admiram a "coragem" e a "dignidade" dela de envelhecer. Sim, coragem e dignidade, porque num mundo tão ditatorialmente superficial, preconceituoso, implacável, que tem obsessão por beleza e perfeição, uma mulher que é símbolo absoluto da beleza física precisa ter coragem para mostrar as rugas sem ser marginalizada ou hostilizada pela mídia e público. Chegamos a este ponto!

Nas entrevistas que dá, sempre procura ressaltar que por detrás da imagem de beleza estonteante, provocadora, sexual, sensual, existe uma mulher comum: mãe, esposa, filha, amiga, cidadã. A imagem da Mônica "fabricada" é a de uma mulher sem defeitos, praticamente de outro mundo, uma deusa do Olimpo, inatingível na sua juventude e perfeição. Mas a Mônica real diz que é mais uma de nós - simplesmente uma mulher com data de nascimento e envelhecimento!

E para o choque absoluto dos que acham que uma mulher como ela, que poderia ser obcecada por sua beleza e juventude, chegando aos 50 anos morreria de depressão assim que as primeiras rugas, fios de cabelos grisalhos, manchas nas mãos se manifestassem implacavelmente, se enganaram! A Mônica real não tenta esconder por detrás de cirurgias plásticas, aplicações de botox, recursos de fotoshop e maquiagem que está envelhecendo sim. E segundo seus planos, pretende ficar bem velha, em suas palavras: "vecchia, vecchia"!

Acha que na velhice, a beleza física se transforma na beleza de experiência de vida. Enquanto uma vai se esvaindo, dá lugar para outra florescer que é a beleza da riqueza do que se sabe, se aprendeu, conquistou, se tem para ensinar e inspirar.

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Para os incrédulos de plantão, a personificação da beleza não tem medo de envelhecer! Se ela que é ela não tem medo, por que nós "mulheres mortais" deveríamos ter, não é mesmo?

Mônica Bellucci, através da sua própria aceitação, nos ajuda a tornar menos difícil nosso próprio processo de envelhecimento, numa sociedade medida por medidas de superfície. O envelhecimento dela acontece com absoluta dignidade e orgulho. Uma grande lição, grandes valores para se celebrar!

E meninas, lembrem-se, a próxima James Bond girl será ela mesma: Mônica Bellucci! Se 50 anos é um atestado de aposentadoria das virtudes femininas? Ela vai provar que a resposta é: ABSOLUTAMENTE NÃO!

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Assim fica mais fácil nos olharmos com menos medo no espelho da passagem do tempo que, afinal, é mesmo inexorável em sua marcha ... até mesmo para Mônica Bellucci. Se ela que é ela não está preocupada, mas orgulhosa, por que não fazemos o mesmo??

Mônica Bellucci fez 50 anos!! Viva e bravo!!! Viva as mulheres de todas as idades, mulheres plurais!!

Obrigada Mônica, por nos "permitir" envelhecer com dignidade, amor próprio, auto-estima, com a cabeça erguida e planos, muitos planos para o futuro. Sim, muitas de nós não temos mais 18 anos mas, como os americanos costumam dizer: so what? (qual é o problema?)

Problema nenhum!!! Quem assina embaixo é ninguém mais, ninguém menos, do que Mônica Bellucci!


Simone Bittencourt Shauy

Enfermeira por paixão. Escritora por predestinação. Ilustradora por inclinação. Mulher plural por emancipação. .
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