mulher cultura plural

O feminino velejando entre mundos da literatura, cinema, comportamento e atualidades.

Simone Bittencourt Shauy

Enfermeira por paixão. Escritora por predestinação. Ilustradora por inclinação. Mulher plural por emancipação.

No escurinho do cinema...

Uma experiência sensorial sem igual....


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O ritual tem início... Escolho o filme, pago a entrada, compro uma barra de chocolates e procuro um lugar na sala para sentar. Coloco a bolsa no banco ao lado se estiver vazio e tento achar uma posição mais confortável para acomodar meu esqueleto. Já me sinto diferente de quando cheguei.

Olho para a tela ampla e tentadora e fico esperando o espetáculo começar, já com o coração inquieto pronto para entrar naquele irresistível descompasso. As luzes são reduzidas aos poucos para a escuridão total e os comerciais e trailers se desenrolam. Tudo com aquela qualidade de som maravilhosamente impactante que o cinema tem como monopólio. Não existe nada igual para ressoar dentro da gente como um tambor como som de cinema. Já repararam que ele muda de lugar? Ás vezes está na frente, ás vezes no meio, de repente, atrás. Parece brincar com os nossos sentidos. É interessante! A sala de cinema tem este poder mágico de causar uma experiência sensorial incrível.

O filme finalmente começa. O mundo de fora desapareceu. Só o mundo de dentro da sala de cinema vive na gente agora. Parece até que entramos num disco voador e partimos para outras galáxias. O nosso planeta original ficou para trás, virou poeira. Naquelas duas horas, duas horas e meia, ou três, estaremos em estado de hipnose se o filme for bom.

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Os rostos dos atores e atrizes estão estampados na tela em tamanho tal, que não há como ignorar cada centímetro quadrado deles. Todos tão (per)feitos para serem gostados, cobiçados e admirados. Isto porque este mundo de ilusões chamado movie making cria propositalmente esta atmosfera que parece transformar os atores e atrizes em "entidades" únicas, muito particulares. Talvez por isto que as celebridades sejam cortejadas como "espécies" outras, num outro patamar que o dos "simples mortais".

Nos anos clássicos de Hollywood, do período do cinema mudo até mais ou menos o fim dos anos 50, especialmente, os estúdios tinham controle absoluto sobre a vida dos astros e estrelas a tal ponto que seria impossível não vê-los na vida real do mesmo jeito que eram vistos nas telas: impecavelmente vestidos, sempre com cabelos sem um fio se atrevendo a estar fora do lugar, frequentadores de festas maravilhosas, cobertos de jóias, sofisticação plena, charme absoluto, parecendo sempre felizes, com um homem ou uma mulher ao lado tão esplendorosos quanto eles. Naqueles tempos, avistar um artista de cinema que fosse famoso andando pelas ruas com roupa casual, cabelos despenteados, sem a barba feita e companhias que não fossem, digamos, fora dos padrões que os chamados "movie moguls" como os Mayers, Warners, Cohns, Foxes, Laemmles, and Zukors determinavam, seria 100% exceção, jamais regra (muito diferente dos tempos de hoje!). Os departamentos de publicidade tinham que trabalhar incansavelmente dia e noite para manter o público realmente imaginando que as celebridades estavam num tipo de topo do Monte Olimpo, nada menos do que aquilo. Os estúdios queriam manter toda aquela ilusão de vidas perfeitas, pessoas perfeitas, relacionamentos perfeitos... inabalável!! Assim, astros e estrelas nunca eram pegos, vamos dizer, desavisados! Acordavam e iam dormir sempre impecavelmente prontos para gloriosos close ups das câmeras dos paparazzi.

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A trama vai se desenrolando na tela e na gente. Nossas emoções vão aos poucos se alinhando com as emoções e situações dos que reinam na tela. É como um imã que se apodera de nós. O que sentimos fica em suspensão. Entramos num transe de fascinação. É encantamento, alegria, curiosidade, identificação, tristeza, supresa, adrenalina... Vamos mergulhando mais e mais... Rimos, choramos, torcemos, nos contorcemos... Sobretudo, nos tornamos cúmplices, confidentes, irmãos e irmãs siameses daqueles personagens, dos sentimentos deles, das situações que vivem, do que pensam...

Quando o filme termina, a estória, os personagens, a trilha sonora, toda aquela experiência altamente sedutora vai para o mundo de fora conosco. Permanecemos suspensos em algo absolutamente arrebatador. Naquela sala escura de cinema, tudo é feito para que, de algum modo, saiamos diferentes de como entramos. E, de um jeito ou de outro, a gente sempre sai! Ou mais românticos, ou mais críticos, ou mais de bem com a vida, ou mais apavorados, ou mais encorajados, ou mais sonhadores...

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Simone Bittencourt Shauy

Enfermeira por paixão. Escritora por predestinação. Ilustradora por inclinação. Mulher plural por emancipação. .
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